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As representações sociais dos tutores e interlocutores do PET geraram os eixos discursivos de análise: concepções de tutoria, prática, formação, perfil do tutor, aspectos institucionais e normativos, tríade: ensino, pesquisa e extensão, currículo e avaliação. Conforme podemos visualizar no gráfico abaixo:

Gráfico 1 – Eixos e sub-eixos discursivos de análise dos discursos dos tutores -PET

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.96

A partir das ancoragens encontradas, trabalharemos eixo por eixo e traremos os DSCs relacionados a cada um deles com as respectivas análises.

a) Eixo discursivo: Concepções de tutoria

No que se refere às concepções de tutoria, os discursos dos tutores e interlocutores geraram quatro ancoragens dispostas no gráfico abaixo:

96 Esse gráfico foi elaborado com o auxílio de um programa para elaboração de mapas conceituais.

Gráfico 2 – Eixo das concepções de tutoria no PET97 com suas ancoragens

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

Dessas ancoragens, foram gerados quatro discursos coletivos. Apresentaremos os discursos e no final, faremos uma análise.

O DSC1 se baseia na A1 que tem como ideia principal a orientação, conforme podemos perceber no excerto do discurso abaixo:

[...] o tutor é aquele professor que vai orientar numa formação mais amiúde do tutorando, ele tem essa função de ajudar os estudantes a enfrentar seus casos, para [...] que eles, futuramente, possam resolver sozinhos e ir em frente. Assim, a tutoria tem um papel de acompanhamento, de organização e avaliação de atividades, de direcionamento [...]. Nós direcionamos, acompanhamos, orientamos [...] mas é uma aprendizagem deles, para eles. Então, o tutor [...]estaria lá para ajudar para dar suporte, para apoiar essas atividades que precisam ser feitas de forma muito autônoma pelo aluno. (DSC1)

O DSC2 com base na A2 apresenta a tutoria como uma atividade pedagógica, entretanto, o discurso deixa claro que essa atividade é diferenciada das outras experiências vivenciadas pelo professor, seja com seus alunos na sala de aula, como os grupos de pesquisa ou de iniciação à pesquisa.

A ação tutorial é uma experiência pedagógica que me permite educar no processo. [...] ela é uma atividade diferenciada daquela que regularmente um docente faz na sua relação com os alunos. Em que ela se diferencia, aliás, das outras práticas pedagógicas que eu vejo, é esse estímulo à autonomia do aluno que, na verdade é um processo, que passa a ser conjunto, entre o tutor e o aluno.

O DSC3 é muito semelhante ao segundo, pois remete à atividade docente e tem como base na A3 que traz a tutoria é uma prática que promove a formação integral do aluno.

A tutoria é uma experiência pedagógica muito interessante porque nós vamos acompanhando o aluno na sua formação integral, tanto as dimensões do que seja a atividade acadêmica, do ponto de vista do conhecimento, do tripé da universidade: ensino, pesquisa, extensão; como também a relação emocional e afetiva durante um

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processo de formação, e na questão da formação do sujeito crítico, que tenha autonomia e reponsabilidade. Então, eu vejo a tutoria também como um processo de formação humana do aluno, nós vamos formá-los para eles serem críticos da própria realidade e que ele seja um cidadão, responsável e autônomo, pois, se ele não tiver autonomia, se ele não tiver iniciativa, responsabilidade e além de tudo um conhecimento, um equilíbrio, um desenvolvimento emocional, se ele não tiver maturidade como é que ele vai enfrentar a realidade? Então, a tutoria, na verdade, atua no sentido de promover e facilitar, através das atividades e ações que permitam na prática acontecer essa formação mais abrangente. É muito mais importante essa formação mais ampla, do que simplesmente ter alguém que tecnicamente tenha conhecimentos da sua área, das técnicas, dos métodos, mas que na verdade não é capaz de pensar criticamente a sociedade, de pensar a universidade inserida em um determinado contexto. Então, a tutoria trabalha muito no sentido da autonomia, porque ela tem um caráter de geração de uma formação mais autônoma do aluno, ela requer um tipo de atuação diferenciada ao permitir que o próprio aluno tome suas iniciativas e busque no tutor um guia, um conselheiro, uma pessoa em que ele possa [...]buscar direcionamentos, mas que ele, o próprio aluno, tenha autonomia [...]. Por fim, a tutoria é uma prática que permite que eu veja esse diferencial, ela permite o protagonismo e autonomia do aluno, e ao mesmo tempo aproveitarmos os potenciais de cada um[...]. Temos um papel de formadores, ampliando no que podemos [...]o potencial do formando. [...] Também acabamos fazendo um papel meio de mãe e pai, psicólogo(a), porque tem sempre essas questões, um grupo nunca funciona sem atrito, temos que fazer essas mediações [...].

Por fim, a tutoria do DSC4 que destaca a tutoria é uma ação construída e não imposta.

