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İleride Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler

ŞEKİLLER LİSTESİ

SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

5.2 ÖNERİLER

5.2.2 İleride Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler

Em relação ao encerramento do campeonato, houve distribuição de camisetas do Campeonato Brasileiro em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa. Depois da premiação geral tiveram lugar as homenagens.

O primeiro homenageado foi o Sr. Constantino, que ganhou o certificado de promoção para 6º Dan pelo exame que participou no sábado, juntamente com a Srta. Miwa Onaka. Sobre o Sr. Constantino, admite-se no Brasil – de acordo com a opinião do Sr. Yashiro – que ele seja o primeiro brasileiro sem descendência japonesa a receber tal graduação232. A Srta Miwa Onaka viveu no Japão – onde obteve o mestrado em Educação Física – e, por competir nos campeonatos transmitidos pela TV japonesa, ficou bastante conhecida – no Japão e no Brasil de acordo com o Sr. Yashiro.

Também houve homenagem póstuma ao Sensei Mitsuo Kimura, de forma a que seu filho ganhasse um banner233 ao final.

Depois, o pai do sr. Roberto Someya [Técnico da Seleção Brasileira de Kendo] ganhou duas espadas por serviços prestados ao Kendo no Brasil234. Ele ganhou duas katana. O seu certificado

fora escrito [na hora do almoço, por um velhinho que estava na sala de coordenação da CBK e que tive a chance de presenciar] e lido em japonês – com a tradução depois da leitura integral do texto. O Sr. Someya recebeu os katana, agradeceu com uma mesura ampla e voltou a se sentar na mesa de autoridades, apoiado pelo seu filho.

A senhora Michiko Kishikawa [6º Dan] ganhou a mesma homenagem que o Sr. Someya, só que em uma inédita divisão por gênero235. Esse prêmio é dado a pessoas que propagam a cultura japonesa tendo por suporte o Kendo. O caso dessa senhora é exemplar pelo seu zelo com os praticantes e pelo seu trabalho e presença nos mais variados campeonatos. Ela ganhou um lindo quadro no qual se via um kabuto dourado no centro e, nas palavras do Sr. Kogima, ―ela foi uma das pessoas responsáveis pelo ―verdadeiro yamato damashii‖ no Brasil [Espírito Japonês]. Passada as homenagens, houve distribuição de shinai e livros. Após a distribuição de brindes, o sensei Tadao Ebihara ganhou um certificado pelo seu trabalho durante os festejos da Comemoração do Centenário em SP. [Nota de campeonato, Julho de 2008]

232 Sr. Constantino A.P. Messinis. Filho de Symeon Constantin Messinis e Vassiliki Symeon Messinis, 51 anos, ensino superior completo, industrial, 6º Dan de Kendo obtido em 2008. Começou a prática com 13 anos em Brasilia/DF. Atualmente reside em São Paulo, e é Presidente da Federação Paulista de Kendo. Teve e tem importante papel de divulgação da atividade no Estado de São Paulo.

233 Ver apêndice fotográfico.

234 O Sr. Someya foi presidente da antiga Associação Brasileira de Kendo na década de 80-90.

235 Foi a primeira vez que essa homenagem foi dividida em gênero. Normalmente entregue apenas a homens que houvessem prestado serviços relevantes em prol do Kendo no Brasil.

Em suma, alguns casos exemplares da atualização da geometria de japonesidade, para dentro e para fora do Kendo, confirmando indiretamente que sua operação é co-extensiva a outros campos, que poderiam a princípio ser tomados distintamente. Mas nota-se que a geometria tem de operar ampla e constantemente, muito embora dependa de ativações, essas sim fugidias e locais – se são atualizações, não podem ser consideradas ‗estados permanentes‘ ou entrariam em incongruência com o postulado da ‗atualização‘. Não obstante, o cálculo da japonesidade parece operar por meios infinitesimais; a cada encontro, cada pequeno momento, atitudes etc.. até o ponto que teríamos uma integral nipônica, que é o resultado do cálculo geométrico da japonesidade. No precedente temos exemplos de integrais do cálculo.

Confraternizações- Atualizações, proximidades e distâncias

As confraternizações fazem parte da temática geral dos campeonatos, e são vistos como os momentos nos quais a abertura é maior em relação a conversas e em que os graus de proximidade e distância são mais fluidos e não necessariamente ritualizados. Não obstante, a manifestação do ‗respeito‘ – e nos lembremos que alguns planos de sua atualização tomam as formas da mesura, do falar baixo e da‗educação‘ – são dados a priori. As confraternizações são momentos nos quais se observa uma abertura para conversas e trocas de experiências além de serem espaços de descontração geral. Porém, fatos e pensamentos importantes são apresentados, fazendo intima parte da dinâmica do Kendo em co-extensão potencial.

