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HUKUKA AYKIRI ARAMA

Belgede Adli arama ve önleme araması (sayfa 135-145)

Parte-se agora para as discussões sobre as condições que a província de Cabinda oferece para implementar uma política de EA, iniciando as considerações a partir da análise

do atual contexto socioeconômico. Vive-se num período de intensas mudanças no contexto do processo multidimensional da globalização, das revoluções técnico-científicas, das transformações das divisões do trabalho e produções dos bens materiais e simbólicos, o que tem causado profundas mudanças na economia e na cultura. Tais modificações geram fenômenos de desequilíbrios ecológicos que se alastram, e se não forem impedidos ameaçarão a vida na Terra. Esses modos ameaçadores de vida humana aumentam com o crescimento demográfico:

O número crescente de indivíduos que passam a ocupar o mesmo nicho, dentro da biosfera, ou seja, cada vez mais pessoas adotam os mesmo padrões de consumo, em todo o mundo exercendo pressões crescentes sobre uma mesma categoria de recursos finitos ou cuja velocidade de regeneração não está sendo observada (DIAS, 2003, p. 92).

Outro efeito destacado a partir da globalização seria a perda da diversidade cultural já que se diluem os limites entre o nacional e o internacional, onde o nacional passa a ser transnacional, encurtando as distâncias. Existe uma disseminação de conteúdos, modos de vida e formas de lazer americano, projetado pela mídia mundial, despertando nas pessoas o

desejo de “ter” e “ser” assim, sem às vezes nem mesmo possuírem condições econômicas,

sociais, culturais e ecológicas para tal. Tal cultura unidimensional reúne aspectos que se traduzem em estados de insatisfação, frustração, estresse e violência e a reprodução de uma característica moderna, a mesma de espécies sob estresse ecossistêmico, denominada por DIAS (2003): todos contra todos.

O modelo de desenvolvimento econômico vigente por meio de diversos processos e instituições financeiras internacionais gera uma situação socioambiental insustentável. Tal modelo baseia-se no lucro a qualquer custo, que está ligado ao aumento da produção, em que os recursos naturais são utilizados sem critérios, vistos como infinitos, sendo o consumo dessa produção estimulado pela mídia. Isso produz uma maior pressão sobre os recursos naturais causando degradação ambiental e refletindo na perda da qualidade de vida. Muitas vezes o que foi degradado pode ser recuperado através de empréstimos feitos ao sistema financeiro internacional que já havia lucrado com a degradação desse ambiente.

Este lucra novamente ao cobrar juros dos empréstimos realizados, aumentando a dívida externa, comprometendo finanças e o orçamento interno dos países. Este cenário passou a orientar a conduta das sociedades na maior parte dos países que exercem alto poder de pressão de consumo sobre os recursos naturais. Para sensibilizar as pessoas sobre essa

questão, a EA é considerada uma importante ferramenta, mas seria necessário ainda promover uma mudança estrutural mais profunda, pois se observa que existe;

De um lado, o desenvolvimento contínuo de novos meios técnico-científicos potencialmente capazes de resolver as problemáticas ecológicas dominantes e determinar o reequilíbrio das atividades socialmente úteis sobre a superfície dos 153 paises do planeta e, de outro, a incapacidade das forças sociais organizadas e das formações subjetivas constituídas de se apropriar desses meios para torná-los operativos (GUATTARI, 1990, p. 12).

As instâncias executivas e as formações políticas não conseguem resolver essa problemática, apesar de estarem inicialmente inclinados a solucionar uma parcela dela no que se refere às questões naturais, abordando apenas o campo dos danos industriais, sem articular o meio ambiente, as relações sociais e a subjetividade dos indivíduos.

