A principal técnica de coleta de dados adotada na pesquisa de campo foi a entrevista semiestruturada. De acordo com Lüdke e André (1986, p. 34), a grande vantagem da técnica daàe t e istaàe à elaç oà sàout asà à ueàelaàpe iteàaà aptação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais
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No caso da entrevista semiestruturada, o que a diferencia dos demais tipos de entrevistas é a possibilidade de relativização das perguntas. Na aplicação deste instrumento, utiliza-se um roteiro previamente determinado, com questões direcionadas ao objetivo da pesquisa. De acordo com Manzini (2004), além de facilitar a coleta das informações básicas, o roteiro é um meio de o pesquisador se organizar para o processo de interação com o informante. No decorrer da entrevista há certa liberdade, tanto no encaminhamento das questões, quanto nas respostas. Caso julgue necessário, o pesquisador pode acrescentar ou eliminar questões de acordo com as respostas obtidas.
As características anteriormente citadas influenciaram a adoção desta técnica para esta pesquisa, uma vez que a flexibilidade no momento das entrevistas facilita a compreensão do objeto de estudo ao permitir que alguns aspectos sejam esclarecidos no seguimento da entrevista. Além disso, a adoção desta técnica, ao aproximar o pesquisador do objeto de estudo, foi fundamental para a geração de pontos de vista, orientações e hipóteses que permitiram o aprofundamento da investigação e a seleção de novas estratégias para a metodologia que, como já foi mencionado, foi construída ao longo da pesquisa.
As entrevistas foram realizadas com pessoas que participam direta (arquiteto e engenheiros responsáveis por alguns projetos complementares) ou indiretamente (responsáveis técnicos pela execução do projeto) do processo projetual de habitação multifamiliar vertical. Além disso, a fim de exemplificar as informações coletadas nas
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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB
entrevistas e estimular a compreensão da problemática, optou-se pela análise de documentos de projeto (desenhos digitalizados) fornecidos pelos profissionais entrevistados e de visitas não sistemáticas ao canteiro de obras.
Para atingir os objetivos propostos, optou-se por realizar os estudos a partir da produção de um único escritório de arquitetura, com larga experiência no processo projetual de habitação multifamiliar vertical, conferindo assim, à pesquisa, o caráter de um estudo de caso.
De acordo com Ventura (2011), o estudo de caso é flexível em seu planejamento e propicia que um problema seja estudado em profundidade dentro de um período de tempo limitado através de procedimentos relativamente simples. Além disso, demonstra ser apropriado para investigações que contam com um grande número de variáveis, mesmo quando não existem regras básicas que determinem o grau de importância de cada uma delas. Esta característica se aplica à temática abordada, já que, conforme apresentado no Capítulo 2, a multiplicidade de dimensões que envolvem o processo projetual e a geração de RCC tem sido um entrave para as pesquisas nesta área.
A pesquisa de campo foi realizada em cinco etapas: 1) Seleção do Arquiteto, 2) Entrevistas com o arquiteto, 3) Seleção dos projetos, 4) Entrevistas no canteiro de obras, 5) Entrevistas com projetistas complementares.
É importante ressaltar que o discurso dos entrevistados não foi tratado como verdade universal, não compôs amostra representativa de um determinado grupo de pessoas e não refletiu a opinião da pesquisadora. Além disso, o foco deste estudo de caso não era descrever a trajetória profissional dos entrevistados, a produção do escritório de arquitetura escolhido ou a realização de uma análise detalhada dos seus projetos. Neste contexto, optou-se por conferir um caráter impessoal aos discursos apresentados. Portanto, a identidade dos entrevistados não foi revelada ao logo do texto. Tanto os entrevistados quanto os projetos escolhidos foram identificados no texto através de uma nomenclatura específica que será apresentada no decorrer do trabalho.
