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VERGİ TARHI KAVRAMI VE VERGİ TARHI İŞLEMİNE İLİŞKİN GENEL ESASLAR

II. BÖLÜM TARH İŞLEMİNİN İDARİ İŞLEM KİMLİĞİ VE UNSURLARI TARH İŞLEMİNİN İDARİ İŞLEM KİMLİĞİ VE UNSURLARI

5. İdari İşlemlerin Sona Ermesi

5.2. İdarenin İradesine Bağlı Sebepler

5.2.2. İdari İşlemin Kaldırılması

Dano moral é a lesão de interesses não patrimoniais da pessoa, provocada pelo fato lesivo362. Para Carlos Alberto Bittar, é o “atentado a componentes da personalidade humana, identificando-se sob diferentes formas de lesão, de caráter físico, intelectual ou moral”363.

O dano moral pode ser direto ou indireto364. O dano moral direto consiste na lesão a um interesse que visa à satisfação ou gozo de um bem jurídico contido nos direitos da personalidade (como a vida, a liberdade, a honra e a imagem) ou nos atributos da pessoa (como o nome e a capacidade). O dano moral indireto, por sua vez, é aquele provocado a qualquer interesse não patrimonial, devido a uma lesão a um bem patrimonial da vítima.

A reparação do dano moral, cuja possibilidade já foi amplamente debatida pela doutrina e jurisprudência, é agora consagrada pelo art. 5º, V e X, da Constituição Federal de 1988. Não há dúvida, ademais, sobre a possibilidade de cumulação de indenização por dano moral e material, a teor da Súmula n. 37 do Superior Tribunal de Justiça365.

362 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, p. 91.

363 BITTAR, Carlos Alberto. Responsabilidade civil: teoria e prática, p. 96. 364 ZANNONI, Eduardo. El daño en la responsabilidad civil, p. 239/240.

365 Súmula n. 37 do Superior Tribunal de Justiça: “São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato”.

Tratando da imagem-retrato, há corrente jurisprudencial robusta que defenda a existência de dano moral direto pela simples publicação não consentida da imagem. Da mera utilização desautorizada da imagem desponta o dever de indenizar. Não se faz necessário o abalo da honra, pois, segundo esse entendimento, a imagem é bem da personalidade autônomo, dotado de elemento moral, nem se mostra imprescindível a lesão patrimonial, para o dano moral dela emergir de modo reflexo.

O Supremo Tribunal Federal366, em acórdão da lavra do Ministro Carlos Velloso, já decidiu nesse sentido. Havendo a utilização não consentida da imagem, cabe reparação do dano moral independentemente de lesão patrimonial e da ofensividade da publicação.

No Recurso Especial n. 230268/SP, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça367, por maioria de votos, analisando caso de reprodução da

366 Ementa: “Dano moral – Ação indenizatória – Publicação de fotografia sem autorização – Estado de desconforto, aborrecimento ou constrangimento que, independentemente do seu tamanho e do intuito comercial, é causado pela publicação da fotografia de alguém – Desnecessidade de ofensa para que exista reparação do dano – Inteligência do art. 5º, X, da CF. Para a reparação do dano moral, não se exige a ocorrência de ofensa à reputação do indivíduo. O que acontece é que, de regra, a publicação da fotografia de alguém, com intuito comercial ou não, causa desconforto, aborrecimento ou constrangimento, não importando o tamanho desse desconforto ou desse constrangimento. Desde que ele exista, há o dano moral, que deve ser reparado, manda a Constituição, art. 5º, X” (2ª T., RE n. 215.984-1, j. 04/05/2002, RT 802/145, v.u.).

367 Ementa: “DANO MORAL. DIREITO À IMAGEM. FOTOGRAFIAS USADAS EM PUBLICAÇÃO COMERCIAL NÃO AUTORIZADA. I – O uso de imagem para fins publicitários, sem autorização, pode caracterizar dano moral se a exposição é feita de forma vexatória, ridícula ou ofensiva ao decoro da pessoa retratada. A publicação das fotografias depois do prazo contratado e a vinculação em encartes publicitários e em revistas estrangeiras sem autorização não enseja danos morais, mas danos materiais. II – Recurso especial conhecido, mas desprovido” (REsp. n. 230268/SP, Rel. Min. Antonio de Pádua Ribeiro, 3ª T., j. 13/03/2001, DJ 18/06/2001, p. 148).

imagem de modelo sem o consentimento, decidiu que, não havendo ofensividade na publicação, inexiste dano moral indenizável. Vencedores os Ministros Antonio de Pádua Ribeiro (relator), Ari Pargendler e Carlos Alberto Menezes Direito. Vencidos Waldemar Zveiter e Nancy Andrighi.

