Uma vez existente antes da promulga•‹o da Constitui•‹o Federal de 1988, o Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ teve suas normas de organiza•‹o conformadas ˆs diretrizes constitucionais definidas para o Tribunal de Contas da Uni‹o, seguindo ainda o limite de sete conselheiros estabelecido para os Tribunais de Contas Estaduais, no par‡grafo
œnico do artigo 75.
Nesse viŽs, a Constitui•‹o Estadual do Cear‡ assentou, em seu artigo 79, que o Tribunal de Contas dos Munic’pios fosse constitu’do por sete conselheiros, a serem nomeados pelo Governador, desde que atendam cumulativamente ˆs condi•›es estabelecidas no par‡grafo primeiro do mesmo dispositivo36.
O artigo 79 estabelece ainda que a jurisdi•‹o da Corte de Contas dos Munic’pios estender-se-‡ por todo o territ—rio do Estado do Cear‡, com sede na capital.
Cumpre ressaltar que o Tribunal de Contas dos Munic’pios do Estado do Cear‡ Ž integrado por mais de dez —rg‹os, enumerados no artigo 4¼ do Regimento Interno da institui•‹o (RITCM/CE), a seguir descritos.
Primeiramente, tem-se o Tribunal do Pleno que desempenha o papel de —rg‹o superior e dirigente da Corte de Contas, sendo composto por sete conselheiros, para seu funcionamento, sendo exigido um qu—rum de 4 (quatro) conselheiros, inclu’do o Presidente. Consoante o artigo 10 do RITCM, os conselheiros poder‹o ser substitu’dos eventualmente por auditores.
A este —rg‹o de cœpula do TCM, conforme enumerado no artigo 11 do Regimento Interno, s‹o atribu’das as fun•›es de maior relev‰ncia no tocante ˆs fiscaliza•‹o das contas pœblicas, quais sejam a emiss‹o de parecer prŽvio sobre as Contas de Governo anuais dos prefeitos; o julgamento, em grau de recurso, das Contas de Gest‹o dos ordenadores de despesas e administradores dos bens e valores municipais.
Ainda, este —rg‹o superior est‡ incumbido pela aprecia•‹o e julgamento dos recursos em geral interpostos com rela•‹o a processos julgados pelas C‰maras, bem como a suas pr—prias decis›es; e por decis›es sobre o envio ao Governador do Estado de pedido de interven•‹o no munic’pio e sobre a uniformiza•‹o de decis›es e sœmulas de jurisprud•ncia.
Outrossim, o Pleno tambŽm Ž respons‡vel pela normatiza•‹o das atividades
36 ¤1¼ Os Conselheiros do Tribunal de Contas dos Munic’pios ser‹o nomeados pelo Governador
do Estado dentre brasileiros que satisfa•am os seguintes requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, e mais de dez anos de exerc’cio de fun•‹o ou de efetiva atividade que exija os conhecimentos referidos no inciso III, deste artigo;
II - idoneidade moral e reputa•‹o ilibada;
III - not—rios conhecimentos jur’dicos, cont‡beis, econ™micos e financeiros e de administra•‹o pœblica. In: CEARç. Constitui•‹o (1989). Constitui•‹o do Estado do Cear‡. Fortaleza: AssemblŽia Legislativa, 1999.
administrativas internas, dentre as quais cabem enumerar: a elei•‹o do Conselheiro Presidente, Vice-Presidente e Corregedor do Tribunal de Contas; a elabora•‹o, interpreta•‹o e modifica•‹o do seu Regimento Interno; as decis›es acerca da estrutura administrativa do —rg‹o e, em œltima inst‰ncia, sobre matŽria administrativa do pr—prio —rg‹o; a edi•‹o de ac—rd‹os, resolu•›es e instru•›es normativas e outros atos necess‡rios ao desempenho do Tribunal; e, por œltimo, a defini•‹o de critŽrios e requisitos necess‡rios ao preenchimento dos cargos do Quadro de Pessoal do Tribunal de Contas.
Em seguida, as duas C‰maras do Tribunal de Contas s‹o constitu’das cada uma por apenas 3 (tr•s) conselheiros, n‹o constando o Presidente da Corte. Dessa forma, presidir‡ a sess‹o o Conselheiro Vice-Presidente na C‰mara que for membro e o Conselheiro mais antigo, noutra.
