Natureza do Caso: Assembléia Geral - Competência Tribunal: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Tipo e Número do Recurso: Apelação Cível nº 170.527-1/5 Relator: Desembargador Lobo Júnior
Data do Julgamento: 30.04.1992 Data de Publicação do Acórdão: Localização do Acórdão: RT 685:85
Artigos da Lei nº 6.404/76 Mencionados: art. 131, art. 132, 163, V, 123, b
Ementa: “SOCIEDADE ANÔNIMA - Assembléia geral ordinária - Não convocação
no prazo legal - Realização posteriormente como ordinária - Impossibilidade - Convocação que deveria ser na forma de extraordinária - Ata não arquivada pela Junta Comercial - Legalidade - Segurança cassada - Inteligência do art. 132 do C Comercial (sic) - Declarações de votos vencedor e vencido” (A ementa consta da Revista dos Tribunais, e não da cópia do acórdão fornecida pelo Tribunal).
Sumário dos Fatos: Cambesa Cambe Empreendimentos Imobiliários S.A. pretendeu
arquivar assembléia geral extraordinária convocada e realizada após o prazo estabelecido pela Lei das Sociedades por Ações. A Junta Comercial negou o arquivamento, alegando que a assembléia deveria ter sido convocada como extraordinária. A empresa impetrou mandado de segurança, tendo sido deferido o pedido. A Fazenda do Estado de São Paulo apelou. Por votação majoritária, o Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso.
Fundamento Principal: O caráter ordinário de uma assembléia geral é dado pelo
tempo de sua realização (nos quatro primeiros meses do exercício social) e não em razão da matéria deliberada.
Questões Relevantes: Uma assembléia que delibere matéria prevista no art. 132 da
Lei das Sociedades por Ações será ordinária, ainda que se realize após o prazo legalmente previsto?
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Entendimento do Tribunal: Não. “Os administradores, quando deixam de observar
os prazos fixados na legislação, somente poderão regularizar a situação por meio de assembléia extraordinária, desde que não o fizeram extraordinariamente”. Aprovar as contas em exercício posterior significa aprová-las extraordinariamente.
Voto Divergente: Sim. A competência da assembléia geral ordinária é determinada
em razão das matérias que nela são deliberadas, nos termos do art. 133 da Lei das Sociedades por Ações.
Fundamento do Voto Divergente: A assembléia assume o caráter de ordinária em
razão das matérias que delibera.
Doutrina Referida: Rubens Requião, Curso de Direito Comercial - ed. Saraiva,
1977 - volume II, pág. 156. Modesto Carvalhosa, Comentários.
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Natureza do Caso: Assembléia Geral - Competência Tribunal: Tribunal de Justiça de São Paulo
Tipo e Número do Recurso: Apelação Cível nº 92.021-1 Relator: Fortes Barbosa
Data do Julgamento: 07.06.1988 Data de Publicação do Acórdão:
Localização do Acórdão: Revista de Direito Mercantil – nº 79/101 Legislação Mencionada: Decreto-Lei 1598/77
Artigos da Lei nº 6.404/76 Mencionados: art. 132, 166, 167
Ementa: “Sociedade Anônima – Correção do capital social – Artigo 132, da Lei
6.404/76 – Cumprimento desta exigência legal via Assembléia Geral Extraordinária – Admissibilidade – Hipótese em que não foi convocada Assembléia Geral Ordinária para aprovação do exercício, dado o ajuizamento de ação discutindo as contas anteriormente apresentadas pela Diretoria. Não aplicabilidade do referido artigo justificada, tendo-se em vista que haveria excesso prazal dos administradores no cumprimento da correção, incidindo-se imposto de renda na base de 25% do seu valor, nos termos do Decreto-Lei 1.598/77. Anulatória improcedente. Deliberação restaurada. Recurso parcialmente provido para este fim.”