Não conformada, a Recorrente interpôs Embargos de Divergência. A Segunda Seção, examinando o recurso, reformou a decisão da Terceira Turma para afirmar que, tratando-se de direito à imagem, a obrigação da reparação do dano moral decorre do próprio uso não consentido do direito personalíssimo, não havendo de se cogitar da prova da existência do dano, nem a conseqüência do uso, se ofensivo ou não368. Vencedores os Ministros Sálvio de Figueiredo Teixeira (relator), Barros Monteiro, Ruy Rosado de Aguiar, Castro Filho e Nancy Andrighi. Vencidos Antonio de Pádua Ribeiro, Ari Pargendler e Carlos Alberto Menezes Direito.

368Ementa: “DIREITO À IMAGEM. MODELO PROFISSIONAL. UTILIZAÇÃO SEM AUTORIZAÇÃO. DANO MORAL. CABIMENTO. PROVA. DESNECESSIDADE. QUANTUM. FIXAÇÃO NESTA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. EMBARGOS PROVIDOS. I – O direito à imagem reveste-se de duplo conteúdo: moral, porque é direito de personalidade; patrimonial, porque é assentado no princípio segundo o qual a ninguém é lícito locupletar-se à custa alheia. II – Em se tratando de direito à imagem, a obrigação da reparação decorre do próprio uso indevido do direito personalíssimo, não havendo de cogitar-se da prova da existência de prejuízo ou dano, nem a conseqüência do uso, se ofensivo ou não. III – O direito à imagem qualifica-se como direito de personalidade, extrapatrimonial, de caráter personalíssimo, por proteger o interesse que tem a pessoa de opor-se à divulgação dessa imagem, em circunstâncias concernentes à sua vida privada. IV – O valor dos danos morais pode ser fixado na instância especial, buscando dar solução definitiva ao caso e evitando inconvenientes e retardamento na entrega da prestação jurisdicional” (EREsp. n. 230268/SP, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, Segunda Seção, j. 11/12/2002, DJ 04/08/2003, p. 216).

Em seu voto, o relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira enalteceu o duplo conteúdo do direito à imagem: o moral, porque direito da personalidade e o patrimonial, pois a imagem pode ter o uso licenciado onerosamente. E que, da violação da imagem, bem jurídico da personalidade, nasce o dano moral, independentemente de eventuais prejuízos patrimoniais experimentados.

Esse também foi o entendimento levado a efeito no Recurso Especial n. 46.420/SP369, relatado pelo Ministro Ruy Rosado de Aguiar:

“Alegou-se a inexistência de prejuízo, indispensável para o reconhecimento da responsabilidade civil das demandadas. Ocorre que o prejuízo está na própria violação, na utilização do bem que integra o patrimônio jurídico personalíssimo do titular. Só aí já está o dano moral. Além disso, também poderia ocorrer o dano patrimonial, seja pela utilização feita pelas demandadas, seja por inviabilizar ou dificultar a participação em outras atividades do gênero”.

Ainda nesse sentido, de que a utilização desautorizada da imagem gera, por si só, dano moral, é o acórdão proferido no Recurso Especial n. 74.473/RJ370 e no Agravo Regimental n. 162.918/DF371.

369 Ementa: “DIREITO À IMAGEM. DIREITO DE ARENA. JOGADOR DE FUTEBOL. ÁLBUM DE FIGURINHAS. O direito de arena que a lei atribui às entidades esportivas limita- se a fixação, transmissão e retransmissão do espetáculo desportivo público, mas não compreende o uso da imagem dos jogadores fora da situação especifica do espetáculo, como na reprodução de fotografias para compor “álbum de figurinhas”. Lei 5989/73, art. 100; Lei 8672/93” (REsp. n. 46420/SP, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, 4ª T., j. 12/09/1994, DJ 05/12/1994, p. 33565).

