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İleri düzey proje organizasyonu

As principais estradas algarvias eram ainda as herdadas da Monarquia. Raras eram as vias macadamizadas existentes na província. Os relatórios do governador civil publicados nos anos setenta do século XIX, muitos debates na Câmara dos Deputados e dos Pares28, a cargo de deputados algarvios e os periódicos da região então publicados fornecem-nos uma imagem de uma região com uma deplorável rede viária, isolando as populações e, consequentemente, dificultando a circulação daquelas e dos produtos29. A construção de boas estradas daria uma contribuição importante para a prosperidade da província30.

Decorridos alguns decénios, apesar de um amplo conjunto de trabalhos realizados, a situação pouco se alterara. A rede viária algarvia estruturava-se na nacional n.º 17, de Faro a Beja, ainda não concluída, e a estrada distrital de Vila Real de Santo

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LOURO, Estanco, O Livro de Alportel, p. 130 e MARQUES, A. H. de Oliveira, O Terceiro Governo de Afonso Costa, Lisboa, 1977, pp. 55 e 121.

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ADF. Inventário do Governo Civil. Livro de Registo da Correspondência Recebida pelo Governo Civil, 1914-1919 (385), «Ofício do Administrador do Concelho de Olhão», 21/9/1916.

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ADF. Inventário do Governo Civil. Livro de Registo da Correspondência Recebida pelo Governo Civil, 1914-1919 (385), «Ofício do Administrador do Concelho de Portimão», 7/11/1916.

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Sobre a lastimável situação da rede viária do Algarve cf. o relatório apresentado pelo Par do Reino algarvio, José d‟Azevedo, in “Viação no Algarve”, O Algarve, n.º 79, 26/09/1909, p. 1.

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O concelho de Aljezur, por exemplo, «com tantos elementos de riqueza e de vida, predomina a miseria e a ignorancia, e a sua população é dizimada pelas febres, porque vive no meio de pantanos que viciam a atmosphera, tornanado-a insalubre e mortifera» (Relatorio Apresentado Á JuntaGeral do Districto de Faro na Sessão Ordinaria de 1873 pelo Conselheiro Governador Civil José de Beires, Imprensa Litteraria, Coimbra, 1873, Doc. N.º 45, p. 3).

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Sobre o estado das vias de comunicação da província em 1873 e 1877 consultar Relatorio Apresentado Á JuntaGeral do Districto de Faro na Sessão Ordinaria de 1873 pelo Conselheiro Governador Civil José de Beires, Doc. N.º 45, pp. 1-10 e Relatorio Apresentado Á JuntaGeral do Districto de Faro na Sessão Ordinaria de 1877 Com Documentos e Mappas Illustrativos pelo Conselheiro Governador Civil José de Beires, Typographia do Districto de Faro, Faro, 1877, Doc. N.º 15, pp. 79-84.

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António a Sagres. O resto era, com poucas excepções, caminhos e veredas tortuosas apenas transitáveis por muares e asininos31.

Um inquérito realizado às estradas da província revelou a urgente necessidade de construção e conclusão de inúmeras vias, construção de acessos, de reparações e, de suma importância, a falta de verba para prosseguir trabalhos32.

Durante a Grande Guerra, a construção de estradas na região parou completamente (Quadro n.º 9). Muitas encontravam-se em péssimo estado de conservação.

Quadro n.º 9

Estradas Construídas no Distrito de Faro (1915-1919) Unidade: quilómetros Estradas 1915 1916 1917 1918 1919 Nacionais Totais 303,274 885,995 307,357 905,769 307,357 910,155 307,357 910,215 307,357 910,215 Fonte: Anuário Estatístico de Portugal, ano de 1919, p. 101, cit. in GIRÃO,

Paulo, A Pneumónica no Algarve (1918), p. 133.

Contudo, a principal via de comunicação da região era o caminho-de-ferro que terminava a Sotavento em Vila Real de Santo António e, no Barlavento, em Portimão. Em Junho de 1917, afirmava-se convictamente que estava quase concluído o ramal do caminho de ferro de Portimão a Lagos33, estando já erguida a estação desta última localidade e as casas para habitação do pessoal e empregados34. Apenas, no ano de 1922, finalmente, terminaria, em Lagos. Era pelas suas linhas que transitavam as principais exportações e importações algarvias.

Em 1913, o Parlamento aprovava o projecto de construção de um ramal de caminho-de-ferro que ligaria a estação de Loulé, por Loulé até S. Brás de Alportel35. No

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LOURO, Estanco, O Livro de Alportel, p. 152.

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ADF. Inventário do Governo Civil, Livro Copiador de Telegramas do Governo Civil, 1908-1915 (447), «Telegrama Urgente ao Governador Civil de Faro», 9/7/1914. O governador civil Francisco Lino Gameiro encontrava-se na altura em Lisboa.

