• Sonuç bulunamadı

2. GENEL BİLGİLER

2.15. GSGM Hukuk Kurulları

A Qualificar para Incluir procura consciencializar os seus trabalhadores para o facto de que na dinâmica das interações sociais estabelecidas no seio da própria instituição, poderem ocorrer processos que contribuem para a reprodução do fenómeno da pobreza e exclusão, nomeadamente em atitudes tão quotidianas, quanto banais, como deixar o utente à espera. Evitá-los implica que os profissionais desenvolvam a consciência crítica necessária a reconhecê-lo e se encontrem vigilantes perante os seus modos de atuação; mas, sobretudo, que a sua intervenção tenha por base a personalização das relações, capaz de produzir um laço social, onde ambas as partes se encontram igualmente implicadas na procura de estratégias que promovam a inclusão social (Gaulejac & Léonetti, 1994).

A relação estabelecida entre o profissional e o utente constitui assim um dos fatores mais importantes para que as ações realizadas tenham eficácia e a missão da

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instituição possa ser alcançada. Portanto, além do interventor social dever ter qualificações e conhecimentos técnicos específicos, este deve possuir uma série de competências humanas que lhe permitam saber como entrar em relação com o outro, nomeadamente criar uma relação de confiança. A qualidade da relação depende em grande parte da postura que o profissional adota, não apenas com a criança43, mas também com aqueles que são os seus principais prestadores de cuidados, figuras de referência no modo como esta interpreta o que a rodeia e de quem depende a sua proteção e cuidados. A importância do seu estabelecimento reside, por um lado, no acesso à forma de ver e estar no mundo da pessoa e, por outro, lado na sua implicação na intervenção. Tendo por base os ideais defendidos pela tradição humanista, apresentamos em seguida um conjunto de atitudes e capacidades fundamentais à construção de uma relação onde o interventor possa ser visto como um aliado:

- empatia – revela-se numa postura de afabilidade e proximidade perante a

criança e os seus cuidadores que converge na capacidade de compreendê-los a partir do seu próprio quadro sociocultural de referência. Esta talvez constitua a maior dificuldade de um profissional, na medida em que pressupõe conhecer de forma profunda a construção afetiva e mental de uma outra pessoa e, a partir desse lugar, perceber o seu modo de perspetivar o mundo (Leal, 2011). Ora, isso implica uma identificação que por vezes exige a suspensão de crenças e valores pessoais. Sendo algo muito difícil e exigente, esta capacidade pode começar a ser edificada através da disponibilidade para o outro, como por exemplo concedendo oportunidades de escuta ou veiculando a vontade de ajudar;

- aceitação – caminha, lado a lado, com o respeito que o profissional deve

demonstrar pelo outro e pelo seu sofrimento. Nesse sentido, o interventor social deve partir de uma relação igualitária, que não ignora as diferenças existentes, mas que reconhece o outro enquanto parte integrante da sociedade, que apresenta um saber construído numa história de vida própria. Ao fazê-lo demonstra apreço e consideração pelo que representa, atribuindo-lhe a importância que efetivamente têm neste processo. Aceitar de forma neutra, implica desembaraçar de juízos de valor e modos de pensamento instituídos, que servem, muitas vezes, de quadro intelectual para a atuação dos profissionais, contribuindo para o agravamento das problemáticas sobre as quais

43 Embora a relação estabelecida com a criança assente nos mesmos princípios, esta é analisada em maior

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pretendem intervir – por exemplo, ao pessoalizar a eventual desconfiança, resistência ou hostilidade que a criança e/ou os seus cuidadores, possam revelar perante a intervenção. Os profissionais devem dar a conhecer, e fazer compreender, que estão conscientes de que a sua presença pode ser perturbadora, nomeadamente pelas várias exigências que se lhe impõe, muitas das quais geradoras de um conflito interior, difícil de lidar e suportar, na medida em que colocam em causa disposições assimiladas como verdades indiscutíveis;

- escuta – pretende colocar a pessoa que é alvo da intervenção naquele que deve

ser o seu lugar, ou seja, como protagonista da sua vida. Pressupõe a criação de espaços que promovam o diálogo e a reflexão, onde esta tenha uma voz e possa falar sobre aquilo que sente e pensa, proporcionado a manutenção de uma situação de segurança, compreensão e apoio. Frequentemente o técnico toma o papel principal, enche com palavras uma suposta interação que acaba num monólogo. Levanta questões e responde às mesmas, como se já soubesse a resposta a um guião que leu muitas vezes. É difícil suportar silêncios, evitá-los acaba por constituir um meio mais fácil para sair de uma situação constrangedora. No entanto, ao fazê-lo pode comprometer a existência de uma oportunidade de reflexão. Isso não implica passividade por parte do interventor social, mas pressupõe um trabalho de atenção, seleção e elaboração daquilo que é verbalizado de modo a que possa encorajar e facilitar a criança e os seus cuidadores na descoberta pessoal. Deste modo, a escuta não deve impedir que se estimule a aquisição de novos saberes, se levantem questões ou se lancem dúvidas que façam abalar as estruturas cognitivas, permitindo a construção de um pensamento crítico promotor de mudanças;

- crença – é essencial que o profissional acredite no potencial de mudança do ser

humano, caso contrário o seu trabalho será realizado tendo por base um vazio desanimador, sem o apoio necessário à prossecução de uma missão repleta de desafios. Tal não implica ignorar as múltiplas dificuldades que emergem quando se tentam mudar modos de sentir, pensar e agir interiorizados, aliados a todos os obstáculos que o meio coloca, mas permite que estes sejam encarados como parte integrante do processo de transformação e uma oportunidade para descobrir novos caminhos de ação. A confiança que se deposita nesta ideia, pode atuar como instigador na procura de soluções, fazendo com que o técnico mobilize esforços em fazer mais e melhor, pois acredita que irá obter resultados.

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Todas estas atitudes devem ter subjacentes a coerência na atuação, ou seja, o profissional deve revelar congruência entre o ser e o estar. Mas também, a disponibilidade perante as pessoas e os seus problemas. Ambas favorecem a confiança e possibilitam a construção de uma relação proximal, onde a valorização da pessoa é o princípio fundamental da intervenção e a proximidade estabelecida constitui o primeiro passo para que mudanças efetivas ocorram.

Benzer Belgeler