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A coleta de dados para estudos de caso longitudinais pode basear-se em fontes como documentação, registros em arquivos, entrevistas, histórias de vida, biografias, registros históricos, que podem fornecer dados qualitativos, quantitativos ou ambos (Eisenhardt, 1989; Pettigrew, 1990, 1992; Langley, 1999; Yin, 2001).

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Neste estudo foram utilizadas três fontes de informações, a saber, documentação, registro em arquivos e entrevistas, coletando-se a mais completa seqüência possível de dados pertinentes ao processo estudado. Foi combinada a coleta de dados históricos obtidos pela análise de documentos com entrevistas retrospectivas e dados atuais (Miller e Friesen, 1982; Pettigrew, 1990, 1992; Langley, 1999).

Foram coletados dados secundários de modo a constituir base de dados longitudinal, nos moldes das que foram elaboradas por Smith et al. (1991) e Miller e Chen (1994), em pesquisas sobre o mercado aéreo publicadas, respectivamente, no Strategic Management Journal e no Administrative Science Quarterly.

A fonte documental foi utilizada em virtude das seguintes características: (a) ser estável – pode ser revisada inúmera vezes; (b) ser discreta – não foi criada como resultado do estudo de caso; (c) ser exata – contém nomes, referências e detalhes exatos de um evento; (d) apresentar ampla cobertura – longo espaço de tempo, muitos eventos e muitos ambientes distintos.

O período determinado para levantamento dos dados, 1970 a 2005, foi definido a partir da identificação de pontos de mudanças no setor aéreo nacional, realizada por meio de informações obtidas em entrevistas com especialistas do setor e da experiência prévia do autor em estudo sobre uma empresa do setor (Binder, 2003).

Inicia-se com a década de setenta por esta ter sido marcada pela introdução em larga escala das aeronaves a jato e houve forte ação de regulamentação da aviação, nacional e regional. Fatores que impactaram o panorama e a dinâmica competitiva nos anos seguintes.

As fontes secundárias utilizadas foram: Arquivo da Folha de São Paulo (período de 1970 a 1997 – com os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Gazeta Mercantil), Folha de São Paulo (1998 a 2005), Revista Exame, Anuário Estatístico do DAC, Anuário Econômico do DAC, e Anuário Maiores e Melhores. Na Folha de São Paulo e revista Exame foram identificadas as reportagens cujo título ou subtítulo mencionava o

nome de uma das empresas aéreas estudadas, DAC, ou os termos mercado aéreo, setor aéreo, empresa aérea.

Na Folha de São Paulo, foi realizado levantamento via internet para os anos entre 1998 e 2005 e pessoal, nos arquivos da Folha, de 1970 a 1997. Na revista Exame foi realizado levantamento pessoal nos exemplares físicos para os anos de 1977 a 1987 e, pela internet, nos exemplares eletrônicos de 1988 e 2005. No Anuário Maiores e Melhores foi feito levantamento nos exemplares físicos de 1977 a 2005.

A extração dos dados pertinentes das fontes consultadas foi realizada utilizando como referência os elementos contidos na tabela 5. E as transcrições foram efetuadas obedecendo-se a ordem cronológica (Anexo I).

Tabela 5: Guia para Registro de Informações Secundárias Empresas Aéreas:

Aquisição/devolução de aeronaves Rotas internacionais (entrada e saída) Rotas domesticas (entrada e saída) Aumento da oferta de assentos

Sistema de comercialização (relação com agentes de viagem, bilhete eletrônico, internet) Tecnologia: sistemas de informação (ex: sistema de reserva)

Executivos : demissão e contratação (altos executivos)

Funcionários: demissões, contratações, problemas trabalhistas Promoções Comerciais

Promoções de fidelização Criação de parcerias e alianças Melhoria nos serviços

Novos serviços

Programas de fidelização (criação e eventos) Fusões e aquisições entre empresas aéreas Acordos operacionais

Fatores Econômicos: Preço da tarifa

Custo de Combustível

Variação Cambial / Variação na Demanda Custo de Comercialização

Regulação:

Leis , decretos e normas

Ação do governo (órgãos governamentais) Ações do DAC

Fonte: Elaborado pelo autor com base nas entrevistas e pesquisas sobre o setor aéreo revisadas no referencial teórico.

Também foram consultadas fontes próprias das empresas aéreas como arquivos, documentos sobre a história da empresa, documentos internos, informações institucionais e relatórios externos. Outras fontes de informações auxiliares foram constituídas pelas biografias de fundadores de empresas aéreas (Silva, 1998; Guaracy, 2003), narrativas de pilotos que participaram do desenvolvimento do setor de transporte aéreo nacional (Knippling, 1998; Bordini, 2000), assim como dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre o setor aéreo em aéreas, como Sociologia (Monteiro, 2000), História (Fay, 2001), Engenharia (Espírito-Santo, 2000; Pizzo, 2003) e Economia (Guterrez, 2002).

Os dados coletados nos anuários estatísticos do DAC e no anuário da Revista Maiores e Melhores forneceram elementos quantitativos para suportar o entendimento de diferentes aspectos das transformações ocorridas nas empresas ao longo do tempo.

Como fonte de dados ainda utilizadas entrevistas, efetuadas pelo autor, com executivos e ex-executivos das empresas aéreas, especialistas do setor, pilotos, chefe de comissários, gestores da industria aeronáutica. Foram realizadas dezenove entrevistas. As entrevistas tiveram a finalidade de contribuir para o entendimento do setor, revelar elementos relevantes em sua operação e na operação das companhias aéreas, bem como a dinâmica competitiva destas. As entrevistas visaram obter dados atuais e retrospectivos. Quando o entrevistado permitiu as entrevistas foram gravadas, com o intuito de facilitar a análise posterior, retomar e clarificar temas através de outras consultas ao depoimento do respondente. Quando as entrevistas não foram gravadas foram feitas anotações durante a entrevista e logo após a entrevista pelo pesquisador.

Para Yin (2001), é muito comum que entrevistas para estudo de caso sejam conduzidas de forma espontânea, permitindo ao pesquisador, tanto indagar sobre fatos, quanto pedir a opinião do entrevistado sobre determinados eventos e como os interpreta. Outra forma de entrevista é a focal, na qual o entrevistador segue um roteiro de perguntas e geralmente tem duração inferior à entrevista espontânea. Neste estudo utilizou-se uma combinação dos dois modelos de entrevista: espontânea e focal. Inicialmente, as

entrevistas indagaram questões específicas (focal) e, a seguir, eram conduzidas sob forma de “conversa”, durante a qual eram abordados pontos importantes para o estudo.

Em relação às empresas estudadas, houve a disposição de pessoas darem entrevistas e não da empresa autorizar oficialmente um estudo de caso em profundidade. Por isto, os entrevistados não estão citados nominalmente e não há referência a eles.

Como sugere Yin (2001) e Eisenhardt (1989), realizou-se a triangulação dos dados obtidos, buscando a convergência de informações, a fim, de verificar a validade do construto. Isto porque:

“Com a triangulação, você pode se dedicar ao problema em potencial da validade do construto, uma vez que várias fontes de evidências fornecem essencialmente várias avaliações do mesmo fenômeno (Yin, 2001, p. 121)”.

A triangulação foi utilizada para checar informações através do cruzamento de diferentes tipos de dados – secundários (imprensa, DAC), entrevistas e documentos.