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İctihad Kesin bilgi İfade Eder mi?

2- Düşünce Kavramı

1.5. İslam Hukukunda İctihad ve Özgürlük İlişkisi

1.5.3. İctihad Kesin bilgi İfade Eder mi?

O perfil das famílias contempladas pelo benefício, como descrito, é traçado pelos dados cadastrados no CadÚnico, que classifica as famílias em pobres e extremamente pobres. O CadÚnico é um instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda e permite conhecer a sua realidade socioeconômica,

88 O prontuário é divulgado pelo SUAS como um auxílio aos CRAS. Cabe salientar que parte das informações solicitadas no prontuário corresponde às informações que são solicitadas anualmente pelo Censo SUAS, este já detalhado anteriormente.

trazendo informações de todo o núcleo familiar, desde as características do domicílio às formas de acesso a serviços públicos essenciais. O CadÚnico teve início em 2001 no governo de Fernando Henrique Cardoso e sofreu modificações no governo do presidente Lula, quando foi unificado o gerenciamento de diversos programas.

De acordo com Bichir (2011, p. 105), no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a coleta de dados e o registro dos beneficiários eram realizados pelos municípios, enquanto que a manutenção e operação do banco de dados ficava a critério da gestão federal. Na época, a supervisão do cadastro era de responsabilidades da Secretaria de Estado da Assistência Social (SEAS), que posteriormente foi incorporada ao MDS, o qual passou a “coordenar, acompanhar e supervisionar a execução” do CadÚnico. Uma das modificações, a partir de 2003, no CadÚnico diz respeito à atualização dos dados cadastrais dos beneficiários, que se tornou obrigatória para as famílias a cada 24 meses. Nesse sentido, quando uma família deixa de comparecer ao CRAS para atualizar os dados do cadastro por mais de 24 meses, o benefício é bloqueado e posteriormente suspenso89. Dessa forma, a

atualização do CadÚnico funciona como um mecanismo de controle e fiscalização dos beneficiários, o que não impede que as famílias, mesmo atualizando o cadastro, omitam informações e assim permaneçam recebendo o benefício. Há, também, os que fazem questão de informar que não necessitam mais do benefício quando a renda da família aumenta. Paula, moradora do Cantagalo, foi ao CRAS atualizar o cadastro e informou não precisar mais do benefício:

[...] Meu marido está trabalhando de carteira assinada. Não precisamos mais do Bolsa Família. A carteira de trabalho dele tá aqui [...] pode colocar o valor certo do salário. Se um dia a gente precisar, eu volto.

No CadÚnico, são registradas informações acerca da moradia, da composição familiar, da qualificação escolar e profissional dos membros do domicílio, das despesas, da renda mensal por pessoa do domicílio, do número de integrantes, do total de crianças e adolescentes de até 17 anos, da existência de gestantes, do acesso a serviços públicos de água, energia elétrica e saneamento básico, da situação no mercado de trabalho e da vinculação a programas sociais (BICHIR, 2011). Os dados alusivos ao responsável pelo domicílio constituem as bases para a geração do Número de Identificação Social (NIS), que é um número atribuído a todo cidadão que procura algum tipo de assistência estatal. Uma vez gerado o NIS, o cidadão está apto a integrar, de acordo com a renda, programas sociais como o Bolsa Família ou a realizar solicitações como isenção de taxas em concursos públicos e de tarifa social de energia elétrica etc. O CadÚnico possui três partes básicas, expostas a seguir no Quadro 2.

Quadro 2 – Composição do CadÚnico

Identificação da pessoa

(gera o NIS) Identificação do endereço socioeconômica Caracterização

Nome completo Composição familiar

(número de pessoas, gestantes, idosos e portadores de deficiência)

Nome da mãe Características do

domicílio (número de cômodos, tipo de construção, água, esgoto

e lixo)

Data de nascimento Qualificação escolar dos

membros da família

Município de nascimento Qualificação profissional e

situação no mercado de trabalho Algum documento de emissão nacional (CPF ou Título de Eleitor) Rendimentos e despesas familiares (aluguel, transporte, alimentação e outros)

A partir das informações fornecidas pelo CadÚnico, são estabelecidos os valores dos benefícios. Todos os benefícios são pagos mensalmente (figura12) por meio de cartão magnético90 bancário fornecido pela CEF, que contém o nome do

responsável e o NIS.

