4. TUT İLÇESİ’NİN EKONOMİK COĞRAFYASI
4.2. Tut İlçesi’nde Genel Arazi Kullanımı
não – produzida para o museu, qualquer trabalho exposto nessa estrutura, se não examinar explicitamente a influência que esta estrutura exerce sobre ele, cai na ilusão de auto-suficiência – ou idealismo. (10)
Douglas Crimp – Sim, exatamente. Considero que foi somente com o sentido dado a palavra
specific
, da denominação site-specific, que determinou uma oposição ao idealismo modernista. Para os escultores minimalistas, o contexto onde a obra interveio geralmente resultava em apenas uma extensão do domínio estético do site propriamente dito. Mesmo que o trabalho não pudesse ser deslocado de um lugar para o outro, como era o caso, por exemplo, dos earthworks, a materialidade do site era tida como genérica – arquitetura, paisagem, paisagem urbana – e portanto, neutra.Foi somente quando os artistas reconheceram o site como sendo
socially-
specific
que se começou uma oposição ao idealismo a partir de um materialismo que já não era mais enraizado fenomenologicamente – e portanto ainda de forma idealista – à matéria e ao corpo.Este desenvolvimento, que foi
definidor para o pós-
modernismo
, é abordado no meu artigo sobre a escultura pública de Richard Serra, “Redefining Site Specificity”. E esta especificidade social do site não foi reconhecida pelas obras que chamamos minimalistas. São você, Buren, e Hans Haacke, Michael Asher, Lawrence Weiner, Robert Smitshon, entre outros, que analisam criticamente os aspectos ideológicos, sociais, políticos e econômicos que sustentam o sistema das artes. (8)9
Miwon Kwon – De acordo com [Robert] Smithson, esse foi o “great issue” da década de 1970! Essa especificidade social do site também irá se desdobrar em uma abordagem mais analítica do público que ocupa um determinado site, que deixa de ser entendido como genérico e passa a ter opinião, raça, gênero, classe social. Nesse caso, o site não é simplesmente uma localização geográfica ou um ambiente arquitetônico, mas uma
rede de
relações sociais
, uma comunidade. (10)Rosalyn Deutsche – Gostaria de pegar a deixa de Crimp e qualificar melhor as práticas site-specific. Geralmente associamos as práticas críticas àquelas que promovem um embate, uma interferência, um distúrbio em um determinado contexto. Tal é o caso do “Tilted Arc” do Richard Serra. Entendo que esse tipo de ação poderia ser caracterizada como
“intervencionista”.
No entanto, me parece que existem outras práticas que são pensadas para um contexto específico e que não agem dessa forma necessariamente, mas nem por isso perdem o caráter crítico ereflexivo
das práticas site-specific. São obras que eu caracterizaria como“assimilativas”
, ou seja, que são assimiladas pelo seu contexto. (11)James Meyer – Concordo com esta diferenciação e acho importante que se qualifique quais os tipos de especificidade se dão em uma prática. Ser específica de um lugar não é o suficiente, é preciso qualificar como se dá esta relação de especificidade da obra. Gostaria também de “clicar” no
aspecto reflexivo do site
specificity
que você mencionou. Entendo que o site specificity teve uma fonte mais implícita, menos reconhecida: o discurso modernista da reflexividade.A reflexividade modernista era a do meio, da linguagem, uma tarefa que Greenberg comparou à chamada de Kant para a Razão, para refletir sobre as condições de imanência. O minimalismo deslocou o objeto de reflexão do meio e da linguagem para o espaço-ambiente; a crítica institucional levou esse deslocamento adiante, do desvelo do “cubo branco”, como um espaço fenomenológico, para uma exposição crítica da instituição arte.
Mesmo assim, apesar de toda a sua radicalidade, seu compromisso materialista, esse tipo de obra ainda operava dentro do modelo cognitivo kantiano de reflexividade: sua análise ainda estava limitada à “moldura”. (7)
10
mediador – A partir do que James falou, eu gostaria de trazer, para a discussão, as práticas site-specific mais recentes, pois entendo que nelas há uma
mudança de
paradigma mais radical
. Em seu livro One place after another, Miwon Kwon propôs uma genealogia do site specificity. Miwon, você poderia nos falar mais a esse respeito?Miwon Kwon – Entendo que o espaço genérico de atuação minimalista constitue o primeiro paradigma do site specificity, que eu chamei de
fenomenológico
ou experiencial
. A preocupação aqui é com os atributos físicos do lugar, como o tamanho, a escala, a textura, a dimensão das paredes, teto, salas; condições de iluminação, aspectos topográficos, trânsito, características climáticas, tendo a arquitetura como base para o trabalho de arte.Seguindo, as práticas que desvelam a aparente neutralidade do espaço literal, e propõem uma crítica materialista, constituem a abordagem
crítico-
institucional
, que seria o segundo paradigma. Aqui, o site é pensado como uma relação de espaços e economias inter-relacionados (estúdio, galeria, museu, mercado, crítica de arte) que juntos apoiam-sustentam o sistema ideológico da arte. Artistas como Daniel Buren, Michael Asher, Hans Haacke e Mierle Laderman Ukeles questionam o hermetismo desse sistema ao abordarem os aspectos sociais, econômicos e políticos dos lugares.E no terceiro, como nas práticas de Mark Dion, Andrea Fraser, Renée Green, Fred Wilson, entre outros, identifico uma abordagem do site que entendo como
discursiva
. A noção de site se expande e vai além do contexto familiar da arte para instâncias mais “públicas”. Aborda campos culturais, sociais, discursivos e é organizado intertextualmente a partir do movimento nômade do artista – operando mais como um itinerário do que como um mapa. O site pode ser tão variado como um outdoor, um gênero artístico, uma comunidade carente, uma estrutura institucional, uma página de revista, uma causa social, um debate político. Pode ser literal, como uma esquina de rua, ou virtual, como um conceito teórico. Os espaços da arte, são considerados “secundários” em detrimento de um outro espaço que é desmaterializado, nômade e por vezes virtual.11
Embora sua forma de classificação seja clara e até cronológica, esses paradigmas se sobrepõem e competem entre si, não havendo separações tão claras e nem quebras históricas tão bem definidas.
mediador – James Meyer, você também fez uma distinção entre as práticas da década de 1960 e 70 e as atuais no seu artigo “The Functional Site”, publicado na revista Documents3.
James Meyer – Sim, entendo o espaço de ação dos minimalistas, por exemplo, como um site literal. O
site literal
é, conforme Joseph Kosuth diria, in situ; é um local real, um lugar singular. A intervenção do artista se conforma às limitações físicas da situação. O resultado final do trabalho é portanto determinado pelo espaço físico, por um entendimento do lugar como real; refletindo a percepção do lugar como único, o trabalho em si é “único”. É, em outras palavras, como um monumento, uma obra pública encomendada para o site. (7)Mediador – Você usou a palavra “monumento”. Você se refere à noção histórica do monumento, a do século XIX? Se sim, me parecem muito distintas. As esculturas do século XIX operavam a partir de uma lógica narrativa e, portanto, estavam destacadas da sua realidade imediata, por isso o pedestal para fazer a mediação.
Já as práticas que acontecem no site literal, pelo que entendi, estão