Sumário dos Fatos: Trata-se de ação para tornar sem efeito a deliberação tomada
em assembléia geral extraordinária, ocorrida em 26.12.1984, apenas no que se refere a correção monetária do capital social e pedindo destituição da diretoria. O juiz singular julgou procedente em parte a ação, tornando sem efeti a deliberação da AGE, mas indeferindo o pedido de destituição da diretoria. Os autores alegam que quando da realização da AGE de dezembro de 1984 não havia sido realizada a AGO daquele ano, e que era objeto da AGE o aumento do capital social decorrente da capitalização de correção monetária. Informaram, ainda, que a protelação da AGO lhes trouxe prejuízos eis que não se distribuíram dividendos. O Desembargador Presidente iniciou seu voto destacando o seguinte: (i) de fato, não havia se realizado a AGO para aprovação das demonstrações financeiras relativas ao exercício de 1983, e tal decorria da existência de ação judicial que discutia justamente a aprovação de tais contas; (ii) ante a impossibilidade e realizarem tal AGO os administradores, por
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razões fiscais, convocaram a AGE que se pretende anular; (iii) o § 6º do art. 65 do Dec.-Lei nº 1598/77, ao dispor que “O fato gerador completa-se independentemente de deliberação de que trata o § 3º, se dentro de 30 dias do término do prazo legal para a realização da Assembléia Geral de aprovação da demonstração de resultado do exercício, a Assembléia não se reunir ou não deliberar sobre a demonstração de resultados e destinação de excesso de lucros ou reservas de lucros.”, simplesmente obrigava a realização da AGE sob pena de incidir imposto de renda, à alíquota de 25%, sobre o valor da correção monetária do capital social. Portanto, entendeu o Tribunal de Justiça de São Paulo haver razões para a realização da AGE naquela oportunidade, justificando-se a prorrogação da deliberação sobre lucros e dividendos para a AGO do próximo ano. Diz o acórdão que “ justificada a não aplicabilidade do art. 132 da Lei nº 6404/76 por circunstâncias de fato irreversíveis que impediram a convocação da Assembléia Geral para aprovação das contas ora acima mencionadas é óbvio que havia justificativa legal e tributária para a convocação da Assembléia Geral Extraordinária…”. No tocante à destituição da diretoria, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou o entendimento do juiz, no sentido de que a nomeação ou destituição dos seus membros é privativa da assembléia geral, conforme lecionam Modesto Carvallhose e Wilson de Souza Campos Batalha, além de não ter ocorrido nehumas das hipóteses de intervenção judicial (ausência de eleição pelo órgão competente, impasse na eleição, dilapidação patrimonial, insolvência). Em resumo, o acórdão confirmou a competência da AGE para aprovar a correção da expressão moentária do capital social e para destituir diretor da companhia.
Fundamento Principal: Nos termos do acórdão, “justificada a não aplicabilidade do
art. 132 da Lei nº 6.404/76 por circunstâncias de fato irreversíveis que impediram a convocação da Assembléia Geral para a aprovação das contas ora acima mencionadas, é óbvio que havia justificativa legal e tributária para a convocação da Assembléia Geral Extraordinária…”. O acórdão também confirma ser competência da AGE eleger e destituir diretores, observado o estatuto social.
Questões Relevantes: A aprovação da expressão da correção monetária do capital
social é matéria privativa de AGO ? Por que o seria ? Se a aprovação de tal número independe da apreciação das demonstrações financeiras – lembrando que se trata de
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mero cálculo aritmético de aplicar o percentual de correção monetária sobre o valor do capital social - a não ser que tenha ocorrido alterações no valor do capital social durante o exercício, qual a razão de não se permitir sua aprovação em AGE ? Considerando como verdadeira a alegação de que a sociedade incorreria em ônus fiscais relevantes caso não aprovasse tal matéria, não estaria justificada a convocação extraordinária, como entendeu a maioria do Tribunal? De fato, qual prejuízo causou tal procedimento aos acionistas minoritários?
Entendimento do Tribunal: Pode a AGE deliberar pela aprovação da correção da
expressão monetária do capital social se não for possível a convocação de AGO e se houver razões que justifiquem tal procedimento. Cabe à assembléia geral, observado o estatuto social, nomear e destituir diretores.