É prática comum durante os eventos [em sentido geral] que sejam levados professores para jantares particularmente no pós-campeonato. Tem por iniciativa ambientá-los além de ser uma forma de agradecimento pela presença, conforme explicação nativa. Nesses momentos, a descontração toma conta e os professores são requisitados para falar. Nesses espaços antropológicos de sociabilidade ocorrem trocas ao nível de mensagens, e os assuntos são variados dentro do tema geral ‗Kendo‘: como deve ser uma luta, como manter a postura ‗corporal‘ e ‗espiritual‘ e como se conduzir perante a vida – ao modo japonês. Os professores são tomados como ‗modelos de conduta‘ fora dos salões, encarnando um ‗tipo de pessoa ideal‘ e acabam, virtualmente, por exercer uma ‗dominação tradicional legítima‘. Ou seja, é uma espécie de domínio

que funciona como obediência em virtude da dignidade da pessoa e seu modo no geral é a fidelidade (WEBER: 2000, P.131).

Existem dois momentos - dentro e fora dos salões de treino - e três tipos de pessoas – professores mais velhos, mais novos e praticantes em geral – com as quais é possível manter relações de conversa: os professores mais velhos – e em relação a eles a atitude hierárquica é delimitada por uma série de cálculos aproximativos: é preciso agir com ‗respeito‘, pedir licença, fazer a mesura ou a inclinação do corpo e depois dessas prévias, o professor estará aberto a ser interpelado – e os professores mais novos, perante os quais a conversa se desenrola de forma liberal. Os professores mais novos perante os antigos têm atitudes de respeito – como é o caso do professor Willian Fujikura236 em sua relação com o professor Ishihashi. O campo geracional é refletido intimamente na distância hierárquica. Com os ‗superiores‘, respeito. Com os ‗iguais‘, o campo das atitudes pode mudar diante das circunstâncias e dos momentos e por fim, com os ‗inferiores‘237, na qual a abertura é efetuada com certa liberdade, desde que o

espaço relacional seja marcado com patamares hierárquicos similares. Ainda estamos a falar sobre a capacidade de atualização da hierarquia tomando-se seu embasamento em três critérios principais: descendência japonesa, grau de classificação na hierarquia do Kendo e idade. Quanto maior a idade, mais respeitosa é a relação no geral238. Lembremos que estamos a operar com a geometria de japonesidade.

Em suma, dentro e fora dos salões a ‗hierarquia‘ é funcional como princípio de virtual atualidade das relações, pois quanto maior a distância relativa maior é o reflexo no campo das atitudes diferenciais. Fora dos salões, existe certo arrefecimento do princípio, mas ele opera. Uma distância hierárquica máxima gera uma distância social máxima.

236 William Shuhei Fujikura. Filho de Keizo Fujikura e Sumiko Fujikura. 39 anos, 6º Dan, curso superior completo, começou a praticar Kendo com onze anos em Fukuhaku, Suzano. Administrador de empresa, Granja Fujikura. Foi membro, técnico da Seleção Brasileira e atualmente retornou da Suécia onde treinou a seleção deste país para o Mundial realizado em Agosto no Brasil.

237 Sempre dados em um campo relativo ao Kendo. Não existe essencialização; apenas atualizações. 238 Lembro-me dos treinamentos da Seleção Brasileira de Kendo em Curitibanos/Santa Catarina ocorridos em 2006. O membro da Seleção Tadahito Ebihara designava os professores com mais idade de ‗os velhinhos‘ e, como eles estavam alojados em melhores condições do que nós e em outro lugar – no qual o panóptico hierárquico não era passível de atualização – as festas noturnas no alojamento japonês puderam ocorrer sem problemas, para o meu desespero, pois fiquei praticamente três dias sem pregar o olho...

