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İdare Performans Bilgisi

Belgede HACETTEPE ÜNİVERSİTESİ (sayfa 39-82)

I. GENEL BİLGİLER

2.3 İdare Performans Bilgisi

No que diz respeito às condições de trabalho, considerando-se os itens deste fator que obtiveram avaliação “crítico”, pode-se segmentar a discussão em 2 polos. Em um deles estaria o espaço onde o trabalho se realiza, o que inclui o mobiliário utilizado. No outro, estariam os instrumentos e equipamentos necessários para o exercício do trabalho docente, considerando-se, inclusive, os materiais de consumo diário.

De modo geral, as turmas de educação infantil em Horizonte funcionavam em três tipos de instalações em ordem decrescente de qualidade: creches de construção recente, que obedecem padrões instituídos pelo Ministério da Educação (MEC); CEI's mais antigos, erguidos em parceria com o governo do Estado; salas em colégios de ensino fundamental, minimamente adaptadas para atender a crianças de menor idade. A última situação descrita ocorria quando o número de matrículas de uma localidade era pequeno, o que inviabilizaria o investimento de se erguer um prédio específico para atender alunos de educação infantil.

Fotografias dos CEI's mais antigos puderam ser vistas no subtópico “A atividade realizada por uma professora de educação infantil em Horizonte”. Abaixo, algumas imagens de uma escola que seguia as orientações do MEC. Na foto a seguir, vê-se que a sala é ampla e bem equipada. O mobiliário parece ser adaptado às necessidades de crianças pequenas.

Também se percebe cuidado com a decoração do ambiente.

Figura 1: Sala de creche construída conforme padrões do MEC.

Fonte: Produzida pelo autor.

Nos banheiros, também se destaca a adaptação dos equipamentos para que crianças pequenas pudessem utilizá-los. Conforme se nota na figura a abaixo, veem-se que as pias foram dispostas de modo a adequar-se à altura dos alunos atendidos.

Figura 2: Banheiro de creche construída conforme padrões do MEC.

Fonte: Produzida pelo autor.

A opinião das professoras que atuam no tipo de escola ilustrado acima destoa da avaliação “crítico” que predominou no ITRA em relação às condições de trabalho. Em suas falas, a boa qualidade da estrutura física é destacada. Ressalte-se que, à época da realização do levantamento, dentre as 27 unidades que possuíam turmas de educação infantil, apenas duas foram construídas em conformidade com as normas do MEC, de modo que a percepção

moderadamente negativa parte daquelas docentes que atuam CEI's mais antigos e, certamente, das professoras que precisam se submeter a atender crianças pequenas em salas improvisadas em escolas regulares:

1. P.: E quanto a estrutura da sala de aula que vocês acham dela? 2. Professora 1: A minha é boa.

3. Professora 3: A minha estrutura é ótima, a minha sala só falta mesmo a questão da ventilação.

4. Professora 1: A minha o banheiro é dentro da sala, é grande. 5. Professora 3: Já viu a estrutura dessas? Já entrou?

6. P.: Já.

7. Professora 3: É muito bonita, é um sonho pra quem tá na escola, né? A questão da alimentação das crianças é ótimo, tudo bem organizado, bem limpo.

Cabe apresentar uma crítica que se sobressaiu em relação aos CEI's citados no diálogo acima. Segundo relatado, o projeto arquitetônico destes estabelecimentos teria sido elaborado para atender a necessidades de regiões frias do país, o que tornava vários de seus espaços muito quentes para os padrões do interior do Ceará. Tal situação não poderia ser minimizada, tendo em vista não serem permitidas quaisquer modificações no desenho originalmente idealizado para a escola. No excerto abaixo, uma das professoras se queixa do calor (fala 2):

1. Professora 2: A gente tem sala dos professores com ar-condicionado, sala da Direção com ar-condicionado, todas as salas têm dois ventiladores. Eu estou na sala da Direção com minhas crianças, porque teve que juntar a sala de quatro e cinco anos e não tinha sala. Aí, teve que a diretora sair da sala dela, ficou na Secretaria e eu fui pra lá com mesinha das crianças, com tudo. E no ar-condicionado.

2. Professora 3: Na minha realidade a estrutura é praticamente essa, mas de manhã ela é mais fria, mas à tarde… Porque a estrutura dela é pra ser com ar-condicionado, aí tem os ventiladores. Mas devido ter o janelão na minha sala, à tarde é quentíssimo.