A questão é de como se viver pensando num futuro onde as pessoas tenham qualidade de vida e os recursos naturais sejam conservados e utilizados de modo sustentável, diante desse contexto do desenvolvimento desenfreado dos artifícios técnico-científicos, do considerável crescimento demográfico e de uma economia que objetiva o crescimento o lucro

e continua a gerar desemprego, marginalidade e estresse? Segundo GUATTARI (1990), “Não

haverá verdadeira resposta à crise ecológica a não ser em escala planetária e com a condição de que se opere uma autêntica revolução política, social e cultural reorientando os objetivos

da produção de bens materiais e imateriais”. Considerando a EA no caso angolano observa-se

que há uma política de EA, que tem como objetivo sensibilizar as pessoas para uma mudança de valores e atitudes buscando um ambiente sustentável e uma melhora na qualidade de vida, o que exige que as instituições cumpram o papel de difundir essa educação.

Porém o modelo econômico vigente faz com que o mercado continue produzindo em larga escala, gerando uma pressão sobre os recursos naturais e estimulando as pessoas a consumirem cada vez mais. Ou seja, existem relações de poder entre grupos em conflito dentro do Governo sem que predominem grupos que defendem o modelo de desenvolvimento econômico em vigor, disputando espaço com outros que se preocupam com os efeitos dessa economia sobre o meio ambiente. O governo tem buscado implementar uma política de EA e conseguido produzir alguns efeitos nas instituições na busca de sensibilizar as pessoas e transformar o ambiente em que se inserem, mas enfrenta uma correlação de forças que impede tais mudanças. Por mais que as instituições se esforcem para promover uma tomada de consciência socioambiental em sua comunidade, quando as pessoas se deparam com a

realidade, encontram uma barreira grande proporcionada pelas próprias condições oferecidas pela conjuntura socioeconômica.

Para ilustrar essa análise pode-se citar exemplos observados nos modelos econômicos, os ditos programas de desenvolvimento integrado. No caso de algumas comunidades da província, em que parte das populações vive em condições de pobreza e não possuem condições básicas de moradia, estas comunidades são sensibilizadas ou forçadas de uma forma indireta a viver de alternativas pouco comuns e são instruídos a separarem o lixo para posteriormente ser reciclado. Observa-se que eles não têm condições estruturais para realizar tal ação, pois não existe uma coleta seletiva no bairro e muitas vezes nem a coleta normal, pois o caminhão de lixo não entra na comunidade.

A própria Administração Provincial só realiza coleta seletiva em alguns bairros da cidade, pois sua estrutura de armazenamento e encaminhamento não comporta o lixo separado da cidade toda, até mesmo o aterro sanitário está próximo da saturação num futuro não muito distante. Existe um discurso de reciclagem, mas não são dadas as condições para se realizar essa ação, pois é importante para o êxito da economia que se continue consumindo. Os sujeitos escolares aprendem sobre as questões ambientais, as escolas buscam promover sua sensibilização, mas como incutir uma real mudança nesses atores com a EA se eles mal possuem condições estruturais básicas para viver? Muitos habitam em moradias inapropriadas, não tem saneamento básico, vivem em condições de pobreza e violência. Estão preocupadas com o que comer e o que vestir, se a casa vai cair no próximo temporal, como pagar as contas, onde conseguir emprego.

O modelo econômico vigente faz com que o desemprego, a pobreza e a violência existam, o que condiciona a vida de muitas pessoas a essa realidade, tornando difícil uma mudança de valores e atitudes. Não se quer aqui diminuir o valor das ações de EA em particular de cada escola. Elas têm sua importância e precisam continuar a existir. Mas chama-se a atenção para o fato de que os efeitos dessas ações continuarão pequenos se juntamente com elas não ocorrerem mudanças numa esfera maior, se outro modelo econômico que não cause a degradação do meio ambiente e desigualdade social, não for pensado.

FIGURA 12 e 13 - Vista parcial de duas arteiras da cidade de Cabinda Fonte: Autores.

1.5.7 Estratégia para a introdução da Dimensão Ambiental nos ISCED através do

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Benzer Belgeler