Campeonato brasileiro de Kendo de 2007. [14 e 15/07- Baby Barioni (SP)]

Dia 14- sábado

À noite, fomos jantar no Shopping West Plaza e depois saímos para tomar cerveja junto com algumas figuras carimbadas do Kendo, como o Tadahito, o Fausto, o Coichi e outros. Eu estava em companhia de Harumi e de seu filho, Kenji. Bem, os assuntos foram os mais variados e focaram desde mulheres bonitas que treinam Kendo a expoentes na prática, além de piadas e risadas. Um bom clima. Mas o assunto sempre é Kendo. O Tadahito é uma figura bastante enigmática, pois tem duas facetas – uma face de praticante assíduo e que sempre está presente em todos os eventos [imagino que não sem implicações graves em sua relação familiar] e nessa faceta existe a atualização da japonesidade e outra, mais aberta e brincalhona, nos bares. [Nota casual pós campeonato, Julho de 2007]

Sobre a despesa com os professores, ressaltamos que são custeadas pelas Associações ou pela CBK quando os campeonatos são oficiais e ocorrem em São Paulo. Há uma circulação dessas pessoas em variados lugares do Brasil e nas várias academias, com o objetivo de ministrar ensinamentos, que implicam num circuito de troca, uma vez que os professores não cobram por seu ensino e por receber esse ensino, as associações arcam com as despesas decorrentes. Essas despesas se tratam de estadia, alimentação e transporte. Essa prática de bancar as despesas – ou o ‗mimo‘ – é maior tendo por base a distância hierárquica relativa, sendo diretamente proporcional no geral. O que se busca com isso?

O plano virtual é zerar os diversos débitos existentes. Se o Kendo desenvolve o ―espírito‖, não pode exigir contrapartida na reflexão nipônica239. Mas esse

desenvolvimento do espírito gera uma série de créditos e débitos que devem ser zerados em vida. Troca de corpos, modulação de bens, intercâmbio de mensagens. Sobre os ‗corpos‘, namoros, casamentos, e relações desprovidas de continuidade. Também intercambiado pela relação de ‗pagamento‘ pelos trabalhos nas associações. O trabalho político gerado pela obrigação de débito criado pelo ganho real ou imaginário de qualidades espirituais é uma obrigação, pois é preciso pagar esse débito e esse pagamento é o limite, o grande limite que nunca se atinge, pois as relações de ensino e aprendizagem geram novos débitos e créditos.

Problemas aparecem:

27 de outubro de 2007. Palestra de Guillaumon e Ishihashi – São Carlos/SP

Após as palestras fomos almoçar no ―Sabor Oriental‖. Neste almoço, tive a oportunidade de conversar com Guillaumon de uma forma franca e ele me contou sobre algumas dificuldades enfrentadas durante os treinamentos na Seleção Brasileira. Entre elas, estava a busca de descendentes de japoneses para comporem a seleção e ele acabou descartado na década de 1990 por ser gaijin [estrangeiro]. Disse-me que as coisas mudaram bastante, mas naquele momento essa havia sido sua percepção, de ser ‗descartado‘ em razão de não ser descendente.

A escolha recaiu, segundo ele, sobre uma avaliação de fenótipo. Essa avaliação de fenótipo deve ser compreendida dentro de uma posição mais ampla do Kendo no Brasil frente ao Japão nessa década. Desejava-se mostrar que o Brasil era ‗mais japonês‘ que o Kendo praticado no Japão240. Ora, o que parece surgir a partir desse tipo de evidência é uma manipulação da noção de ‗japonesidade‘, uma geometria que calcula graus variados de distanciamento e aproximação em relação ao ‗modo‘ virtual de ser ‗japonês‘ – princípio atual de tornar-se japonês e que, note-se, toma similar operação nas diferentes modulações dependentes dos planos de atualização em questão.

20/05/2007- Torneio Centenário Zenzo Yamamoto. Confraternização

No final da confraternização, o Sr. Tsutsumi fez um brinde [Kanpai] ao campeonato e falou que a Sra. mãe do Sr. Yashiro era mais ‗japonesa‘ que muitos japoneses, em razão de ―sua força e pela sua postura iluminada no sentido de se posicionar ao assistir os eventos‖.

