2. İŞLEMSEL YÜKSELTEÇ UYGULAMALARI
2.8. İşlemsel Yükseltecin Aktif Filtre Olarak Kullanılması
2.8.3. İşlemsel Yükselteç ile Yüksek Geçiren Filtre Devresi Uygulaması
Os flavonóides são compostos polifenólicos, encontrados em frutas, sementes, legumes, ervas, mel, dentre outros alimentos da dieta consumidos cotidianamente (KOES e QUATTROCCHIO, 1994). Os flavonóides possuem propriedades antinflamatórias, antioxidantes, antiapoptótica, vasodilatadoras, antialérgicas, antiplaquetária, antitumorais e antimicrobianas (RATTY e DAS, 1998). Vários estudos têm demonstrado a capacidade dos flavonóides em melhorar a cognição e prevenir danos neuronais causados por isquemia cerebral induzida em modelos animais (FU et al., 2014; MIAO et al., 2014; DONG et al., 2013).
Os flavonóides são dividos em classes: flavonas, flavanonas, flavonóis, auronas, isoflavonas, flavanas, antocianidinas, leucoantocianidinas, chalconas, neoflavonóides, proantocianidinas (Bravo, 1998). Particularmente, a classe das flavanonas se destaca por serem compostos encontrados em altas concentrações nos cítricos e em algumas ervas. As flavanonas são representadas pelos compostos: eriodictiol, naringenina, naringina e hesperidina.
Vários estudos reportaram a capacidade das flavanonas em inibir o processo inflamatório (WU et al., 2015), o estresse oxidativo (KOCYIGIT, et al., 2015) e a apoptose (MUTHAIAH, et al., 2013), bem como as ações benéficas sobre déficits cognitivos, por exemplo, a naringenina preveniu animiais de déficitis de memória ocasionados por modelo de Alzheimer induzido (MA et al., 2013). Por essa razão, é relevante dar continuidade a investigação dos efeitos neuroprotetores de outras flavanonas, como por exemplo, o eriodictiol, que demonstrou proteger animais do dano cerebral isquêmico. No entanto, não existem na literatura estudos que relatem seus efeitos sobre déficits de memória.
1.6. Eriodictiol
O eriodictiol (γ‟,4‟,5,7-tetrahidroxiflavanona) (Etiol) (ROSSATO, et al., 2011), é um flavonóide da classe das flavanonas (HAVSTEEN, 1983). É um metabólito secundário que pode ser encontrado em frutas cítricas, como o limão e em algumas ervas, como na erva chinesa (Dracocephalum rupestre) (LOU et al., 2012), na erva santa (Eriodictyon californicum) (JAKOB et al., 2005) e na erva-de-mula (Vernonia tweedieana) (ROSSATO, 2010). O Etiol mostrou efeito antinociceptivo eficaz a partir da dose de 4,5 mg/kg por via oral em ratos (Figura 7) (ROSSATO, 2010).
Figura 07. Estrutura molecular do eriodictiol
Vários estudos foram realizados com intuito de conhecer a farmacocinética do eriodictiol. Quando absorvido no intestino, é convertido em sua forma aglicona e metabolizado por metilação, originando outros flavonoides, a hesperetina e o hemoeriodictiol (Miyake et al., 2000).
O eriodictiol possui propriedades terapêuticas reportadas, incluindo propriedade antiinflamatória, antialérgica, antimicrobiana, antitumoral (LEE, 2011) e antioxidante (HU et al.,2012;. LOU et al., 2012). Eriodictiol reduziu significativamente o infarto cerebral e déficits neurológicos em ratos submetidos à isquemia cerebral focal transitória (Jing et al., 2013). Ainda, reprimiu a neurotoxicidade induzida pelo H2O2 em cultura de células de feocromocitoma em ratos (PC12) (LOU et al., 2012).
O eriodictiol-7-O-glucosideo possui a capacidade de ativar Nrf2 (Nuclear factor E2related) (HU et al., 2012). O Nrf2 é um fator de transcrição que regula a expressão de proteínas antioxidantes, atuando como protetor em lesões por estresse oxidativo e inflamação
(OURO et al., 2012). O eriodictiol-7-O-glucosideo mostrou estabilizar a degradação de Nrf2, resultando no seu acúmulo. Estudos recentes têm sugerido que a Nrf2 confere proteção contra a toxicidade induzida pela cisplatina numa linhagem de HRMC (Human Renal Mesangial Cell) (HU et al., 2012).
