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Em relação à Bacia Hidrográfica do Alto Tocantins, os recursos hídricos atendem diretamente a uma população de cerca de um milhão de habitantes e três hidrelétricas de grande porte (Serra da Mesa, Cana Brava e Lajeado) para geração de energia elétrica, em rede integrada, para todo país (FERREIRA, 2007, p. 19). A Bacia Hidrográfica do Alto Tocantins conta com uma extensão de 12.380.000 hectares e engloba parte das Unidades Federativas de Goiás, Tocantins e DF.
A Bacia Hidrográfica do Alto Tocantins está inserida no domínio do Cerrado, contexto macroregional da Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia e encontra-se no âmbito do Programa da Reserva da Biosfera do Cerrado Fase II, que objetiva a conservação da biodiversidade, implantação do desenvolvimento sustentável e aprimoramento científico.
A Reserva da Biosfera faz parte do Programa Intergovernamental “O Homem e a Biosfera” - MAB da UNESCO, organização da qual o Brasil faz parte. No Brasil, a Lei n 9.985, de 18 de julho de 2000 (SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação), em seu art. 41, confere o seguinte conceito:
A Reserva da Biosfera é um modelo adotado internacionalmente, de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais, com os objetivos básicos de preservação da diversidade biológica, do desenvolvimento ambiental, da educação ambiental, do desenvolvimento sustentável e da melhoria da qualidade de vida das populações. (BRASIL, 2000).
O Cerrado apresenta, ainda, importância nacional, pois é caracterizado pela expansão da fronteira agrícola, principalmente com relação ao cultivo de grãos; para geração de energia elétrica, em rede integrada para todo país; e pelo bom estado de conservação da vegetação natural e das águas. A Bacia é formada pelas Bacias do rio Maranhão, do rio Tocantinzinho e do rio Paraná.
As Unidades de Conservação do Estado de Goiás, pertencentes à bacia do Alto Tocantins, representam 4,1% das áreas protegidas no estado: Corredor ecológico Paraña-Pirineus, na Reserva da Biosfera do Cerrado – Fase I, no DF; Corredor ecológico da Reserva da Biosfera do Cerrado Goyas – Fase II; Proteção integral: Estação Ecológica de Águas Emendadas; Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros; Parque Estadual de Terra Ronca, dos Pireneus; Parque Municipal de Itiquira; Lavapés em Cavalcante; Parque Municipal do Distrito de
São Jorge; Abílio Herculano Sezervinsli em Alto Paraízo; Uso sustentável: APA do Planalto Central; do Cafuringa; da Lagoa Formosa; do Pouso Alto; RPPNs; APA Lago de Peixe Angical e São Salvador.
“A vazão média estimada na Bacia do Alto Tocantins gira em torno de 1.580 m3, equivalente a 11% da vazão média da Região Hidrográfica Tocantins- Araguaia”. (FERREIRA, 2007, p. 72). “Os dados da qualidade da água da bacia são escassos, quando comparados às outras bacias hidrográficas do país”. (Op. Cit., p. 81).
Dentre os usos da água na Bacia Hidrográfica do Alto Tocantins, destacam-se os aproveitamentos hidrelétricos. A bacia tem potencial de produção de cerca de 3.378 MW, o que correspondia a, aproximadamente, 6% da demanda energética nacional em 2002. Existem empreendimentos em fase de inventários, outros em fase de licenciamento e ainda aqueles onde estão sendo feitos estudos de viabilidade.
Mas na hipótese da bacia ser contemplada com todos os empreendimentos, o futuro do Alto Tocantins será uma seqüência de lagos, substituindo os mananciais que são caracterizados por corredeiras com vertentes abruptas que o sistema natural criou. (FERREIRA, 2007, p. 74).
O Comitê de Bacia não foi implantado ainda, apesar dos esforços de organizações sociais, em especial o CONÁGUA ALTO TOCANTIS, agindo como Pró-Comitê no estímulo a criação do Comitê do Alto Tocantins e do Comitê do Tocantins-Araguaia.
Os cursos de água que formam a Bacia Hidrográfica do Alto Tocantins são o rio Tocantins (rio dos Tucanos), que nasce no Planalto de Goiás, a cerca de 1.000m de altitude, sendo formado pelos rios das Almas e Maranhão. Entre seus principais efluentes, até a confluência com o rio Araguaia, destacam-se na margem direita, os rios Babagem, Tocantizinho, Paraná, dos Sonos, Manoel Alves Grande e Farinha, e na margem esquerda, o rio Santa Teresa. Seu principal tributário é o rio Araguaia (2.600 Km de extensão), onde se encontra a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo (350 Km de cumprimento e 80 Km de largura). Após a confluência com o rio Araguaia, destaca-se o rio Itacaúnas, pela margem esquerda. A extensão é de 1.960 Km, sendo sua foz na Baía de Marajó, onde também deságuam os rios Pará e Guamá.
O rio Maranhão tem origem na Lagoa Formosa, em Planaltina de Goiás, e outra de suas nascentes encontra-se na Estação Ecológica de Águas Emendadas, no DF. Possui uma área de drenagem de 45.070 km2 e seus principais afluentes, antes da formação do Reservatório de Serra da Mesa, eram, pela margem direita, o rio Arraial Velho, o rio Traíras e o rio Bagagem, e pela margem esquerda, o rio Verde, o rio dos Patos e o rio das Almas. “O último nasce no divisor de águas das terras altas do Parque Estadual da Serra dos Pireneus, passando logo em seguida, dentro da cidade histórica de Pirenópolis” (FERREIRA, 2007, p. 21).
Hoje, forma o reservatório da Hidrelétrica de Serra da Mesa, juntamente com seus afluentes e o Tocantizinho. O rio Tocantizinho nasce na Serra Geral do Paraná. Seu principal afluente é o ribeirão das Brancas, pela margem esquerda e está inserido na região da Chapada dos Veadeiros. A Bacia do Tocantizinho encontra-se em zona de avanço da fronteira agropecuária intensiva e mecanizada. O ambiente natural está sendo alterado pela substituição da vegetação de Cerrado por monoculturas e pastagens extensivas.
O rio Paraná nasce no Planalto Central, em Goiás, próximo ao Distrito Federal, na região suburbana do Município de Formosa. “Suas nascentes estão em estado avançado de degradação, em decorrência da retirada das matas de galeria, recepção de esgotos domésticos, agrotóxicos e avanço de loteamentos irregulares” (FERREIRA, 2007, p. 22).