Assim, os dados obtidos foram inicialmente processados no Programa Excel, versão 2007, com checagem de possíveis erros na digitação. Posteriormente, esses dados foram exportados para o Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 20.0. Realizaram-se as análises descritivas, com frequência absoluta e relativa dos dados socioeconômicos. Utilizou-se estatística simples e bivariada, do tipo qui-quadrado, adotando-se o nível de significância valor p<0,05.
Os dados obtidos com as questões semiabertas do instrumento foram transcritos e analisados, segundo os temas focalizados nos respectivos roteiros, por meio do ALCESTE, auxiliado pela análise de conteúdo de Bardin (2009).
Na etapa de preparo do material, mediante a identificação das variáveis, definiu-se o
corpus, conjunto de unidades de contexto iniciais (UCIs), neste estudo denominado Hospitais_RN, obtido após um rigoroso processo de digitação e correção ortográfica recomendado no uso do ALCESTE.
O corpus de análise formado pelo conjunto de UCIs foi projetado num único arquivo, após a codificação das variáveis, partindo-se do seguinte modelo:
Onde:
Suj = sujeitos da pesquisa
Pgt = pergunta – 167 = 01, 168 = 02; 169 = 03; 170 = 04; 171 = 05; 172 = 06 Loc = local da coleta de dados – Capital = 01; Interior = 02
Sex = Sexo – Fem=01; Masc=02
Prof = Profissão –= Enfermeiro = 01; Assistente social = 02; Psicólogo 03; Terapeuta ocupacional 04; Médico 05; Educador físico 06
Hosp = Hospital: HJM = Hospital Dr. João Machado = 01; HMSCL+Hospital Municipal São Camilo de Lélis=02
Nesse processo de preparo, separaram-se as respostas dos profissionais através de comando contendo asteriscos, considerando as variáveis elegidas. O processo de codificação das variáveis foi definido de modo a contemplar os seguintes pontos considerados relevantes: conter as perguntas utilizadas no roteiro de entrevista; identificar os sujeitos conforme a profissão, sexo, instituição.
No geral, o ALCESTE executa quatro etapas de análise, denominadas A, B, C e D, onde em cada uma delas acontecem operações específicas que possibilitam tratamento lexicográfico pelo programa.
Sucedendo o preparo, o corpus de análise representado pelos 60 questionários foi processado pelo ALCESTE versão 2010/2011 às 18h48min do dia 18/11/2014. Para tal, contou-se com o apoio valioso do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, especificamente, a Professora Eulália.
A análise léxica do ALCESTE produziu um conjunto de imagens, gráficos, dicionários, e emergiram cinco classes numéricas oriundas da repartição das UCEs, que, conforme Reinart (1990) representam o campo contextual.
Figura1 – Gráfico de distribuição e percentual de aproveitamento das classes das UCEs estabelecidas pelo ALCESTE obtidos dos profissionais de saúde. Natal/RN, 2014
Ainda como resultado do processamento informático, obteve-se o dendograma, que expressa as ramificações e ligações das cinco classes e os respectivos percentuais de aproveitamento.
Figura 2 – Dendograma de Classificação Descendente Hierárquica estabelecido pelo ALCESTE obtidos dos profissionais de saúde. Natal/RN, 2014.
5 RESULTADOS
Os resultados do estudo foram apresentados em formato de artigos científicos, considerando-se o objeto de estudo em questão, derivados da pesquisa de campo. Ressalta-se que os artigos serão encaminhados para revistas científicas com vistas a contribuir no campo de debates em torno da Reforma Psiquiátrica e na Enfermagem em saúde mental.
Quadro 3: Artigo produzido a partir dos resultados da tese
Título do artigo Qualis e Periódico a ser enviado
Link para acesso às normas das revistas selecionadas Perfil e práticas de
profissionais de saúde mental em hospitais psiquiátrico A2 Texto e contexto Enfermagem http://www.scielo.br/revistas/tc e/pinstruc.htm
A política de saúde mental no contexto do hospital psiquiátrico: desafios e perspectiva A2 Revista Brasileira de Enfermagem http://www.scielo.br/revistas/re ben/pinstruc.htm A atuação profissional e o processo de formação em saúde mental A2 Revista de Escola de Enfermagem de São Paulo http://www.scielo.br/revistas/re eusp/pinstruc.htm
No artigo I, Perfil e práticas de profissionais de saúde mental em hospitais
psiquiátrico, objetivou-se conhecer o perfil e as práticas dos profissionais de nível superior
em hospitais psiquiátricos. Os dados foram trabalhados com auxílio de um software estatístico, analisados através de estatística simples e bivariada, do tipo qui-quadrado. Como resultados, observou-se um perfil profissional predominante feminino, composto por enfermeiras, com idade entre 50 e 59 anos, renda média mensal de quatro salários mínimos, ampla experiência profissional, tanto na instituição de trabalho como na área, entretanto, um número reduzido delas declarou ter feito cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento em saúde mental.
No âmbito das práticas desenvolvidas, encontraram-se associações, no âmbito do atendimento individual, entre o projeto terapêutico e os cuidados de observação e anotação realizados pelos profissionais; no atendimento familiar, com a consulta em situação de crise; e, no atendimento em grupo, com a atividade recreativa. Identificou-se ainda associação entre quem segue a política de saúde mental e o atendimento individual, realizando sozinho e com outro profissional.
O segundo artigo, A política de saúde mental no contexto do hospital psiquiátrico:
desafios e perspectiva, objetivou analisar a opinião de profissionais de sobre a política de
saúde no contexto do hospital psiquiátrico. Os resultados foram estruturados em dois eixos temáticos: aspectos da política de saúde mental no hospital psiquiátrico; e aspectos da política de saúde mental no atendimento profissional.
Observou-se que, no campo das políticas públicas em saúde mental voltadas ao hospital psiquiátrico, sinaliza-se a confluência de cenários críticos e complexos que refletem diretamente na atuação dos profissionais, que vão desde aspectos ligados à macropolítica institucional até a própria assistência desenvolvida no cotidiano desse serviço. Reforça-se, portanto, a necessidade do cuidado humanizado em saúde mental e do diálogo intersetorial no conjunto de ações desenvolvidas nessa área.
No terceiro artigo, intitulado A atuação profissional e o processo de formação em
saúde mental, objetivou-se identificar aspectos ligados à formação profissional e à atuação em
saúde mental sob a ótica de profissionais de hospitais psiquiátricos. Os resultados foram estruturados em dois eixos temáticos e seus respectivos temas: Eixo temático I – Atuação profissional em saúde mental, e os temas: trabalho em equipe; atendimento profissional; hospital psiquiátrico X atenção psicossocial; e Eixo temático II – Formação em saúde mental, e temas: limites na formação acadêmica; e educação permanente.
Evidenciou-se a confluência de assimetrias e divergências na atuação das equipes no hospital psiquiátrico. O cenário encontrado reforça, em parte, o descompasso político e ideológico atual do processo de Reforma Psiquiátrica brasileiro.