1. CARİ İŞLEMLER HESABI
1.8. İkincil Gelir Dengesi
Reagir bem à situação de reforma; Adaptar-se à viuvez e a viver só; Fechar a casa de família ou adaptá-la à velhice;
Preparar-se para a própria morte.
Renegociação da díade marital disfuncional no estádio 7; Ausência de passatempos e interesses sociais; Isolamento; Centralidade da profissão na construção da identidade. São particularmente importantes os momentos de transição entre estádios, que correspondem a crises maturativas ou normativas. Estas crises caraterizam-se pela instabilidade inerente à reestruturação das relações intra e extrafamiliares e às alterações das regras de funcionamento da família. Uma doença surgindo numa fase de transição do ciclo de vida familiar pode ser indiciadora de dificuldades em fazer os reajustamentos necessários à evolução para o estádio seguinte e obriga a avaliação familiar.29
24
O ciclo de vida familiar tem estádios que podemos designar por centrípetos ou de retração, como são os 2, 3, 7 e 8, em que a vida interna da família é privilegiada e os seus limites externos e coesão são aumentados, e estádios centrífugos ou de expansão, como os são os 4 e 5, em que a dinâmica familiar modifica-se para poder englobar o movimento para fora dos seus membros. Nestes últimos, a família deve abrir-se ao exterior de modo a permitir aos filhos em idade escolar e adolescentes estar dentro e fora do sistema familiar, o que é importante para o seu crescimento psicossocial e desejo de autonomia.58
A prestação duma assistência longitudinal, ao longo dos diferentes estádios do ciclo de vida familiar, assenta no triângulo relacional médico-pessoa-família. É o conhecimento do comportamento prévio das pessoas, da sua situação ambiencial e interações que permite ao MF o conselho antecipado e a revisão com os membros da família das dificuldades que podem surgir na transição dum estádio do ciclo familiar para o seguinte. A modificação dos riscos implicados, dissipando-os, não só melhora a qualidade de vida da família e reduz o risco de dissolução familiar e de doença, como aumenta a probabilidade dos casamentos da geração seguinte serem duradouros por efeito de prevenção primária sobre os filhos, uma vez que há um padrão de repetição de comportamentos transgeracional.
Mesmo assumindo que o ciclo de vida familiar de Duvall apenas se aplica às famílias nucleares, ainda assim é possível tecer algumas considerações/constrangimentos sobre a sua utilização.
Uma destas considerações refere-se à existência de interdependências entre diferentes gerações pertencentes a núcleos familiares distintos. Assim, apesar da focalização na família nuclear (e de ser desejável a sua separação e autonomia relativamente à família alargada), as crises nos sistemas familiares dos ascendentes e descendentes repercurtem- se na família nuclear estudada, pois obrigam os diferentes elementos e núcleos familiares à realização de mudanças.23
Acresce que existem famílias nucleares sem filhos, por opção ou infertilidade, entre outros, assim isentas das tarefas de desenvolvimento de diferentes estádios.23
Por último, referimos o facto de a fronteira entre os vários estádios de desenvolvimento não ser rígida, o que significa que as tarefas de cada um não cessam no exato momento em que se inicia o seguinte – muitas vezes as tarefas vão sendo preparadas no estádio anterior (exemplo: tarefas do estádio 1 realizadas durante o namoro) ou prolongam-se pelo seguinte (exemplo: famílias em que a discrepância etária na fratria é muito grande, tendo, assim, de realizar simultaneamente tarefas de desenvolvimento diferentes).23
4.2. Singularidades dos ciclos vitais das famílias monoparentais e reconstruídas
Nos Quadros II e III apresentam-se, para as famílias monoparentais e reconstruídas, respetivamente, as tarefas que lhes são próprias, para além das inerentes à criação e educação dos filhos, comuns às das famílias nucleares, bem como dificuldades típicas e sinais de risco de disfunção.23,57 Mesmo na ausência destes sinais de risco, estas tipologias familiares merecem particular atenção pelo elevado número de tarefas evolutivas a cumprir, requerendo uma série longa e difícil de adaptações. Estudos59-60 sugerem que filhos doentes destes tipos de família são mais vulneráveis que os de famílias nucleares.
Quadro II – Famílias monoparentais
25 - Elaborar o luto da família intacta
anterior;
- Gerir o quotidiano, numa situação de sobrecarga do progenitor custodial; - Reestruturar as relações familiares; - Reconstruir a sua própria rede social; - Gerir a necessidade de apoio e intimidade com alguém.
- Sobrecarga parental;
- Expectativas sociais negativas, na família com filhos pequenos;
- Dificuldade de separação de um filho adolescente ou adulto (maior complexidade no caso dos filhos únicos);
- Luto da família intacta em situações de divórcio (sem as lembranças consoladoras de uma relação afetuosa, como nos casos de morte).
- Impacte negativo do conflito conjugal na prestação de cuidados à criança;
- Depressão nos pais;
- Utilização da criança na guerra dos pais; - Acusação ou desvalorização de um progenitor pelo outro (ou sua família) perante a criança;
- Divórcio excessivamente civilizado; - Situações em que a criança deixa de cumprir adequadamente tarefas da sua fase de desenvolvimento, na escola ou em casa; - Parentificação de um filho adolescente ou adulto.
- Relação mãe-filho emaranhada. Quadro III – Famílias reconstruídas
TAREFAS PRÓPRIAS DIFICULDADES TÍPICAS SINAIS DE RISCO
- Viver a sobreposição de diferentes etapas do ciclo de vida familiar de
Duvall em registo de
complementaridade;
- Elaborar o luto das situações anteriores;
- Construir novos padrões transacionais e regras, sem negar o passado;
- Negociar a criação de novas tradições;
- Criar novas alianças, conservando as alianças antigas importantes; - Integrar a família do padrasto/madrasta.
Casal:
- Receios próprios e dos outros sobre a formação da nova família;
- Constituir-se como família na presença de subssistemas filiais e fraternais pré-existentes; - Negociar diferenças sob o olhar próprio dos “filhos” e das famílias de origem;
- Tendência para evitar conflitos, na esperança de que “agora é que tudo vai dar certo”; - Necessidade de manutenção da cooperação com ex-cônjuge e família;
- Interferência da relação pai/mãe/filho no novo casal.
Subsistema filial:
- Gestão de receios e lealdades; - Adaptação a duas casas;
- Relações afetadas por alianças e coligações; - Relações de poder e gestão de conflitos com confusão de forma e conteúdo (“não mandas em mim, não és meu pai”).
- Grande discrepância de idades no novo casal;
- Negação da perda anterior;
- Intervalo muito curto entre divórcio e nova relação;
- Manutenção de forte ligação emocional com a família anterior;
- Mito do amor “instantâneo” entre enteados e madrasta/padrasto, não aceitando as dificuldades emocionais das crianças;
- Negação das dificuldades, atuando como se este fosse o primeiro casamento; - Incapacidade de ser leal à nova família; - Rotulação das casas a que os filhos do anterior casamento pertencem, uma como boa, outra como má;
- Tentativa de substituição do progenitor ausente pelo padrasto ou madrasta.
As dificuldades das famílias reconstruídas evidenciam a complexidade das suas interações e tornam-as mais vulneráveis. É importante que os seus elementos, sobretudo a madrasta e o padrasto, percebam que todas as mudanças requerem tempo e que este é o seu melhor aliado. Se houver maturidade e o luto pela perda da família anterior for realizado pelas várias pessoas envolvidas, as famílias reconstruídas podem oferecer-se, após os estádios inicial e intermédio, como uma experiência de unidade.