Conforme o artigo 28 do Regimento Interno, cabe ˆs C‰maras da Corte de Contas o julgamento das Contas de Gest‹o dos ordenadores de despesa e administradores dos —rg‹os diretos e indiretos e fundos municipais, inclusive de recursos repassados a terceiros, pessoa f’sica ou jur’dica, em primeira inst‰ncia; quando necess‡rio, a determina•‹o de Tomadas de Contas Especiais; o julgamento de processos relativos a licita•›es e contratos realizados pela prefeitura, c‰mara ou demais —rg‹os municipais, adotando as provid•ncias que considerar necess‡rias.
Igualmente, as C‰maras dever‹o decidir acerca de denœncias apresentadas, bem como sobre provoca•›es de —rg‹os do pr—prio Tribunal de Contas; poder‹o determinar que sejam realizadas inspe•›es especiais e auditorias que considerar necess‡rias para a instru•‹o de processos.
TambŽm respondem pela decis‹o sobre o n‹o envio da presta•‹o de contas relativa ˆ aplica•‹o dos recursos, atŽ o dia 15 do m•s subsequente, prevista pelo artigo 42 da Constitui•‹o Estadual, adotando as san•›es cab’veis.
Informe-se que o artigo 42 da Constitui•‹o do Estado prev• que os ordenadores de despesas municipais dever‹o enviar mensalmente, atŽ dia 30 do m•s seguinte, balancetes mensais ˆ C‰mara dos Vereadores e ao Tribunal de Contas dos Munic’pios, documenta•›es estas que demonstram a aplica•‹o dos recursos recebidos e arrecadados e a efetua•‹o de despesas em cada unidade gestora do munic’pio, isto Ž, as Secretarias ou Fundos Municipais.
Na esfera administrativa, as C‰maras est‹o incumbidas do julgamento da legalidade dos atos concessivos de aposentadoria e pens‹o, decidindo-se quanto aos registros correspondentes, ressalvada melhoria posterior que n‹o altere o fundamento legal da concess‹o; bem como do julgamento dos atos de admiss‹o de pessoal a qualquer t’tulo, na administra•‹o direta e indireta.
Por sua vez, o artigo 67 e ss. da Lei Org‰nica do TCM/CE disp›em que Presidente, Vice-Presidente e Corregedor ser‹o escolhidos pelos Conselheiros, em voto secreto, para exercer um mandato com dura•‹o de dois anos, permitida uma reelei•‹o seguida.
Nos termos do Regimento Interno, a Presid•ncia administra a Corte de Contas, a representa externamente, devendo tambŽm presidir as sess›es do Tribunal do Pleno e dirigir os seus servidores.
AlŽm destas atribui•›es, o artigo 33 enumera um extenso rol de obriga•›es do Presidente, o qual est‡ incumbido sobretudo pela dire•‹o das atividades do Pleno, no sentido de dar cumprimento das delibera•›es do Pleno; convocar sess›es, dirigir trabalhos e ordenar as discuss›es, bem como proclamar o resultado das vota•›es, dando execu•‹o aos julgados e decis›es do Tribunal, nos termos da lei e do Regimento.
No tocante ˆ gest‹o administrativa interna, compete ao Presidente dar posse aos Conselheiros, Procuradores, Auditores e servidores do Tribunal; expedir atos de nomea•‹o, promo•‹o, demiss‹o, exonera•‹o, aposentadoria e outros relativos a provimento e vac‰ncia de cargos e fun•›es do Tribunal, bem como decidir, ouvido o Pleno, sobre disposi•‹o de seus servidores para outros —rg‹os da Administra•‹o Pœblica Federal ou Estadual, ou de servidores destes para terem exerc’cio no Tribunal.
Para o controle das receitas e despesas do TCM/CE, o Presidente dever‡ enviar balancetes e presta•‹o de contas anual, na forma e nos prazos estabelecidos, ao Tribunal de Contas do Estado e encaminhar ˆ AssemblŽia Legislativa, anualmente o relat—rio das atividades desenvolvidas pelo Tribunal, nos termos do ¤ 4¡, do art. 7837 da Constitui•‹o do Estado do Cear‡.
Por œltimo, o Representante maior da Corte de Contas poder‡ atuar tambŽm na
37 ¤4¼ O Tribunal de Contas dos Munic’pios encaminhar‡ ˆ AssemblŽia Legislativa Estadual,
anualmente, atŽ cento e vinte dias ap—s o in’cio do exerc’cio financeiro, relat—rio de suas atividades, prestando informa•›es, sempre que lhe forem requisitadas.
gest‹o financeira do TCM/CE, autorizando despesas diretamente ou por delega•‹o, movimentando contas e praticando os demais atos relativos ˆ administra•‹o financeira, respeitadas as exig•ncias legais.
