3.8. Araştırmanın Bulguları
3.8.5. Hipotez Testlerine İlişkin Analizler
3.8.5.1. İş Özellikleri ve Örgütsel Bağlılık İlişkisinde İşe Yabancılaşmanın
Esta é a primeira das três variáveis importadas do marketing de serviços que propomos incorporar ao composto de marketing social. No artigo “O Marketing de Serviços”98, Adrian
Palmer destaca que, ao contrário dos produtos, nos quais a produção e o consumo podem ocorrer em momentos absolutamente distintos, os serviços caracterizam-se pela simultaneidade destes dois processos. Sendo assim, a variável pessoas assume importância significativa:
98
PALMER, Adrian. “O marketing de serviços”. In: BAKER, Michel J. (org.). Administração de marketing. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p. 431.
Pessoas são o elemento vital do mix de marketing para grande parte dos serviços. Pode até ser uma trivialidade afirmar que, no caso de algumas empresas, os empregados são a empresa – se eles forem embora, a organização fica com pouquíssimos ativos com os quais possa procurar ganhar vantagem competitiva no atendimento das necessidades dos clientes.
Pode-se afirmar que, no caso das ONGs, este fator deveria ter atenção preferencial, já que, em geral, a qualidade da prestação dos serviços destas organizações está diretamente vinculada ao estabelecimento de relações de confiança entre seus funcionários e os diversos outros públicos — como beneficiários, financiadores, imprensa, políticos etc.
Devido à escassez de recursos ou a uma visão limitada de seus gestores — que procuram garantir a fidelidade dos funcionários apelando para seu compromisso com a causa, em detrimento da relação profissional — algumas ONGs têm dificuldades para evitar a rotatividade das equipes. Salários inferiores, inexistência de benefícios como plano de saúde, ou mesmo a contratação de funcionários pelo sistema de cooperativa — visando escapar dos altos impostos trabalhistas, determinados pelo modelo formal de contratação da Confederação das Leis Trabalhistas (CLT) — são fatores que contribuem para a rotatividade dos funcionários mais qualificados das ONGs. Tal situação pode ocasionar sérios danos tanto ao trabalho em si, quanto à credibilidade do mesmo.
Não se pode desconsiderar que se, por um lado, a relevância de uma causa é, de fato, capaz de gerar um alto nível de envolvimento da equipe, em uma relação profissional de longa duração a ausência de perspectivas de melhoria salarial e de outros benefícios costuma originar frustração. Tal quadro pode agravar-se em organizações nas quais a valorização de padrões de eficiência baseados em modelos oriundos do Mercado contrasta com baixos salários e com a insuficiente valorização da equipe. Gera-se, então, uma espécie de “crise de identidade” — uma vez que a organização se comporta como empresa ao exigir resultados, e como ONG ao gerenciar os funcionários.
A insatisfação da equipe pode intensificar-se caso os resultados alcançados no cumprimento da missão fiquem aquém do esperado, fazendo com que os funcionários ”coloquem na balança” a intensidade do envolvimento que lhes é requerido, o volume de recursos movimentado e as limitações do impacto social obtido.
Com relação à participação de voluntários, seu grau de comprometimento pode ser considerado bastante oscilante, o que leva algumas ONGs a prescindirem deste tipo de colaboração.
Uma organização que padece com a descontinuidade de padrões e que não consegue estabelecer uma estreita relação de confiança com seus diversos públicos — devido à alta rotatividade de pessoas — provavelmente enfrentará problemas de qualidade e de imagem.
Ainda usando como referência o marketing de serviços, vale lembrar que Adrian Palmer chama a atenção para o fato de que, em alguns casos, o consumo do serviço requer um
envolvimento extremamente ativo do consumidor, exigindo que ele atue como uma espécie de co-produtor. Se levarmos em conta que a gestão participativa deveria ser um dos objetivos centrais das ONGs, este fator ganha especial relevância, uma vez que se espera que os beneficiários das organizações possam influir e participar ativamente da construção dos processos que envolvem a fruição do serviço. Tomando como exemplo uma ONG que atue na área de educação, podemos dizer que a participação ativa de um aluno na sala de aula influenciará diretamente o processo de aprendizado. Sendo assim, a preocupação com os interesses, a participação e a satisfação dos beneficiários mostra-se fundamental.
Outra importante questão mencionada por Palmer diz respeito ao fato de que, em alguns casos, os benefícios que um indivíduo recebe durante o processo de aquisição ou fruição do serviço podem ser afetados pela atuação de outros usuários do mesmo serviço. Por exemplo: um aluno indisciplinado poderá prejudicar o aproveitamento de toda a sua turma.
2.8.6 - A variável processos
A segunda variável importada do marketing de serviços trata da importância de se realizar o mapeamento de todas as funções envolvidas na execução do serviço e de se entender claramente a forma como estas funções relacionam-se umas com as outras. Segundo Palmer, “quando processos de produção de serviços são complexos e envolvem vários encontros de serviços, é importante que uma organização tenha uma vis ão holística do modo como os elementos do serviço se relacionam uns com os outros”99.
9 9
PALMER, Adrian. “O marketing de serviços”. In: BAKER, Michel J. (org.). Administração de marketing. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p. 432.
Além disso, o autor ressalta também a necessidade de se identificar o nível de variação — em relação a um padrão estabelecido — tolerável sem que se afete a percepção de qualidade do cliente.
Levando-se em conta a realidade das ONGs — em muitos casos trabalhando em ambientes adversos, com poucos recursos e com pessoal mal remunerado ou voluntário — a preocupação com o estabelecimento de processos e com a manutenção de um patamar mínimo de qualidade é fundamental para que se possa garantir um atendimento adequado aos beneficiários e a credibilidade do trabalho perante a sociedade.
Nos deparamos, aqui, com um dilema que aflige muitas destas organizações: como lidar com um projeto que não vem atingindo níveis ideais de qualidade, sabendo que sua extinção e a falta de alternativas deixará os beneficiários privados de qualquer atendimento? Por outro lado, como insistir em um projeto inconsistente, que pode comprometer a imagem da organização, inviabilizando suas iniciativas bem sucedidas?
Certamente, não há respostas prontas. É importante lembrar que o sucesso de uma iniciativa depende de diversos fatores, alguns controláveis, outros não. Os controláveis – como as variáveis de marketing analisadas neste trabalho — devem ser gerenciados em conjunto, visando aumentar as chances de sucesso. Por sua vez, questões relacionadas ao cenário econômico, político etc. costumam causar impactos importantes e que, em geral, não têm com ser evitados. De qualquer modo, cada caso deve ser cuidadosamente avaliado antes que se venha a decidir pela interrupção definitiva de um projeto.