370 Ementa: “DIREITO AUTORAL. DIREITO À IMAGEM. PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA E VIDEOGRÁFICA. FUTEBOL. GARRINCHA E PELÉ. PARTICIPAÇÃO DO ATLETA. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA,

Yussef Said Cahali372, diferentemente, sustenta o não cabimento do dano moral pelo mero uso não consentido da imagem:

“Em outros termos, e em linha de princípio, da prática pura e simples de ato ilícito representado pelo uso de fotografia em matéria publicitária, sem autorização, não se pode presumir a existência de dano moral: com relação ao uso da imagem para fins publicitários, sem autorização, que não faz a exposição de forma vexatória, de modo ridículo ou ofensivo ao decoro da pessoa retratada, não há como admitir a existência de dano moral, que não decorre pura e simplesmente da prática do ato ilícito. Afastado o dano moral, cumpre reconhecer a ocorrência de dano patrimonial reparável, uma vez que o uso da imagem para fins publicitários, como é notório, tem valor econômico que varia tanto em razão das características próprias da imagem como do prestígio da pessoa retratada”.

A imagem é bem da personalidade autônomo, por si só protegido. A utilização não autorizada da imagem bastará para gerar dano moral indenizável. SEM AUTORIZAÇÃO. DIREITOS EXTRAPATRIMONIAL E PATRIMONIAL. LOCUPLETAMENTO. FATOS ANTERIORES ÀS NORMAS CONSTITUCIONAIS VIGENTES. PREJUDICIALIDADE. NÃO CONHECIDO. DOUTRINA. DIREITO DOS SUCESSORES À INDENIZAÇÃO. RECURSO PROVIDO. UNÂNIME. I – O direito à imagem reveste-se de duplo conteúdo: moral, porque direito de personalidade; patrimonial, porque assentado no princípio segundo o qual a ninguém é lícito locupletar-se à custa alheia. II – O direito à imagem constitui um direito de personalidade, extrapatrimonial e de caráter personalíssimo, protegendo o interesse que tem a pessoa de opor-se à divulgação dessa imagem, em circunstâncias concernentes à sua vida privada. III – Na vertente patrimonial o direito à imagem protege o interesse material na exploração econômica, regendo-se pelos princípios aplicáveis aos demais direitos patrimoniais. IV – A utilização da imagem de atleta mundialmente conhecido, com fins econômicos, sem a devida autorização do titular, constitui locupletamento indevido ensejando a indenização, sendo legítima a pretensão dos seus sucessores” (REsp. n. 74473/RJ, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, 4ª T., j. 23/02/1999, DJ 21/06/1999, p. 157).

371 Ementa: “AGRAVO. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS. DIREITO À IMAGEM. 1. Evidenciada a violação do direito à imagem, resulta daí o dever de indenizar os danos morais sofridos, não havendo que se cogitar da prova do prejuízo. 2. A pretensão de exame de cláusula contratual e de aspectos fáticos-probatórios é inviável em sede de recurso especial (Súmulas n.s 05 e 07-STJ). Agravo improvido” (AgRg. no AG n. 162918/DF, Rel. Min. Barros Monteiro, 4ª T., j. 06/06/2000, DJ 21/08/2000, p. 138).

Eventual caráter ofensivo na publicação merecerá a elevação do valor da indenização pelo atentado à honra. Assim como a reprodução da imagem captada na esfera íntima reclamará o incremento do quantum por conta da violação à intimidade. Enfim, se a lesão ao direito à imagem vier acompanhada de ofensa a outro direito da personalidade, o Juiz deverá elevar o valor da indenização373.

Exemplo de violação múltipla a direitos da personalidade é a recente publicação, pelos jornais sensacionalistas “The Sun” (do Reino Unido) e “New York Post” (dos Estados Unidos da América), do retrato do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, de cuecas. Houve cristalina lesão ao direito à imagem, por inexistir autorização do titular, nem interesse público que justificasse a publicação do retrato. Existiu também dano à intimidade, por ter sido levada ao público fotografia de pessoa em trajes íntimos, sem o seu consentimento. E, ainda, dano à honra subjetiva, pela ofensividade da publicação.

A simples captação da imagem, sem posterior publicação, não provoca dano moral. A mera captação da imagem consubstancia, em regra, aborrecimento ordinário, decorrente da vida em sociedade. Não gera dano, mas possibilita ao titular da imagem, na esfera judicial, intentar ação para obstar a publicação e obrigar a entrega do suporte no qual esteja fixada a imagem.