• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

1.7.1.1 İş Eğitimi Dersinin Uygulamadan Kaldırılmasının Nedenleri

Amossy em seus estudos sobre a argumentação afirma que esta é parte integrante do discurso e que é essencial que a AD explore tanto a sua inscrição na materialidade da língua quanto em sua ancoragem social e institucional. (2007, p. 121)

A referida pesquisadora orienta para um estudo/abordagem da argumentação que considera e relaciona a produção linguageira a um lugar social e a instâncias institucionais aos quais determinado discurso esteja vinculado, ou seja, ela recusa a divisão texto/contexto. Esta seria, então, uma abordagem que trata da argumentação no discurso, essencialmente discursiva.

A teoria da argumentação no discurso proposta por Amossy retoma a retórica no

sentido de arte de persuadir, concedendo “... lugar central ao logos em sua relação com

o ethos e com o pathos.” (2007, p. 127). Segundo a autora, sua teoria “... baseia-se no estudo dos tópicos, dos esquemas argumentativos e dos tipos de argumentos de que o discurso faz uso para justificar um ponto de vista e torná-lo aceitável aos olhos do

interlocutor.” (2007, p.127).

A autora ressalta que “... argumentação depende das possibilidades da língua e

das condições sociais e institucionais que determinam parcialmente o sujeito, fora dos quais a orientação ou a dimensão argumentativa do discurso não pode ser apreendida

com discernimento.” (2007, p. 128) Nesse sentido, sua proposta considera a

manifestação de um discurso situado em que o dialógico e o contexto situacional se complementam na efetivação do processo discursivo.

Para Amossy, é através dos fundamentos da Análise do Discurso que se torna

discursivos”, a partir de uma proposta de análise que considere “... uma situação de

comunicação pré-estabelecida, num espaço sociocultural.” (2007, p.129)

Diferentemente de Ducrot, Amossy destaca a condição essencial que a argumentação retórica apresenta nos estudos sobre argumentação afirmando que esta é de natureza comunicacional e deve ser apreendida num contexto de interação e nas trocas verbais dos parceiros do discurso. Nesta perspectiva, aproxima se de Perelman & Olbrechts-Tyteca (1996) ao destacar o papel central do público no processo

argumentativo. Para os dois autores, é “... em função do público que o locutor desenvolve suas estratégias argumentativas”. (2007, p.129). Além disso, a imagem

desse público é construída pelo orador/locutor ao considerar quais são os seus valores, seus saberes e suas crenças, sendo, a partir desta construção, que se orientará sua produção discursiva/argumentativa, que se dará de forma intencional ou não.

Um dos fatores em que Amossy se apóia, ao propor sua teoria, é o de que os próprios fundamentos da Linguística da Enunciação se pautam na condição de que ela se desenvolve na troca entre parceiros, que se encontram necessariamente numa relação discursiva. Dessa forma, uma análise argumentativa pode se ancorar numa análise da enunciação quando a localização dos marcadores linguageiros se realiza, tendo em vista essa perspectiva. Esse fato permite a identificação da figura do interlocutor, através dos diferentes indícios de alocução presentes no discurso situado.

Neste contexto, o dispositivo da enunciação passa a ser visto como um espaço

em que se relacionam locutor/interlocutor deixando “marcas” linguageiras passíveis de

serem articuladas ao contexto sociodiscursivo e socioinstitucional em que determinada produção discursiva se inscreve. Para Amossy (2007, p.130), é nesse momento que a troca comunicacional assume sua dimensão de troca simbólica, como também o discursivo e o argumentativo mostram-se indissociáveis do socioinstitucional.

Segundo a autora, os tratados de argumentação, inclusive o de Perelman & Olbrechts-Tyteca, descrevem os princípios sobre os quais se fundamenta a argumentação e utilizam os tópicos como argumentos, ou um estoque de lugares- comuns, que subentendem o raciocínio e sobre os quais o locutor pode apoiar-se. Na proposta de Amossy, os esquemas apresentados nos tratados de argumentação, como o de Perelman & Olbrechts-Tyteca (1996) e Toulmin (1993), devem ser

articulados/vinculados a um plano comunicacional, na perspectiva de um discurso situado. Ela alega que esses esquemas são indispensáveis, pois possibilitam a

observação de como “... o discurso antecipa um raciocínio que se quer convincente”.

(2007, p.132)

Para a autora, a aproximação entre o plano dialógico e o plano textual se efetiva quando se consideram todos os elementos linguageiros presentes no ato do discurso. Os enunciados são transformados em proposições lógicas que resumem seu conteúdo apagando tudo o que concerne ao dialógico e tudo o que se elabora no textual e na materialidade discursiva. Sua proposta se mostra pertinente ao considerar “... a

argumentação na materialidade linguageira e no espaço social, cultural e institucional”

(2007, p.132), afirmando que esse fato lhe confere densidade e complexidade. E essa é uma questão de suma importância para o nosso trabalho, pois partimos do pressuposto de que o discurso jurídico constitui-se de um espaço em que existem regras e restrições tácitas que delimitam os papéis dos envolvidos no processo argumentativo e, ainda, que a construção discursiva de seus enunciadores e a sua materialidade discursiva apresenta marcas linguageiras (escolha de conectores, de termos, expressões, variações semânticas) que funcionam como índices de reconhecimento de valores e crenças partilhadas socialmente pelos envolvidos na atividade discursiva jurídica. Nesse entendimento, um estudo na estrutura argumentativa deste discurso não pode desconsiderar, efetivamente, a referida articulação entre o plano dialógico e textual, proposta por Amossy (2007).

Cabe, ainda, destacarmos o posicionamento de Amossy em relação à construção do ethos no discurso. A autora parte do princípio de que “... a eficácia da palavra não é

nem puramente exterior (institucional), nem puramente interna (linguageira)”. (2005, p.

136) Com isso, ela defende a ideia de que o ethos pode ser analisado como uma construção discursiva em que se articulam o plano da enunciação, sua dimensão social e a sua relação com posições institucionais externas. Nos dizeres de Amossy (2005,

p.136), “... não se pode separar o ethos discursivo da posição institucional do locutor, nem dissociar totalmente a interlocução da interação social como troca simbólica”.

Nessa perspectiva, a autora retoma as abordagens do ethos como uma construção interna ao discurso, concebida pela Pragmática, e como troca simbólica, sob a regência

de mecanismos sociais e posições institucionais exteriores, conforme a proposta dos sociólogos. A noção de ethos, considerada por Amossy, leva em conta a identidade dos participantes, o cenário e o objetivo da troca verbal. Importa-nos ressaltar, também, que, para ela, a doxa é o fator que determina o estabelecimento do ethos, ao compreender “o

saber prévio que o auditório possui sobre o orador” (p. 124)

Seria como se na construção do ethos do orador estivesse implícita a sua condição de autoridade. Para essa construção deve se considerar a ideia que o auditório

faz da pessoa do orador, de forma que este orador “modele” seu ethos com as

representações coletivas e valores positivos aceitos pelo seu auditório. No entanto,

Amossy (2005, p. 138) ressalta que “a construção da imagem de si no discurso tem a

capacidade, em contrapartida, de modificar as representações prévias, de contribuir para a instalação de imagens novas e de transformar equilíbrios”.

Nossa próxima reflexão será a partir da perspectiva teórica de Plantin. Sua proposta rompe com alguns princípios pautados pela primazia da razão em detrimento da emoção, no que remete à questão dos elementos constitutivos da estrutura argumentativa dos discursos.

Benzer Belgeler