figura 2.6 e denota-se a concentração de produção de GN nos Estados do Rio de Janeiro com 42,18%, no Amazonas com 18,95% e na Bahia com 13,71%. Essa produção localizada distante do mercado consumidor do Estado do Ceará implica em grandes custos de distribuição troncal, tornando o consumo pouco convidativo apesar de suas vantagens.
Uma desvantagem forte no consumo residencial é a necessidade de investimento em equipamentos novos movidos a GN. Considerando que o fator escala é que torna equipamentos como ar condicionado p.ex., dentre outros, acessível, sob de certas facilidades de pagamento para alguns consumidores.
Figura 2.7 Produção de Gás Natural por Estado (%) em 2004
Fonte: BEN, 2004
A Figura 2.7 apresenta a estrutura percentual de produção de GN por região, na qual se identifica volumes maiores na região Sudeste (47,86%) e Nordeste (32,83%) e a Figura 2.8 identifica a venda de GN nas regiões do Brasil, ambas se referem ao ano de 2003. Na região Sudeste o consumo é maior do que a produção e na região Nordeste caracteriza um consumo menor do que a produção, porém o estado do Ceará apresenta um consumo maior do que sua produção o que denota o déficit em volume e aumento de custo de transporte e distribuição do combustível nesse estado.
Estrutura Percentual por Região de Produção de Gás Natural em 2003 NORDESTE 32,83% SUDESTE 47,86% CENTRO-OESTE 0,00% SUL 0,36% NORTE 18,95%
Apesar de ao Gás Natural, serem impostas dificuldades e custos adicionais para o seu transporte, armazenamento e distribuição, tornando-o pouco atrativo para os eventuais investidores e usuários, bem como de ter sido visto como um produto de segunda categoria no final da década de oitenta, dentre os combustíveis fósseis, atualmente é considerado um energético essencial e estratégico quando utilizado racionalmente (PRAÇA, 2003).
Figura 2.8 Produção de Gás Natural por Estado (%) em 2004
Fonte: ANP, 2005
Atualmente, este combustível é o mais versátil recurso energético disponível para uso direto junto com a eletricidade. Além disso, transforma-se rapidamente em um produto de grande valor agregado, pois se trata de um recurso que fornece vantagens energéticas e ambientais evidentes. PRAÇA (2003) disserta sobre o emprego do GN como descrito a seguir:
“Na sua utilização como matéria-prima, o gás natural constitui-se como um insumo fundamental na indústria gasquímica e de fertilizantes, principalmente no processo produtivo da amônia e do metanol. De acordo com SANTOS (2002), o uso do produto como matéria-prima representa, aproximadamente, 6% da demanda mundial de gás natural.
Outro grande consumo de gás natural ocorre na própria indústria gasífera e petroleira. Na extração do petróleo, parte do
Ve nda de GN por Re gião em 2003
Região Sudeste 56,54% Região Centro- Oeste 6% Região Sul 9,54% Região Nordeste 28,29%
gás associado é reinjetado no próprio campo ou em outro campo para manter a pressão do reservatório e aumentar a recuperação do petróleo. Outra parcela do gás associado ao petróleo é injetada nos poços de produção, conferindo maior fluidez ao óleo, além de otimizar sua extração.
Ainda na indústria petrolífera, o gás é utilizado para gerar a energia necessária aos equipamentos de separação de óleo e gás e suprir as diversas necessidades energéticas na área de produção, incluindo as bombas e os compressores utilizados para alimentar os gasodutos de transporte.”
2.3.2 Gás natural: suas propriedades energéticas e o impacto no meio ambiente
O gás natural que em sua maior parte, é composto de metano, pode ser definido como uma mistura de hidrocarbonetos leves e permanece no estado gasoso à temperatura ambiente e pressão atmosférica. (CONPET, 2000 apud PRAÇA, 2003)
Na natureza o GN pode ou não estar associado ao petróleo e é encontrado em rochas porosas no subsolo, apresentando baixos teores de contaminantes, como nitrogênio, dióxido de carbono e compostos de enxofre. Por ser mais leve que o ar, o combustível dissipa-se facilmente na atmosfera em casos de vazamento.