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Lei n. 460, de 24/09/1915 autorizava o Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado a contrair um empréstimo de 500 contos à Caixa Geral de Depósitos e Instituições de Previdência, para destratar o empréstimo realizado pela Câmara Municipal de Lagos em 21 de Agosto de 1912. Consultar ainda Lei de 21 de Julho de 1912.

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Ilustração Portugueza, n.º 589, 4/6/1917, pp. 453-454.

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O Projecto de Lei fora apresentado pelo deputado Brito Camacho, na sessão de 4 de Julho de 1912. O projecto autorizava a Câmara Municipal de Lagos a lançar o imposto de 1% ad valorem sobre as mercadorias exportados pela delegação aduaneira lacobrigense. O referido imposto destinava-se

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ano seguinte realizar-se-ia o estudo do traçado. O estalar da conflagração travaria o projecto que conheceria ampla movimentação de apoio à sua construção principalmente entre louletanos e alportalenses e que as «forças vivas» de ambos os concelhos considerariam essencial para o progresso económico. Figuras destacadas de Loulé e de S. Brás envolver-se-iam acesamente na defesa do projecto que se prolongaria por vários anos. A polémica evidenciou as relações entre o Estado – o poder central -, e as regiões periféricas. Empenharam-se ainda na defesa desta aspiração deputados e senadores do Algarve36.

Embora ainda não registando o intenso movimento turístico dos nossos dias, o Algarve e as suas praias, eram já relativamente frequentadas por espanhóis e por famílias algarvias e alentejanas com algum desafogo económico. Havia, porém, um obstáculo ao seu desenvolvimento: as vias de comunicação. Em finais de 1911, Carlos Calixto afirmava que «um automobilista que vá de Madrid a Granada, Málaga, Cadiz,

Sevilha, e queira, depois de visitar essa região, tam cheia de beleza e de recordações históricas, entrar em Portugal para apreciar as encantadoras paisagens do nosso Algarve ou a riqueza do nosso Alentejo, não tem uma única estrada de que se possa servir. Porque, Sr. Presidente, essas duas províncias estão inteiramente isoladas do resto do país. Sim, Sr. Presidente, por mais estranho que isto pareça a alguns dos meus colegas nesta Câmara, é certo que o Alentejo não está ligado com a Estremadura e que o Algarve está separado do Alentejo!»37.

Antes, durante e mesmo após o conflito, os jornais algarvios e as autoridades administrativas relatavam frequentemente diversos problemas que afectariam o serviço ferroviário na linha do Algarve, com os naturais prejuízos para os passageiros, para o

igualmente a obras de saneamento (esgotos e abastecimento de águas), e de iluminação eléctrica. Afirmava Brito Camacho que a exportação pela alfândega de Lagos alcançava os 1500 contos de réis. Também Ezequiel de Campos, apoiado em elementos estatísticos, demonstrou a viabilidade económica do ramal (Diário da Câmara dos Deputados, Sessões de 6 e de 9/7/1912). Entre os motivos para a sua construção foram adiantados, o isolamento da cidade que, embora possuindo uma baía de inegável valor estratégico, poucas e más comunicações usufruía com Lisboa e o resto do país; a riqueza piscícola, agrícola e industrial e, finalmente, e premonitoriamente, Lagos seria «incontestavelmente, em breves anos, a grande estação do turismo e balnear do sul do país». No debate acalorado sobre este projecto de Lei interveio Afonso Costa que colocou muitas reservas à sua construção em termos financeiros (Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 4/7/1912).

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LOURO, Estanco, O Livro de Alportel, p. 152-154. Em 29 de Abril de 1919, a Comissão Municipal de Alportel solicitava a influência do governador civil junto do Ministro dos Abastecimentos para que este mandasse incluir no número dos ramais do caminho-de-ferro que iriam ser construídos e concluídos com o produto de quinze mil contos que o governo iria contrair para a rede ferroviária do Estado o ramal de Loulé a S. Brás (ADF, Livro de Registo da Correspondência Recebida pelo Governo Civil, 1916-1919 (304A), «Ofício da Câmara Municipal d‟Alportel», 29/4/1919).

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transporte de mercadorias, para os correios e para os serviços telegráficos. Todos estes serviços agravaram-se no decorrer da guerra.

Um outro problema que afectaria o transporte por caminho-de-ferro seria a falta de carvão que levaria quer à suspensão do tráfego, quer à redução do movimento38.

Outra importante via de comunicação de/e para o Algarve era o rio Guadiana, por onde transitavam em vapores pessoas e mercadorias para e de Mértola, daqui seguindo para Beja de onde tomavam o comboio para outros destinos. Contudo, a companhia que explorava este trajecto viu-se frequentemente compelida a paralisar o transporte por carência de combustível. Entre as matérias-primas haverá a sublinhar a pirite cúpricadas minas de S. Domingos exportadas em navios desde o porto mineiro de Pomarão.

Benzer Belgeler