Para o projeto executivo, é feita uma série de desenhos auxiliares ao projeto arquitetônico, com o objetivo de facilitar a compatibilização entre os projetos e a execução no canteiro de obras. Um dos documentos produzidos nesta fase, para todos os pavimentos
RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»
Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB
do projeto, é a planta auxiliar de estrutura bruta36. No projeto executivo, segundo o
arquiteto, essa planta corresponde à fôrma que o calculista vai utilizar no lançamento da estrutura e posteriormente marcação da alvenaria. Todas as medidas indicadas nesta planta s oà utas,à s oàasà edidasà eais,à ueàse oàapli adasà aào a à i fo aç oà e al à37.
Figura 15: Exemplo de Planta Auxiliar de Estrutura Bruta sem cotas.
PLANTA AUXILIAR DE ESTRUTURA BRUTA-PAVIMENTO TIPO
ESCALA ERY SERVIÇO ERX VAZIO ELEVADOR SOCIAL VAZIO ELEVADOR ERX VAZIO ESCADA ERY 1:75 SHAFT SHAFT SHAFT SH AF T SHAFT SH AF T
*desenho sem escala.
Fonte: Arquivo digital do escritório de arquitetura (2001).
Na planta auxiliar de estrutura bruta (Figura 15), aparece a linha de borda da laje (aqui representada em azul), a marcação da alvenaria bruta (aqui representada em laranja) e de toda a estrutura (aqui representada em preto), além dos eixos de referência X e Y (aqui representados em vermelho). Segundo o arquiteto, o pilar é locado em função da alvenaria.
36 É importante salientar que esta planta começa a ser desenvolvida desde os primeiros estudos do
anteprojeto, a partir da interação entre o arquiteto e o calculista. Quando é representada no projeto executivo a Planta Auxiliar de Estrutura Bruta já está compatibilizada com o projeto estrutural e com as indicações de furos na laje e shafts, indicadas nos projetos de instalações.
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Ele afirma que começou a gerar esses desenhos auxiliares para minimizar alguns problemas que ocorriam na obra, como, por exemplo, as dúvidas na localização dos pilares em relação à parede.
Funcionava assim: parede de 15 em todos os projetos. Isso era passado para o calculista, que imaginava uma parede com tijolo de 10 cm e reboco e 2,5 cm de cada lado. Então ele localizava o pilar e além da espessura do pilar, mais o reboco de 2,5. Não havia tanto problema com os pilares externos. Mas e os pilares internos? Por qual lado da parede deveriam distorcer38? (...) depois de feito isso
tudo, a gente utiliza em todos os andares, da caixa d´água ao subsolo, e o projeto casa com facilidade, sem grandes preocupações (informação verbal) 39
Outro tipo de planta produzida nesta fase é a planta auxiliar de marcação da alvenaria, que é muito semelhante à planta de estrutura bruta, só que se refere à locação das paredes, considerando as dimensões brutas dos blocos/tijolos determinados pela construtora. Logo após o curso da DT&C o escritório passou a detalhar as alvenarias, reproduzindo a primeira fiada de tijolos/blocos, indicando a disposição dos blocos comuns e especiais, no caso de utilização de blocos específicos para canto, amarração de paredes etc. Além da planta, também eram feitas as elevações. Nestes desenhos era feita a representação dos blocos, um a um, e também da localização dos vãos de portas e janelas. Na elevação de cada parede eram marcados com uma hachura os tijolos que receberiam pontos elétricos. Esse local recebia um tijolo especial, prémoldado, próprio para receber a caixa do ponto elétrico.
O projeto das alvenarias, segundo o arquiteto, não eram valorizado e obedecido fielmente na execução por algumas construtoras. Por isso, atualmente, somente a planta auxiliar de marcação da alvenaria é entregue no pacote do projeto executivo. O restante do projeto de alvenarias passou a ser terceirizado por algumas construtoras que investem em racionalização da construção.
Uma planta auxiliar de pontos elétricos, com a localização e altura de todos os pontos, também fazia parte dos documentos produzidos para a obra. No entanto, esta marcação nem sempre era seguida à risca, principalmente porque a maioria dos apartamentos sofre interferência de um arquiteto de interiores. Por isso, o escritório deixou
38 Oà e oà disto e à estaà f aseà assu eà oà se tidoà deà ali ha ,à olo a à ladoà aà lado,à aà es aà li ha.à áà
expressão é muito utilizada com este significado no jargão dos profissionais da construção civil.
