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İKİNCİ BÖLÜM KÖPRÜ İSTİHDAM

2.2.3. Köprü İstihdama Geçişin Nedenler

2.2.3.1. İş Doyumu İle İlgili Nedenler

De uma forma geral, a abordagem fenomenológica objetiva apreender o modo como as pessoas experienciam e entendem o mundo. Fenomenologia envolve o entendimento e a descrição do pensamento, como eles são vividos pela subjetividade (TILLEY, 1994:12). Na arqueologia, a perspectiva fenomenológica tem sido aplicada principalmente nos estudos etnoarqueológicos contemporâneos sobre o uso do espaço (ZEDEÑO; 1997; 2009; INGOLD, 2000; CARROLL et al., 2004; WHITRIDGE, 2004; STEWARD et all., 2004).

Como uma vertente da Arqueologia da Paisagem, os estudos dos fundamentos fenomenológicos do espaço buscam superar a dicotomia entre sujeito e objeto, sem tornar-se refém de uma subjetividade que não apresenta uma unidade de análise (TILLEY, 1994). Para este desafio, a Arqueologia trabalha com o conceito de paisagem e suas derivações como um espaço-objeto, cuja vantagem está na capacidade de promover uma unidade analítica adequada para o diálogo entre diferentes perspectivas. A arqueologia da paisagem, contribuindo para o entendimento do modo como as pessoas interagem com os elementos do entorno nas variações do tempo, espaço, ecologia e contexto cognitivo, possibilita a superação da dicotomia entre uma

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perspectiva positivista e outra humanística (ANSCHUETZ et al., 2001). Para entender melhor como a perspectiva fenomenológica da paisagem se manifesta é interessante ver como essa polaridade científica foi construída.

A visão positivista da nova Arqueologia e Geografia dos anos 1960 apresenta a paisagem como um espaço generalista. As atividades, eventos e espaços são separados tanto conceitualmente como fisicamente uns dos outros. Suas relações são apresentadas de forma contingente, apenas como explicações específicas para medições de escalas geométricas ou pontos ilustrativos de modelos e formulações generalizadas. A paisagem é tratada como um espaço desabitado, atemporal. Visto como um palco, que pode ou não ser habitado pelo homem, mas que se apresenta neutro e quantificado, desprovido de qualquer estrutura de agência ou significado.

A oposição desta perspectiva positivista surge com a reteorização da geografia humana dos anos 1970 em diante e os debates da arqueologia pós-processual a partir dos anos 1980. Apoiados no estruturalismo, essas novas correntes teóricas consideram o espaço como um meio ao invés de palco da ação humana. A paisagem emana como manifestação simbólica e cognitiva, da dinâmica interação das pessoas com os elementos físicos do ambiente. É algo altamente simbólico não compreendendo mais do que uma representação subjetiva dos distintos mundos culturais.

No inter-fluxo destes dois caminhos, Ingold (1993:189) propõe o termo “dwelling perspective”, pelo qual “paisagem é constituída enquanto um duradouro

registro – e testemunho - de vidas e trabalhos de gerações passadas, que habitaram esse ambiente, e fazendo isso, deixaram seus vestígios”. Assim, paisagem é o resultado

da ação e percepção humana, no qual pessoas e meio ambiente são componentes constitutivos do mesmo mundo. A paisagem natural é conhecida e incorporada de significados relacionados através das experiências da coletividade.

Nesse sentido, a percepção do pesquisador não se dá no vazio, mas na experiência concreta do convívio. Para Tim Ingold (2000:189), da mesma forma que os moradores nativos formulam seus conhecimentos históricos pela atividade do convívio na paisagem codificada, a prática arqueológica também é uma forma de convívio. Por isso, “tanto ao arqueólogo quanto ao morador nativo, a paisagem conta – ou antes, é –

uma história”. O que diferencia são as regras e métodos de envolvimento empregados

por cada uma das partes, por isso as narrativas históricas que ambos contam também são diferentes.

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Contudo, o conjunto das tarefas e ações empregadas ao longo do tempo (sejam atividades diárias ou eventos temporários), em suas mútuas ligações, é chamado por Ingold de taskscape. Esse termo implica em uma noção de temporalidade vinculada às interatividades de convívio social. Essa “temporalidade da taskscape”, por sua vez, envolve todos os elementos sensoriais percebidos, que não estão limitados aos homens, mas também aos seres animados e inanimados. Isso exige uma percepção ampliada da noção de interatividade, assim como a cultura material resultantes dessas ações. Projetar a temporalidade das relações para além das pessoas e animais do presente envolve pensar o comportamento em relação às pessoas e animais do passado, elementos perceptíveis como o mar, o vento, o movimento da maré, a presença ou ausência do sol, as fases da lua, enfim, todos os elementos ativos e significativos na interatividade social (INGOLD, 2000:194).

