4. BULGULAR
4.3. İki Dilli Eğitime İlişkin Öğretmen Görüşleri
Esse questionário teve como objetivo captar dados da realidade dos participantes: experiência anterior, interesses e necessidades. Como acima citado foi aplicado ao início dos semestres letivos de 2011, referentes ao nível I da disciplina. Foi constituído em formato aberto e apresentou as seguintes questões:
1. Descrição sucinta da sua experiência artística;
2. Descrição sucinta de seu interesse/expectativa pela disciplina;
3. Em sua experiência (Teatro/Música), quais os problemas/dificuldades você identifica em trabalhos que integram música e cena?
Uma cópia do questionário, em sua íntegra, encontra-se nos anexos da tese, à página 275. Dentre os 28 sujeitos que participaram da pesquisa, 21 responderam ao questionário. Dentre estes, 09 alunos do curso de Música e 12 alunos do curso de Teatro. Os resultados relativos a cada um desses cursos será demonstrada a seguir:
Questionários preenchidos pelos atores:
Dos 12 questionários preenchidos, 03 integrantes indicaram a participação em grupos de Teatro e peças teatrais, e 06 atores mencionaram, como experiência artística, apenas a realização de cursos e oficinas teatrais anteriores ao curso de graduação. Quanto ao contato com outras manifestações artísticas, 02 participantes citaram a formação em Dança; 01 questionário indicou a participação em Teatro Musical; e uma participante afirmou também exercer atividade musical como cantora.
A expectativa dos atores em relação à disciplina permeou o interesse pelas relações entre Música e Teatro nos processos de criação e atuação, de uma maneira geral, o que foi demonstrado em 11 questionários. Dentre a totalidade dos questionários
respondidos, a menção às possibilidades corporais ou relativas à conexão som-corpo, apareceu em segundo lugar, e foi apontada por 05 participantes. Como exemplo de respostas nesse sentido, destacam-se as seguintes falas:
Interesse/expectativa:
“Quero descobrir sobre a música e sua relação com o processo criativo teatral”; “Incluir a música e seus aspectos na minha formação como atriz para que essa
conexão de elementos seja feita de forma eficaz e consciente”;
“Conhecimento técnico, conceitual e prático dessas relações entre Música e Teatro, Música e Cena. Além de experimentar a música no corpo, no corpo em ação artística criativa”;
“Usar a música a favor do Teatro, tanto na projeção da voz, quanto no canto e musicalidade nas cenas”;
“Trocar com pessoas que têm interesse nessa confluência das artes. Desenvolver métodos de expressão vocal baseado nos parâmetros musicais”;
“Tenho bastante interesse, uma vez que estou envolvido com estudos de trabalhos de ator no que se refere a voz e o corpo. Acredito que essa disciplina despertará mais meus sentidos e percepção aos aspectos musicais e aprender mais sobre de que maneira os elementos da música podem ajudar na criação cênica”;
“Conseguir integrar corporalmente a música na cena (ou musicalidade da cena), de forma que fique orgânico, “verdadeiro”.
Em relação aos problemas e dificuldades apontados, 06 questionários mencionaram a relação entre elementos musicais e corporeidade e os aspectos de coordenação relativos a esse processo. Destacou-se algumas das falas mais representativas em relação a esses aspectos:
Problemas/dificuldades:
“Projeção da voz, rítmica e simultaneidade (música e expressão corporal)”; “Conseguir transpor para o corpo os elementos musicais. Ouvir/sentir/atuar no
corpo e com o corpo. Ritmo é um ponto bem discutido no teatro, mas que acredito não ser explorado corretamente”;
“Conseguir reagir a estímulos sonoros através do meu corpo de forma precisa”; “Dificuldade de integrar a música, de fato, à cena, à corporalidade (sic) dos
atores em cena”;
“Algumas vezes, minha maior dificuldade é de realizar algum som com a boca e fazer movimentos com o corpo contrário ao som. E também em realizar, simultaneamente, movimentos diferentes no corpo”;
Os problemas relacionados à escuta e à integração da música-cena foram citados por 04 participantes, como nos exemplos:
“Sinto que algumas pessoas têm dificuldade de escuta. Às vezes o “tempo justo” dos atores desencontra da música”;
“Pensar nessa integração no processo criativo da cena. De que maneira a música entra? Como?”.
Também foram mencionadas as dificuldades com a partitura e com os elementos musicais em 02 respostas: “Sinto dificuldade com as partituras musicais, escalas, intervalos...”; “Dificuldade de escuta em notas musicais”. E em um dos questionários citou-se a necessidade de “superar o uso da música em cena, apenas como gerador e potencializador de ‘clima’”.
Questionários preenchidos pelos músicos:
Dos 09 músicos que preencheram esse questionário, 05 são cantores e 04 são instrumentistas. Dentre esses participantes, 06 apontaram, como experiência artística, a participação em apresentações solo ou em grupos musicais, sejam estes relacionados à música de câmara77, banda (música popular) ou grupo vocal. 03 participantes também afirmaram possuir alguma experiência com Ópera, Teatro Musical ou “concerto cênico”, e 01 pessoa afirmou que sua experiência artística anterior se realizou apenas no âmbito escolar.
