• Sonuç bulunamadı

Os dados obtidos com esse experimento, no que se refere aos tempos médios de resposta em cada condição, são expostos nos gráficos a seguir:

13160,6 16150,6 10113,6 6318,1 6754,6 5387,9 0,00 2000,00 4000,00 6000,00 8000,00 10000,00 12000,00 14000,00 16000,00 18000,00

Prefixo Sufixo Raiz

T e m p o ( m il is se g u n d o s) Gráfico 1

Tempo Médio de Resposta - Faixa Etária (7 a 8 anos)

Com Dificuldades Sem Dificuldades

52 Os resultados foram submetidos a uma análise de variância (A NOVA ) com design fatorial 2(tipo de sujeito) x 2(idade) x 3(tipo de palavra), a qual apontou um efeito principal de tipo de sujeito, já que o tempo médio de resposta do grupo experimental, crianças com dificuldade de leitura (em azul) foi significantemente mais lento do que as crianças do grupo controle, crianças sem dificuldade de leitura (em vermelho) (F (1,80) = 22,84 e p< .05), o que sugere que o processamento de palavras morfologicamente complexas é mais custoso para as crianças com dificuldades de leitura. Observou-se igualmente um efeito principal de idade (F(1,80) = 14,76 e p<0,0002), uma vez que as crianças da faixa etária superior (9 a 10 anos) tiveram tempos de resposta mais rápido do que as da faixa inferior (7 a 8 anos) em todas as condições, tanto nas crianças com dificuldades de leitura quanto nas crianças sem dificuldades, mesmo que os primeiros ainda sejam significantemente mais lentos que os segundos. A variável tipo de palavra também apresentou efeito principal (F(2,237) = 3,41 e p<0,03), em função de ter sido observada uma diferença entre os tempos de resposta em cada condição, diferença essa relativa ao fato de as palavras sufixadas terem sido significativamente mais lentas que as prefixadas e estas mais lentas que as de mesma raiz, em especial no grupo das crianças com dificuldades de leitura. Esse padrão se mantém no grupo controle, exceto pelo fato de palavras prefixadas e sufixadas não diferirem entre si nesse grupo, mas serem ambas mais lentas que as palavras de mesma raiz. Este último efeito significativo aponta para uma possível alteração no modo como diferentes morfemas são processados, o que se explica por diferentes formas de representação e acesso desses elementos. Efeitos de interação foram observados entre tipo de sujeito x idade (F(3, 157) = 9,61 e p < 0,002) sugerindo, que as crianças com dificuldades de leitura possuem

6788 6991,5 5955,5 5575,7 6399,9 3104 0,00 2000,00 4000,00 6000,00 8000,00 10000,00 12000,00 14000,00 16000,00 18000,00

Prefixo Sufixo Raiz

T e m p o ( m il is se g u n d o s) Gráfico 2

Tempo Médio de Resposta - Faixa Etária (9 a 10 anos)

Com Dificuldades Sem Dificuldades

53 comportamento diferente perante tarefas de processamento morfológico, na medida em que a morfologia parece ser mais custosa para esse grupo. Em suma, os resultados obtidos sugerem que, esse retardamento, no tempo de resposta do grupo experimental, pode se dar pelo fato de haver uma necessidade de buscar a palavra base e concatenar a um afixo, para depois interagir e poder acessar a palavra completa, o que parece ir ao encontro da teoria da Morfologia Distribuída, a qual prevê uma computação interna nas palavras (MARA NTZ, 1997, 1999, 2001 e MA IA et al, 2007). De certo modo, essa afirmação também está de acordo com as ideias de A lves (2008) ao postular, mediante experimento de priming, utilizando o sufixo

“eiro”, que crianças com dificuldades de leitura parecem não terem acesso às representações

morfológicas. A análise dos dados obtidos pode ser tomada como evidência de que a leitura de palavras morfologicamente complexas em PB implica dificuldades de processamento a crianças com dificuldades de leitura.

Os gráficos 3 e 4 a seguir demostram o percentual de acertos quanto ao reconhecimento de palavras morfologicamente complexas por sujeitos com e sem dificuldades de leitura: 75% 35% 30% 68,30% 58,30% 86,60% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

Prefixo Sufixo Raiz

% d e ac e rto s Gráfico 3

Percentual de Acertos - Faixa Etária (7 a 8 anos)

Com dificuldades Sem dificuldades

54 Conforme demonstrado acima, observou-se um efeito principal quanto ao tipo de sujeito (F(1,76) = 4,52 e p<0,03). Na faixa etária de 7a 8 anos, o percentual de acertos das crianças sem dificuldades de leitura foi superior estatisticamente às crianças com dificuldades de leitura nas duas faixas etárias estudadas e na faixa etária de 9 a 10 anos do grupo controle, o que é possível inferir que, não é a capacidade de leitura que está mais madura, mas pode ter haver com as ideias de Taft e Foster (1975 e 1976); Marslen-W ilson (1994) e Maia et al (2007), sobre a hipótese da decomposição morfológica no acesso lexical, isto é, pode ser que ocorra o processo de decomposição, a busca pelo reconhecimento da palavra, e isso parece refletir tanto no tempo de resposta quanto no índice de acertos.

