Uyuşmazlık Kararları Ara Kararlar
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2.3.1. İHALE UYGULAMALARI EĞİTİM PROGRAMLARI
Um fato envolvendo pesquisadora e pesquisados merece ser explicitado. Assumi o papel de pesquisadora, mas a comunidade já me conhecia como membro da ONG que
25 Corneta é um dispositivo sonoro em forma de concha utilizado para propagar o som nos ambientes externos, também conhecido como radiadora.
implantou a rádio e que tem o potencial de desenvolver outros projetos no local. O meu esforço em investigar os aspectos negativos da rádio foi prejudicado. Perguntas diretas sobre o que não agradava aos moradores não foram respondidas diretamente. Utilizei uma espécie de enquete comparando a rádio comercial com a radioescola. Mesmo assim, as respostas foram lacônicas ou justificaram as falhas que podem ter sido da ONG. Acredito que a minha interferência como pesquisadora teve nesse ponto seu limite definido. Ficaram falas a serem pronunciadas porque não poderiam ser ditas a mim. Como aparece no depoimento dessa professora.
Então aqui eu não sei o que aconteceu... tem alguma coisa que dá errado, né? Vocês já tentaram... tivemos sempre os maiores cuidados, só que na verdade funciona uns dias e para. Mas que a rádio é importante e fundamental para o assentamento... é importante! (Entrevistada 1)
Uma idéia recorrente que eu coletei sobre os defeitos dos equipamentos foi a de que “vocês fizeram tudo que puderam, mas tem uma coisa aqui que ninguém entende.” Quando eles usam o termo “vocês” me incluem e me protegem como uma pessoa que tem uma ligação afetiva e, ao mesmo tempo, política. Assim, faço a análise desse problema técnico, nesse momento, como uma integrante da ONG e não como pesquisadora, reconhecendo minha limitação nesse ponto específico.
Eu acredito que a ONG possui e manifesta seus princípios sobre a democratização da comunicação e consegue traduzi-los nas ações que realiza. No entanto, em relação a esse projeto específico, tem um “calcanhar de Aquiles” que se localiza no aspecto técnico, no que se refere à instrumentalização física das radioescolas. Propõe sempre a mesma configuração do equipamento e não dispõe de técnicos colaboradores que façam um estudo prévio das necessidades sonoras de cada espaço, antes de realizar a instalação dos equipamentos. O equipamento, em Santana, tem a mesma configuração que outro de uma pequena escola, se diferenciando pela quantidade de cornetas. Estas queimam com mais freqüência no assentamento Santana do que em outros locais, mas esse tipo de peça vem apresentando problemas similares também em outras localidades, nos últimos projetos.
Considero que a ONG Catavento tem a maior parcela de responsabilidade na descontinuidade da Rádio Cultura porque não tem estrutura técnica para arcar com os problemas que os instrumentos de som geram, mesmo tendo sido eficiente no desenvolvimento conceitual da rádio, dando instrumentalização aos moradores para que fossem capazes de construir e manter uma programação adequada e dentro das necessidades da comunidade. A equipe que trabalha no projeto não tem formação na área de eletrotécnica e
a entidade não consegue localizar técnicos que sejam capazes de fazer um estudo da necessidade e distribuição do som para um funcionamento garantido das radioescolas do ponto de vista da máquina. Nem se mobilizou o suficiente para resolver esse problema de maneira eficaz.
Entendo, por outro lado, que o coletivo do assentamento construiu o hábito de esperar pelas pessoas da ONG para tentar sanar o problema, mesmo trazendo soluções transitórias e paliativas, como temos feito durante esse tempo.
Como pesquisadora, posso afirmar que existe a intenção de ambas as partes em descobrir soluções para a reativação da Rádio Cultura de Santana. Pelo lado do assentamento, pelo desenvolvimento que tem sido relatado nesse trabalho e também pela visibilidade que a radioescola lhes dá. Para a ONG, porque foi uma experiência em que transpareceu uma sinergia entre o grupo do Catavento e os assentados quanto aos princípios e intenções da comunicação, elevando a autoestima das equipes que perseguem a construção de radioescolas. Além disso, esta rádio, especificamente, serve como vitrine para os apoiadores da instituição que procuram por resultados concretos e exitosos.
Atualmente, no segundo semestre de 2009, a rádio do assentamento esteve desativada. Problemas de ordem técnica dos equipamentos impediram que o grupo se mantivesse motivado para dar permanência a uma programação rotineira. A inconstância no funcionamento da radioescola causou sua descontinuidade. As pessoas entrevistadas falam sobre esses problemas.
Essa dona de casa relatou que sente falta da rádio e que no horário que iniciava a programação ela ainda estava deitada, de manhã cedo. O programa funcionava para ela como um despertador e apreciava as notícias e as cantorias.
Na hora do meio-dia eu já sentava aqui pra ouvir. Já escutando o que era que tava dando noticia.. pra saber noticia do assentamento...porque ali eles dão noticia do assentamento... no dia de uma Assembléia eles avisam... quando tem um aviso eles avisam pela rádio pra não tá mandando de casa em casa...porque na radio todo mundo ouve. Aí eu já venho escutar o que é... (entrevistada 2)
Quando indaguei aos moradores o que eles consideravam negativo na rádio, apontaram que a rádio que fora instalada era “fraca”, indicando que quebrava com muita facilidade e o som não se estendia a todas às ruas. Nenhum entrevistado apontou falhas na qualidade da programação. O que não lhes parecia adequado era justificado pela falta de
experiência. Como aparece na fala desse ouvinte, membro da cooperativa, fazendo uma comparação com a rádio comercial.
Aqui era uma rádio que não tem potência ainda, né? É uma radio de momento ali... não tem as programações. Na qualidade dos programas é claro que é mais, né?... você pega profissional... aqui não. Os meninos começaram aqui... pegando curso. mas já tavam ficando profissional... mas não tinha tempo. Era quinze... vinte minutos, né? Aí não dava tempo um debate... mas já tava ficando muito falado. (entrevistado 3)