Na particularidade das instituições pesquisadas encontram-se os assistentes sociais na condição de trabalhadores inseridos no mercado, integrando a divisão social e técnica do trabalho, portanto, participando de um trabalho cooperativo, onde através do trabalho concreto são:
(...) mediados por um contrato de compra e venda de sua força de trabalho que, a exemplo de qualquer mercadoria, tem valor de uso e de troca. A sua força de trabalho passa a ter um valor de uso no processo de trabalho das instituições contratantes, sendo, portanto consumida em função do atendimento a uma determinada necessidade humana, cujo efeito é ser útil como trabalho ou atividade (...). (NICOLAU, 2005, p. 163)
Sendo assim, o Serviço Social pela sua condição de trabalhador assalariado é tensionado pela relação de compra e venda da força de trabalho estabelecida pelo empregador, que fornece para o assistente social os meios e instrumentos de trabalho do qual necessitam, dependendo das instituições para exercer suas atividades. Logo, os recursos humanos, financeiros, físicos, salário, carga horária, contrato de trabalho, as metas a serem atingidas, dentre outras, dependem da disposição dos empregadores, como também a própria definição do recorte da questão social que será trabalhada pelo assistente social, uma vez que “seja nas instituições públicas ou nos espaços empresariais e privados (...) os profissionais não disponham nem tenham controle sobre todas as condições e os meios de trabalho postos à sua disposição no espaço institucional”. (RAICHELIS, 2011, p.428).
Neste sentido, busca-se analisar as condições e relações de trabalho do profissional em cada instituição, que demandam diferentes situações para o assistente social, em que “o exercício profissional sob a órbita do Estado, das empresas capitalistas e as entidades privadas/filantrópicas não lucrativas tem efeitos e significados distintos pelo processo de reprodução das relações sociais” (IAMAMOTO, 2011, p. 425). Portanto, na análise desta questão atenta-se para os seguintes aspectos: a) vínculo empregatício nas diferentes instituições b) dificuldades institucionais c) situação salarial e carga horária; d) relações de trabalho nas instituições: usuários, família e demais profissionais e) análise das dificuldades conjunturais no exercício profissional; e f) principais dificuldades subjetivas profissionais.
Compreendendo que essas questões são importantes para a análise das condições e relações de trabalho e são estudadas não de maneira separada, mas interligadas, pois uma situação demanda o entendimento da outra para análise geral das condições e relações de trabalho.
A primeira questão referente à análise das condições e relações de trabalho trata-se dos vínculos empregatícios, conforme leitura do gráfico abaixo, que expressa à quantidade de vínculos por profissional em relação a sua área de trabalho.
Gráfico 2- Vínculos Empregatícios
3
2 2
1 Apenas tem vínculo com a
instituição pesquisada. Até 2 vínculos
Até 3 vínculos Até 4 vínculos
Fonte: Elaboração própria- fonte primária (2013)
Observe-se que dos 08 (oito) profissionais entrevistados, apenas 03(três) possuem vínculo com a instituição pesquisada, correspondente a 37,5%, enquanto 05 (cinco) profissionais se distribuem entre dois, três e quatro vínculos, em um percentual de 62,5%. Representa um número significativo de profissionais inseridos de forma precária no mercado de trabalho para o Serviço Social na área da educação, uma vez que mais da metade dos profissionais precisam se vincular a duas ou mais instituições para conseguir condições satisfatórias de vida.
Os dados apontam para uma questão inerente a uma nova cultura do trabalho constituída no contexto da mundialização do capital, sob a égide do capital financeiro e orquestrado pelo neoliberalismo65que intensificam a situação de jornadas de trabalho como uma das formas de precarização do trabalho66, não apenas na profissão de Serviço Social, como também nas demais profissões. Apreende-se nesta análise a necessidade desses profissionais possuírem mais de um vínculo empregatício para suprir suas condições financeiras ou até mesmo de sobrevivência, o que demonstra as condições precárias que intensificam o trabalho e diminui cada vez mais a remuneração como retorno deste trabalho. Neste sentido Guerra (2010, p. 6) adverte:
Comparece hoje nos espaços laborais do assistente social o crescente aumento de profissionais que possuem mais de um vínculo de trabalho, o que caracteriza o pluriemprego, bem como se observa a inserção socioprofissional em duas ou mais políticas sociais, rotatividade no emprego, instabilidade e insegurança, jornada de trabalho extensa (cumpre carga horária de mais de dez horas diárias de trabalho).
