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1. BÖLÜM

3.2. KONTROL DEĞİŞKENLER

3.2.1. İşsizlik-Ekonomik Büyüme İlişkisi: Okun Yasası

O confronto direto com os principais discursos do “Fim do Estado-nação” mostrou as frágeis ilusões em que estes se sustentam. Pura produção ideológica de um tempo de uma sociedade-mercado.

Anteriormente, pela reconstrução histórica apresentada no primeiro capítulo, buscou-se demonstrar a radicalidade desses discursos, que, ao assumirem o fim do Estado-nação, professavam o fim de uma relação que esteve na origem e expansão do sistema capitalista, o fim de um organismo que foi a principal estrutura de organização da sociedade desde então. Além disso, buscou-se entender que transformações este sistema teria sofrido para o surgimento dessa nova realidade.

Neste momento, o reconhecimento da emergência da esfera financeira como a maior força de transformação sistêmica e sua detalhada análise já trouxeram uma importante incógnita, afinal, como conceber o fim do Estado-nação se são as ações

84 engendradas neste espaço político que permitem a origem e o desenvolvimento da mundialização financeira?

Contudo, era preciso evitar conclusões apressadas. Antes, era necessário entender como esses discursos interpretam tais transformações, pois, só assim, se teria uma argumentação que absorveria seus críticos em suas conclusões. O que foi feito com uma análise destes que se apresentam como os dois principais discursos do “Fim do Estado-nação, o argumento de Ohmae e o de Hardt e Negri.

Neste esforço, a busca por entender como estes discursos interpretam a emergência da esfera financeira acabou por encontrar um vazio revelador: não há elementos específicos desse processo, com o fim do Estado-nação sendo dado ora como desenvolvimento das estratégias das empresas e integração dos mercados, em Ohmae; ora como mudanças na forma do indivíduo construir sua identidade enquanto povo e enquanto nação, em Hardt e Negri, como conseqüência de mudanças na estrutura de poder do capitalismo, agrupadas no conceito de “globalização”, o que significa, de fato, a aceitação da argumentação de Ohmae.

De qualquer forma, ainda seria necessário apreender tais discursos buscando entender quais seus fundamentos e se resistiriam ao peso da realidade.

E tão logo se fez o confronto direto com esses discursos se revelou sua natureza ideológica: a aceitação do mercado como melhor, e agora único, espaço e instrumento de organização social. A sociedade não só se organizaria através do mercado, o mercado seria a sociedade. Todos seus espaços e todas suas expressões teriam sido absorvidos e se expressam como mercado.

O “Fim do Estado-nação” não é outra coisa senão a forma superior da máquina ideológica do sistema capitalista.

É agora, com o apoio de toda a discussão anterior, que se pode afirmar, indiscutivelmente, que o Estado-nação continua tendo um papel fundamental no sistema capitalista, principalmente em sua relação com a esfera financeira mundializada, tanto quando realiza uma regulamentação pró-mercado, liberando o capital de qualquer controle social, como também quando assume o papel de garantidor último do sistema, e evita seu colapso.

Mas este é apenas o papel que o Estado-nação vem assumindo face à mundialização financeira. Seu potencial de ação, entretanto, é bem maior, bem mais plural. Pode-se reconhecê-lo como capaz de corrigir os danos oriundos da hipertrofia da esfera financeira mundializada e, mais que isso, como capaz de controlá-la e reorientá-la

85 através de uma regulamentação que tenha como objetivo a estabilidade da economia e a busca do pleno emprego.

A questão que fica, contudo, é: nesta esfera mundializada, em que se observa, não obstante a permanência das relações imperialistas, a existência de uma grande massa de capital que se movimenta pelo mundo explorando as diferenças de valorização oferecidas por diferentes espaços nacionais, que capacidade tem um Estado-nação de realizar essas mudanças?

Há um discurso bastante comum entre os defensores da livre mobilidade de capitais que professa que qualquer tentativa de restrição desta mobilidade pelo Estado- nação acaba por isolá-lo do circuito de capitais mundializados, instaurando os efeitos negativos da quebra de confiança e de um novo arranjo institucional que deixa o espaço da economia nacional menos interessantes aos capitais vis-à-vis outros circuitos.

Logo, para o bem do Estado-nação qualquer tentativa de controle deveria ser rechaçada.

É evidente a carga ideológica que este discurso carrega. O discurso da livre mobilidade de capitais é muito mais alinhado ao corpo ideológico do Mercado do que à qualquer explicação mais convincente da realidade. Desnecessário reescrever agora a estrutura e sustentação desse discurso.

Porém, é fundamental que se confronte essa especificidade, a de que o capital não tolera controles, em busca de um real entendimento do comportamento do capital.

O que uma análise da realidade nos mostra é que muitos países vêm implementando com sucesso políticas de controle de capitais, seja apenas da sua mobilidade, seja da sua forma de inserção na economia nacional. Isto porque os capitais absorvem em seu cálculo de interesses o novo padrão institucional. O que se tem percebido é que, mais do que liberdade, o atributo que os capitais mais valorizam é a estabilidade, afinal, o que acaba por ter certo grau de obviedade para a corrente de pensamento keynesiana, é preciso que tenham confiança no seu cálculo de valorização.

A questão que se avizinha, então, é que não é que um Estado-nação não possa estabelecer com sucesso políticas de controle do capital mundializado, é qual o comportamento sistêmico de controles unilaterais desse capital mundializado.

Afinal, esse capital é movido por diferenças de valorização e, certamente, diferentes padrões institucionais de controle funcionarão por si como geradores de distintos níveis de valorização, o que, frente à um enorme massa de capitais que é

86 desejada pelos mais diversos Estados-nação, pode tornar tais padrões políticas de atração de capitais.

Logo, em que pese a possibilidade de sucesso de um controle unilateral do capital mundializado, sua adoção sistêmica de forma não-cooperada possivelmente só reproduziria a competição interestatal em outros termos, e as forças de instabilidade e incerteza

Sob essas considerações, há muitos que certamente se perguntam se não há um equívoco nesta lógica, afinal se os controles unilaterais que se construiriam primariam por sua estabilidade, transformá-los em uma política de atração de capitais significaria justamente o abandono desse atributo. Porém, é preciso que se diga que não está em questão um único período de tempo, mas um fluxo temporal que guarda um certo grau de liberdade entre as transformações do padrão institucional e sua qualificação como estrutura estável. Não obstante, se a lógica se transformar do controle à atração de capitais, o aceno com gradações de liberdade pode ser muito mais interessante do que estabilidade.

Ou seja, o que há no sistema não-cooperado é um lugar sistêmico, um ponto de um campo de batalha, um espaço na hierarquia de competição interestatal. É um jogo. Por vezes, uma guerra.

É evidente, então, que o caminho para controlar a esfera financeira mundializada passa necessariamente pela reconstrução de um Estado Keynesiano, mas também é plausível que essa não seja a única condição. A possibilidade de realizar tal transformação passa também pela necessidade de instituir um arranjo de cooperação interestatal em que todos os participantes adotem o mesmo padrão de regulação, controlando, assim, as movimentações de capitais para explorar as diferenças espaciais de valorização.

E, assim, uma nova pergunta se faz presente: quais estratégias em um arranjo de cooperação supranacional devem ser construídas para controlar o capital mundializado?

Nesse sentido, a história ainda pode dizer muito, pois até a institucionalização do padrão dólar-flexível o capital mundializado tinha pouca margem de manobra sobre os Estados-nação. É necessário, então, uma nova visita a essa história, em busca de um aprendizado que ilumine a questão que aqui se busca confrontar.

CAPÍTULO III