Este combustível apresenta diversas vantagens em relação aos demais, no que se refere ao meio ambiente: i) reduzida presença de contaminantes; ii) o processo de queima gera baixo teor de óxido de enxofre, tornando-o isento da geração de particulados (cinza e fuligem, p.ex.); iii) um poder de dispersão é mais eficaz dispensando o uso de indução mecânica; e iv) provoca uma grande redução nas emissões de CO2 (aproximadamente 32% menos que o óleo combustível e 41% menos que os combustíveis sólidos como o carvão).
combustíveis como pode ser visto na Tabela 2.4 .
Tabela 2.4 Coeficientes de equivalência médios para os combustíveis gasosos
Fonte: ECEN/2005
A equivalência calórica em relação a outras fontes de energia está apresentada na Tabela 2.5.
Tabela 2.5 Coeficientes de equivalência calórica das unidades (físicas) de medida
Fonte: ECEN/2005
Uma análise da emissão de gases quando de sua queima está apresentada na Tabela 2.6 (BERMANN, 2002) e, de acordo com a atual tecnologia empregada para a queima, o gás natural emite a menor quantidade de gás carbônico (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso. Além de apresentar baixos índices de emissão de óxido nítrico (NOx) e monóxido de carbono (CO).
Para De 1000 m3 Multiplicar por giga calorias tonelada equivalente de petróleo 10800 kcal/kg barril equivalente de petróleo tonelada equivalente de c. mineral 7000 kcal/kg giga joule milhões Btu megawatt- horas 860 kcal/kw Gás Natural Úmido 10,45 0,968 7,02 1,49 43,77 41,48 12,16 Gás Natural Seco 9,26 0,857 6,21 1,32 38,75 36,73 10,76 Gás de Coqueria 4,5 0,417 3,02 0,64 18,84 17,86 5,23 Gás Canalizado Rio de Janeiro 3,9 0,361 2,62 0,56 16,33 15,48 4,54 Gás Canalizado São Paulo 4,7 0,435 3,15 0,67 19,68 18,65 5,4 Para De Multiplicar por Oléo Combustível (m3) Gás Natural Seco (mil m3) Carvão Mineral 5200 (t) GLP (m3) Lenha (t) Carvão Vegetal (t) Óleo Combustível (m3) 1 1,09 1,94 1,56 3,06 1,48 Gás Natural Seco (mil
m3) 0,92 1 1,78 1,43 2,8 1,36 Carvão Mineral 5200 (t) 0,52 0,56 1 0,8 1,58 0,76 GLP (m3) 0,64 0,7 1,25 1 1,97 0,95 Lenha (t) 0,33 0,36 0,63 0,51 1 0,49 Carvão Vegetal (t) 0,67 0,73 1,31 1,05 2,06 1
Tabela 2.6 Coeficientes de emissão de gases tóxicos por combustível (Gg/Ktep)
Fonte: BERMANN (2002)
Perdendo em eficiência para as fontes renováveis (energia da biomassa e hidrelétrica), o GN apresenta resultados inferiores em termos de emissões gasosas que conduzem ao efeito estufa. Ao compará-lo à energia nuclear na geração de resíduos radioativos de alta periculosidade, percebe-se sua significativa vantagem. Outra vantagem é que ele não causa grandes impactos ambientais ao não precisar inundar áreas florestais ou deslocar e reassentar comunidades ou obstruir áreas produtivas, como ocorre com as hidrelétricas.
No que se refere à sua confiabilidade e segurança, ao compará-lo com a gasolina ou o querosene, o gás natural é menos inflamável, reduzindo os riscos de explosão ao ocorrerem acidentes no processo de transporte e manipulação: leva grande vantagem em relação ao gás liquefeito de petróleo (GLP), em função de que este é constituído de propano e butano (mais pesado que o ar), e ao ocorrerem vazamentos, a tendência é acumular-se ao redor do local de escapamento de gás, possibilitando a ocorrência de explosões por faíscas ou centelhas elétricas. Ao contrário, o GN por ser composto de metano e etano, torna-se mais leve que o ar, facilitando sua dispersão de maneira rápida.
Do ponto de vista econômico, uma característica importante do gás natural é que sua queima não provoca a deposição de impurezas nas superfícies de troca
GASES