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Na era da acumulação flexível, as transformações trazidas pela ruptura com o padrão fordista geraram outro modo de trabalho e de vida pautado na flexibilização e na precarização do trabalho, como exigências do processo de financeirização da economia, que viabilizaram a mundialização do capital num grau nunca antes alcançado. Houve uma evolução da esfera financeira, que passou a determinar todos os demais empreendimentos do capital, subordinando a esfera produtiva e contaminando todas as práticas produtivas e os modos de gestão do trabalho.(DRUNK, 2011, p. 42)
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Segundo Franco e Druck (2009) elaboraram uma tipologia da precarização, aqui retomada para agrupar alguns indicadores selecionados para a realidade brasileira, dentre eles se destacam: O primeiro tipo da precarização do trabalho: vulnerabilidade das formas de inserção e desigualdades sociais; Segundo tipo de precarização: intensificação do trabalho e terceirização; Terceiro tipo de precarização social: insegurança e saúde no trabalho; Quarto tipo de precarização social: perda das identidades individual e coletiva; Quinto tipo de precarização do trabalho: fragilização da organização dos trabalhadores; O sexto tipo de precarização social do trabalho: a condenação e o descarte do Direito do Trabalho.
A propósito da instabilidade e insegurança que são características da precarização do trabalho, observa-se que a maioria que possuí apenas um vínculo empregatício são pessoas concursadas, ou seja, que tem certa estabilidade e remuneração suficientes para atender suas necessidades e tem seus direitos “garantidos” enquanto trabalhador, os quais oferecem estabilidade e segurança, do contrário, possibilitam a procura de outros vínculos empregatícios.
Porém, não é uma regra geral, uma vez que se apresenta também concursados com até 03 (três) vínculos empregatícios, o que traz um dado reflexivo sobre o aumento da precarização no sentido do desmonte da legislação protetora do trabalho, onde a flexibilização desta “aumenta ainda mais os mecanismo de extração do sobretrabalho, amplia as formas de precarização e destruição dos direitos sociais arduamente conquistados pela classe trabalhadora” (ANTUNES, 2011, p.109).
Neste sentido, tem-se o argumento de um assistente social entrevistado:
“Ao mesmo tempo eu faço um parâmetro que não é só o assistente social que passa por isso, mas, por exemplo, eu não sou só funcionária da instituição eu também tenho outros vínculos nos municípios e em faculdades, porque nós precisamos sobreviver, nós precisamos dar conta das obrigações que nós temos, então não colocaria como dificuldade, mas como uma necessidade que a gente vê que outros profissionais, independente das suas especificidades, eles também acabam tendo essa necessidade de mais de vinculo para poder sobreviver. É uma necessidade que se pudesse ser remunerada de forma que desse para viver bem e ficasse só num vinculo seria ótimo, mas não é a realidade”. (AS.8)
Desta maneira, os dados do gráfico e a afirmativa exposta destacam e confirma a precariedade do trabalho, que torna, muitas vezes, impossível o trabalho em um único lugar oferecer condições satisfatórias para a sobrevivência e qualidade de vida para o profissional, o que implica numa descontinuidade do trabalho realizado nas instituições e incidência de um trabalho fragmentado, além da não realização e insatisfação profissional e pessoal.
Esta precarização também se encontra na instabilidade e insegurança do emprego, na redução dos direitos trabalhistas, no aumento ou flexibilização da jornada de trabalho a que são submetidos os assistentes sociais inseridos na educação. Neste sentido Guerra (2010, p. 719) fala da precarização do exercício profissional no mundo do trabalho, quando enuncia:
A precarização do exercício profissional se expressa por meio de suas diferentes dimensões: desregulamentação do trabalho, mudanças na legislação trabalhista, subcontratação, diferentes formas de contrato e vínculos que se tornam cada vez mais precários e instáveis, terceirização, emprego temporário, informalidade, jornadas de trabalho e salários flexíveis, multifuncionalidade ou polivalência, desespecialização, precariedade dos espaços laborais e dos salários, frágil
organização profissional, organização em cooperativas de trabalho e outras formas de assalariamento disfarçado, entre outras.
