VERGİ TARHI KAVRAMI VE VERGİ TARHI İŞLEMİNE İLİŞKİN GENEL ESASLAR
II. BÖLÜM TARH İŞLEMİNİN İDARİ İŞLEM KİMLİĞİ VE UNSURLARI TARH İŞLEMİNİN İDARİ İŞLEM KİMLİĞİ VE UNSURLARI
2. İdari İşlemin Özellikleri
3.1. Tek Yanlı İdari İşlemler
3.1.1. Bireysel İdari İşlemler - Düzenleyici İşlemler Ayrımı
3.1.1.1. Bireysel İdari İşlem Türleri
Honra, do latim honore, é “a dignidade de uma pessoa, a virtude de alguém sob a ótica dos demais”216. Na lição de Magalhães Noronha217, é o “complexo ou conjunto de predicados ou condições da pessoa que lhe conferem consideração social e estima própria”. Para Adriano De Culpis218, invocando Specker, a honra abriga tanto o valor moral do homem (a estima dos outros, a consideração social, o bom nome, a boa fama) quanto o sentimento, ou consciência, da própria dignidade pessoal.
A inviolabilidade da honra é assegurada no art. 5º, X, da Constituição Federal.
Depreende-se dos conceitos apresentados o duplo aspecto da honra: o aspecto interno (honra subjetiva) e o enfoque externo (honra objetiva).
216 DONNINI, Oduvaldo; DONNINI, Rogério Ferraz. Imprensa livre, dano moral, dano à
imagem e sua quantificação à luz do novo Código Civil, p. 58.
217 NORONHA, Magalhães. Direito penal, v. 2, p. 122.
Honra subjetiva é a auto-estima, o amor-próprio, o sentimento da própria dignidade, a consciência do próprio valor moral e social219.
Honra objetiva, por sua vez, é a consideração dos outros para com a pessoa; o apreço, o respeito, a fama e a reputação que ostenta.
A honra tem importância tão grande no ordenamento jurídico pátrio que é tutelada pelo Direito Penal, no Capítulo V (“Dos crimes contra a honra”) do Título I da Parte Especial do Código Penal, arts. 138 a 140. Quando a violação da honra se dá pelos meios de comunicação, incidem os tipos previstos nos arts. 20 a 22 da Lei n. 5.250/67 (Lei de Imprensa). Há, ainda, previsão dos crimes contra a honra em outros diplomas legais, como na Lei n. 4.117/62 (Código Brasileiro de Telecomunicações, art. 53, “i”), na Lei n. 7.170/83 (Lei de Segurança Nacional, art. 26) e no Decreto-Lei n. 1.001/69 (Código Penal Militar, arts. 214 a 219).
A honra subjetiva é a objetividade jurídica do crime de injúria (arts. 140 do Código Penal e 22 da Lei de Imprensa). A honra objetiva, dos crimes de calúnia (arts. 138 do Código Penal e 20 da Lei de Imprensa) e difamação (arts. 139 do Código Penal e 21 da Lei de Imprensa).
O direito à imagem não se confunde com o direito à honra, em que pese reconheçamos a grande importância histórica desde para a afirmação daquele, sendo considerado o direito à honra um berço para o direito à imagem220. A teoria da honra foi defendida por Alfredo Orgaz, Rosmini, Ferrara, Cohn, Pacchioni, Venzi, Vaunois, dentre outros.
A teoria da honra foi albergada, segundo Walter Moraes221, pelo art. 10 do Código Civil italiano de 1942, apesar de Adriano De Culpis222 aduzir que a lei civil italiana abraçou a teoria da intimidade223.
Defensores da teoria da honra224 sustentam que o artista pode captar e reproduzir o que bem entender, contanto que não cometa injúria ou difamação; o retrato que nada tiver de insultante, nada tem de repreensível.
Todavia, o indivíduo tem o direito de não ter a sua imagem captada e reproduzida independentemente do caráter ofensivo da publicação. Em outras palavras, a imagem pode ser atingida em situações na qual a honra é
220 Walter Moraes afirma que a maior parte das soluções jurisprudenciais do século XIX referidas tanto Kohler quanto por Santini nos tribunais franceses, alemães e até mesmo americanos sobre questões de retrato fundam-se na tutela da honra. MORAES, Walter. Direito à
própria imagem (I), p. 68.
221 Ibidem, mesma página.
222 DE CULPIS, Adriano. Os direitos da personalidade, p. 129/130.
223 Santos Cifuentes, por sua vez, sustenta que o art. 10 do Código Civil italiano confere proteção autônoma à imagem. CIFUENTES, Santos. Derechos personalísimos, p. 510.
resguardada em sua integralidade. Ou mesmo quando a honradez do indivíduo é elevada.
Imaginemos a possibilidade de alguém se insurgir, invocando o direito à honra, à veiculação de um comercial de televisão no qual a pessoa representada – sem anuir com a veiculação – teve as características e qualidades pessoais alavancadas. Nessa hipótese, a sua honra não é ferida. Pelo contrário, é alçada. Mas o direito à imagem foi violado. Esse é o fundamento para cessar a veiculação e reparar o dano experimentado. A teoria da honra não explica situações como essa.
Não podemos negar que muitas vezes a violação do direito à imagem vem acompanhada da lesão à honra. Entretanto, os bens jurídicos referidos são autônomos, merecedores de tutela individualizada.
