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A união desses dois elementos discutidos até o momento propõe que a inserção da ACV no meio industrial é um passo para a sustentabilidade, porém o escopo da Sustentabilidade é bem mais amplo (Heijungs; Huppes; Guinée, 2010).

Makower (2009, p. 39) salienta “[...] que as companhias de quase todos os setores estão melhorando continuamente sua eficiência, cuidando de reduzir resíduos, improdutividade e toxicidade em seus processos de fabricação e distribuição”.

2.4.1. Indústrias

No entanto o escopo sobre os impactos ambientais causados pelas industriais em que o próprio homem produz e tenta sanar, ainda é desafio, em que, no quinto relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, 2013) mostra com 95% de certeza que a atividade antropogênica é a causa dominante do aquecimento global, observados desde meados do século XX.

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No setor industrial segundo dados do quarto relatório do IPCC (2007) a indústria contribui com 19% das emissões de CO2.

Até o renomado físico Stephen Hawking alerta sobre as mudanças climáticas em uma manchete publicada na British Broadcasting Corporation (BBC) Brasil em julho de 2017 que a terra corre o risco de ser transformada em Vênus. Vênus é composta basicamente de dióxido de carbono, e superfície coberta por nuvens de ácido sulfúrico.

Conforme Marques (2016, p. 311), “A partir do século XIX, as economias industriais começaram a emitir quantidades crescentes de gases provenientes da queima de combustíveis fósseis. Estes alteram a composição química da atmosfera [...]”. O autor ainda ressalta que “a ideia de autorregulação se por isto se entende alguma forma de autocontenção visando não ultrapassar os limites da sustentabilidade – não se aplica ao capitalismo” (Marque, 2016, p. 534). Ou seja, o meio físico é concebido com matéria-prima um subsistema do sistema econômico.

Assim, para que o aquecimento global não ultrapasse 2º C, a quem tenha esperança na ecoeficiência das tecnologias, dos processos produtivos, metodologias maduras que permitam o aumento da produção e do consumo com menor pressão ambiental (consciência ambiental) (Marques, 2016). Os problemas socioambientais gerados não vão ser eliminados de vez do planeta, pois torna-se difícil internalizar os custos ambientais.

Frente às mudanças climáticas, a ACV surge com intuito de um capitalismo sustentável (por alguns sendo utópico), porém, é um passo para algo ser feito devido esta crise ambiental em que vivemos.

Em conformidade de Barbieri e Cajazeira (2012, p. 68), “Uma organização sustentável é a que procura incorporar os conceitos e objetivos relacionados com o desenvolvimento sustentável nas usas políticas e práticas de modo consistente”. Deste modo, os primeiros estudos em ACV datam da década de 60 (Ferreira, 2004). Porém, os acordos da ACV no meio industrial têm um histórico desde a década de 80, em que os países como Holanda, Alemanha e Suécia propuseram diminuir o uso amplo dos recursos naturais e poluição. Neste intuito, os países europeus estimularam as indústrias a fornecerem mais informações sobre seus produtos para o mercado (Chehebe, 1997).

Desta forma, na Europa surgiu os Selos Verdes, e no Brasil Rótulos Ambientais que se baseiam na ACV do produto para gerenciar o ciclo de vida de seus produtos (Barbosa Júnior et al. 2007).

Uma empresa para ser considerada verde deve seguir padrões estabelecidos, porém, cada companhia é diferente de todas as outras, no que se retratam os impactos ambientais de tais atividades, que podem ser significativas (Makower, 2009).

A produção acadêmica brasileira em ACV é utilizada nos setores produtivos: engenharia civil, automobilístico, de embalagens, de energia, agropecuário, de mineração, químico (Ipea, 2016).

Em concordância com Chehebe (1997) a ACV tem uma infinidade de propósitos, e seus resultados podem ser uteis com a tomada de decisão, na seleção de indicadores ambientais relevantes para desempenho de projetos.

A ACV encoraja indústrias a sistematicamente considerar as questões ambientais associadas aos sistemas de produção (insumos, matérias-primas, manufatura, distribuição, uso, disposição, reuso, reciclagem). Ajuda a melhorar o entendimento dos aspectos ambientais ligados aos processos produtivos de uma forma mais ampla, auxiliando na identificação de prioridades [...]. [...] e serve de subsídio às estratégias de marketing (tipo declarações ambientais ou esquemas de rotulagem) [...]. (Chehebe, 1997, p. 13).

Neste âmbito, em 2013 foi criado a Rede Empresarial Brasileira de Avaliação do Ciclo de Vida (Rede ACV) para mobilizar as empresas, governos e educar o consumidor (Kiss; Dinato; Fernandes, 2017).