Por outro lado, a situação de possuir mais de um vínculo empregatício gera também uma falsa imagem de “estabilidade” quando o assistente social afirma: “Todas as instituições querem o meu trabalho por 30h, eu que não quero” (AS. 4). Em outra situação, apenas um emprego contratado não oferece condições salariais e de instabilidade que satisfaçam as necessidades pessoais e profissionais, daí o desinteresse em trabalhar 30 horas. A redução da jornada de trabalho possibilita ter vários empregos na intenção de conseguir satisfazer as necessidades de melhoria salarial e ter certa “estabilidade”. Reforçando esta reflexão a entrevistada enuncia “Como eu conquistei isso e na parte financeira é muito bom, além da estabilidade dos empregos, não trabalha num lugar só (...) eu não me sinto confortável num lugar só, dá mais estabilidade”. (AS. 4)
Este profissional torna-se “aquele profissional que se converte em empresário de si” (DRUCK, 2011, p.47). Sendo esta situação possível principalmente nas instituições escolares de cunho privatista, pois é permita com maior facilidade a “flexibilização” dos horários, até pelo caráter mais empresarial destas.
Entretanto, essa questão é fruto da “desvalorização simbólica e real, que condena cada trabalhador a ser o único responsável por sua empregabilidade, deixando-o subjugado à ‘ditadura do sucesso’”(DRUCK, 2010, p.50). Isto é, tal situação coloca o sucesso no trabalhador ao ponto que ele se torna o único responsável por sua estabilidade e, não no sistema econômico/político que dita às regras do mundo do trabalho e sua precarização. Por isso, alguns profissionais escolhem não trabalhar apenas em um lugar, pois buscam o “sucesso” profissional que acreditam ser conquistado trabalhando em vários espaços pela “estabilidade” financeira e empregatícia.
A questão dos vínculos empregatícios aponta a precarização do trabalho do assistente social, o qual se representa como uma dificuldade, uma vez que a falta de tempo que dispõe nas escolas, principalmente pela necessidade de trabalhar em outras instituições, levam a falta de planejamento do trabalho e a necessidade de outros profissionais, assim como outras dificuldades, que se caracterizam por dificuldades institucionais enfrentadas pelos assistentes sociais nos espaços educacionais.
As dificuldades institucionais encontradas permitem também conhecer a realidade vivida na instituição e acrescenta a análise das condições e das relações de trabalho podendo- se destacar:
Tabela 3-Principais dificuldades encontradas nas institucionais de ensino pelos assistentes sociais
Fonte: Elaboração própria - fonte primária (2013)
Pode-se identificar que a dificuldade majoritária por parte dos assistentes sociais nas instituições se caracteriza pela pequena quantidade de profissionais do Serviço Social para responder a grande demanda de atividades, principalmente às atividades de seleção de bolsas e de inserção nos programas institucionais. Consequência desta dificuldade se apresenta outra, que é unanime também nas instituições: o planejamento.
O assistente social em virtude da grande demanda que advém de forma imediata e de poucos profissionais atuantes na área fica sobrecarregado de trabalho e, na sua maioria, não consegue ter um planejamento das atividades, o qual representa o fruto da atual sociabilidade capitalista que demandam respostas focalizadas, imediatistas, com o mínimo de custo com o quadro de pessoal e o máximo de eficiência, sobrecarregando o exercício profissional e “tecnificando” suas ações, sem um real planejamento, pois as atividades desenvolvidas de forma imediata limitam e impossibilitam, na maioria das vezes, o planejamento das ações, precarizando ainda mais o trabalho do assistente social.
ESCOLAS PRIVADAS/FILANTRÓ-
PICAS
• Pouco tempo que a escola dispõe para desempenhar todas as atividades;
• A falta de outros profissionais para atender a grande demanda;
• Não continuidade das atividades e falta de planejamento destas.