Em relação à questão sobre o interesse ou a expectativa pela disciplina, predominaram os aspectos relacionados à expressividade corpórea e cênica, que
77 Música de câmara: música adequada à execução em câmara ou aposento. A expressão é geralmente aplicada à música instrumental para três a oito executantes. Gêneros principais: trios, quartetos, quintetos
apareceram em 06 questionários, seguidos pelas questões relativas à interação com o público, que foram apontadas em 05 respostas. A orientação espacial no palco apareceu em 02 questionários, e a expectativa em torno de “perder o medo e a preocupação” no momento de se apresentar, surgiu em 01 resposta. Em 02 questionários foram citados o interesse pelo tema da disciplina de uma forma geral, sem maiores especificações. Alguns exemplos dessas respostas são:
Interesse/expectativa:
“Ficar mais “solta”. Aprender a lidar mais com o corpo, sem ser artificial. Ser mais expressiva, e conseguir passar essa expressividade para o público”;
“Aprender a trabalhar a expressão corporal e noções de montagem cênica. Como me posicionar no palco. Como a expressão dos músicos afeta a platéia”;
“Aprender a dominar o palco. Perder o medo e a preocupação para apresentar. Interagir com público. Aprender a passar minha interpretação musical através do corpo”;
“Tenho muito interesse pela área de teatro como uma arte que trabalha o corpo, pois o curso de bacharelado é muito deficiente nessa área. Minha expectativa nesta disciplina é aprofundar mais no universo cênico”;
“Acrescentar conhecimentos que possam contribuir para meu projeto de mestrado sobre uma construção cênica/corporal para o cantor lírico”.
Em relação aos problemas ou dificuldades vivenciados pelos músicos, foram citados os aspectos relacionados à expressividade corpórea que, como na questão anterior, apareceram em 06 questionários. Também foram citados os problemas relacionados aos fatores de ordem emocional, apontados por 05 integrantes. As dificuldades relacionando espacialidade e palco surgiram em 03 respostas. Já a questão da dissociação entre a cena e a música foi indicada por 02 participantes e as dificuldades na interação com o público ocorreu em 01 questionário. Alguns exemplos:
Problemas/dificuldades:
“Dificuldade geral com o corpo em cena, falta de uma técnica corporal estruturada que direcione o trabalho do cantor de maneira artística, sem cair nos ‘chavões’”;
“A relação do músico com o palco-exposição-platéia. É algo conflituoso; o músico não tem, ou tem pouco, domínio dessa prática”;
“Ocupação do espaço cênico. Expressão corporal. Contato visual com o público”;
“Problemas relacionados com a performance como por exemplo: ansiedade, tensão muscular e pouca expressividade cênica”;
“Onde colocar as mãos? Quando presto muita atenção na cena, acabo me esquecendo da música. Fico insegura de cantar de cor, e acabo não interagindo com o público. Dificuldade de pensar nos gestos”;
“Eu sinto falta de algo mais, de um repertório de posturas e técnicas cênicas das quais eu possa me beneficiar”;
“Como segurar o microfone. O que eu faço com a minha mão. Como ocupar espaço no palco. O que eu faço quando instrumentistas estão improvisando. Como comunicar com a plateia”;
“Conseguir internalizar a idéia de que uma coisa está dentro da outra, ou seja, de que a cena não deve se dissociar da música e vice-versa”.
Avaliando os apontamentos manifestados nesse questionário, observou-se, entre atores e músicos, a existência de alguma experiência com aspectos da outra área, embora somente 03, dos 21 questionários respondidos, se referem a uma formação ou a um contato mais efetivo com outra área artística, e 04 respostas citam uma participação em eventos que empregam a interação cênico-musical. Verificou-se que o interesse dos atores pela disciplina recaiu, predominantemente, em torno do conhecimento das relações entre Música e Teatro, seguindo-se as possibilidades de interação/coordenação entre os aspectos musicais e a corporeidade. Sendo que este último constituiu, também, a principal causa de dificuldades apontada por esse grupo.
O interesse dos músicos centrou-se nos aspectos da expressividade corpórea e cênica, bem como da interação com o público, tendo ocorrido um número muito próximo de respostas relativas a esses dois quesitos. A expressão corpórea se manteve como fator predominante nas citações das dificuldades. Entretanto, os problemas relativos às questões emocionais (ansiedade, tensão, insegurança, conflito) tomaram a posição do quesito sobre a relação com o espectador, ficando em segundo lugar. Provavelmente, a interação palco-plateia, para os músicos, ainda não seja uma questão
de escuta e compartilhamento, ou de algo que faça parte do espetáculo. Mas parece ser um aspecto que o músico relaciona proximamente com a questão da inibição de ordem corpórea e emocional.
Observou-se, ainda, que os atores não mencionaram aspectos relativos à espacialidade, à relação com o público nem às questões de cunho emocional, quesitos citados pelos músicos. Em contrapartida, apontaram necessidades em torno da partitura e dos elementos musicais, seja em termos conceituais ou em relação aos aspectos corpóreos; necessidades, estas, que não foram abordadas pelos músicos. Ocorreram, ainda, manifestações dos atores com relação à ação da Música em processos de criação ou de investigação. Assim, em uma visão geral, percebe-se uma diferença no nível de interesses e necessidades apresentado pelos participantes. Ao que parece, os músicos, de maneira geral, estão à procura de preenchimento de necessidades expressivas básicas, quase em nível pessoal. Já a preocupação dos atores está voltada para expansão ou aplicação de conhecimentos.
Destacou-se, nas respostas de ambas as áreas, a consciência dos participantes quanto aos seus interesses e fragilidades. No entanto, quanto às limitações vivenciadas em suas experiências, relacionado ao quesito Problemas/dificuldades, somente um dos questionários referiu-se diretamente à questão da formação, o que se deu em uma fala relativa ao curso de Música, indicando sua deficiência em atender os quesitos de ordem corporal.