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3.2. ARAŞTIRMANIN BULGULARI VE HİZMET KALİTESİ

3.2.5. Hizmet Kalitesi Beklenti ve Algı Değerlerinin Karşılaştırılması

A

equipe do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, o CPDOC, começou a entrevistar pessoas em 1975, apenas dois anos após a criação da instituição. Atualmente, o CPDOC possui um enorme acervo de cerca de 800 entrevistas, que cor- respondem a mais de quatro mil horas de gravação, das quais cerca de metade disponível na internet. Esse acervo, consultado ao longo dos anos por numerosos pesquisadores brasileiros e estrangeiros, tem dado origem a uma extensa lista de publicações. Quase 30 anos após a sua criação, o Programa de História Oral continua em plena atividade, conduzindo pro- jetos de pesquisa, publicando, integrando associações e oferecendo con- sultorias a instituições de todo o Brasil. É conhecido internacionalmente, graças à atuação de seus pesquisadores na Associação Internacional de História Oral e à divulgação de seus trabalhos em congressos científicos realizados em vários países.

O presente artigo procura iluminar momentos significativos da tra- jetória do Programa de História Oral. Relaciona-os tanto à transformação e à expansão da história oral no Brasil e no mundo, como ao percurso institucional trilhado pelo próprio CPDOC, para, ao final, condensar algu- mas razões que poderiam explicar o êxito desse percurso.

Primeiro, um acervo

O CPDOC foi criado em 1973, a partir do desejo e da necessidade, sen- tidos por membros da família Vargas, de abrigar em local apropriado o rico arquivo pessoal de Getúlio Vargas, até então em poder da família, oferecendo-lhe um tratamento profissional.

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A partir dessa necessidade, a socióloga Celina Vargas do Amaral Peixoto concebeu a idéia de que o arquivo pessoal de seu avô deveria dar início a um centro de estudos e pesquisas sobre a história da república brasileira, sobretudo do período posterior a 1930. Essa fase da história do Brasil, embora fosse objeto de pesquisa sistemática de brasilianistas desde a década de 1960, era então ainda pouco investigada no país. Mas já despertava bastante interesse entre jovens historiadores, sociólogos e cientistas políticos brasileiros, reunidos em alguns centros de estudo e pesquisa como o Iuperj, ligado à Universidade Cândido Mendes, no Rio, e o Cebrap, em São Paulo.

Ficou acertado que o novo centro de estudo e pesquisa sobre a história recente do Brasil seria abrigado pela Fundação Getulio Vargas. Essa insti- tuição técnica de alto nível, surgida no governo de Getúlio (1944) para realizar uma série de tarefas especializadas de interesse do governo federal e para treinar pessoal altamente qualificado para a administração pública, era então quase totalmente mantida com orçamento federal. Conforme depoimento de Celina Vargas do Amaral Peixoto:

“Diante desse quadro, conversamos em família: minha mãe, meu pai, Wellington [Moreira Franco] e eu, e achamos que talvez o caminho adequado fosse nos inte- grarmos à Fundação Getulio Vargas. Sendo assim, minha mãe e eu fomos ao dr. Simões Lopes oferecer o projeto. Existe, aliás, uma carta muito bonita de minha mãe, em que ela se dispõe a doar o arquivo de Getúlio Vargas para a Fundação, com a condição de que fosse criada uma instituição que abrigasse os arquivos dos demais participantes do movimento revolucionário de 30.”

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Criado em 25 de junho de 1973 por portaria do presidente da FGV, Luiz Simões Lopes, o CPDOC ficou subordinado ao Instituto de Direito Público e Ciência Política (Indipo), dirigido, então, por Temístocles Cavalcanti, par- ticipante ativo da política brasileira pós-30 e, mais tarde, por Afonso Arinos de Melo Franco. Na mesma época da criação do CPDOC, criaram-se outros

centros de documentação e de preservação da memória nacional, como o Centro de Documentação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (1971) e o Centro de Memória Social Brasileira, do Conjunto Universitário Cândido Mendes (1972); na época, houve também a revital- ização da Fundação Casa de Rui Barbosa.