INSTITUIÇÕES FEDERAIS PÚBLICAS
DE ENSINO
• As questões de espaço físico, planejamento e recursos; • Relações de poder e hierarquia na instituição;
• Pouca quantidade de profissionais de Serviço Social.
• A questão do pequeno número de profissionais para trabalhar com a grande demanda de bolsistas;
• Divergências de concepções sobre a educação por parte dos outros profissionais.
Essas atividades se apresentam como uma rotina de grande dificuldade expressa na seguinte fala do profissional entrevistado:
“A gente tem uma série de embates e desafios que diariamente nos coloca a dar respostas imediatas e objetivas, porque nós temos necessidades objetivas ali, temos demandas objetivas que pedem uma resposta que o aluno não vai querer explicação da dimensão seletiva, ele quer saber por que não foi ele, quer saber se vai ser ou não contemplado (AS.1).
A situação colocada pelo assistente social demanda respostas rápidas pelas necessidades urgentes dos alunos que, na maioria das vezes, são demandas trabalhadas por poucos profissionais ou até mesmo por apenas um para responder a um universo aproximado de 600 ou mais alunos inscritos. Esta questão fragiliza o exercício profissional, pois como se pode ter um trabalho com qualidade na área da educação se não há condições efetivas para que isso ocorra, com a realidade do quadro de trabalhadores que possam estar dividindo e maximizando as atividades?
Por sua vez, as dificuldades relativas às questões materiais e físicas nas instituições também influem na maneira e forma que são conduzidas as atividades desenvolvidas dos profissionais, além de demonstrar as condições de trabalho encontradas no âmbito da educação, pois dependendo das estruturas físicas e materiais o trabalho se torna inclusive improvável de ser realizado, sendo um direito do assistente social com relação às instituições empregadoras: “dispor de condições de trabalho condignas, seja em entidade pública ou privada, de forma a garantir a qualidade do exercício profissional” (Código de ética, 1993, Capítulo II- Artg7°, alínea a) para a efetivação e realização de suas atividades.
Destaca-se, então, numa das instituições de ensino federal um aspecto bastante complicado em relação às condições de espaço de trabalho: a falta de um espaço físico para os atendimentos individuais do assistente social com os usuários. O assistente social não possui uma sala que possa atender individualmente o aluno, o que existe é um espaço aberto para todos os profissionais, em que o usuário chega e fala das suas necessidades e todos os presentes escutam, gerando constrangimento e um erro ético gravíssimo no atendimento profissional, uma vez que “o sigilo protegerá o/a usuário/a em tudo aquilo de que o/a assistente social tome conhecimento, como decorrência do exercício da atividade profissional” e o que de fato acontece é revelado no depoimento seguinte:
“O sigilo das informações e da privacidade dos usuários, o único espaço de atendimento é esse. Nós não temos um espaço de trabalho, isso é uma solicitação nossa de muito tempo, inclusive informando
a gravidade disso, porque o aluno como não bastasse socializar a vida dele para ter acesso ao beneficio, ele ainda tem que estar fazendo isso sem a menor condição de privacidade, é terrível. A gente tem que falar baixo, o profissional tem que estar desenvolvendo uma percepção, aguçar os sentidos dele, porque tem que estar atento quando o sujeito está numa situação mais fragilizada, que é o cúmulo ele ter que falar dividindo com outras, mesmo sendo profissionais não interessa. Então, isso é uma situação que para nós é grave, já foi solicitado várias vezes, mas a gente continua com essa dificuldade de um acesso adequado de trabalho.” (AS.1)
Observa-se, então, a grande dificuldade do assistente social em lidar com essa situação. Apesar das reivindicações realizadas várias vezes pelos profissionais, a instituição não tem feito nada para solucionar esse problema, o que resulta numa questão muito complicada e complexa para o profissional, uma vez que se trata do sigilo das informações e preservação da vida pessoal e privada dos usuários.