Conforme o artigo 34 do Regimento, o Vice-Presidente, por conseguinte, dever‡ substituir o Presidente em suas aus•ncias ou impedimentos, representando o Tribunal de Contas, por delega•‹o do Presidente, em atos ou solenidades.
Ainda, despachar‡ processos em que o Presidente for a parte interessada, estando incumbido por presidir a Primeira C‰mara do Tribunal de Contas dos Munic’pios e supervisionar a elabora•‹o da Revista e do Boletim Informativo.
Por sua vez, a Corregedoria do Tribunal, presidida por um conselheiro, eleito na mesma sess‹o do Presidente, ser‡ respons‡vel pelas correi•›es internas gerais, durante cada ano, nos assuntos pertinentes ˆs atribui•›es do Tribunal, podendo sugerir ˆ Presid•ncia as provid•ncias que julgar necess‡rias ˆ regulariza•‹o de falhas detectadas, bem como dever‡ controlar e agilizar os processos, acompanhando o cumprimento dos prazos especificados em lei ou regulamentos definidos pelo TCM/CE.
Outrossim, caber‡ ao Corregedor, em vigil‰ncia pelo bom desempenho das atividades internas, examinar e relatar ao Tribunal Pleno os processos referentes a servidores submetidos a est‡gio probat—rio, opinando, fundamentalmente, por sua confirma•‹o no cargo ou exonera•‹o e instaurar, mediante determina•‹o do Tribunal Pleno ou das C‰maras ou "ex- oficio", sindic‰ncia para apura•‹o de falta grave de funcion‡rio e expor as conclus›es ao Presidente que as apresentar‡ ao Pleno.
Ademais, o Corregedor poder‡ realizar dilig•ncias outras para o desempenho das atribui•›es retromencionadas, conforme regulado no artigo 44 do Regimento Interno do TCM/CE.
Impende enfatizar que a Constitui•‹o do Estado do Cear‡ previu a exist•ncia de uma Procuradoria de Contas, junto ao Tribunal de Contas em an‡lise, in verbis:
¤ 6¼ Haver‡ uma Procuradoria de Contas, junto ao Tribunal de Contas dos Munic’pios, integrada por um Procurador Geral e dois Procuradores, nomeados, pelo Governador do Estado, dentre brasileiros, bacharŽis em Direito, mediante concurso pœblico de provas e t’tulos.
Destarte, o Regimento Interno estatuiu, nos artigos 68 e ss., que a Procuradoria em comento configurar-se-‡ um MinistŽrio Pœblico Especial, aplic‡veis os princ’pios da unidade, da indivisibilidade e da independ•ncia funcional ˆ carreira dos Procuradores de Contas, bem como, de modo subsidi‡rio e no que couber, as disposi•›es da Lei Org‰nica do MinistŽrio Pœblico do Estado, no tocante a direitos, garantias, veda•›es, regime disciplinar e forma de investidura.
A Procuradoria de Contas constitui-se por tr•s Procuradores, que dever‹o atender as exig•ncias estabelecidas no artigo 69 do RITCM/CE para ocupa•‹o do cargo.
O MinistŽrio Pœblico Especial dever‡ promover a defesa da ordem jur’dica, solicitando as medidas no interesse da Justi•a, da Administra•‹o e do Er‡rio, ˆ Corte de Contas, e pronunciar-se nos assuntos sujeitos ao julgamento do Tribunal, obrigat—ria sua audi•ncia nos processos de tomada ou presta•‹o de contas, nos concernentes aos atos de admiss‹o de pessoal e de concess‹o de aposentadoria e pens‹o.
Ademais, o aludido —rg‹o fica encarregado de interpor os recursos permitidos em lei e os previstos no RITCM/CE, comparecer ˆs sess›es do Tribunal, solicitar ao —rg‹o competente, a pedido do Tribunal, as medidas cautelares de arresto de bens dos respons‡veis julgados em dŽbito pelo Tribunal.
Poder‡, por fim, requisitar ao Presidente o apoio administrativo e de pessoal, necess‡rios ao desempenho da miss‹o do MinistŽrio Pœblico Especial e assinar as delibera•›es de cuja sess‹o tenha participado. Todas as atribui•›es em conformidade com o artigo 74 do Regimento.