A tutoria é uma ação mediada, acho que pode até falar assim, porque ela não é uma prática que seja imposta pelo tutor, mas vejo que ela é construída nesse coletivo, que permite essa ação mais autônoma, mais protagonista do aluno, [...] Nós discutimos as soluções coletivamente, mas em muitas situações são eles próprios que descobrem e isso, acho, que é fazer tutoria. Fica uma ação muito compartilhada.

Analisando os discursos, percebemos que os discursos não trazem concepções pré formuladas de autores ou referências teóricas para conceituar o termo tutoria, mas a eles conceituam tomando como base a prática que vivenciam é que constroem o seu pensamento sobre a ação tutorial.

Vimos no capítulo teórico o quanto é complexo conceituar a tutoria, isso ocorre porque é uma atividade que está presente em diversos contextos e com diferentes objetivos. De acordo com Veiga Simão et al. (2008) as ações tutoriais são um caminho encontrado pelas instituições para atender as necessidades dos estudantes. As autoras ainda afirmam que “devido ao seu âmbito e às suas possibilidades de intervenção, a função tutorial encerra traços e características que apontam para a sua amplitude e diversidade.” (VEIGA SIMÃO et al., 2008, p.75).

O PET é um programa que nasceu, em sua primeira versão, em um modelo de Educação Superior que fora traçado pela Reforma Universitária de 1968 que tinha como

objetivo “a prática integrada de extensão, ensino e pesquisas científicas, buscando inovação no meio acadêmico” (SILVA et al, 2010, p.111). Assim, a tutoria exercida no PET passa pelo princípio da indissociabilidade dessa tríade Explica-se que os tutores concebam a tutoria com base na sua prática, pois é esta que eles têm conhecimento de causa.

O Manual de Orientações Básicas (MOB) do PET, quando traz a concepção filosófica do Programa, caracteriza o grupo e define método tutorial:

Um grupo tutorial se caracteriza pela presença de um tutor com a missão de estimular a aprendizagem ativa dos seus membros, através de vivência, reflexões e discussões, num clima de informalidade e cooperação. O método tutorial permite o desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas e pensamento crítico entre os bolsistas, em contraste com o ensino centrado na memorização passiva de fatos e informações, e oportuniza aos estudantes tornarem-se cada vez mais independentes em relação à administração de suas necessidades de aprendizagem (BRASIL, 2006, p. 6).

Um elemento que perpassa todos os DSCs sobre tutoria e que é uma representação social muito forte observada na própria definição do MOB é a questão da autonomia do estudante que a tutoria deve respeitar. O tutor é aquele que estimula a aprendizagem autônoma do estudante, provocando nele uma autoregulação de sua aprendizagem. Frison(2013) afirma que atualmente as IES investem na qualidade do ensino que ofertam e que há uma preferência por um ensino ativo e interativo, com a finalidade de estimular o desenvolvimento dos estudantes, e a tutoria é apontada como uma das estratégias para atingir tal fim.

Retomando os DSCs, o discurso dos tutores DSC2 se refere à tutoria como uma prática pedagógica diferenciada das outras que é exercida por eles, enquanto o discurso DSC70 dos alunos afirmam que o faz essa tutoria diferenciada é justamente a tríade ensino, pesquisa e extensão. Mesmo que muitas vezes haja predominância (DSC54) ou deficiência (DSC55) de um desses pilares, mas continua havendo integração, o importante é compreender em que consiste cada um. De acordo com com Laffin

as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas e analisadas na graduação, exigem níveis diferenciados de apropriação e de internalização de saberes, considerando a particularidade do projeto e concomitantemente a diversidade de alunos envolvidos num programa comum. Portanto, favorece a superação da compreensão e operacionalização das distintas atividades como individuais e fragmentadas e em procedimentos distintos. (LAFFIN, 2007, p.27)

A tutoria no PET seria, pois, uma atividade pedagógica, que difere das outras atividades docentes, que promove a formação integral do aluno, destacando os aspectos pessoal, afetivo, profissional e acadêmico, desenvolvendo o seu potencial cognitivo, de análise crítico-social e principalmente sua autonomia. É uma ação mediada e compartilhada, que não havendo espaço para a imposição, mas que as decisões são tomadas no coletivo.

Sebastián Rodríguez (2010) aponta o desenvolvimento integral do estudante nos seus diferentes âmbitos: intelectual, afetivo, pessoal e social como sendo uma das características da tutoria na formação universitária e isto ocorre devido a uma intervenção essencial à tutoria que é a orientação, apontada no DSC1.

b) Eixo discursivo: A prática da tutoria no PET

As concepções apresentadas pelos tutores no eixo discursivo anterior remetem- nos para o exercício da ação tutorial, ou seja, a prática da tutoria no PET. Aqui, percebemos ainda mais a complexidade desta ação. Deste eixo discursivo, criamos quatro sub-eixos e suas respectivas ancoragens, conforme o gráfico abaixo:

Gráfico 3 – Eixo e sub-eixos da prática da tutoria no PET com suas respectivas ancoragens

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

A seguir, trazemos cada sub-eixo com suas respectivas ancoragens e procuramos analisá-los trazendo alguns excertos dos discursos coletivos.