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de produzir estas plantas e atualmente o projeto elétrico é sempre terceirizado pela construtora.
O escritório desenvolve ainda o detalhamento das esquadrias, acompanhado do quadro de esquadrias. E por fim, a paginação de piso das áreas comuns e um mapeamento do revestimento, que se complementa com o desenho de fachada. Segundo o arquiteto, foi criado um sistema de representação em planta (Figura 16) e elevação (Figura 17), através de uma legenda específica que determina onde começa e termina cada cor de revestimento na fachada. O sistema foi criado depois de ter ocorrido erro na paginação de fachada de um dos edifícios projetados pelo escritório, no ano de 1995. A criação deste sistema de representação facilitou o trabalho de execução e também ajuda os arquitetos do escritório a a alia e à seà oà p ojetoà est à uitoà o ple o.à “egu doà oà a uiteto,à se o projeto for
complicado de representar, é porque vai ser complicado de executar. Complicação de execução é custo à i fo aç oà e al à40.
Figura 16: Exemplo de mapeamento do revestimento externo em planta baixa*
*desenho sem escala.
Fonte: Arquivo digital do escritório de arquitetura (2011)
40 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com o arquiteto ARQ, em João Pessoa, em Março de
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Figura 17: Exemplo de mapeamento do revestimento externo em fachada, com legenda própria*.
*desenho sem escala
Fonte: Arquivo digital do escritório de arquitetura (2011.)
Segundo o arquiteto, a determinação do revestimento externo não segue a modulação 10 x 10 cm, e nenhuma outra, pois o que determina a escolha do revestimento, por parte dos construtores, muito mais do que as dimensões e a tonalidade indicada pelo
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arquiteto, é o preço de mercado na hora da compra. O mesmo ocorre para os demais materiais especificados na obra. Questionado sobre o poder de decisão dele neste aspecto, o arquiteto afirma que quase tudo é especificado pelo cliente, que considera principalmente os custos de aplicação e as exigências do mercado imobiliário e é muito difícil o arquiteto conseguir influenciar nestas escolhas. Neste contexto, ele exemplifica o caso da escolha do sistema estrutural: ás o st uto as só ue e faze laje e u ada, porque o processo
produtivo dela é mais vantajoso. A grande maioria não quer saber de outra coisa. No
p o esso de p ojeto a ge te o te espaço pa a i flue ia isso di eta e te 41.
De acordo com o arquiteto, esta metodologia é adotada em todos os projetos de habitação multifamiliar vertical desenvolvidos pelo escritório. Além dos desenhos básicos e dos que foram aqui citados, outros tipos de detalhamentos são executados, a depender das necessidades de cada projeto. Segundo o arquiteto, é comum alguns desenhos do projeto executivo serem produzidos depois de iniciada a obra.
Em um projeto deste tipo, além das pranchas do projeto básico, são desenvolvidas em média 60 pranchas auxiliares para o projeto executivo. O tempo médio de concepção dos projetos é de seis a oito meses. Já a execução das obras, dependendo do porte do empreendimento, demora entre 38 e 48 meses.
4.1.3 Caracterização geral da produção do escritório
Na coleta de dados realizada junto ao escritório identificou-se 243 projetos, que foram agrupados em uma planilha única (Apêndice B), conforme mencionado no capítulo anterior. Fazem parte da listagem geral 26 projetos com data anterior à formação do arquiteto (1990). Estes projetos não foram considerados na pesquisa. Portanto, entre 1990 e Março de 2011, 217 projetos foram iniciados pelo escritório.
Nestes 21 anos de atuação, 60% da produção do escritório concentrou-se na cidade de João Pessoa. Foram desenvolvidos ainda projetos em outros municípios da Paraíba (Conde, Cabedelo, Santa Rita, Campina Grande, Areia etc.), Rio Grande do Norte, Maranhão e até em Angola, na África. Dentre todos os projetos desenvolvidos no referido período, 135 eram do tipo Construção de Habitação Multifamiliar Vertical. Ou seja, 63% da produção do escritório direcionaram-se para este tipo de edificação. Esta constatação comprovou a
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experiência do arquiteto neste segmento e reforçou a escolha do escritório para o estudo de caso. Os demais projetos foram classificados conforme apresentado na Figura 18. É interessante destacar que 93% do total de projetos foram direcionados para novas construções. O restante dos projetos foi para obras de ambientação, ampliação e/ou reforma.
Figura 18 - Classificação dos projetos segundo uso.
63% 12% 9% 5% 3%3% 2% 3%