Essa distinção respeita à imagem-retrato. Mas o direito à imagem- atributo não se confunde com o direito à honra. A diferença entre esses bens, em especial quando a honra é vislumbrada em seu aspecto objetivo, é ainda mais tênue.
A honra objetiva refere-se aos conceitos sociais favoráveis, aos bons costumes, segundo um padrão médio de conduta. Para violar a honra, há de se imputar à pessoa fato ofensivo como, por exemplo, a prática de infração penal.
A imagem-atributo, por seu turno, não abriga, necessariamente, aspectos positivos. Os caracteres podem ser negativos, ou mesmo dotados de “neutralidade”: se violados, não despertarão alteração significativa na reputação do indivíduo.
Pensemos, por hipótese, num incansável pacifista, seguidor da doutrina de Mahatma Gandhi. Se ele conceder uma entrevista a algum veículo de comunicação e, no momento da edição, publicarem, incorretamente, que ele votaria no plebiscito a favor do comércio de armas no país, haveria, claramente, violação à sua imagem-atributo. Ser contra ou a favor do comércio de armas, no entanto, não tem relação com a honra.
Um médico cirurgião pode ser conhecido pelo sucesso de suas cirurgias cardíacas. Ser bom ou mau cirurgião nada tem que ver com a honra225. Ou um advogado pode ser conhecido por representar políticos renomados em ações criminais, sem que isso esteja ligado a sua honra. Estamos tratando de sua imagem-atributo.
Sobre a distinção dos bens jurídicos, honra e imagem-atributo, prossegue David Araújo226:
225 ARAÚJO, David. A proteção constitucional da própria imagem, p. 35.
226 ARAÚJO, David. O conteúdo do direito à própria imagem: um exercício de aplicação de
“Há ‘construções’ de imagem que não levam em conta a honra ou dela não necessitam. Construímos, por anos, a figura da nossa imagem. Essa imagem tem um caráter (mesmo que longínquo) de fundo publicitário. Criamos nossa imagem, apresentamos nossa imagem, vivemos com a nossa imagem e imaginamos que as pessoas nos procurem profissionalmente pela imagem que construímos. Sendo um especialista em determinado assunto, serei procurado por tal característica. Construí a idéia de que sou um bom profissional, zeloso, sereno, que posso aconselhar bem meus clientes. (...) Não estamos, repetimos, diante da honra”.
Bem verdade é que a lesão à honra objetiva pode vir acompanhada do dano à imagem-atributo. Isso ocorrerá quando o comportamento danoso violar atributos efetivamente positivos, ligados à lei, à moral e aos bons costumes, segundo o padrão socialmente estabelecido. A falsa imputação de fato descrito como crime, por exemplo, violará a honra – incorrendo também o ofensor, em tese, na prática do crime de calúnia – e a imagem-atributo, esta se o ofendido tiver semeado uma “imagem” de sujeito correto e cumpridor da lei.
Apesar de a teoria da honra ter sido no Brasil definitivamente sepultada pela Constituição Federal de 1988, o Código Civil de 2002 cuidou de ressuscitá-la, influenciado pelo art. 10 do Código Civil italiano de 1942.
O art. 20, caput, da novel lei civil prevê o direito à proibição da transmissão da palavra, da publicação, exposição e utilização da imagem de uma pessoa “se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem para fins comerciais”.
O legislador civil condicionou a proteção da imagem à violação da “honra, da boa fama, da respeitabilidade”227 ou à destinação comercial da publicação. Entretanto, à luz do disposto no art. 5º, X da Carta Maior, o direito à imagem é autônomo e amplo, também por conta do princípio da máxima efetividade dos direitos fundamentais228. Quer-se dizer que a lesão à imagem pode vir desacompanhada do dano à honra e do dano aos demais direitos da personalidade. E nem por isso o seu titular ficará sem proteção.
O Supremo Tribunal Federal229 e o Superior Tribunal de Justiça230 reconheceram, em diversas oportunidades, a autonomia do direito à imagem e a sua distinção com a honra.
A teoria da honra, albergada pelo legislador civil, é suicida231, pois quer instituir um direito sem objeto próprio: um direito à imagem cujo bem tutelado é a honra.
227 A respeitabilidade e a boa fama estão contidas no conceito de honra, na vertente objetiva. Compõem a honra subjetiva o decoro, a auto-estima.
228 CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional, p. 227.
229 Nesse sentido: STF, RE n. 215.984-1, Rel. Min. Carlos Velloso, 2ª T.; j. 04/05/2002; v.u.. Essa decisão será examinada no item “o dano moral”.
230 Nesse sentido: STJ, EREsp. n. 230268/SP, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, Segunda Seção, j. 11/12/2002, DJ 04/08/2003, p. 216. Essa decisão também será analisada no item “o dano moral”.
A expressão “ou se se destinarem a fins comerciais”, também colocada inapropriadamente como condição de proteção da imagem, será examinada mais adiante, no item “O direito à imagem no Código Civil de 2002”.
Todavia, podemos já concluir que o art. 20, caput, do Código Civil de 2002 é inconstitucional, por atentar contra o prescrito no art. 5º, X, da Constituição Federal, dispositivo de eficácia plena e aplicabilidade imediata. O direito à imagem é autônomo, dotado de conteúdo próprio e amplo. O dispositivo da lei civil não seguiu o caminho trilhado pelo Poder Constituinte de 1988.