2.5. Çalışma Koşullarından Kaynaklanan Sorunlar
2.5.4. İş Ortamı-Güvenliği
Continuando nossa apresentação com base em Lessa (2002), a ontologia do ser social lukacsiana demonstra que “do ponto de vista da subjetividade, a atividade de apreensão do real, imprescindível ao pôr teleológico, tem o caráter de reflexo.” (LESSA, 2002, p. 95). É importante ressaltar desde já que reflexo, para Lukács, em nada se aproxima de como esse termo foi utilizado de forma simplista pelo marxismo vulgar, que propõe uma resolução mecânica à questão complexa da articulação entre objetividade e subjetividade. Vale ressaltar também, conforme abordaremos no segundo capítulo, que na psicologia histórico-cultural o reflexo psíquico também apresenta problema análogo em relação à compreensão simplista do processo de formação do psiquismo defendido pela psicologia behaviorista e/ou pela reflexologia, particularmente no que se refere às implicações dessa concepção na relação entre aprendizagem e desenvolvimento. “Antes de ser sinônimo de mecânica submissão da subjetividade ao real, o reflexo é, para Lukács, a forma especificamente social da ativa apropriação do real pela consciência, no contexto da busca dos meios.” (LESSA, 2002, p. 96).
No interior da categoria de trabalho, dois atos heterogêneos se desdobram: o reflexo do real que surge da “necessidade de captura da legalidade do ser-precisamente-assim existente para uma busca com sucesso dos meios”, e a realização dos fins (pôr teleológico). A categoria do reflexo, portanto, tem sua gênese e desenvolvimento no e pelo trabalho. Lessa (2002) aponta que “tal delimitação é decisiva: o reflexo não funda o real e, por si só, não funda a subjetividade. Nem a consciência pode ser reduzida ao reflexo, nem o objeto é pura e simplesmente o refletido.” (LESSA, 2002, p. 97). E complementa citando Lukács:
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Começando agora nossa análise do reflexo, imediatamente nos deparamos com a precisa separação entre objetos, que existem independentemente do sujeito, e sujeitos, que podem reproduzi-los numa aproximação mais ou menos correta mediante atos de consciência, que podem transformá-los em suas próprias posses espirituais. (LESSA, 2002, p. 97).
Portanto, no reflexo, tem-se uma separação do sujeito de seu mundo. Há um distanciamento da realidade com/pela reprodução aproximada do real na consciência, bem como promove sujeito e objeto como polos distintos da relação gnosiológica. “O conhecimento, portanto, não é a superação da distância entre o subjetivo e o objetivo, mas justamente sua mais plena reprodução: apenas tendo por mediação essa distância pode o conhecimento se realizar enquanto movimento de constante aproximação da consciência ao ser.” (LESSA, 2002, p. 97-98).
Nesse sentido, com o trabalho inaugura-se uma “dualidade” entre o pensado e o real, expressão do caráter ativo da consciência e característica ontológica essencial. Em síntese, tal dualidade se dá pelo fato de que “o reflexo que ‘considerado ontologicamente em si não é nenhum ser’.” (LESSA, 2002, p. 99); ao mesmo tempo reproduz “a ineliminável objetividade do ser.” (LESSA, 2002, p. 99).
Para além da constatação de que o reflexo enquanto atividade da consciência origina uma “nova forma de objetividade”, em relação ao seu caráter social, suas considerações revelam, também, “os nexos fundamentais que operam no reflexo do real pela subjetividade: a relação entre o objeto e o conteúdo refletido e a relação entre teleologia e ato de reflexão.” (LESSA, 2002, p. 99).
Já de início Lukács expõe que se é verdadeiro que “o reflexo é determinado por seu objeto” na imediaticidade de cada ato de reflexão, também é verdade que essa atividade de reflexão é uma atividade teleologicamente orientada. Portanto, “ainda que espontâneo em sua origem, esse impulso em direção ao real não apenas alcança um ser-para-si cada vez mais desenvolvido com o avanço da sociabilidade, mas também é ele próprio cada vez mais intensamente posto de forma teleológica.” (LESSA, 2002, p. 100). Lessa (2002, p. 100) ilustra essa tese com o seguinte exemplo:
A queda livre dos corpos, que na imediaticidade de cada reflexão teve sempre o mesmo conteúdo, pôde ser compreendida das formas as mais diversas ao longo da história. Isso todavia não significa que a objetividade da queda livre dos corpos seja de algum modo ‘relativa’, seja de algum modo constructo da subjetividade humana. Pelo contrário, apenas porque a subjetividade precisa capturar determinações do ser-precisamente-assim existente, e o reflexo correspondente a essa necessidade, pôde a consciência, em diferentes momentos históricos e imersa em distintas
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relações sociais, construir hipóteses distintas e tendencialmente cada vez mais próximas do real de um fato objetivamente existente.
Para Lukács, esse movimento de afastamento do real e constituição em objeto da subjetividade determina reproduções que jamais podem ser “cópias fotográficas, mecanicamente fiéis, da realidade. Elas são sempre determinadas pela finalidade. Quer dizer, em termos genéticos, pela reprodução social, pela vida; na origem, pelo trabalho.” (LUKÁCS apud LESSA, 2002, p. 100).
Nesse sentido, Lukács ao reconhecer a atividade da subjetividade na categoria do reflexo, e seu nível de consciência possível, mostrou como se dá o movimento dialético de humanização dos indivíduos e transformação da sociedade pelos atos de aproximação da consciência ao real, ou seja, a consciência processa uma apropriação ativa que reflete o ser- precisamente-existente de modo historicamente determinado.
Lessa (2002), neste ponto de sua explicação da ontologia lukacsiana, faz uma constatação importante para nosso estudo: “está aqui aberto o campo para a delimitação da influência de complexos como a ideologia, a política, os estranhamentos, a arte etc. nos processos gnosiológicos.” (LESSA, 2002, p. 100-101).
Em relação ao complexo jogo/esporte, a categoria do reflexo não só nos ajuda a compreender o conteúdo refletido da realidade presente em sua articulação regras- objetivos/situação imaginária como nos aponta possibilidades pedagógicas importantes na medida em que, além de nos permitir orientar as reflexões sobre o conteúdo refletido, nos possibilita propor/criar situações lúdicas a serem vivenciadas/tematizadas pelo professor. Mais adiante veremos que tal categoria também assume posição de destaque no desenvolvimento ontogênico humano, conforme nos demonstrou a psicologia histórico- cultural.
Um exemplo clássico da categoria do reflexo no complexo esporte é dado pela análise ontológica comparativa entre os Jogos Olímpicos da Antiguidade e os Jogos Olímpicos Modernos. No primeiro caso evidenciamos haver, nas provas/modalidades que o compõe, situações imaginárias e regras/objetivos apresentando um reflexo mais direto das atividades utilitárias presentes na ordem social escravista daquela sociedade com predomínio do desempenho físico (corridas, lutas, lançamentos etc.) em detrimento de predomínio de situações imaginárias e regras/objetivos avançadas construídas (reflexo do reflexo) que verificamos nos jogos modernos (jogos com bolas, jogos com raquetes, salto com vara etc.), bem como as formas de treinamento, estratégias de jogo, e valores relacionados ao modelo
46 “fordista” de organização da produção pela racionalização de movimentos para alcançar o desempenho e/ou resultado máximo, típicos do capitalismo.