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ARAMANIN MUHATABI

Belgede Adli arama ve önleme araması (sayfa 108-124)

Novas demandas sociais impulsionaram as instituições educacionais, entre elas a Universidade, a redefinir o seu papel. Na perspectiva da Educação Ambiental, podemos dizer que esse movimento começa a despontar muito em função da institucionalização do movimento ambientalista. A constante denúncia da degradação do meio ambiente pelas

instituições ambientais estimula a sociedade a “cobrar” das instituições de ensino a inserção

da temática ambiental em seus fundamentos e metodologias. Juntamente com o despertar do movimento ambientalista, emergem também grupos de defesa ao meio ambiente, como Organizações não Governamentais (ONGs) o Grêmio Ambiente Beneficência e Cultura (ABC), bem como associações comunitárias, que ao ampliar o debate sobre as questões ambientais acabam pressionando os sistemas formais de ensino a reconhecer a relevância do tema, e mais tarde a sua incorporação nestes espaços, mesmo que de forma incipiente.

Logo, é possível inferir que as pressões sociais foram decisivas para que estas instituições incorporassem a EA em seus processos educativos, buscando soluções para a preservação ambiental, além de alternativas de gestão dos recursos naturais (MED, 2006). Esse movimento acaba aproximando as discussões entre o meio acadêmico e outras organizações em busca de alternativas para a problemática ambiental. Em Tbilisi (1977), a compreensão da importância do papel da Universidade na perspectiva da EA foi evidenciada. O documento chama atenção para o potencial das universidades no desenvolvimento de pesquisas em Educação Ambiental. Nesse sentido, o documento aponta: nas Universidades, que todo o pessoal docente compreenda que é preciso conceder um lugar importante em seus

cursos à temática ambiental. Recomenda que se incorporem nos programas, o estudo das ciências ambientais e da educação ambiental. (UNESCO, 1977).

No ano de 2003, realizou-se em Pretória – África do Sul o primeiro seminário sobre Universidade e Meio Ambiente na região da Comunidade do Desenvolvimento da África Austral (SADC). Este evento marca a introdução da EA nas Universidades da África Austral e apresenta, entre outras recomendações, o destaque para a inserção da temática ambiental nas atividades de educação superior da região da África Austral. Além disso, neste seminário “assentam-se as bases conceituais e estratégicas para o desenvolvimento de

programas de EA nas universidades [...]” (Angola, 2006, p. 17). Possivelmente, as discussões

sobre Universidade e Meio Ambiente ocorridas na África Austral influenciaram o debate em Angola. Prova disto foi à realização, em 2005, do primeiro seminário sobre esta temática, ocorrido em Luanda.

O objetivo deste evento, apoiando-se nas afirmações do Sguarezzi (1997, p. 25)

foi “formular estratégias para a adequação dos currículos universitários às necessidades de pessoal de nível superior para a gestão da política nacional de meio ambiente.”

Posteriormente, mais dois seminários sobre Universidade e Meio Ambientes foram realizados em Cabinda (2006) influenciado pelos vários Workshops sobre gerenciamento dos resíduos sólidos, Huambo (2007) e Lubango (2008). De modo geral, esses seminários discutiram aspectos como bases epistemológicas da temática ambiental, as formas como as universidades deveriam se organizar para o tratamento da referida temática, além de enfatizar a necessidade de articulação entre as organizações da sociedade e Universidade, dentre outros.

É importante salientar as discussões propostas no terceiro Seminário Nacional entre Universidade e Meio Ambiente, realizado na Universidade António Agostinho Neto, em 2008. Este seminário demonstrou a importância da interdisciplinaridade e através do grupo de trabalho a Questão Ambiental e os cursos de Graduação, recomendou às pró-reitorias, o uso do estudo de caso – com uma abordagem interdisciplinar, como eixo organizador das disciplinas – e a ampliação das discussões de interdisciplinaridade, condição básica para a transformação da universidade e a divulgação das várias experiências. (SGUAREZZI, 1997, p. 26).