O assistente social necessita conhecer a vida do estudante a fim de garantir a inserção deste em algum programa social e, por isso, faz-se de extrema importância à preservação desse sujeito marcado, muitas vezes, por questões difíceis de família e de vida o que se torna constrangedor não só para expor a um profissional - mas pela falta de um espaço próprio- a todos que estão presentes, precarizando as condições de realização do trabalho do assistente social e dos seus usuários.
Por sua vez, com relação às instituições privadas/filantrópicas as condições físicas e materiais para o exercício profissional do assistente social vão trazer bastantes elementos divergentes de acordo com o caráter da instituição, que na maioria delas, apresentou condições de trabalho difíceis no inicio da inserção do profissional, pois foi extremamente complicado o reconhecimento do seu trabalho e as condições de trabalho também: “O trabalho quando cheguei aqui foi muito difícil a gente não tinha sala, tinha que dividir com o psicólogo, eu não tinha nada da escola (AS.7).
Entretanto, atualmente com as atitudes dos profissionais de queixas e solicitações a direção da escola, conforme depoimento do assistente social: “eu falava para irmã: - olha, eu tenho que atender o pai bem, ele é um cliente nosso, é sigiloso o meu trabalho, eu não ficar atendendo em qualquer local, eu não posso ficar com o material em cima do birô, isso tudo foi aos pouquinhos, mas não foi NADA fácil” (AS.7) mudou a situação, de forma gradativa e enfrentando muitos desafios no âmbito das relações na instituição foi melhorando consideravelmente em algumas instituições.
As conquistas por espaços de trabalho tornou-se um aspecto no âmbito institucional gerador de conflitos e de insatisfação no trabalho do profissional, com possibilidades de afastamento e pedido de demissão. Apreende-se nesta análise que outras necessidades de
melhorias ainda estão em processo de luta e conquista, como por exemplo, a ampliação do número de profissionais, porém sobre o espaço de trabalho, referentes às condições físicas e materiais para o desempenho das atividades já foram atendidas satisfatoriamente.
Percebe-se que nas demais instituições, principalmente nas instituições federais públicas, as dificuldades institucionais dos assistentes sociais se apresentam um pouco mais conflituosas, tanto por causa do embate político de projetos societários diferentes do profissional com o da instituição, quanto por questões físicas, materiais e humanas que as instituições não disponibilizam, sejam por questões financeiras ou pelo não reconhecimento da necessidade reivindicada pelos profissionais.
Em se tratando das dificuldades do assistente social nas instituições privadas/filantrópicas quanto as relações de trabalho estas se apresentam pelos profissionais, atualmente, como “não existem dificuldades institucionais”, “a relação é extremamente boa” ou é “harmônica”, mas na realidade os conflitos são menores e a adaptação às condições da instituição maiores pelo fato de o assistente social ser um trabalhador contratado, podendo a qualquer momento ser despedido e, por isso, mantém as dificuldades com a instituição de forma mais “harmônica” possível, conquistando alguns direitos e melhores condições de trabalho de maneira mais ponderada, mostrando a instituição o que a instituição “ganha” como o seu trabalho.
Duas outras dificuldades com relação às instituições federais devem ser levadas em conta por serem questões também bastante complexas e que chamam a atenção: a situação de hierarquia e de poder que dificultam o trabalho do assistente social:
“As relações de poder na instituição, elas são muito fortes (...) que são as relações de poder de fazer uso dos aparatos dos benefícios sociais. Por exemplo, nós temos uma orientação de negativa ao acesso a um determinado programa, porque a inscrição já se encerrou, porque já estamos em outra etapa do programa, o aluno vem e a gente explica que não tem mais como ele participar, até porque a gente precisa de uma organização do trabalho, porque nesse momento a gente não tem como atender, porque a gente vai precisar atender logo todos que já estão inscritos, e aí o aluno vai falar com a pró- reitora e ela vai mandar atender. Então é uma lógica que a gente já conhece ou todos os alunos passam pelos mesmos processos e tem um aluno que não quer passar, fala com a pró-reitora e ela vai mandar inserir, então o nível de paternalismo que vai criando a partir das relações de poder que são construídas dentro da instituição. Não que a gente não queira que o aluno tenha acesso ao programa, porque o nível de acesso se dá a partir de um favorecimento ou de uma decisão arbitraria do gestor,