A ponta-se também um efeito principal de idade (F(1,76) = 10,9 e p<0,001), motivado pelo fato de que o índice médio de acertos nos grupos experimentais aumenta conforme a idade, exceto no tipo de palavra – prefixal, cujo percentual de acertos é igual, o que difere dos

achados de Marslen-W ilson (1994), segundo os quais o acesso a palavras prefixadas é retardado, uma vez que os segmentos iniciais das palavras são pouco informativos, entretanto a principal característica que norteia os sujeitos com dificuldades de leitura, desta pesquisa, não é relativa a compreensão, mas a dificuldade na conversão grafo-fonológica.

A variável tipo de palavra apresentou igual efeito principal (F(2,152) = 5,44 e p<0,005), semelhantemente ao observado em relação aos tempos de resposta, também concorrendo para corroborar a afirmação de que morfologia acarreta dificuldades de

75% 60% 75% 51,60% 55% 61,60% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%

Prefixo Sufixo Raiz

% de ac e rto s Gráfico 4

Percentual de Acertos - Faixa Etária (9 a 10 anos)

Com Dificuldades Sem Dificuldades

55 processamento as crianças com dificuldades de leitura - prefixos, sufixos e raízes impõem demandas de processamento específicas, o que se reflete tanto nas diferenças entre os tempos de resposta em cada condição quanto no índice de acertos.

Contudo, levando-se em conta somente o índice de acertos, verifica-se um efeito de interação entre as variáveis tipo de sujeito x tipo de palavra (F(2,152) = 3,00 e p<0,05), sugerindo que o índice de acertos varia em função de cada condição experimental respectivamente a cada grupo, isto é, as crianças com dificuldades de leitura, parecem ter problemas com a identificação de sufixos e raízes de palavras, no entanto, esses problemas parecem minorar à medida que a idade aumenta, já que o índice de acertos em cada condição sobe na faixa etária de 9 a 10 anos, ainda que formas sufixadas continuem a ser processadas com mais dificuldade nessa faixa etária, o que é evidenciado pelo menor índice médio de acertos, conforme ilustra o gráfico 4. O efeito de interação entre tipo de sujeito x idade (F(1,76) = 0,001 p<0,000001) aponta para o fato de que, à semelhança do tempo de resposta, o índice de acertos aumenta segundo a idade, assim como a interação entre idade x tipo de palavra (F(2,152) = 3,44 p<0,03) sugere que há um maior domínio da morfologia em etapas mais avançadas do processamento da morfologia derivacional do PB, o que leva as crianças mais velhas a apresentarem menos dificuldades com os diversos tipos de formação morfológica do que as crianças mais novas.

Em resumo, tomados em sua totalidade, o que esses resultados sugerem é que o processamento da morfologia derivacional, de certo modo é prejudicado nos indivíduos com dificuldades de leitura, ainda que não haja um comprometimento mais severo desse módulo gramatical. Tampouco se pode falar em alterações mais profundas na estrutura e organização do léxico mental desse tipo de criança: o que os resultados aqui relatados sugerem é que o léxico mental de uma criança com dificuldades de leitura é de algum modo preservado no que diz respeito à estocagem das unidades lexicais mínimas, como os morfemas, havendo, por outro lado, uma falha na recuperação dessas unidades em razão do déficit de processamento morfológico ocasionado por dificuldades na passagem da forma gráfica, armazenada em um léxico de acesso e recuperada por uma via sublexical, para a forma fônica correspondente, presente no léxico central. Para finalizar a discussão, deve-se ressaltar que os resultados desse experimento podem ser tomados como indicativos de que os distúrbios de leitura caracterizados como dislexia não comprometem o desenvolvimento da competência morfológica em PB. Por outro lado, fornecem insights interessantes sobre o modo como são processadas, por meio de input escrito, as palavras morfologicamente complexas nessa língua.

