2. ZEYTİNYAĞI ÜRETİM PROSESİNİN TANIMI, VE
2.2 Karasuyun Yapısı, Oluşumu ve Fiziksel, Kimyasal Özellikleri
2.2.3. Hydroxytyrosol ve Tyrosol
2.2.3.1. Hydroxytyrosol ve Tyrosol tayini ve analiz yöntemleri
Junod intitula nação não a tribo ou etnia “tsonga”, mas cada clã. Ele admite que não há um sentimento de unidade dos “tsongas”; a sua unidade supostamente se encontraria na linguagem e em alguns costumes comuns, mas a unidade nacional seria o clã. Junod estudou principalmente dois clãs “tsongas”: (1) os ncunas do Zoutpansberg e (2) os magaias do es- tuário do Incomáti. O objetivo de Junod era descrever o suposto clã “tsonga”, ou mesmo banto, típico; e não uma etnia ou império, como o Reino de Gaza que já tinha sido destruí- do. Neste clã típico, Junod destaca a figura do chefe, dos conselheiros, da côrte e do exérci- to:
Nesta pequena comunidade [clã] o chefe é o centro da vida nacional. É nele que o clã se torna consciente da sua unidade. Sem ele, perde o seu signi- ficado; perde de qualquer modo o seu cérebro. A concepção republicana está o mais afastada possível das ideias e dos instintos destes povos. Por isso é ne- cessário descrever em primeiro lugar os costumes relativos ao chefe. Em se- guida estudaremos o papel dos conselheiros, uma instituição que reforça e li- mita o primeiro. Uma vez delineado o sistema político destes reinos minúscu- los, consideraremos a côrte e o exército, os dois campos em que a vida nacio- nal se manifesta principalmente. (ibidem, v. 1, p. 378-379)
Mas Junod afirma que o chefe não poderia abusar da sua autoridade, isso não era comum. Pelo contrário, os chefes, em determinadas ocasiões, até desempenhavam as funções dos súditos:
Um belo dia, passando na colina de Ricatla, chego a um campo e, à sombra duma árvore magnífica, encontro três indivíduos, as três mais podero- sas personagens da região, acocorados modestamente e ocupados em afugen- tar os pardais que destruíram a sua plantação de sorgo. Eram Mosila, o pe- queno chefe, Maquâni, seu primeiro conselheiro, e a mãe do chefe, entregues a este trabalho maçador como os mais humildes dos seus súditos! Este mesmo Mosila tinha vários irmãos, mais novos, um dos quais era o pastor dos nossos bois. Recebia um salário de dez xelins por mês. Ora este rapaz adoeceu. Cho- via torrencialmente nesse dia. Quem vejo chegar às 10 horas da manhã, abso- lutamente encharcado pelo dilúvio que fazia? Mosila, o chefe, que me diz: “Guardo os bois em vez de meu irmão... e vim para te prevenir que vou levá- los ao bebedouro!” (ibidem, v. 1, p. 394, nota 1)
Alguns chefes, segundo Junod, abusavam da sua autoridade. Normalmente, aqueles que conquistavam aldeias e clãs pela força militar – como Tchaca, Lubengula ou Gungu- nhana –, agiam como déspotas para manter a autoridade usurpada. Mas Junod considera estes exemplos como fruto de um desenvolvimento posterior do sistema político “tsonga”, dos clãs (cf. ibidem, v. 1, p. 420).
No sistema político dos clãs, como foi destacado por Junod, era possível ocorrer, em determinadas ocasiões, a deposição de um chefe ou a transgressão da lei da sucessão:
Os anais da tribo ncuna dão um exemplo da deposição não de certo homem, mas do ramo primogénito da família real, por causa dum acto que fe- riu os sentimentos de humanidade do clan. Já encontramos o nome de Chit- lhelana, filho de Ncuna, que viveu há cerca de 300 anos. A sua primeira mu- lher era N’uahubiana. Quando estava muito velho e muito doente, esta mu- lher, que receava que ele morresse na palhota dela, expulsou-o e ele foi obri- gado a refugiar-se na palhota duma outra das suas mulheres, N’uantimba, mãe de Rinono. Foi lá que ele morreu. Os chefes da povoação reuniram-se e disseram: “Se N’uahubiana expulsou o marido da palhota dela, também ex- pulsou os direitos de seu filho à realeza. Ele não reinará. Reinará Rinono por- que é filho da mulher que cuidou do chefe doente”. Esta história, onde vemos a sagrada lei da sucessão transgredida por uma razão moral, é muito curiosa, porque ilustra bem a concepção do clan no que respeita à realeza e prova que, mesmo nos tempos antigos, os sentimentos de humanidade podiam pesar mais, na tribo, que qualquer disposição da lei real. (ibidem, v. 1, p. 421, nota 1)
