- Avaliação sistemática do nível de funcionalidade familiar;
- Apoio individual aos elementos da família, evitando coligações com qualquer deles;
- Estruturação de entrevista familiar, assegurando que todos se possam expressar;
- Reenquadramento da definição familiar do problema;
- Ajuda ao desenvolvimento de modos alternativos de lidar com a dificuldade, mutuamente aceites;
- Promoção da colaboração de todos, sem sacrifício da autonomia de cada um (“guardar” fronteiras);
5 Terapia familiar
Exemplos distintivos da intervenção do terapeuta, comparativamento ao envolvimento com famílias do médico de família:
- Entrevista em situações de forte resistência ao processo terapêutico; - Aliança temporária a um elemento contra outro familiar;
- Indução de conflito em escalada na família que obrigue à mudança; - Mudança de papéis na família.
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Apesar da intervenção que o MF pode ter, algumas famílias evoluem para a disfunção ou agravam a disfunção pré-existente. O MF deve ser capaz de identificar a disfunção familiar que não é resolúvel através do tratamento em cuidados de saúde primários e referenciar para cuidados secundários. De acordo com Hoerni,74 os fatores que permitem sinalizar estas famílias antecipadamente são: antecedentes psicopatológicos num ou em vários elementos;condições socioeconómicas precárias, com desemprego ou reforma em curso; família com estrutura rígida; existência de crianças de tenra idade; reações excessivamente intensas na altura do diagnóstico e prolongadas no tempo.
Quanto mais elevado for o nível de envolvimento do profissional com as famílias, mais o médico tem de ter referenciais teóricos claros e mais tem de metacomunicar sobre as suas ideias, os seus valores, os seus comportamentos e os seus sentimentos. Tem, ainda, de proceder no respeito pelos valores e organização da família.73
Outro modelo de intervenção familiar são os programas de psicoeducação, também com um foco sistémico. Tendo sido inicialmente dirigidos a familiares de doentes com esquizofrenia e posteriormente extrapolados para outras situações de DC, consistem na disponibilização de informação teórica e prática às pessoas doentes e ou cuidadores informais que favoreça uma melhor compreensão da doença e o desenvolvimento de competências para melhor gerir os sintomas e dificuldades que lhes estão associados. São programas curtos, constituídos por sessões estruturadas, com um componente informativo e outro de suporte psicológico. A intervenção exige preparação e treino dos profissionais e tempo separado da habitual prestação cuidados.
Uma revisão sistemática de artigos de avaliação da eficácia deste tipo de programas75 identificou ganhos obtidos através destes, tanto na esfera intrapessoal (diminuição da ansiedade e da depressão, autorregulação), como na esfera do sistema de saúde (redução de internamentos e de intercorrências). No entanto, eram feitas advertências de cautela, tanto na transposição de uma condição de DC para outra, como na questão de trazerem, de facto, os benefícios prometidos.75
Uma outra revisão sistemática76 concluíu que, apesar das intervenções psicoeducativas terem vindo a ser aplicadas a uma grande gama de doenças, apenas as referentes à esquizofrenia e ao cancro poderão considerar-se como baseadas em evidência científica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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