Bölüm Hakkında İlgi Oluşturan Sorular Nasıl bir ışık yapmalıyız?
8.2. Işığın Dört Temel özelliği
Gilberto Gil é um pensador e um artista plural. Ao longo de sua vida, como conta em sua biografia Gilberto Bem Perto7, ouviu de tudo - desde a música erudita à música regional -, recebendo, em decorrência disso, as mais diversas influências musicais. Não obstante isso, de certa forma é possível dizer que o ex-ministro Gil sempre foi um homem articulado com seu tempo e com seu país, buscando, em razão disso, conectar as formas, os temas e os objetivos de suas canções aos problemas pelos quais a nação passava. Em virtude da soma desses dois fatores é que, no que se refere à Gilberto Gil, deve-se antes falar de entre-lugar do que de um lugar, no espaço dos vários posicionamentos - doutrinas, movimentos ou concepções estéticas - presentes no discurso literomusical brasileiro.
Em nossa análise, convocaremos, para os fins desse projeto de qualificação, apenas o posicionamento MPB, no qual Gilberto Gil se faz presente. Entretanto, caso esse projeto seja aprovado, para a dissertação, não descartamos, a depender da direção para onde nosso corpus nos levar, convocar outros posicionamentos, como Tropicália e Canção de protestos, para amadurecer as análises por nós realizadas. No que se refere à MPB, analisemos esta a partir de dois planos: histórico-social e literomusical.
Do ponto de vista histórico-social, pode-se dizer, consoante Napolitano (2002), que a sigla MPB surge em meados de 1965, visando caracterizar a eclética produção musical brasileira, na qual, por exemplo, Baião, Chorinho, Xaxado e Bossa Nova se articulavam e se davam a ver. Apesar disso, de acordo com Napoleão (2002, p. 46), a MPB, por mais heterogênea que fosse, sempre teve “seus valores estéticos e ideológicos, marcados pelo nacional-popular de esquerda e para um determinado passado, marcado pela ideia de resgaste da tradição musical considerada
7
31 autêntica e legitimamente brasileira.” Assim, esse posicionamento foi uma instância de legitimação e de atuação de certo espírito nacionalista, sendo um termo aglutinador da diversificada produção musical brasileira. Por consequência, em certo sentido, é pertinente dizer que boa parte da produção musical se encaixa em seu espaço. Ademais, cabe salientar que, além de buscar articular o tradicional e o moderno, a MPB é, como nos diz Farias (2011, p. 41), “caracteristicamente urbana, ligada à classe média e com um nível de qualidade difícil de definir”. No que se refere aos elementos literomusicais, Costa (2001) nos fala sobre os aspectos verbais, sobre os aspectos musicais e sobre os investimentos éticos e enunciativos dentro da MPB. Em relação aos aspectos verbais, os artistas que se dizem pertencentes à MPB procuram discutir um conceito de brasilidade e, além disso, transitar por várias realidades regionais, sociais e culturais brasileiras.
No que se liga ao primeiro fator, discutir um conceito de brasilidade, cabe dizer que se trata, antes de tudo, de uma atitude subversiva em relação à identidade brasileira erigida ao longo do tempo; como nos diz Costa (2001, p. 239), trata-se de mostrar o “caráter do brasileiro e do comportamento nacional sem subterfúgios, tentando desmitificar velhas concepções românticas que qualificam o brasileiro como um sujeito cordial, democrata racial, zeloso pelas coisas de sua pátria etc.”
No que se liga ao segundo fator - transitar por várias realidades regionais, sociais e culturais brasileiras -, pode-se dizer que é prática comum nas canções situadas no posicionamento da MPB tematizar as mais diferentes situações às quais o povo brasileiro está submetido. Algumas vezes, fala-se de roça e de sertão; outras vezes, fala-se da cidade e dos problemas urbanos. Tendo em vista isso, ainda consoante Costa (2001), pode-se dizer que a MPB assume uma posição paratópica em sua relação com a sociedade brasileira, na medida em que, ao mesmo tempo em que situa sua produção no espaço de uma dada realidade sócio histórica presente, aponta para outros modos de organização, situados em um futuro possível.
Sobre os aspectos mais diretamente musicais da MPB, trazendo à baila Costa (2012), pode-se dizer que o investimento genericomusical da MPB é bastante eclético. Isto é, nesse posicionamento, é possível encontrar os mais diversos gêneros musicais, como sambas, marchinhas, xaxados, etc. Ao encontro disso, unindo essa característica com o que foi discutido sobre os aspectos verbais da MPB, pode-se dizer que, nas canções, há uma união entre forma e conteúdo; visto que, se nos aspectos verbais, temas relacionados à brasilidade são convocados, no aspecto musical, isso também se faz presente, através dos gêneros musicais distintos oriundos das mais diversas regiões do país.
No que se liga ao investimento ético e enunciativo, como nos diz Costa (2001), a MPB traz para suas canções a imagem do cidadão brasileiro, discutindo a relação deste com temas relacionados à desigualdade social, à discriminação, à preservação da natureza e aos
32
movimentos emancipatórios. Além disso, de acordo com a argumentação do autor, a MPB costuma cultuar figuras representativas da sociedade brasileira, construindo, através da palavra, uma espécie de memória coletiva. Em decorrência desse caráter contestador, Costa (2001) chega a dizer que, de uma maneira geral, é possível falar em um ethos esquerdista para a MPB.
Os dois aspectos da MPB, histórico-social e literomusical, discutidos por nós nessa subseção, são de fundamental importância para a realização do objetivo de nosso trabalho, em particular, para a feitura da análise. Ao sabermos, por exemplo, qual o público consumidor de MPB, poderemos especular sobre o possível efeito de sentido gerado pela imagem discursiva do negro no espaço das canções de Gilberto Gil, debatendo com mais propriedade as possíveis consequências ético-políticas dessa forma de construção. Não obstante, poderemos discutir o quanto os aspectos mais diretamente literomusicais se relacionam com essa construção da negritude, uma vez que gêneros musicais oriundos, por exemplo, da Black Music norte- americana8, podem ser convocados para o espaço das canções, reforçando, através de elementos músico-formais, a construção da imagem do negro.
Após entendermos o posicionamento da MPB e a relação de Gilberto Gil com este, apresentamos a trajetória do movimento negro nas décadas de 70 e 80, visando, posteriormente, articular essa trajetória com a imagem discursiva do negro construída no espaço das nas canções de Gilberto Gil.