Consideramos relevante destacar a importância da interdisciplinaridade, como eixo articulador para implantação efetiva da EA no ensino superior nos âmbitos do ensino, pesquisa, extensão e gestão. Ideal seria que a EA permeasse todos os aspectos da vida universitária, mas até o momento não existem políticas públicas que favoreçam a efetiva

internalização da EA na Universidade. A ausência de políticas públicas direcionadas à EA nas Instituições de Ensino Superior (IES) tem reflexos nas práticas destas instituições. Não havendo critérios definidos – apenas orientações – para o tratamento da EA no ensino superior, poderá haver o não comprometimento destas instituições com a inserção dos temas ambientais, de maneira articulada, na maioria dos currículos dos cursos superiores.

Assim, as universidades não dispõem de diretrizes para implementar a Educação Ambiental em todos os seus processos, o que pode acarretar este tipo de discussão fragmentada, desprovida de debate político, por exemplo. Possivelmente, a formulação de critérios e indicadores mais explícitos e definidos, mobilizaria o tratamento da temática ambiental na educação superior, sem perder de vista a diversidade de contextos educacionais. Mesmo considerando a existência de ações e projetos que contemplam a abordagem da EA no ensino superior, estas ações não substituem as políticas públicas.

Uma recente pesquisa, realizada no ano de 2007 pela Universidade e grupo de Programas de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis sobre a Educação Ambiental no ensino superior, afirma que a falta de políticas públicas e institucionais foi apontada pelas Instituições do ensino superior participantes como um obstáculo para a implementação de programas ambientais nestes espaços. Sobre isto, considerando o universo das escolas de ensino geral e médio, há nos temas transversais - apresentados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais - especialmente no tema Meio Ambiente, uma possibilidade de trabalho. Apesar de toda crítica feita quando do processo de elaboração e distribuição dos referidos parâmetros às escolas, o estudo dos temas transversais possibilitou maior visibilidade dos trabalhos em EA na educação básica, bem como a divulgação de várias atividades que já vinham sendo desenvolvidas nas escolas, além do estímulo para que essa temática passasse a fazer parte das atividades escolares.

Mesmo na ausência de Políticas Públicas em EA voltadas para o ensino superior, a introdução do enfoque ambiental nas universidades vem crescendo gradativamente e, em certa medida, de forma independente, pela ação de departamentos isolados, ou ainda pelo interesse dos docentes, que buscam desenvolver tais atividades. Apesar de a legislação educacional não determinar os componentes curriculares que serão trabalhados nos cursos, deve apresentar diretrizes, visto que, no contexto específico da EA, esta ausência acaba por originar multiplicidade de concepções, falta de articulação entre o que é abordado nos cursos, concepções conservadoras de EA, ou ainda, cursos isolados, dentro de uma mesma universidade, com abordagens diferenciadas e contraditórias.

A ausência de diretrizes pode levar as Instituições do Ensino Superior a se isentarem das discussões e práticas, no que se refere à EA. Na década de 2006, quando a então Secretaria de Meio Ambiente (SMA) promoveu os seminários Universidade e Meio Ambiente , iniciou-se o debate sobre os desafios e possibilidades para a internalização dos temas relativos às questões ambientais nas Universidades angolanas, tanto na licenciatura quanto na pós-graduação. Num contexto de ausência de instrumentos que pudessem discutir e/ou propor caminhos que possibilitassem a inserção da EA nos programas do ensino superior, nasce a Universidade e Programas de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis (RUPEA), uma articulação entre duas universidades angolanas – a Universidade António Agostinho Neto (UAN) e a Universidade Onze de Novembro (UON).

É possível dizer que a ambientalização do ensino, quando ocorre no âmbito institucional, demandará mudanças em toda a estrutura universitária, ao passo que quando este processo se dá apenas no âmbito curricular, corre-se o risco que as IES desenvolvam ações isoladas e/ou descontextualizadas. Portanto, quando a ambientalização alcança o seio dos departamentos, colegiados e outros setores da Universidade, bem como seus órgãos gestores, ambientalizar o currículo, será uma conseqüência deste processo. Por outro lado, pode-se refletir que, sendo o currículo o ponto de partida, este pode ser o primeiro passo para a ambientalização das IES, de forma geral. A necessidade de uma infra-estrutura que possibilite a realização de projetos e ações na perspectiva da EA se configura como elemento

“facilitador” para a inserção da EA nas Universidades.