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Ao arquivo privado de Vargas logo se somaram vários outros, doados por famílias de importantes homens públicos brasileiros, como Osvaldo Aranha (o segundo transferido para o CPDOC), Gustavo Capanema, Etelvino Lins, Otávio de Farias, Juraci Magalhães e outros, conforme se pode comprovar pelo extenso Guia de arquivos da instituição. As primeiras transferências de arquivos ocorreram em conseqüência da pro- ximidade e amizade entre os Vargas e as famílias doadoras, enquanto algumas doações posteriores aconteceram já em função do prestígio que o CPDOC começava a angariar, como instituição que acolhia, preservava e organizava os arquivos privados contemporâneos, franqueando-os à con- sulta pública. Atualmente, o CPDOC – primeira instituição brasileira a dar tratamento arquivístico em grande escala a documentos privados – possui o mais importante acervo de arquivos pessoais de homens públicos do Brasil: 1,8 milhão de documentos, distribuídos em cerca de 170 fundos. Esse acervo, parcialmente disponível na internet, tem sido consultado por grande número de pesquisadores do Brasil e do exterior, que aí encontram subsídios para suas pesquisas a respeito da história republicana brasileira. E a equipe do CPDOC há muitos anos tem sido sistematicamente convidada a oferecer consultorias e cursos a diversas instituições do país, interessadas elas também em constituir e organizar arquivos privados.

O que se está querendo ressaltar aqui é: antes de organizar qualquer acervo de história oral ou de realizar uma única entrevista, o CPDOC surgiu – ainda que de forma embrionária – como um centro destinado a agrupar arquivos particulares de políticos que atuaram no período poste- rior a 1930, assim como a realizar pesquisas sobre a história política do Brasil contemporâneo. Mesmo quando se leva em conta as muitas trans- formações ocorridas na vida da instituição ao longo dos seus 30 anos de existência, percebe-se que ambas as atividades – a documental/arquivísti- ca e a de pesquisa – se fizeram presentes em toda a trajetória do CPDOC, o que, além de ajudar a constituir a identidade da instituição, também

teve profundas conseqüências para o tipo de história oral aí realizado, especialmente nos 15 primeiros anos, assunto ao qual retornaremos. O Programa de História Oral: entrevistas e intenções iniciais O Programa de História Oral do CPDOC nasceu de questões originadas pelos próprios arquivos doados à instituição. O manuseio dessa documen- tação pela equipe, para fins de organização arquivística ou de pesquisa, gerava uma série de dúvidas e perguntas – relativas à complementação de informações históricas, à checagem em novas fontes dos dados apresentados por determinado agente social, à existência de possíveis outras versões a respeito dos fatos narrados etc. Por outro lado, dentro da própria FGV, ou entre os parentes ou conhecidos dos membros da equipe, existiam pessoas com intensa participação na história política recente do país, muitas das quais gostariam de ser ouvidas a respeito de suas experiências. Conforme declarou Aspásia Camargo, organizadora e primeira diretora do Programa de História Oral do CPDOC:

“[A história oral no CPDOC] foi uma coisa que nasceu da nossa própria práxis. Como tínhamos alguns arquivos, e Celina estava fazendo uma grande ofen- siva para conseguir novos, freqüentemente tínhamos pessoas que vinham doar do-cumentos e sabiam de coisas incríveis. Lembro que quando se organizou o arquivo do Osvaldo Aranha, seu secretário, por exemplo, Rubem Rosa, já ve- lhinho, nos visitava, nos ajudava a identificar os documentos e ficava contando casos. [...] Temístocles Cavalcanti [...] também era memória viva de muita coisa, porque tinha sido constituinte em 1933. Começamos então a ser ‘as meninas do CPDOC’, aquelas que tinham disponibilidade para ouvir histórias [...].”

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Unindo-se os dois fatores – necessidade do trabalho histórico e arquiv- ístico e disponibilidade de informantes –, a ainda pequena equipe do CPDOC começou, a partir de 1975, a realizar as primeiras entrevistas dentro da instituição. Guiavam-na muito mais a curiosidade intelectual e a necessidade de contextualizar a documentação que possuía do que preocupações teóricas ou metodológicas em relação à história oral, campo do conhecimento que então apenas começava a configurar-se academicamente no mundo.

