A gestão de uma rádio educativa, no tocante à participação social, dialoga com os princípios da educação em Saúde, podendo ser utilizada nas estratégias de gestão para ações na área da Saúde Pública.
2 OBJETIVOS
2.1 GERAL:
Analisar como a participação social é enunciada nos discursos dos profissionais envolvidos na programação de uma rádio educativa.
2.2 ESPECÍFICOS:
1. Identificar quais mecanismos de participação social são utilizados pela rádio educativa para garantir o formato educativo cultural na programação.
2. Identificar pressupostos teóricos que sustentam os conceitos de participação social e ação educativa dos profissionais que atuam na rádio educativa.
3 MÉTODOS
3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratória, individuada, observacional, transversal, desenvolvida sob o formato de Estudo de Caso na qual, por meio do método qualitativo de análise temática categorial, procura-se compreender a percepção sobre o fenômeno da participação social e da educação em saúde entre os profissionais atuantes em uma rádio educativa de grande audiência.
DEMO (2000) destaca a caracterização da pesquisa qualitativa pela proposta da elaboração de perguntas em contraposição a toda resposta fechada, dicotômica, fatal. Salienta que este tipo de pesquisa prima pelo aprofundamento por familiaridade, conveniência, comunicação. “Embora a ciência, ao final de contas, não consiga captar a dinâmica em sua dinâmica, mas em suas formas, a pesquisa qualitativa tenta preservar a dinâmica enquanto analisa, formalizando mais flexivelmente.” (2000, p. 159).
São consideradas metodologias qualitativas, por exemplo, pesquisa participante, pesquisa - ação, história oral, observação de cariz etnometodológico, hermenêutica, fenomenologia, levantamentos feitos com questionários abertos ou diretamente gravados, análises de grupos, que, como vemos, abrigam horizontes bastantes heterogêneos. Em parte, definem-se como metodologias alternativas, porque buscam salvaguardar o que a metodologia dura joga fora, por não caber no método, sendo isso por vezes o mais importante na realidade. Advindo geralmente esse gesto das ciências sociais, existe o interesse em apanhar o lado subjetivo dos fenômenos, buscando depoimentos que se transformam em dados relevantes, também oriundos de pessoas simples. (DEMO, 2000, p. 152).
Para MINAYO (2013) a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, trabalha com um espaço profundo das relações, dos processos e dos fenômenos, um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.
Na perspectiva teórica de GIL, “as pesquisas com base em seus objetivos classificam-se em três grupo: exploratórias, descritivas e explicativas” (1991, p.45). Destaca-se o objetivo de garantir maior conhecimento com o problema, com vistas a torna-lo mais explícito ou a construir hipóteses, visando, essencialmente, o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições.
Para o autor, em grande parte dos casos, a pesquisa exploratória envolve: a) levantamento bibliográfico; b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e c) análise de exemplos que “estimulem a compreensão”, (1991). “Embora o planejamento da pesquisa exploratória seja bastante flexível, na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso” (1991, p. 45).
Para YIN, (2001, p. 32) o Estudo de Caso “é uma inquirição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde as múltiplas fontes de evidência são utilizadas”.
Para DUARTE (2005 b) há uma preocupação para diversos autores sobre o tema para quem “apesar de os estudos de caso serem
frequentemente qualitativos, na coleta e no tratamento dos dados, “... ele pode centralizar-se no exame de certas propriedades específicas, de suas relações e de suas variações, e recorrer a métodos quantitativos” (BRUNE, HERMAN e SCHOUTHEETE)”. (DUARTE, 2005 b, p. 218).
GIL (1994) destaca que o estudo de caso se caracteriza pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir conhecimento amplo e detalhado do mesmo: tarefa praticamente impossível diante dos outros delineamentos considerados. Afirma ainda, que é expressivo para as pesquisas exploratórias uma vez que se fundamenta “na ideia de que a análise de uma unidade de determinado universo possibilita a compreensão da generalidade do mesmo ou, pelo menos o estabelecimento de bases para uma investigação posterior, mais sistemática e precisa.” (GIL, 1994, p. 79).
No delineamento individuado, parte-se da proposta de ALMEIDA FILHO e ROUQUAYROL (2006), que faz uso do termo, individuado, para o tipo operativo no desenho de investigação proposto para a esta pesquisa. Para o autor, entende-se o termo “individuado, de um uso propositalmente alterado, buscando uma conotação distinta do processo psicológico de “individualização”, para contrastar com o adjetivo “agregado”, pólo oposto do eixo classificatório em pauta” (2006, p.169).
Ainda seguindo a proposta do autor quanto a posição do investigador a pesquisa é classificada como observacional e quanto a referência temporal é transversal ou seccional “quando a produção do dado é realizada em um único momento (singular) no tempo, como se fora um corte transversal do
processo de observação.” (2006, p. 170).
Para o levantamento de dados utilizou-se dos três procedimentos descritos por LAKATOS e MARCONI (2010), pesquisa documental, pesquisa bibliográfica e contatos diretos. Foram realizados estudos sobre a literatura pertinente ao tema central da pesquisa com analise das fontes documentais em dois aspectos: documentos e contatos diretos.
Os documentos utilizados valeram-se de:
a) Fontes primárias – dados históricos sobre o objeto de estudo, com pesquisa em arquivos públicos oficiais (municipais, estaduais e nacionais) tais como leis, e demais publicações parlamentares e administrativas, e de fontes estatísticas (censos) de vários órgãos oficiais para a coleta de aspectos das atividades da sociedade em analise, além de mapas, fotografias e outras ilustrações e também os registros em geral de arquivos particulares;
b) Fontes secundárias – obras referentes ao assunto da pesquisa.
O contato direto com os pesquisados ocorreu por meio das entrevistas e estão delimitadas no item, Participantes de Estudo. Na maioria dos estudos de casos é possível distinguir quatro fases, segundo DEMO (1999): a) Delimitação da unidade-caso; b) coleta de dados; c) análise e interpretação dos dados; d) redação do relatório.
3.2 PARTICIPANTES DO ESTUDO
A população do estudo é composta por oito indivíduos (informantes – chave,) diretamente responsáveis pela direção administrativa, direção técnico-administrativa e responsáveis pela concessão pública da rádio educativa.
Ao todo foram entrevistados dois diretores (FAI e rádio), um jornalista, quatro radialistas (técnicos e locutores) e o prefeito do município de Adamantina – São Paulo, local de instalação e funcionamento da emissora rádio educativa Cultura FM 99,3 Mhz.