56

4 CONCLUSÕES

Esta pesquisa evidencia que certos aspectos do processamento da leitura, em especial os concernentes à decodificação do componente lexical e morfológico das línguas humanas, podem ser melhor compreendidos lançando mão do concurso de três campos do conhecimento, num enfoque multidisciplinar que envolve a Linguística, na determinação das unidades processáveis e suas características e propriedades, a Psicolinguística, na descrição do modo como se dá o armazenamento, a recuperação e o processamento destas unidades durante a leitura, e a Psicologia Cognitiva, na caracterização da atividade da leitura em nível mental e das possíveis dificuldades que os falantes podem apresentar durante o processo de aprendizagem da leitura, o que caracteriza os distúrbios de leitura.

A través da articulação entre esses aportes teóricos e com base nos resultados experimentais apresentados, é possível inferir que nossos objetivos foram parcialmente atingidos e nossas hipóteses foram confirmadas. A nalisamos e comparamos o processamento da morfologia derivacional do PB em crianças com e sem dificuldades de leitura; observamos como pode ocorrer o acesso lexical as palavras morfologicamente complexas e tentamos compreender de que maneira essas palavras são processadas e representadas no léxico e no léxico mental. No entanto, não foi possível investigar com precisão se déficits de processamento grafo – fonológico podem ocasionar erros de natureza morfológica em tarefas de leitura, talvez uma mudança na metodologia pudesse contribuir para atingir esse objetivo.

Diante disso, podemos inferir que, crianças com dificuldades de leitura possuem fundamentalmente um problema na conversão da forma gráfica para a forma fônica correspondente, uma vez que, após a análise visual da palavra, usa-se uma das rotas de leitura (lexical e fonológica) para poder acessar o Léxico Central, mas se conforme sugerido por Ciasca (2000) e Capellini (2003) a dislexia pode ser classificada como um déficit em ambas as rotas de leitura ou apenas uma delas, então o problema será para acessar o Léxico Central. É justamente nesse ponto que recorremos a Teoria Psicolinguística, especificamente ao modelo de A AM para explicar que o acesso e recuperação dos itens lexicais pode acontecer por palavra completa e/ou por morfemas. Já a computação dos itens no Léxico Central das palavras morfologicamente complexas pode ser explicada através do modelo da Morfologia Distribuída (Halle e Marantz, 1993).

Os dados estatísticos aqui abordados revelam que as crianças com dificuldades na leitura não possuem necessariamente dificuldade de compreensão, o que pode ser observado

57 pelo índice de acertos deste grupo, principalmente nas crianças da faixa etária maior. O maior problema das crianças com dificuldades de leitura é a lentidão, o que se deve ao fato dessas crianças terem problemas no reconhecimento dos elementos mórficos constituintes da palavra e na ordenação de informações no nível semântico, fonológico e morfossintático, isto é o problema está na passagem entre a forma gráfica dos morfemas e a sua representação abstrata no léxico mental.

Desse modo, espera-se que outros estudos possam ser complementares a este visto que, ainda há muito a ser investigado no âmbito do processamento morfológico do PB. Contudo, os resultados aqui apresentados parecem mostrar que a articulação entre esses campos da linguagem, aqui reunidos, pode contribuir na compreensão das dificuldades da leitura.

58 5 REFERÊNCIAS

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W ORLD HEA LTH ORGANIZA TION – Classificação de Transtornos Mentais e de

63

6 APÊNDICE

Apêndice I

Lista de palavras do experimento 1

Lista 1

Prefixo Sufixo Raiz

Estímulos Alvos Estímulos Alvos Estímulos Alvos Desligar descuidar Desviar Pedreiro Ferreiro Isqueiro Leite Leiteiro Leitor Rebater Reabrir Receitar Cantor Pintor Calor Carro Carrinho Carreira Desativar desatolar Despachar Chaveiro Letreiro Carneiro Pinto Pintinho pintura Repintar remarcar Rezar Jogador professor valor Canto Cantoria canteiro

Lista 2

Prefixo Sufixo Raiz

Estímulos Alvos Estímulos Alvos Estímulos Alvos

Desmentir Desarmar Desistir Cajueiro Passageiro Dinheiro Bola Bolada Bolacha

Recomeçar Reescrever revelar Ator Caçador V alor Porta Porteiro Porto

Desdobrar Descobrir Desmaiar Camiseiro Chapeleiro Bueiro correr corrida correia

Rever Reler revoltar Pastor corredor tambor caminhar Caminhante caminhão

Lista 3

Prefixo Sufixo Raiz

Estímulos Alvos Estímulos Alvos Estímulos Alvos

Desativar Descruzar Desmaiar Porteiro Padeiro Celeiro doce Doceiro Docente

Desatolar Desarrumar Desejar Instrutor marcador Fedor Lixo Lixeiro lixado

Reescrever Reconstruir Receber Jardineiro Cozinheiro Pandeiro Banho Banheiro Banha

64 APÊNDICE II

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado (a) Senhor (a)

Esta pesquisa é intitulada Processamento da Morfologia Derivacional do