À medida que as entrevistas prosseguiam, tornavam-se cada vez mais evidentes, para os pesquisadores do CPDOC, as enormes potencialidades do documento oral, seja para complementar informações dos arquivos escritos, para acrescentar novas informações que os escritos não conti- nham, seja para destacar e esclarecer as participações históricas de vários homens públicos da história brasileira recente cuja existência, em geral, era notada apenas por um ou outro episódio de que haviam participado com mais destaque, mas cuja trajetória integral, cuja história de vida, não era ainda conhecida. Assim, foi tomando forma e amadurecendo, para a equipe, a idéia de que seria necessário tornar as entrevistas, e o acervo delas resultante, uma atividade constante e relevante da instituição. Começava assim a gestar-se o Programa de História Oral do CPDOC.

As condições de trabalho, contudo, eram ainda extremamente pre- cárias, conforme registrado na memória de Aspásia Camargo:

“A História Oral foi um trabalho hercúleo. Eu fiz 750 horas de entrevistas e, no início, dizia que a equipe era composta de uma pessoa e meia, porque éra- mos eu e o Luís Henrique Bahia, que trabalhava meio expediente. Não havia condições de se transcrever todas as entrevistas, era uma luta contra o tempo, a gente tinha que gravar e gravar.”

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Para atingir os objetivos traçados pela equipe do CPDOC, de transformar a história oral em atividade regular e relevante na instituição, criando um Programa de História Oral, era necessário o aporte de recursos capazes de permitir a contratação de pessoal especializado para realizar as pesquisas, os roteiros prévios das entrevistas, as transcrições, revisão e edição dos depoimentos, além da catalogação e da guarda, em local apropriado, das fitas e das transcrições em papel.

Os financiamentos

A oportunidade surgiu em 1975, quando a Fundação Ford no Brasil – sediada no Rio de Janeiro e então comandada pelo brasilianista Richard Morse – decidiu modificar sua linha mestra de atuação no país, voltada havia uma década para “ajudar a construir as bases de instituições locais, para a emergência de uma comunidade nacional de ciências sociais”.

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Relacionando razões que iam desde o apoio financeiro que o governo brasileiro começava a dar às universidades até a diminuição do seu próprio orçamento, a Ford elegeu como meta de sua nova política reforçar “os vínculos entre os scholars e as instituições, a pesquisa in-telectualmente madura, os serviços dos centros documentais, a publicação selecionada e os encontros, workshops e projetos conjuntos que estabelecerão parâmet- ros, manterão vivas as opções e desenvolverão alternativas para políticas públicas”.

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Para tanto, a instituição deixaria de financiar no Brasil, como vinha fazendo até então, pesquisas em nível de mestrado, e promoveria uma drástica redução no apoio às pesquisas de doutorado. Usaria os fundos até então destinados às bolsas para complementar as novas prio- ridades.

É fácil perceber que o CPDOC ajustava-se perfeitamente à nova política da Ford no Brasil. Era por definição um centro de coleta, guarda e orga- nização de documentação histórica contemporânea brasileira, valorizada pelos norte-americanos e ainda pouco pesquisada; era um centro de pes- quisa de qualidade; estava alojado dentro de uma instituição prestigiosa, e contava com uma equipe diminuta, porém composta de scholars muito bem formados e intelectualmente maduros – as dirigentes iniciais dos pro- jetos do CPDOC tinham feito pós-graduação e/ou doutorado na França, fato então raro na área de ciências humanas no Brasil; os pesquisadores do CPDOC já estavam realizando contatos nacionais e internacionais, e mostravam-se desejosos de implementar esse tipo de coope-ração; final- mente, estavam começando a realizar pesquisas inovadoras para a época, como as referentes ao tempo presente e à história oral.