Parece-me que há uma caracterização fluida do que é ―ser um japonês‖. Importante ressaltar que o Tsutsumi é japonês emigrado e trabalhava como vice-presidente da Mitsubishi do Brasil. Depreende-se que a noção de ―japonês‖ pode ser tomada como um modo de classificação. Mais ou menos ‗japonês‘ são modos de se classificar o outro, que pode ser ou pode não ser um ‗cidadão‘ japonês, diga-se de passagem. Ser de fato um ‗descendente de japoneses‘ não é condição necessária e/ou suficiente nesse contexto. E entrementes essa capacidade de se classificar o outro sempre é efetivada, ativada e jamais é

240 Sobre tal ponto, em conversas com praticantes antigos, algumas anedotas surgem. Certa vez, ouvi que em um exame de graduação de Kendo realizado em um campeonato brasileiro [2002], um praticante de inegável habilidade havia sido reprovado no exame de shiai. O impressionante foi que, em uma banca de examinadores no número de sete pessoas, sendo três nihonjin [japoneses] e quatro burajirujin [brasileiros descendentes], os japoneses aprovaram o examinado, e os brasileiros não. Dois processos têm lugar: uma geometria política e uma geometria diferenciante em relação ao Kendo japonês. Sobre tal cálculo, em certos momentos atualiza-se a idéia de que o Kendo ―brasileiro‖ manteve mais qualidades tradicionais que o Kendo japonês em razão da emigração.

definitiva. Outrem pode ser classificado como japonês e perder essa capacidade em outro contexto e diante de outras situações de conflito, conforme Ishihashi disse-me certa vez: ―Um japonês é um japonês quando faz exatamente o que se espera dele‖. Quando não, ele pode ser classificado de outra forma, nesta linha de pensamento. [Nota de campeonato-confraternização: novembro de 2007]

A partir do precedente, depreende-se que o termo ‗japonês‘ encobre uma nebulosa de planos – que compõem linhas de fuga, de ação, de conexão – que estabelecem o que é ‗viver ao modo japonês‘. Essa idéia pressupõe uma ‗condição‘,

chamemos de uma ontogenia – pois centrada em desenvolvimentos do ‗ser‘ e que trás

como corolário transformações – ao contrário de uma filogênese, centrada na ‗espécie‘. Em suma, não há uma essência fixa e imutável no plano do pensamento, quanto mais no plano da ‗espécie‘. Claro que algumas componentes ajudam a situar as pessoas enquanto mais próximas ou mais afastadas da idéia virtual de ―japonês ideal‖ e, no limite, bem poucas pessoas estariam próximas dessa idéia de japonesidade propagada pelo Kendo no atualizável. Se existem graus de distância e proximidade, existe hierarquia e classificação. E essa classificação é efetuada em todos os momentos, até mesmo nos momentos em que – aparentemente – não se está a atualizar numa singularidade a ‗japonesidade‘.

Enfim, o mecanismo de classificação encontrado no Kendo não é da ordem de ‗se inserir‘ afastando outros (MACHADO: 2003), mas sim de escalonar outros, inseri- los enquanto dotados de japonesidade potencial. A máquina ‗identitária‘ centraliza outrem – desde que esta possibilidade esteja disponível – estando em conformidade com o dispositivo hierárquico adequado à atualização da componente ‗humildade‘. Estamos em vias de compreender de fato que a ‗identidade‘ é apenas um horizonte virtual em um atual onde só há ‗diferença‘, de alto a baixo e ortogonalmente. Portanto, ‗outrem‘ – outrem241 não é nem sujeito nem objeto, mas estrutura ou relação que determina a ocupação de posições relativas a funções designadas hierarquicamente – é o termo que corre entre maior ou menor potência flexionada pela densidade geral da japonesidade; e apenas enquanto atual adquire sentido. Resumindo, tal dispositivo fabrica singularidades japonesas, que apenas podem ser tomadas sob esse predicativo ao se atualizar. Isso que designo como operação da japonesidade.

Poderíamos chamar isso de ―identidade‖, ou ainda de ―alteridade‖ ou ainda das duas coisas ao mesmo tempo. Mas prefiro não me valer de nenhuma delas, pois não é bem disso que se trata. Parece-me que o ideal de ―pessoa242‖ – donde se parte muitas

vezes para a noção de identidade, em um processo indutivo – encontrado no kendo é da ordem da ativação, fabricação e classificação. Jamais a classificação de si, mas de outrem, o que fica claro pela operação de centralizar outros. Parece que não há ―eu sou japonês‖; mas sim ―aquele pode ser um japonês‖. Penso que essa diferença – um pequeno detalhe – é bastante significativa.

A citação abaixo não se trata de uma ―confraternização‖, mas seu caráter será compreendido instantaneamente enquanto um exemplo do precedente.

