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EXTENDED ABSTRACT Background

3. ARAŞTIRMANIN METODOLOJİSİ

4.2. Hipotez Bulguları

O indicador de condição de vida do MDA/SDT usa em sua essência a condição de vida como mais uma abordagem do desenvolvimento, empregando suas multidimencionalidades, através dos critérios de Amartya Sen, para realizar o cálculo do ICV. De acordo com Rambo et. al(2012), a abordagem que relaciona o desenvolvimento à percepção da condição de vida ganhou destaque com o mencionado autor, cuja a proposta é possibilitar aos indivíduos o acesso ao tipo de vida que gostariam de ter. Antes dos conceitos empregados por Sen, o desenvolvimento de uma região era reflexo apenas de seus indicadores econômicos.

Para Sen (2010) o desenvolvimento é um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam, entretanto não haverá liberdade de escolha se os indivíduos não dispuserem de capacidades. A liberdade destacada pelo autor depende de determinantes como serviços de educação, saúde e liberdade de participar de discussões e averiguações públicas. As principais privações de liberdade que devem ser removidas, para que ocorra desenvolvimento são: pobreza, carência de oportunidades econômicas, negligência dos serviços públicos e intolerância excessiva de Estados repressivos.

Levando a abordagem de Sen para o meio rural, Schneider (2013) declara que a ampliação das capacitações, ou seja, o aumento do leque de escolhas dos meios, dos indivíduos e das famílias rurais pode ser realizada pela variação das formas de organização econômica e produtiva. O aumento das oportunidades e das opções de escolha é imprescindível para que tais famílias possam estabelecer estratégias de combate às vulnerabilidades a que são submetidas, como: doenças, clima etc., bem como aumentar sua capacidade em lidar com problemas.

A abordagem de Sen “faz com que estudiosos do desenvolvimento rural passem a rediscutir as estratégias de combate à pobreza com base na hipótese de que mais importante do que dar comida aos pobres seria dotá-los de recursos que estimulassem suas capacidades, fortalecendo os meios de que dispõem para realizar suas atividades” (SCHNEIDER, 2013).

Diante do exposto, percebe-se que o ICV proposto pelo MDA é um indicador que busca representar as mudanças percebidas, em termos das condições de vida das famílias nos territórios, através da concepção dos entrevistados (SGE, 2011), dessa forma, os questionários foram elaborados, proporcionando respostas em valores pré-estabelecidos, organizadas em escalas que variam de 1 a 5 pontos, (1= péssimo a 5= ótimo), captando assim a avaliação feita pelos produtores, sobre os diversos aspectos. As informações foram extraídas através de questionários aplicados de agosto a dezembro de 2010. Para obter a amostra dos Estados, o órgão usou a metodologia para amostras aleatórias com sorteio em dois estágios, a partir de dados do Sistema de Informações dos Territórios - SIT e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. O universo da pesquisa foi constituído pela população rural residente nos municípios que compõem os Territórios da Cidadania, e a unidade amostral foram os domicílios rurais.

O questionário elaborado pelo SGE é composto por 3 instâncias e 24 indicadores, divididos de acordo com o Quadro 1. Foram incluídas no questionário, além de perguntas para obtenção dos indicadores para a construção do ICV, também questões que identificassem os respondentes, com o objetivo de esboçar um perfil desses indivíduos, bem como questões referentes ao modo de produção (ver anexo A).

De acordo o SGE, o Índice foi obtido em situações sem produção, com produção familiar e com produção não familiar, uma vez que, ao ir a campo, observou-se que nem todos os domicílios rurais possuem produção. Entre os que possuem, alguns de seus membros são agricultores familiares, outros não. O grupo que pode obter o ICV a partir de sua concepção original, ou seja, considerando os 24 indicadores, são aqueles com produção. Os domicílios sem produção não têm informações para as instâncias 1 e 2. Dessa forma, o índice desse grupo é calculado apenas com a instância 3.

Quadro 1 - Instâncias e indicadores de desenvolvimento rural e das condições de vida dos produtores rurais

Instâncias Indicadores

Fatores que favorecem o desenvolvimento (intitulamentos)

Mão de obra familiar em atividade dentro ou fora da unidade

Área da unidade de produção familiar Escolaridade

Condições da moradia Acesso a mercados

Acesso a políticas públicas (Pronaf, bolsa-família, ...) Acesso a crédito e assistência técnica

Presença de instituições que favorecem o desenvolvimento rural

Características do desenvolvimento (elementos de conversão)

Renda familiar

Produtividade do trabalho Produtividade da terra

Diversificação da produção agrícola

Pluriatividade, diversificação nas fontes de renda familiar

Uso e preservação dos recursos naturais: água Uso e preservação dos recursos naturais: solo Uso e preservação dos recursos naturais: vegetação nativa

Efeitos do desenvolvimento (capacitações e funcionamento)

Estar bem alimentado / nutrido Ter boa saúde

Permanência dos membros da família da unidade de produção

Percepção sobre as mudanças na situação econômica da família

Percepção sobre as mudanças na situação ambiental da unidade

Participação social (cooperativas, associações) Participação política (eleições, conselhos, assembleias)

Participação cultural (grupos de expressão cultural, outras atividades)

Fonte: Secretaria de Gestão Estratégica, 2011

De acordo com Rambo et al (2012), essas três dimensões foram baseadas na perspectiva trazida por Kageyama (2008). A primeira se refere aos fatores que favorecem o desenvolvimento rural, quando se procura identificar as diferentes bases territoriais sobre as quais se desenrola o processo de desenvolvimento rural. A segunda busca identificar as possíveis diferenças nas trajetórias do desenvolvimento, representando as características do desenvolvimento rural. A terceira pressupõe os efeitos dos processos de desenvolvimento, admitindo que as características, junto à base territorial diversa, produzem resultados econômicos e sociais também diversos.

As dimensões, de acordo com Rambo et. al (2012), estão pautadas na concepção de desenvolvimento de Amartya Sem. As instâncias do quadro 1 aproximam-se da abordagem das Capacitações do autor, a qual, de acordo com Mattos e Waquil (2008), procura avaliar a liberdade de escolha, que está ligada intimamente à qualidade de vida. Por meio dessa

abordagem, podem-se captar elementos importantes como: heterogeneidades pessoais, diversidades ambientais, variações no clima social, diferença de perspectivas relativas e distribuições intrafamiliares (SEN, 2010).