Figura 12 – Calendário de pagamento do PBF

Fonte: MDS (2015b).

Os benefícios pagos91 pelo PBF são variáveis, e o montante que cada família

recebe está baseado nos dados fornecidos no cadastramento. O PBF possui os seguintes tipos de benefícios: Benefício Básico (R$ 77) – concedido apenas às famílias extremamente pobres com renda mensal per capita de até R$ 77; Benefício

90 Os benefícios do Bolsa Família são pagos mensalmente, seguindo um calendário nacional. As datas de pagamento são definidas de acordo com o último número do NIS impresso no Cartão Bolsa Família. Para um cartão com NIS terminado em 5, por exemplo, o saque poderá ocorrer a partir do quinto dia do calendário oficial de pagamentos (MDS, 2015a).

91 Em junho de 2016, os benefícios do Bolsa Família deveriam ter tido um aumento de 9%, conforme anunciado pelo governo de Dilma Rousseff. Porém, o governo interino de Michel Temer não concedeu o aumento em junho e, posteriormente, comunicou o aumento de 12,50% a ser pago a partir de julho de 2016. O benefício básico passará, assim, de R$ 77 para R$ 85, e os benefícios variáveis passarão de R$ 35 para R$ 39 e de R$ 42 para R$46. A renda per capita para solicitar o Bolsa Família será de R$ 170.

Variável de zero a 15 anos (R$ 35) – concedido às famílias com crianças ou adolescentes de zero a 15 anos de idade; Benefício Variável à Gestante (BVG)92 (R$

35) – concedido às famílias que tenham gestantes em sua composição, sendo o pagamento é feito em nove parcelas consecutivas, desde que a gestação tenha sido identificada até o nono mês – cabe salientar que a identificação da gravidez é realizada no Sistema Bolsa Família na Saúde, uma vez que o CadÚnico não permite identificar as gestantes; e Benefício Variável Nutriz (BVN) (R$ 35) – concedido às famílias que tenham crianças com idade entre zero e seis meses em sua composição, sendo pago em seis parcelas mensais consecutivas, desde que a criança tenha sido identificada no CadÚnico até o sexto mês de vida.

Os benefícios variáveis descritos são limitados a cinco por família, mas todos os integrantes da família devem estar registrados no CadÚnico. Há, ainda, o Benefício Variável Jovem (BVJ) (R$ 42) – concedido a famílias que tenham adolescentes entre 16 e 17 anos, mas limitado a dois benefícios por família; e o Benefício para Superação da Extrema Pobreza (BSP) – cujo cálculo varia de caso a caso e é transferido às famílias do PBF que continuem em situação de extrema pobreza mesmo após o recebimento dos outros benefícios. O cálculo é realizado da seguinte forma: soma-se a renda total da família com os benefícios recebidos do PBF; o valor é dividido pelo número de pessoas da família; se o resultado for menor que R$ 77, a família tem direito ao BSP93. Esse benefício é calculado de modo a

garantir que as famílias ultrapassem o limite de renda da extrema pobreza (MDS, 2015a).

92 O BVG e o BVN foram criados em 2011.

93 O BSP é calculado em intervalos de R$ 2, de modo que o valor final do BSP é arredondado para que seja um múltiplo de dois. Por exemplo, se o resultado final da conta tiver dado R$ 150,50, o valor final do BSP será de R$ 152 (MDS, 2015a).

O CadÚnico, nos moldes que vem sendo gerenciado, procura traçar um mapa representativo das famílias mais pobres do país e, assim, criar políticas sociais que possibilitem acabar com a pobreza. Quando saímos das questões “formais” do cadastro e entramos no cotidiano do CRAS e na vida dos beneficiários, ficam evidentes alguns limites do CadÚnico, já que as demandas e necessidades são mais amplas e que a relação entre os agentes sociais envolvidos (assistentes sociais e beneficiários) estabelece-se para além das regras do PBF.

2.2.3 O cotidiano no Centro de Referência de Assistência Social: demandas,

Benzer Belgeler