No Brasil conforme Cardoso (2015, p. 10) 8,4% entre as 1,5 mil maiores empresas atuantes no Brasil usam ACV como uma prática de gestão ambiental. Algumas empresas dilataram projetos de pegada de carbono e pegada hídrica (Quadro 1). No Quadro 1, estão apresentadas 12 (doze) empresas que foram capacitadas no período de 2015 e 2016, sendo que as mesmas já obtinham o inventário de Gases Efeito Estufa (GEE) e conheciam o método focado nas emissões de suas empresas, só que, posterior a capacitação, passaram a englobar outra perspectiva (Kiss; Dinato; Fernandes, 2017).

Quadro 1 – Empresas que desenvolveram projetos de pegada de carbono e pegada hídrica

Empresa Ano Categorias

Amaggi 2015-2016 Carbono

AngloAmerican 2015 Carbono

Bunge 2015 Carbono

Copel 2016 Carbono

Duratex 2016 Carbono e hídrica

EcoRodovias 2016 Carbono

InterCement 2015 Carbono

JBS 2016 Carbono e hídrica

Kimberly-Clark 2016 Carbono

Lojas Renner 2015-2016 Carbono e hídrica

Odebrecht 2016 Carbono e hídrica

Vivo 2016 Carbono

Fonte: Adaptado de Kiss, Dinato e Fernandes (2017).

Outras empresas fazem parte da Rede ACV, como Brasken, Danone, Embraer, GE, Grupo Boticário, Natura, Odebrecht, Oxiteno, Tetra Pak etc., (IBICT, 2017). Essas empresas apresentam experiências positivas no uso da ACV, e que tentam amenizar os impactos da sua cadeia e consequentemente usam de marketing (Barbosa Júnior

et al., 2007). O grupo O boticário, tenta expandir a ACV pelos seus fornecedores.

Cabe destacar que as empresas apresentadas no Quadro 1 e as outras citadas logo abaixo do quadro, são do setor alimentício, da construção civil, de roupas, de cosméticos, empresas que tem fator de impacto ambiental relevante e com grande público de consumo.

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Estas empresas estão inserindo a responsabilidade social e ambiental e tornando um referencial. Tachizawa (2011, p. 67) traduz o que é responsabilidade corporativa são “[...] organizações socialmente responsáveis devem abordar suas responsabilidades perante a sociedade e o exercício de cidadania, por meio de estágios que vão desde uma fase embrionária até sua fase mais avançada”.

Pelos números de indústrias que existem no Brasil, os setores que empregam a ACV ainda são escassos. Conforme Barbosa Júnior et al. (2007) algumas barreiras são encontradas para aplicação da metodologia, como a falta de capacitação; disponibilidade de dados envolvendo insumos, como energia, aço, combustíveis etc.; longo processo do estudo ACV; e a questão financeira.

Ainda assim, pequenas, médias e grandes empresas enfrentam o problema que a complexidade das especificidades dos processos desde extração, manufatura, fornecedores, produção, mercado, ou seja, a cadeia de suprimentos, que conforme Costa (2012, p. 73) engloba desde a “provisão da matéria-prima até a entrega do produto final ao consumidor, incluindo também os serviços de pós-venda”.

Neste contexto, observa-se carência e a necessidade de empresas trabalharem com ACV para uma qualidade ambiental, social e econômica rumo a um país sustentável, visto que, muitas destas empresas têm costumes enraizados por causa de seus donos, interferindo no processo de sustentabilidade local, regional e nacional. Consequentemente contribuindo com as mudanças climáticas que assola o século.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme o objetivo do trabalho, o levantamento bibliográfico evidenciou alguns aspectos importantes, porém, tratou-os rapidamente, como: o homem e a natureza, a sustentabilidade, e a ACV como uma ferramenta para a sustentabilidade.

Somados os fenômenos abordados, relação homem-natureza, crescimento, capitalismo gera crises ambientais alavancando assim as mudanças climáticas pós- revolução industrial. Para tanto, alternativas que mitiguem isso tem que existir, e temos que sermos ativistas em querermos melhorar a qualidade de vida (sem danos na casa comum).

Essas informações foram relevantes, por causa da complexidade que nos encontramos a cada dia entre aspectos ambientais, sociais e econômicos, no qual, estamos dentro de um ciclo vicioso (parece que, sem fim).

Destarte, a ACV no meio industrial é para somar, contudo, necessita de mais notoriedade, visto que esse setor abrange uma grande área (uso do solo), e atinge milhões de pessoas, como também degrada o ambiente e colabora em grande parcela com as mudanças climáticas.

No entanto, as empresas que aderiram à metodologia ACV, não significa que aplica em todas as atividades e processos e que são sustentáveis, porém, já é um passo. O número de empresas no Brasil que usam a ACV ainda é bem escasso, porque é uma ferramenta teoricamente recente, complexa e com pouca mão-de-obra.

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AVALIAÇÃO PRELIMINAR DO ÍNDICE DE BALNEABILIDADE

Benzer Belgeler