Voto Divergente: Sim
Fundamento do Voto Divergente: O Desembargador Relator, Munhoz Soares,
divergiu da decisão da Câmara, alegando o seguinte: (i) o art. 5º, § único da Lei das S.A. determina que “ O capital social somente poderá ser modificado com observância dos preceitos desta lei do estatuto social (art. 166 a 174).”; o Parecer de Orientação nº 2 da CVM determina que apenas a AGO poderia apreciar tal matéria; (iii) que é competência privativa da AGO (art. 132, IV, c.c. 167 da Lei nº 6404/76) aprovar a expressão da correção monetária do capital social; (iv) a não realização das AGOs dos exercícios anteriores impede a verificação das demonstrações financeiras, impedindo a deliberação sobre a destinação do lucro. O voto divergente, contudo, acata a decisão da maioria do sentido de conferir validade a destituição de diretor deliberada na AGE.
Doutrina Referida: Modesto Carvalhosa e Wilson de Souza Campos Batalha
(citados pelas rés); Ruy Barbosa Nogueira (parecer juntado aos autos); Alberto Gomes da Rocha Azevedo, DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE MERCANTILi, 1a. ed., Educ. Editora Resenha Universitária, SP, 1975, págs. 81 e segtes.; Jean Escarra, COURS DE DROIT COMMERCIAL, Paris, 1952, págs. 466 e segtes. (apud Alberto Gomes da Rocha Azevedo); Ruggiero-Maroi, d’Avanzo, Angeloni e Ernani Estrela (sempre apud Rocha Azevedo); Paulo Ceza Aragão, LEI DE SOCIEDADES ANÔNIMAS “apud” Série Legislação Brasileira, de Juarez de Oliveira e Marcus
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Cláudio Acquaviva, 6ª ed., Saraiva, atualizada, 1981; Fábio Konder Comparato, ENSAIOS E PARECERES DE DIREITO EMPRESARIAL, 1a. ed. Forense, 1978, Rio, págs. 29 a 37; Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro, 1a. ed., José Butschatsky Ltda., 2º vol., pág. 553).
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Natureza do Caso: Assembléia Geral - Competência Tribunal: Tribunal de Justiça de São Paulo
Tipo e Número do Recurso: Apelação Cível nº 119.219-1 Relator: Desembargador Godofredo Mauro
Data do Julgamento: 17.04.1991 Data de Publicação do Acórdão: Localização do Acórdão:
Legislação Mencionada:
Artigos da Lei nº 6.404/76 Mencionados:
Ementa:
Sumário dos Fatos: Por meio de ação declaratória, acionistas buscam a declaração
de nulidade das assembléias gerais extraordinárias realizadas em 14.11.82, 15.12.82 e 28.03.83, que deliberam sobre o aumento do capital social da companhia. O juiz singular julgou improcedende a ação. O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a sentença afirmando: (i) o estatuto social contém disposição no sentido de atribuir competência ao Conselho Diretor para deliberar sobre aumento do capital social até o montante de 30% do capital social integralizado na data desta decisão; (ii) tal competência não exclui a da AGE de deliberar sobre o mesmo assunto; (iii) na realidade a competência do Conselho Diretor “configura-se faculdade de atuar, que não pode conflitar com a competência do órgão máximo de deliberação da sociedade, a Assembléia Geral, esta com poderes para ratificar ou não todos os atos que interessam à sociedade.”; (iv) não se justifica a anulação de AGEs que deliberam pelo aumento do capital social, tendo uma delas delegado ao Conselho poderes para “ decidir sobre a subscrição de ações e respectiva realização de bens.” Fundamento Principal: É competência da AGE, “órgão máximo de deliberação”
da sociedade por ações, deliberar sobre o aumento do capital social, ainda que concorrente com outro órgão deliberativo criado pelo estatuto social.
Questões Relevantes: Que matérias ou decisões o estatuto não pode excluir da
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Entendimento do Tribunal: Ainda que o estatuto disponha sobre competência
(faculdade) de outros órgãos da administração da companhia, a AGE tem competência para aprovar aumento do capital social.
Voto Divergente: Não
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