Os resultados do contato entre a Fundação Ford e o CPDOC não tardaram. No mesmo documento citado, entre as iniciativas já tomadas para implementar sua nova política, a Ford relacionava “uma doação à Biblioteca Nacional que inclui o apoio para um grupo de trabalho em do-cumentação de ciências sociais, o arquivo presidencial de Getúlio Vargas, um projeto de microfilmagem de jornais, um inventário parcial de pesquisa e bibliografia, um programa de treinamento em história oral, e um seminário sobre preservação de livros”. O documento esclarecia ainda que um mecanismo central à nova política era o “Projeto para Pesquisa e Treinamento em Ciências Sociais, para o qual um suplemento de dois anos

está sendo proposto”.

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Junto com outras instituições brasileiras, o CPDOC integrou o que ficou se chamando Grupo de Documentação em Ciências Sociais.

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Em março de 1977, recebeu da Fundação Ford US$ 40 mil, que correspon- diam a 34,7% da dotação total de US$ 115 mil repassada na ocasião às instituições brasileiras. Em dezembro do mesmo ano, foi agraciado com mais US$ 18 mil (36% do total de US$ 50 mil), que foram canalizados para o seu nascente Programa de História Oral. Pela dotação inicial da Ford, seriam destinados US$ 15 mil ao CPDOC, e US$ 3 mil à História Oral, mas Celina Moreira Franco expôs que “desejaria modificar o orçamento referente ao subprojeto CPDOC [...]. Essas modificações visam a concen- trar recursos num projeto de história oral”.

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Portanto, foi nesse momento que o CPDOC optou por conferir prio- ridade à história oral, destinando a essa atividade o total dos recursos recebidos na segunda parcela da Fundação Ford. Estavam assim criadas as condições para o funcionamento do Programa de História Oral.

Além desse apoio da Ford, que representou a principal fonte para a sua constituição e seus primeiros trabalhos, o Programa de História Oral contou com o aporte de outros recursos, de origem federal. Inicialmente, contou com parte do pequeno repasse feito pela Fundação Getulio Vargas ao CPDOC, retirado do orçamento da FGV. A partir de 1975, contou também com uma parcela dos recursos resultantes de convênios entre o CPDOC e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência con- stituída em meio ao conjunto de organismos e programas criados pelo go-verno federal a partir de 1969 com vistas ao financiamento científico e tecnológico no país.

Em 1975, a Finep começou a financiar os primeiros projetos na área das ciências humanas, beneficiando algumas instituições, entre as quais o CPDOC.

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Com os recursos da Finep, o CPDOC pôde reforçar extraordina- riamente suas pesquisas, programas e atividades relacionadas ao acervo, e implementar novos projetos. Até 1987, a Finep foi a mais importante fonte de recursos do CPDOC e, por conseguinte, também do Programa de História Oral, após o aporte inicial da Fundação Ford. Depois de 1987, especialmente durante a década de 1990, a situação dos financiamentos do CPDOC mudou radicalmente, o que ocasionou transformações profundas no seu Programa

de História Oral, assunto ao qual retornaremos.

O primeiro curso internacional de história oral no Brasil Entre as atividades previstas no convênio com a Fundação Ford, estava o oferecimento de um curso de história oral ministrado por professo- res estrangeiros e organizado pelo CPDOC, mas destinado também a pesquisadores de outras instituições brasileiras interessadas no assunto. O Seminário Interuniversitário de História Oral, como foi denominado, recebeu, além dos já citados recursos da Ford, CR$ 55 mil provenientes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes – que então começava a apoiar de forma mais sistemática também a área de ciências humanas –, destinados a despesas de custeio.

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A organização de um curso era uma necessidade já fortemente sentida pelos pesquisadores do Programa de História Oral do CPDOC. A própria prática de realização de entrevistas demonstrara a conveniência de buscar um conhecimento atualizado, abrangente e sistemático sobre a história oral, capaz de responder às dúvidas do grupo, que abarcavam desde assuntos muito concretos, como as possíveis formas de organização e conservação de acervos orais, ou as formas legais de doação e utilização das entrevistas, até inquietações de fundo teórico-metodológico, passando por questões técnicas, referentes, por exemplo, à gravação e à realização das entrevistas. Essas dúvidas justificavam-se, pois, se em 1977 a história oral ainda lutava por reconhecimento acadêmico na maioria dos países, no Brasil era uma atividade incipiente, praticada institucionalmente apenas no próprio CPDOC e na Universidade Federal de Santa Catarina.