O tratamento com eriodictiol suprimiu significativamente a morte celular induzida por luz ultravioleta (UV) em queratinócitos humanos (células NHEK, do inglês Normal Human Epidermal Keratinocyte), através da redução da apoptose e da clivagem de poli (ADP-ribose) polimerase e inibiu concomitantemente a ativação da caspase-3 e a produção de ROS (LEE, et al., 2011). O eriodictiol também mostrou efeito direto sobre o sistema vascular. Foi evidenciado seu efeito vasodilatador sobre anéis de aórtica torácica de ratos. O eriodictiol diminuiu significativamente as contrações endoteliais induzidas por noradrenalina (NA) e cloreto de potássio (KCl). Esse efeito vasodilatador mostrou estar parcialmente relacionada com a inibição do influxo de Ca++ ou com outra proteína enzimática subsequente a ativação de PKC (Protein Kinase C) envolvida com a ativação de proteínas contráteis como a MLCK (Myosin Light Chain Kinase) (ROJAS et al., 1999).
Lee, (2011) mostrou a capacidade anti-inflamatória do eriodictiol através da redução de óxido nítrico (NO) e citocinas pro-inflamatórias produzidas a partir de LPS de células RAW 264.7. Ainda, demonstrou que o eriodictiol foi capaz de suprimir a atividade fagocítica dos macrófagos. O bloqueio do NF-kB mostrou ser o mecanismo molecular envolvido nessa ação antinflamatória. Em outro trabalho, Lee et al. (2013) mostrou que o eriodictiol inibiu a produção de citocinas pró-inflamatórias estimuladas por LPS via bloqueio de TLR4/CD14 seguido de p38 MAPK, ERK1/2, JNK, e regulação da COX-2. Estes achados sugerem que o eriodicitiol pode ser útil na inibição da produção de mediadores inflamatórios, quimiotaxia, infiltrado leucocitário e ativação glial presentes no processo inflamatório do AVE. No entanto, os efeitos do eriodictiol sobre a neuroinflamação (in vivo) e sobre os déficits de memória após a oclusão permanente da artéria cerebral média (pMCAO) encontram-se desconhecidos.
2. JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA
O Acidente vascular encefálico é a terceira principal causa de morte humana. O dano inflamatório desempenha um papel importante na patogênese da isquemia cerebral e constitue um alvo para a prevenção e tratamento (ZHAO et al., 2014). Terapias anti-inflamatórias têm mostrado serem eficazes na redução do dano isquêmico e déficits de memória ocasionados por modelos de AVE experimental (HUANG et al., 2014).
As medidas preventivas no combate aos riscos de AVE, como, o controle da pressão arterial, combate ao tabagismo e controle dos níveis de colesterol e da diabetes, são focos da promoção à saúde realizada pelo o governo, no entanto, o Brasil ainda possui altas taxas de mortalidade devido ao AVE (GARRITANO et al, 2012).
Assim se faz necessária a busca por substâncias que possam atuar na neuroproteção de pacientes de risco. Apesar de muitos estudos buscarem drogas neuroprotetoras para a isquemia cerebral (AHMED, et al., 2000; HALEY, 1998), poucos se mostraram realmente efetivos (TAZAKI, et al., 1988). O presente estudo visa investigar se o eriodictiol, por suas ações anti-inflamatórias e antioxidantes possa vir a ser uma estratégia terapêutica no tratamento do AVE.
3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo Geral
Estudar os efeitos do eriodictiol sobre o dano neuronal, memória e resposta inflamatória de camundongos submetidos à isquemia cerebral focal permanente.
3.2. Objetivos Específicos
Estudar os efeitos do eriodictiol em camundongos submetidos à isquemia cerebral focal permanente, analisando os seguintes aspectos:
Disfunção mitocondrial (TTC);
Alterações sensório-motoras e déficits de memória;
Viabilidade neuronal através da coloração de cresil-violeta no córtex temporal e estriado dos animais isquemiados.
Neuroinflamação através de determinação da atividade de MPO e imunohistoquímica para mediadores inflamatórios (TNF-α e iNOS) e ativação astrocitária (GFAP) no córtex temporal e estriado de animais isquemiados;
4. MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Animais
Foram utilizados camundongos albinos adultos Swiss, machos, pesando entre 25 e 30g, provenientes do Biotério Central do Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC) e transferidos para o Biotério do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Faculdade de Medicina - UFC. Os animais foram mantidos em gaiolas plásticas apropriadas, forradas com raspas de madeira, com ciclo de claro/escuro de 12h/12h e alimentados com ração padrão e água à vontade. No que se refere aos cuidados com os animais, este estudo seguiu os princípios éticos da experimentação animal, estabelecidos pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (COBEA). O estudo foi submetido à Comissão de Ética em Pesquisa Animal (CEPA) da UFC sob o número de registro 90/2013.
4.2 Drogas
Eriodictiol 10mg (Sigma-Aldrich, EUA); Cloridrato de xilazina 2% (Kensol® Laboratórios König S.A, Argentina); Cloridrato de ketamina 5% (Vetanarcol®, Laboratórios König S.A, Argentina). Todos os reagentes utilizados eram de grau analítico.
4.3 Protocolo experimental
Foram utilizados 128 animais divididos entre os grupos falso-operados tratados com veículo ou eriodictiol (Etiol) na dose de 4 mg/kg, isquemiados (pMCAO) tratados com veículo e isquemiados (pMCAO) tratados com Etiol nas doses de 1, 2, e 4 mg/kg por via oral (v. o.) (Tabela 01). A dose maior de Etiol (4 mg/kg) escolhida para esse estudo foi baseada nos resultados de Rossato, (2010) que demonstrou que o tratamento com Etiol a partir da dose de 4,5 mg/kg foi capaz de reduzir significativamente a nocicepção induzida por capsaicina. O Etiol foi solubilizado (5% Tween 80 em salina 0,9%). Os animais foram tratados com Etiol 30 minutos antes da indução isquêmica por eletrocoagulação da artéria cerebral média e 1 hora depois. Nos dias que se seguiram a cirurgia, as doses de 1, 2 e 4 mg/kg foram administradas 1 vez ao dia.
Para a realização dos testes comportamentais foram seguidos 4 protocolos experimentais. Protocolo 1: 24 horas após a indução da isquemia foi realizada a avaliação neurológica e a análise da área do infarto cerebral pelo método do TTC (n=6/grupo). Protocolo 2: 24 horas após a indução da isquemia, os animais foram eutanaziados e seus cérebros foram dissecados (córtex temporal e corpo estriado), seguido de dosagem bioquímica
nessas estruturas cerebrais para avaliar a atividade enzimática de MPO (n=6/grupo). Protocolo 3: 72 horas após a cirurgia foram realizados os testes de campo aberto, labirinto em Y e esquiva passiva (memória recente) e 96 horas após o teste da esquiva passiva (memória tardia) (n=8/grupo). Ao final do protocolo 3 os animais foram perfundidos com paraformolaldeído 4% e seus cérebros, dissecados e fixados com formol tamponado por 24 horas. Logo após, os cérebros foram armazenados em sacarose até serem cortados no criostato. Após a realização dos cortes, as fatias foram armazenadas em geladeira “free floating” em PBS e foram utilizadas para as técnicas de imunohistoquímica (TNF-α, iNOS e GFAP) e para as técnica de histologia (Cresil-violeta). (Figura 8).
Tabela 01. Grupos de tratamento. Grupo Tratamento
FO Animais falso-operados e tratados com veículo (5% Tween 80 salina 0,9%) v.o. FO + Etiol 4 Animais falso operados e tratados com Etiol na dose de 4 mg/kg v.o.
pMCAO Animais submetidos à pMCAO tratados com veículo v.o.
pMCAO+Etiol 1 Animais submetidos à pMCAO tratados com 1 mg/kg de Etiol v.o. pMCAO+Etiol 2 Animais submetidos à pMCAO tratados com 2 mg/kg de Etiol v.o. pMCAO+Etiol 4 Animais submetidos à pMCAO tratados com 4 mg/kg de Etiol v.o.
Figura 08. Delineamento experimental.