O entendimento do conceito de temporalidade da taskscape auxilia as pesquisas arqueológicas e etnoarqueológicas no campo da Arqueologia da Paisagem, pois amplia também a percepção da cultura material para além dos objetos e vestígios evidenciados nos sítios arqueológicos. Recentes trabalhos etnográficos e históricos entre os Numic, expostos por Carroll, Zedeño e Stoffle (2004) mostram como feições topográficas, como montanhas, cavernas e campos e recursos naturais, como rios e cachoeiras, são incorporados nas práticas ritualísticas desse grupo. Os autores demonstram como a interpretação destes dados combinando parâmetros geográficos, fenomenológicos e da cultura material conferem um padrão estrutural válido para determinar a configuração de lugares ritualísticos e suas posições em relação a outros lugares que não são usados para rituais (CARROLL et al, 2004).

Compreendida pela relação constante entre pessoas e os elementos físicos do meio ambiente, a paisagem é vista dialeticamente tanto como meio, quanto como resultado da ação presente e das ações no passado. O processo de atuação em um espaço, seja permanente ou por eventos realizados entre intervalos de tempo, envolve projeções e reconhecimentos de significados que codifica o ambiente, criando lugares significativos, com memórias e biografias. Tais lugares associados e memorizados remetem a noção de lugares corporificados (BROWN, 2004) humanizados e significativos (TILLEY, 1994; ZEDEÑO & BOWSER, 2009; ANSCHUTZ et al. 2001).

Com a mesma ênfase nos lugares significativos, alguns arqueólogos examinam o sistema de assentamento e enfatizam a variabilidade contextual que cada lugar poderia apresentar em diferentes momentos do dia, do ano ou de períodos de vida. Em outras

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palavras, eles afirmam que o sentido dos lugares e as atividades neles realizadas são complexas e mutáveis, envolvidas materialmente com seqüências de decisões e disposições (ASHMORE, 2009:1176).

Ashmore (2009:15-30), ao analisar o sítio Quiriguá, na Guatemala, conhecido como assentamento dos povos Maia, observa que os lugares podem adquirir sucessivos significados de uso ao longo do tempo. A biografia dos lugares pode ser reescrita pela associação a novos mitos criados, pela modificação de seus elementos, pela associação e distribuição de novos elementos, por uma memória seletiva ou pelo distanciamento entre o lugar e seus usuários. Segundo o autor, a biografia dos lugares envolve a percepção seguida da ação de uso dos seus signatários, podendo ser manipulado por um indivíduo, por um fragmento social, por todo o grupo, ou até por mais de um grupo simultaneamente, criando um sentido de continuidade ou ressignificação.

Através dessas novas perspectivas teóricas que reconhecem a dialética estruturante das relações entre vetores sociais, os lugares adquirem agência, sendo estruturados e estruturantes das ações sociais. Por não serem estágios passivos, providos de signos e significados compartilhados, os sítios também podem influenciar as relações e mudanças sociais (ZEDEÑO & BOWSER, 2009). Esses trabalhos exploram a concepção holística do lugar ou do conjunto de lugares enquanto paisagem que incorpora biografias ativas, podendo adquirir diferentes significados simultâneos (ASHMORE, 2009). Compreender as diferentes contextualizações da paisagem é entender a codificação cultural dos povos que ocupam esses lugares, para buscar compreender os elementos da inter-relação entre pessoas e ambiente físico como processo que leva a coerência cosmológica transmitida de geração à geração.

Assim, é importante notar que a paisagem é infinita aos olhos de quem vê. Nenhuma característica na paisagem é, por si só, uma fronteira. Ela só se torna uma fronteira, em relação às atividades das pessoas (ou elementos) para as quais ela é reconhecida ou vivida como tal (INGOLD, 2000:193).

Assim, para Tilley (op. cit.) as fronteiras territoriais são preferencialmente os protótipos naturais como rios, montanhas, rochas e o mar por serem apropriados simbolicamente, como significantes e delimitadores territoriais. Por outro lado, Zedeño (1997:71) aponta que os territórios freqüentemente são delimitados por zonas limítrofes (buffer zonas) geralmente usadas por mais de uma sociedade e coincidem com marcos geográficos maiores, rotas comerciais, áreas migratórias, ou lugares sagrados. Entretanto, pesquisas têm mostrado que na maioria das vezes, os limites dos desenhos

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fronteiriços apresentam de fato um registro da história de uso da terra por outro grupo particular, ou seja, sítios arqueológicos apropriados como marcos fronteiriços. De qualquer forma, as fronteiras dizem respeito a escolha de lugares e redes de sociabilização, que apontam para identificações e alteridades de grupos e indivíduos. Sendo assim, a partir do reconhecimento de fronteiras na paisagem estabelecem-se os