O Seminário Interuniversitário de História Oral foi divulgado amp- lamente entre instituições latino-americanas e brasileiras. Realizou-se durante o mês de julho de 1975, com aulas diárias, pelas manhãs e às tardes, das segundas às quintas-feiras. Contou com um total de 38 alu- nos, entre os quais dois peruanos, além de pesquisadores brasileiros, sete dos quais com bolsas da Capes, oriundos de diversos estados e instituições destinadas a ajudar no custo do deslocamento até o Rio de Janeiro e na estadia na cidade.

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O seminário foi ministrado pelos professores George Philip Browne, da Universidade de Columbia – também coordenador acadêmico do curso –,

James W. Wilkie, da Universidade da California em Los Angeles (UCLA), e Eugênia Meyer, da Universidade Autônoma do México (UNAM).

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O programa do curso, constando de aulas expositivas e da realização de ent- revistas pelos alunos, voltou-se para a prática da história oral, principal- mente para as técnicas de realização, transcrição e cessão de entrevistas, assim como para a organização dos acervos orais, havendo pouco espaço para discussões de caráter teórico-metodológico.

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É possível assim notar a influência do coordenador acadêmico, professor George Browne, que transmitiu o caráter eminentemente técnico e prático do pioneiro (esta-belecido ainda na década de 1950, quando apareceram os primeiros gravadores de rolo) Oral History Program, da Universidade de Columbia. De qualquer forma, o curso, também ele uma atividade pioneira no Brasil, foi extremamente importante para consolidar determinadas técnicas de história oral no CPDOC (como o modelo de cessão de entrevistas), e para aproximar sua equipe de outros pesquisadores, estrangeiros e brasileiros, interessados em história oral, aumentando o intercâmbio científico. O trabalho nos anos 1980: realizações e metodologias No final da década de 1970 e durante a década de 1980, o Programa de História Oral do CPDOC consolidou-se, firmando-se como o mais impor- tante do país. Seu acervo oral enriqueceu-se muito, com a realização e a transcrição de numerosas entrevistas, a maioria com políticos brasileiros que atuaram a partir de 1930.

Uma parte dessas entrevistas realizadas pelos pesquisadores do Programa de História Oral, provavelmente a maioria, tinha como principal meta a reconstituição da história de vida do entrevistado, de forma a pôr em relevo não apenas sua participação em determinado evento histórico, mas todo o percurso de sua vida, aí incluídas as relações familiares, a for- mação educacional, a vivência profissional, a atuação política nos diversos níveis, as transformações do pensamento, as relações com partidários e adversários etc. Essas entrevistas minuciosas costumavam durar muitas horas, divididas em várias sessões, seu conteúdo tanto complementando informações do acervo escrito e dos livros publicados sobre os assun- tos em foco, como oferecendo novos dados e perspectivas inovadoras – aquelas dos entrevistados – sobre fatos históricos conhecidos.

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Esse tipo de entrevista estava perfeitamente consoante com a preocu- pação principal da equipe, à época: a formação de um acervo de história oral sobre a vida pública brasileira pós-1930; ou seja, a constitui-ção de uma série organizada de registros orais sobre o período, suficientemente ampla e profunda para poder, quando mais tarde consultada por pesqui- sadores – inclusive em futuro distante –, oferecer o maior número possível de informações e, sobretudo, uma visão de conjunto da existência do entrevistado e dos eventos da vida nacional dos quais este participou. Essa perspectiva, consolidada já no final da década de 1970, foi assim expressa por Aspásia Camargo:

“[...] em países como o Brasil, em áreas do conhecimento mais carentes, em que o registro histórico é precário ou nulo, [...] cabe à história oral exercer uma função globalizadora de coleta de informações verbalmente transmitidas pelos

participantes e testemunhas dos acontecimentos a que se reporta. [...] Em paí- ses como o nosso, onde inexiste uma tradição historiográfica consolidada, a

Benzer Belgeler