Junod afirma que a aldeia do chefe do clã não é chamada múti como as outras, mas nt- sindja, a capital. Nesta capital há uma praça pública (hubo) onde se reúnem os homens da redondeza (bandla), entre estes súditos, que vêm cortejar o chefe, e outras personagens da côrte estão: (1) os conselheiros (tinduna), (2) os favoritos ou mensageiros (tinxécua), (3) o arauto (mbôngui) e (4) o insultador oficial (chitale chá tico). Os conselheiros (tinduna), que formam uma espécie de gabinete do chefe, dividem-se em algumas categorias: (a) os conse- lheiros principais (lèticulo), (b) os conselheiros do exército ou generais (tinduna tá iimpi), e (c) os conselheiros que tratam dos negócios estrangeiros. Os favoritos ou mensageiros (tin- xécua) são da mesma geração do chefe e do seu círculo de amigos, geralmente vivem perto da capital (ntsindja) e sempre estão prontos a responderem suas chamadas, mas não possu- em uma autoridade oficial. O arauto (mbôngui) é um indivíduo de “peito bem aberto”, ou seja, muito inteligente e eloquente. Este arauto vai todas as manhãs exaltar à porta da palho- ta do chefe os altos feitos dos seus antepassados, mas acrescenta os maus cumprimentos (sandja) ao chefe, este último seria um preguiçoso em comparação com seus antepassados. O chefe, por sua vez, não se aborrece e o arauto é mais respeitado. O arauto costuma acom- panhar o chefe nas visitas aos brancos e, no coroamento do chefe, é ele que canta o louvor. Outra personagem intrigante é o insultador oficial (chitale chá tico):
É uma espécie de louco da côrte que tem o direito de “vomitar” os in- sultos mais graves, os mais ultrajantes para todos os dependentes do país [clã]. Nunca ataca estrangeiros, mas goza de perfeita imunidade, porque só injuria seus compatriotas. Nem o próprio chefe está ao abrigo da sua língua terrível. (...)
É difícil compreender a razão deste costume singular. Será o chitale um censor público a quem a tribo dá carta branca para dizer em alta voz ver- dades que talvez ninguém se atrevesse a pronunciar? (ibidem, v. 1, pp. 437- 438)
Junod afirma que não há separação de poderes na côrte “tsonga”, porque o chefe, com a colaboração de seus conselheiros, conserva em suas mãos os poderes executivo, legislati- vo e judiciário.
Um debate entre os indígenas é conduzido duma maneira muito dife- rente daquilo a que estamos habituados, pois nada entre eles se submete a vo- tação. O chefe preside. As propostas são feitas em frases curtas por um conse- lheiro, geralmente sob a forma de interrogação. A assemblea escuta silencio-
sa, até que aquele que fez a proposta conclui com um enérgico: Ahina!, ou se- ja “Perfeitamente!” Outro indivíduo diz: “Não ouvistes o que ele disse? Ele disse isto e aquilo.” Esta é a maneira de apoiar a proposta. O debate continua e dentro em pouco a assemblea alcança a decisão.
Muitas vezes o chefe não pronuncia uma palavra. Quando vê que os seus conselheiros estão de acordo e ele concorda também, exprime simples- mente o seu assentimento inclinando a cabeça. A decisão é obtida sem a in- tervenção e sem ser necessário recorrer a votações. A opinião da maioria não é confirmada pelo levantar de mãos, mas é percebida por uma espécie de intu- ição. Os conselheiros ficam sentados gravemente em círculo durante as dis- cussões, e dispersam-se em seguida, no conhecimento perfeito do decidido. Se os conselheiros não chegam todavia a acordo, remetem a questão ao chefe, e o chefe depois de ter escutado os argumentos pró e contra, “corta o negó- cio” (tjéma mhaca) com algumas frases curtas, depois das quais cada um de- ve pronunciar a saudação real: Baièté! (ibidem, v. 1, p. 442)
Junod afirma que os “tsongas” têm um sentido muito forte de justiça. Para eles a lei é o costume, o que sempre se fez, e o hábito de participarem das discussões da praça pública (hubo) desenvolve entre eles o sentido da lei. Porém este sentido de justiça, segundo Junod, difere o sentido europeu em certos aspectos. Por exemplo, para os “tsongas”, por causa das suas noções coletivistas, os parentes são responsáveis pelas dívidas contraídas por qualquer membro da família. Junod ressalta que os “tsongas”, assim como os bantos em geral que vivem uma vida tribal, são pessoas pacíficas e respeitadoras da lei, sendo raros os crimes quando não abusam do álcool. A situação dos nativos que viviam nas proximidades das ci- dades seria diferente, “muitos homens degenerados e mulheres dissolutas” (ibidem, v. 1, p. 445). Junod cita alguns casos (milandjo) que são levados aos tribunais “tsongas”: divórcio, adultério, homicídio, feitiçaria19 e insultos (cf. ibidem, v. 1, pp. 443-454).