A escassez de materiais para realizar atividades com os alunos foi mencionada por várias das professoras entrevistadas. Na reunião em que se comentaram os itens do ITRA foi mencionado o seguinte:

1. P.: “Os instrumentos de trabalho são insuficientes pra realizar as tarefas”. 2. Professora 1: Olha, se tivesse mais coisas, mais jogos…

3. Professora 2: Mais material… 4. Professora 3: Falta sempre.

5. Professora 1: Sempre, sempre. Olha… Falta muito. Massa de modelar, jogo... Isso aí sempre vai faltar, parece.

6. Professora 2: A minha diretora, um dia, quando eu fui descendo do ônibus, disse assim: “Adriana, sua lista não tem na Ivete” Porque eu pedi palito de picolé, palito de churrasco, lã, pedi tinta pra artesanato, cola pra tecido…

7. Professora 3: Vê se chega pelo menos o palito de picolé. 8. Entrevistador 2: Mas vocês trazem coisas de casa? 9. Professora 2: Com certeza. E como.

10. Professora 1: Senão não, teria não. Muito material de sucata, jogos, são feitos por mim, porque não tem. Eu compro ou então eu pego do meu filho. Eu pego do meu filho e levo.

11. Professora 2: A gente compra. Acaba comprando.

12. Professora 1: Acaba comprando. Você acaba gastando do seu salário.

Vale notar que as entrevistadas preferem gastar recursos próprios a ter de limitar sua ação junto aos alunos (falas 8 a 12). A necessidade de superar essa amputação do poder agir foi detalhada por uma das professoras que participou da instrução ao sósia:

1. Renata: Oh, dizer que eu desejaria que fossem mais, é claro que sim, claro, evidentemente. Quando eu falei assim: “a gente compra”, é de mim, não é porque a prefeitura obrigue ou coisa parecida, dos pais doarem. Chega um pai no começo do ano, e, com um brinquedo educativo, me entrega e diz: “professora, vai ficar na sala”, claro que eu vou receber com carinho e educação e vou agradecer. Sobre essas condições de trabalho, o município de Horizonte em si, eu acho vantagem o que a gente tem, claro que não é da maneira que você imagina, eu queria uma estante repleta de brinquedos para que eu pudesse fornecer opções, para que eles pudessem escolher, mas eu não posso. Então, os que eu tenho, eu agradeço pelo que eu tenho. O fato de comprar não é porque não tem, porque vai quebrando, então, eles só mandam no começo do ano, brinquedos novos, de, de... educativo, de montagem e tudo. Se eu não tiver isso de mim, eu não sei as outras, de ficar repondo, eu vou chegar no final do ano, no meio do ano, com pouca coisa. Aí eu com 29 crianças, 1 ou 2 brinquedos que dê pra fazer alguma coisa, então vai quebrando, eu vou repondo, outro pai vai trazendo e vai colocando. Eu acho que nessa condição, independente de que mande ou de que compre ou que o pai doe, as condições de trabalho em si aqui ou em qualquer outro da cidade que eu já trabalhei, eu não tenho o que dizer Pablo, eu gosto. Você botou essa questão assim, essa risco de acidente, em relação a já esse segundo ponto...?

2. P.: Não, aí já é o segundo tópico, já é o segundo ponto. 3. Renata: Pronto.

4. P.: Aí só pra eu entender uma coisa, você tava dizendo assim: “não, que é uma coisa minha”. Então, eu só queria entender o que é que você quis dizer com “não, eu compro, mas é uma coisa minha”, por quê?

5. Renata: É de mim, eu não sei se outro professor já fez ou se faz isso, eu faço, eu gosto de fazer isso, então eu não posso responder por ninguém. Pode acontecer de um professor continuar com o que foi fornecido no começo do ano, quebrou ou brincou com o que tá quebrado ou não repôs, eu não sei.

6. P.: Mas você gosta por que, qual é a...?

7. Renata: Me dá prazer de ver os meus meninos brincarem com algo novo. 8. P.: Ah, entendi.

9. Renata: Entendeu? Se eu vejo que isso é bom pra eles, numa questão do aprendizado, no desenvolvimento, na questão de dividir, eu vou trazer, por quê não? A não ser que eu não possa, mas, eu podendo, eu trago.

10. P.: Você se realiza.

11. Renata: Eu gosto, eu me sinto bem ver. Porque, tu já imaginou, uma coisa que tu gosta, por exemplo, teu carro, um exemplo, tu vê lá ele todo sem vida, como é que tu vai se sentir? É a mesma coisa de uma criança ver um brinquedo todo quebrado, riscado... coloca um novo. Então, assim, quando dá pra eu repor, eu coloco, ou a creche em si, quando a gente faz rifa ou bingo. A gente tenta ver na medida do possível, compra tudo de novo e coloca.

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