Desenvolver ações de ensino, pesquisa e extensão na área de Meio Ambiente e Educação Ambiental, atuando como mediador e catalisador na promoção do conhecimento e na integração de projetos e atividades que contribuam para a efetivação do conceito de sociedades sustentáveis. (UON, 2009).

No âmbito da educação superior, a problemática socioambiental extrapola questões curriculares e estruturais. Abrange tanto a administração da vida n instituição e de sua gestão físico-espacial, como também de suas políticas acadêmicas, formas de organização e produção de conhecimento e as relações estabelecidas dentro e fora dos limites acadêmicos (FARIA & FREITAS, s/d, p. 1). Um dos obstáculos para a chamada ambientalização do ensino superior é referente à departamentalização (FERRARO JÚNIOR, 2004; TOZONI- REIS, 2008). A estrutura universitária e sua divisão departamental contrariam a proposta interdisciplinar da inserção dos temas ambientais na universidade, ao se tornarem fechados

em si mesmos, dificultando, ou até mesmo impedindo, a troca dos conhecimentos produzidos no interior desses departamentos.

É importante salientar que esse é um comportamento construído e validado, muito em função da visão cartesiana de mundo, mas que, aos poucos, vem sendo transformado no interior das universidades, nesse movimento de difusão e democratização do conhecimento.

[...] a organização interdisciplinar das atividades de ensino nas universidades, exige a superação da obsoleta estrutura departamental, estabelecidas por políticas educacionais autoritárias, já historicamente superadas. Os departamentos tornaram- se hoje instâncias essencialmente burocráticas, em que as discussões políticas e acadêmicas são indesejadas, reprimidas em nome da praticidade racional ou da ideologia da harmonia. (TOZONI-REIS, 2008, p. 148-149).

Ferraro Júnior (2004), ao falar das razões pelas quais a Educação Ambiental tem se tornado marginal nas IES, afirma que a departamentalização é um desses fatores.

O departamento deseja que se “produza” dentro dos seus muros, os núcleos

interdepartamentais às vezes são vistos como tentativa de burla dos processos de legitimação (necessária) de iniciativas e projetos, um espaço em que se evita o diálogo institucional e não onde se viabiliza diálogos interdepartamentais (FERRARO JÚNIOR, 2004, p.117, grifo do autor).

A medida, dificulta a inserção da temática ambiental no meio universitário, Leff

(2001, p. 211) acrescenta que “a experiência mostrou a rigidez institucional das universidades,

onde o conhecimento continua compartimentado em campos disciplinares, em centros, faculdades, institutos e departamentos”. Quando as IES conseguem derrubar as barreiras entre departamentos, experiências positivas são alcançadas. Um exemplo disto é o núcleo de Educação Ambiental da Universidade Onze de Novembro (UON). Congregando os departamentos de Educação, Biologia, Ciências Exatas e Ciências Sociais, o núcleo realiza atividades de pesquisa e extensão em Educação Ambiental, desde o ano de 2004 (FERRARO JÚNIOR, 2004).

A possibilidade de promover o debate numa associação tão conceituada quanto a Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em EA (APED) evidencia a relevância do tema no ensino superior, bem como a necessidade de repensar a elaboração de políticas públicas que garantam efetivamente a inserção da temática ambiental nas Universidades, tanto na graduação, quanto na pós-graduação. As IES se configuram como espaços centrais e

decisivos, tanto para a reflexão quanto para difusão dos novos modelos de desenvolvimento, pautados nas bases da sustentabilidade.

Centrais, porque historicamente a Universidade é tida como locus de produção de

conhecimento, através do que até pouco tempo, era definido como “tripé” das atividades

universitárias: ensino, pesquisa e extensão. Atualmente mais uma dimensão foi acrescida, a gestão universitária. Espaço decisivo, porque tem a responsabilidade direta na disseminação dos pressupostos da Educação Ambiental, visto que é responsável pela formação inicial dos

docentes que atuam no ensino geral e médio. Como bem afirma Oliveira (2008, p. 95), “a

Educação Ambiental nos currículos e práticas universitárias possui um sentido estratégico na

ambientalização do ensino e da sociedade”.

FIGURA 3 e 4 - Proteção, conservação e recuperação do meio ambiente Fonte: Autores.

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Benzer Belgeler