CAMPEONATO BRASILEIRO - 2008. Domingo- 13/07/08 [Baby Barioni]

Após o campeonato, pedi carona ao Sr. Yashiro para chegar ao clube Piratininga243, local onde estava alojado. O Sr. Yashiro voltaria a São Carlos e pediu a seu filho, Dalton244, que me desse

carona. Arrumamos as coisas e rumamos para a casa de sua avó, no bairro da Liberdade. O Dalton iria viajar para encontrar o Ivan, com o objetivo de ajudá-lo em um trabalho de filmagem e após pegar uns utensílios na casa de sua avó, ele disse que me deixaria no Piratininga.

Chegamos ao primeiro destino e lá estava o seu tio [irmão do Yashiro] e sua avó. O tio do Dalton foi extremamente simpático comigo, perguntando-me coisas sobre a pesquisa após o Dalton ter me apresentado. Fui convidado para jantar, pois sua família o estava esperando com esse objetivo, mas esquivei-me do convite pois estava com o sentimento de estar atrapalhando e queria chegar logo no Piratininga, por alguma razão que não sabia explicar; só tinha o sentido de chegar logo lá. Assim, pegamos as coisas que eram necessárias, bebemos água e refrigerante e o Dalton contou um pouco sobre os exames e que havia adquirido o yondan [4º Dan] e eu sandan [3º Dan]. Recebemos os cumprimentos do tio e da avó. A avó só falou em nihongo – parabenizando-o e fazendo perguntas sobre o exame – e o tio falava português. Perguntou-me generalidades sobre a pesquisa e afirmou que achava interessante essa procura dos brasileiros pela ―cultura oriental‖.

242 Não confundamos com ―noção de Pessoa‖. Ver capítulo 3, no qual procuro efetuar uma reflexão sobre a noção de ‗sujeito‘ e afirmo as razões que me fazem distanciar da teoria da Pessoa.

243 Sede da Confederação Brasileira de Kendo, bairro de Pinheiros, SP.

244 Dalton Yamamoto – Filho de Yashiro Yamamoto e Masako Kayasima Yamamoto, 29 anos, 4º Dan, Educador Físico [Pós-graduado] e empresário. Começou a praticar Kendo com quatro anos de idade em Brasilia/ DF.

Durante a conversa, o Dalton disse-lhes que eu fazia bokuto245, que treinava e que em muitos aspectos eu era ―mais japonês‖ que ele. Ainda disse-lhes como eu organizava alguns objetos em minha casa, confirmando para si e para seus parentes tal hipótese, em sua perspectiva. Quando ele disse isso, algumas coisas bastante importantes aconteceram. Em primeiro, o tio começou a tratar-me de forma extremamente atenciosa. A avó também começou a me tratar com deferência e eu mesmo imaginei algumas coisas que eram até o momento, distintas.

A questão está em que, no momento em que o Dalton disse ―o Gil é mais japonês que eu‖ ele reativou o caminho de compreensão possível de que o termo ‗japonês‘ é um ―modo‖ de classificação. Entrementes, tornar-se um japonês é possível a revelia do fenótipo [relativamente...]. Em suma, corroborando com a observação do Sr. Tsutsumi no campeonato Zenzo Yamamoto, tal sistema classificatório opera por meio de uma nebulosa geométrica variável em termos de distância e proximidade em relação a uma ‗idéia de japonesidade‘ - operação de uma transformação da diferença que pode ou não ser subordinada. Em outras palavras, a ‗diferença‘ [se é que há igualdade em algum nível ou lugar] não desaparece, mas é traçada em planos múltiplos.

Despedimo-nos da família do Dalton e ele me levou ao clube Piratininga. Por muita sorte, cheguei ao local quase na hora do porteiro sair. Para ser preciso, ele estava fora do clube trancando o portão. Despedi-me do Dalton com um abraço e fui conduzido até as dependências onde seria alojado. Em seqüência fui informado pelo Sr. Olindo e por um Sr. membro da CBK que a seleção do Equador estava alojada no local, juntamente com dois membros de uma associação de Recife. Evidentemente, no momento que cheguei não encontrei ninguém em razão de terem saído para jantar. Esperei por eles fora do alojamento. Em certo momento, chegaram e fui apresentado. A seleção do Equador é jovem – o membro mais antigo deve ter uns 40 anos, mas a maioria tem entre 10 e 15 anos.

Após as apresentações pedi licença para arrumar as minhas coisas; e em seqüência, fui ter com os atletas. O sensei da associação do equador foi extremamente simpático, embora pareça ter baixa graduação: talvez 4º Dan ou quinto. Ele era chamado de Kiko e é japonês emigrado. Estava com sua mulher, uma equatoriana.

Fiquei em contato com eles cerca de dois dias, quando foram a