3.2.1 Seleção do Arquiteto/ Escritório de Arquitetura
A escolha do arquiteto/escritório de arquitetura foi o ponto de partida para o desenvolvimento da pesquisa de campo. O arquiteto foi selecionado em virtude do seu
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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB
destaque local e pela sua experiência no desenvolvimento de projetos de Habitação Multifamiliar Vertical (HMV).
O referido arquiteto comanda há 21 anos um escritório de arquitetura na cidade de João Pessoa/PB e já havia desenvolvido 135 projetos de HMV, entre 1990 (ano de sua formação) e março de 2011. Dentre esses projetos, é interessante ressaltar dois que foram pioneiros na história da verticalização de edificações para uso habitacional no estado da Paraíba: o Projeto nº33 (09/1990) 14, construído na década de 1990, foi o primeiro edifício
com mais de 20 andares do estado; e o Projeto nº 227 (11/2009), cuja construção foi iniciada em Junho 2011, com 46 pavimentos tipo e 183 m de altura, até o presente momento é considerado o mais alto edifício do Nordeste. Além disso, o Projeto nº 227 (11/2009) será o primeiro empreendimento no Nordeste a buscar a certificação AQUA15 de sustentabilidade.
Além de dirigir o referido escritório, o arquiteto selecionado, entre 1994 e 2004 foi sócio de uma empresa que atuou na construção de edifícios residenciais e comerciais em João Pessoa. Esta atividade possibilitou uma vivência diária em canteiros de obras, que certamente contribuiu para uma maior experiência do arquiteto no desenvolvimento de projetos de HMV.
Sabe-se que a busca por certificações ambientais, a exemplo da AQUA, bem como pela máxima racionalização da construção, cada vez mais presente na cultura construtiva de edifícios de grande altura, exigem o máximo de controle em todas as etapas de realização do empreendimento: programa (planejamento), concepção (projeto), execução (obra) e operação (uso). O arquiteto escolhido para esta pesquisa se insere nesse ciclo e, portanto, foi selecionado partindo-se do princípio de que certamente apresentaria know-how em projetos de HMV.
14 Optou-se pela adoção dessa nomenclatura com o intuito de preservar o caráter impessoal da pesquisa e
garantir a confidencialidade sobre as informações técnicas e outras às quais a pesquisadora teve acesso. Todos os projetos mencionados foram nomeados com o seguinte formato: Projeto nº (MM/AAAA). O número (ex.: nº 33) refere-se ao posicionamento do projeto na listagem geral de projetos desenvolvidos pelo escritório (Apêndice B). A informação em parênteses (ex.: 09/1990) refere-se ao mês e ano atribuídos a cada projeto, também de acordo com a listagem geral.
15 Essa certificação é concedida pela fundação Vanzolini, uma instituição privada, sem fins lucrativos, criada,
mantida e gerida pelos professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
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3.2.2 Entrevistas com o Arquiteto
As entrevistas semiestruturadas foram dirigidas ao sócio majoritário e diretor do escritório de arquitetura selecionado. No primeiro contato com o arquiteto a pesquisadora teve oportunidade de esclarecer como seria realizada a pesquisa, tendo o participante demonstrado entusiasmo pelo tema e disponibilidade em participar. O arquiteto iniciou a sua participação na pesquisa fazendo uma exposição sobre a metodologia projetual adotada no escritório.
Nos contatos posteriores, além de elucidar alguns questionamentos a respeito da metodologia de concepção e representação do escritório, as entrevistas seguiram um roteiro (Apêndice A) elaborado pela pesquisadora. O roteiro foi dividido em seis eixos temáticos: 1) Trajetória profissional do arquiteto e do escritório; 2) Caracterização da produção do escritório; 3) Sistema de organização e funcionamento do escritório; 4) Interação do projeto com a execução 5) Processo de coordenação dos projetos 6) Grau de conhecimento e percepção do arquiteto a cerca da temática da geração de RCC.
O levantamento de dados prosseguiu de maneira assistemática, de acordo com a disponibilidade de horário do arquiteto, até que as seguintes etapas da pesquisa fossem cumpridas: