Na tabela 6 aparecem os valores médios de energia bruta, energia digestível, de energia metabolizável e de energia líquida, em Mcal por Kg de matéria seca consumida (Mcal/ Kg de MS) do capim Brachiaria decumbens verde em três diferentes idades.
Os teores de energia bruta do capim Brachiaria decumbens verde dos tratamentos variaram entre 4,04 a 4,13 Mcal/ Kg de MS. Valadares et al., (2006) apresentaram valores de energia bruta do capim Brachiaria decumbens de 4,68 Mcal/ Kg de MS e de capim Brachiaria brizantha de 3,86 Mcal/ Kg de MS. Gonçalves et al., (2011) estudando os teores de energia das silagens de capim Andropogon gayanus em diferentes idades também não encontraram variação dos teores de energia bruta entre as silagens confeccionadas aos 56, 84 e 112 dias de rebrote, com valor médio de 4,45 Mcal/ Kg de MS, valores superiores aos encontrados neste experimento. Segundo Lawrence e Fowler, (2002) a combustão completa em bomba calorimétrica das frações fibrosas de uma forrageira é capaz de gerar em torno de 4,2 Mcal/kg.
Os teores de energia digestível do capim Brachiaria decumbens variaram de 2,67 a 2,40 Mcal/ Kg de MS, não apresentando diferença estatística entre os tratamentos (P>0,05). Socorro (1984) relatou em seu trabalho valores de digestibilidade aparente do feno de B.
decumbens variando de 49,6 e 48,01% para cortes realizados com 90 e 134 dias de
rebrote e de conteúdo de energia digestível de 1,93 Kcal/gMS para corte aos 90 dias e de 1,62 Kcal/gMS para corte aos 134 dias respectivamente. Teixeira et al (2008) relataram valores de consumo de energia digestível de 2,93 Kcal/gMS para silagem de capim Brachiaria brizantha cortada os 56 dias de idade, valores superiores aos encontrados no presente trabalho. Gonçalves et al., (2011) relataram valores de energia digestível das silagens de capim andropogon variando de 2,63 a 1,93 Mcal/ Kg de MS. Os valores de energia metabolizável apresentaram comportamento semelhante aos dos teores de energia digestível do capim Brachiaria decumbens, não havendo diferença estatística entre os tratamentos (P>0,05), com variação de 2,67 a 2,10 Mcal/ Kg de MS para as idades de corte de 56 e 112 dias respectivamente.
Tabela 6. Valores médios de energia bruta (EB), de energia digestível (ED), de energia metabolizável (EM) e de energia líquida (EL), em Mcal por Kg de matéria seca consumida (Mcal/ Kg de MS) do capim Brachiaria decumbens verde em três diferentes idades (56, 84 e 112 dias) Tratamento Parâmetros EB ED EM EL T1 4,04 2,67 2,35 1,75 T2 4,12 2,48 2,28 1,77 T3 4,13 2,40 2,15 1,70 CV 14,72 6,07 10,26 14,77
Médias seguidas por letras maiúsculas diferentes na mesma coluna apresentam diferença estatística entre os tratamentos pelo teste SNK (P<0,05). CV = Coeficiente de variação.
Com relação aos valores de energia líquida foram encontrados valores entre 1,7o a 1,77 Mcal/ Kg de MS, não havendo diferença estatística entre eles (P>0,05). Castro (2008) relatou valores de energia líquida das silagens de capim Tanzânia variando entre 1,10 a 1,50 Mcal/ Kg de MS para as idades de 63 e 84 dias respectivamente, valores inferiores aos deste experimento. Gonçalves et al., (2011) encontraram valores de energia líquida da silagem de capim andropogon cortado aos 56 dias de 1,93 Mcal/ Kg de MS, valor superior aos encontrados neste estudo. Neste experimento, aparentemente o estádio de maturação não afetou os valores de energia líquida do capim Brachiaria decumbens verde. Este fato se deu provavelmente pelas maiores perdas de eficiência energética do capim mais novo na forma de urina e de produção de metano (tabela 3) e possivelmente de incremento calórico (apesar da semelhança estatística).
3.3.6 Respirometria
Na tabela 7 estão apresentados os dados de trocas gasosas mensurados em câmara respirométrica, a produção de calor e o coeficiente respiratório em ovinos alimentados com capim Brachiaria decumbens verde cortados em diferentes idades.
Não houve diferença estatística (P>0,05) para o consumo de oxigênio (litros/kg0,75) e para produção de dióxido de carbono (litros/kg0,75) de carneiros alimentados com capim
Brachiaria decumbens verde nas diferentes idades avaliadas. Os valores de consumo de
oxigênio e produção de dióxido de carbono médios foram de 20,91 e 20,98 litros/kg0,75 respectivamente. Avaliando a produção CO2 e o consumo de O2 por ovinos alimentados com silagens de, Teixeira et al., (2011a) sorgo relataram valores de médios de 21,90 e 21,96 litros/kg0,75 respectivamente. Teixeira et al., (2011b) avaliando os mesmos parâmetros em ovinos alimentados com capim elefante cortado em diferentes idades observaram valores de consumo de O2 médio de 21,8 litros/kg0,75 e de produção de CO2 de 21,38 litros/kg0,75.
Houve efeito da idade de corte sobre a produção de metano em ovinos alimentados com capim Brachiaria decumbens verde cortado em diferentes idades (P<0,05). Os animais que receberam capim Brachiaria decumbens cortado aos 56 dias apresentaram maior produção de metano (1,97 litros/kg0,75) se comparados aos que receberam o capim cortado aos 84 dias (1,20 litros/kg0,75) (P<0,05). Por sua vez os animais que receberam a forrageira cortada aos 112 dias apresentaram valores semelhantes aos animais que receberam o material cortado aos 56 e 84 dias (1,70 litros/kg0,75). Teixeira et al., (2011b) relataram valores de produção de metano diário variando de 1,18 a 2,13 litros/kg0,75 para ovinos alimentados com capim elefante, valores semelhantes aos encontrados neste estudo.
A produção de calor diária pelos ovinos não foi estatisticamente diferente (P>0,05) entre os tratamentos em kcal/kg0,75, apresentando valor médio de 105,5 kcal/kg0,75. Resultado semelhante foi reportado por Teixeira et al., (2011b) estudando a produção de calor em ovinos alimentados com capim elefante, com 108,2 kcal/kg0,75. Essa produção de calor é resultante principalmente dos processos fermentativos dos nutrientes no rúmen e seus metabolismos no organismo animal, além da movimentação da digesta no trato gastrointestinal. O balanço de energia dos ovinos alimentados com capim
Brachiaria decumbens foi positivo, sendo em média 54,73 kcal/kg0,75. Resultado
semelhante foi encontrado por Castro (2008) avaliando o balanço de energia em ovinos alimentados com capim Tanzânia, de 54,25 kcal/kg0,75.
Os valores dos coeficientes respiratórios encontrados neste experimento foi em média 1,01, não apresentando diferenças estatísticas entre os tratamentos(P>0,05). Castro (2008) relatou valores de CR para ovinos alimentados com silagens de capim Tanzânia entre 1,03 e 1,04, semelhantes a este estudo. Ribas (2010) estudando respirometria de ovinos alimentados com híbridos de sorgo encontrou valores de CR entre 0,9 e 1,0. O coeficiente respiratório é a relação entre o consumo de oxigênio e produção de dióxido de carbono durante o metabolismo animal (Chwalibog, 2004). Sendo este valor uma referência ao substrato que está sendo metabolizado. Valores próximos de um correspondem a metabolização de carboidratos, 0,8 para proteínas e 0,7 para lipídios. Neste experimento, o valor próximo a um (1,01) aponta para o metabolismo do principal componente dos alimentos volumosos, os carboidratos fibrosos.
Segundo Machado (2010) há necessidade de maiores estudos para caracterizar os coeficientes respiratórios obtidos no metabolismo oxidativo dos ácidos graxos, uma vez que estes são a principal fonte de energia para os ruminantes, pois os carboidratos dietéticos são na realidade, fonte de energia para os microrganismos ruminais.
Tabela 7. Consumo diário de oxigênio (O2), produção diária de dióxido de carbono (CO2) e de metano (CH4), em litros por Kg de unidade de tamanho metabólico (L/UTM), produção diária de calor (PC) em Kcal por Kg de unidade de tamanho metabólico (Kcal/UTM) e quociente respiratório (CR) de ovinos alimentados com capim Brachiaria decumbens verde cortada aos 56, 84 e 112 dias de crescimento
Tratamento Parâmetros
O2 (L/UTM) CO2 (L/UTM) CH4 (L/UTM) PC (kcal/UTM) CR
T1 22,99 23,89 1,97A 116,33 1,05
T2 20,54 19,05 1,20B 101,52 0,92
T3 19,72 20,01 1,7AB 99,26 1,03
CV 19,21 21,01 17,78 18,21 18,02
Médias seguidas por letras maiúsculas diferentes na mesma coluna apresentam diferença estatística entre os tratamentos pelo teste SNK (P<0,05). CV = Coeficiente de variação
Na tabela 8 estão apresentados os dados de emissão de metano entérico por ovinos alimentados com Brachiaria decumbens verde cortado em diferentes idades.
Tabela 8. Valores médios de produção de metano por ovinos alimentados com capim
Brachiaria decumbens verde cortada aos 56, 84 e 112 dias de crescimento, em litros por
dia (L/d), em gramas por dia (g/d) e em gramas por Kg de matéria seca ingerida (g/Kg de MS)
Tratamento Parâmetros
CH4 (L/dia) CH4 (g/dia) CH4(g/kg MS)
T1 26,35A 18,82A 19,012A
T2 18,76B 13,41B 12,69B
T3 22,54B 16,1B 17,45AB
CV 8,35 8,35 14,19
Médias seguidas por letras maiúsculas diferentes na mesma coluna apresentam diferença estatística entre os tratamentos pelo teste SNK (P<0,05). CV = Coeficiente de variação
Os animais alimentados com a forrageira mais nova, cortada aos 56 dias apresentaram a maior produção diária de metano (26,35 litros) se comparada aos demais tratamentos (P<0,05), que não diferiram (P>0,05) com valores de 18,76 e 22,54 litros/dia para os animais alimentados com o capim verde cortado aos 84 e 112 dias respectivamente. Estes valores foram superiores aos encontrados por Castro (2008) média de produção diária de metano de 10,06 litros. Ribeiro Junior et al., (2011) relataram valores diários para produção de metano de 14,27 litros. Resposta semelhante foi observada em relação a produção de metano em gramas por dia. Os animais alimentados com a Brachiaria
decumbens cortada aos 56 dias apresentaram maior produção de metano (P<0,05) com
18,82 g/dia. Já os animais alimentados com o capim cortado aos 84 e 112 dias não diferiram entre si, com produção média de 14,75 gramas/dia. A maior produção de metano encontrado em ovinos alimentados com a forrageira mais nova foi devido a maior capacidade de degradação das frações fibrosas desta planta pelas bactérias ruminais se comparado às plantas mias maduras. A fermentação das frações fibrosas é a principal fonte de produção de metano entérico nos ruminantes.
Houve uma maior produção de metano (P<0,05) em gramas por quilo de matéria seca ingerida por ovinos alimentados com o capim Brachiaria decumbens verde cortado aos 56 dias se comparado aos animais alimentados com o capim cortado aos 84 dias. Os
animais alimentados com o capim cortado aos 112 dias apresentaram valores semelhantes aos animais alimentados com capim cortado aos 56 e 84 dias.
3.4 CONCLUSÕES
Não houve diferenças entre os valores de energia líquida para o capim Brachiaria
decumbens cortada aos 56, 84 e 112 dias de crescimento fornecido para ovinos, com
valor médio de 1,74 Mcal/ Kg de MS.
Os ovinos alimentados com capim Brachiaria decumbens cortado aos 56 dias apresentam maior produção de metano entérico se comparado a ovinos alimentados com capim Brachiaria decumbens cortado aos 84 e 112 dias.
3.5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CAPÍTULO 4 – EXPERIMENTO II
AVALIAÇÃO DA CINÉTICA DE FERMENTAÇÃO RUMINAL DO CAPIM