Outro importante —rg‹o trata-se da Auditoria, regulamentado pelo artigo 73 da Lei Org‰nica do TCM/CE e artigo 62 do Regimento Interno. Constitui-se de tr•s auditores, previamente aprovados em concurso pœblico de provas e t’tulos, de modo que se exige destes profissionais forma•‹o superior nos cursos de Economia, Direito, Administra•‹o ou Ci•ncias Cont‡beis, bem como que sejam atendidos os mesmo requisitos impostos aos Conselheiros.
Compete aos Auditores do Tribunal de Contas dos Munic’pios Cearenses, nos termos do artigo 63 do RITCM, presidir auditorias e inspe•›es ordin‡rias ou especiais, quando designado pelo Presidente, e compor comiss›es tempor‡rias, por nomea•‹o do Presidente,
sem preju’zo de suas fun•›es.
No tocante ˆs atividades fiscalizat—rias propriamente ditas, caber‡ aos auditores o planejamento e elabora•‹o, juntamente com a Diretoria de Fiscaliza•‹o, programas de auditoria e de inspe•›es ordin‡rias e especiais junto ˆs unidades gestoras municipais; a emiss‹o de parecer de auditoria nos Processos de Presta•‹o de Contas de Governo, Tomada de Contas de Gest‹o, Tomada de Contas Especial e nos Processos Normativos Consultivos.
Por sua ordem, comp›e a Corte de Contas a Comiss‹o de Legisla•‹o, Doutrina e Jurisprud•ncia que tem como escopo a an‡lise e exame preliminar de matŽrias relacionadas com a sistematiza•‹o e unifica•‹o das decis›es do Pleno e C‰maras, tendo sido institu’da pelo Regimento Interno da Corte de Contas, conforme o artigo 51.
A aludida Comiss‹o Ž integrada por dois Conselheiros, dois Suplentes e o Procurador Geral, eleitos pelo Pleno, por maioria simples, para dois anos de exerc’cio.
Ressalte-se tambŽm que a Corte de Contas Ž formada por quatro Diretorias, segundo o artigo 1¼ da Resolu•‹o n¼ 10/2007, quais sejam elas: Diretoria de Administra•‹o e Finan•as, Tecnologia da Informa•‹o, Assist•ncia TŽcnica e Planejamento e Diretoria de Fiscaliza•‹o.
A primeira Diretoria desempenha fun•›es eminentemente administrativas, voltada, em suma, para a gest‹o de recursos humanos, isto Ž, provimento, capacita•‹o de pessoal, cargos e sal‡rios, bem como respons‡vel pelo planejamento e dire•‹o da administra•‹o log’stica, or•ament‡ria, cont‡bil e financeira da Corte de Contas.
A Diretoria de Tecnologia da Informa•‹o volta-se para o provimento de servi•os de tecnologia da informa•‹o, alinhados ˆs estratŽgias do Tribunal, bem como a continuidade e a efic‡cia dos servi•os desta natureza utilizados no TCM/CE.
Por sua vez, a Diretoria de Assist•ncia TŽcnica e Planejamento est‡ incumbida pelo planejamento e execu•‹o das diretrizes e pol’ticas de a•‹o tra•adas por ela. Contribui ainda para o aperfei•oamento da gest‹o das administra•›es municipais e dirige a implementa•‹o, execu•‹o e acompanhamento do planejamento estratŽgico do Tribunal.
Por œltimo, a Diretoria de Fiscaliza•‹o, constitu’da por quinze Inspetorias, dever‡ dirigir, coordenar, orientar e supervisionar as Inspetorias nas atividades de controle externo. Dirigir‡ tambŽm o processo de forma•‹o e distribui•‹o das equipes tŽcnicas das Inspetorias,
de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Presid•ncia. TambŽm ser‡ respons‡vel pela execu•‹o dos programas de auditoria e inspe•›es ordin‡rias e especiais.
Acrescente-se que ˆs Inspetorias caber‡ exercer as atividades de controle externo de acordo com as diretrizes tra•adas pela Diretoria de Fiscaliza•‹o.
Ainda cumpre destacar a exist•ncia da Secretaria do Tribunal de Contas dos Munic’pios, cujo principal objetivo consiste no registro, controle e coordena•‹o dos processos, alŽm de outras atribui•›es conferidas por Resolu•‹o, consoante reda•‹o do artigo 76 do Regimento Interno.
Finalmente, acrescente-se que o Tribunal de Contas tem quadro pr—prio de servidores pœblicos, podendo haver provimento efetivo ou em comiss‹o.