2. GENEL BİLGİLER
2.6. Epilepsi İle Karışan Paroksismal Olaylar
2.6.12. Hiperekspleksi
Na sistematização das novas modalidades de aventura como dimensão positivada na gestão dos riscos, Spink et al. (2001) descrevem, a partir das teorização dos jogos de Roger Caillois
(1958), a construção social do risco, o qual deixa de ser pensado apenas no âmbito institucionalizado e passa a ser incorporado ao cotidiano das pessoas na busca de emoções exacerbadas. Seguindo as pistas sugeridas por Le Breton (1991), Spink et al (2001) propõe que, ao assumir o risco deliberado, estes homens estariam a buscar a intensidade do modo de existir. Em seis das dez entrevistas realizadas, foi possível identificar vocabulários que nos parecem estar relacionados à noção de risco positivado, ou seja, palavras que expressam a dimensão positiva das práticas consideradas “arriscadas” no contexto da infecção pelo HIV.
Quadro VI - Palavras que expressam a positividade do risco
Participantes Palavras que expressam desejo Palavras que expressam sensações positivas abstratas Palavras que expressam sensações positivas corporificadas Palavras que expressam aventura ou abertura às novas experiências
Agileu Desejo Prazer Carinho
Contato Sensibilidade Interessante Cristian Excitação Tesão Prazer Sensual Daniel Excitação
Gabriel Excitação Gostoso
Prazer Liberdade Rony Intenso Êxtase Vontade Gostoso Sensação Agradável Aventura
Yuri Desejo Prazer Fantasia
Dentre os dez colaboradores, quatro não usaram nenhum termo que poderíamos identificar como sinalizador do risco-aventura, embora essa experiência possa ser descrita de outras formas, como nos dizeres de Flávio: com o passar do tempo = quanto mais eu descobria [práticas sexuais]
= mais eu queria ((risos)). Até se tornou um vício uma época porque eu queria mais e mais, eu queria conhecer mais, eu queria (.hhh) saber mais. E de Edu: “↓ [Com homens e::::::e poligamia], <inclusive>. Já dentre os seis homens cujas palavras encontram-se no quadro acima, o termo “prazer” apareceu quatro vezes, “desejo”, e “excitado” duas, e as demais não se repetiram. São elas:
“carinho”, “contato”, “sensibilidade”, “seguro”, “interessante”, “liberdade”, “sensual”, “tesão”, “aventuras”, “vontade”, “intenso”, “agradável”, “sensação” e “fantasia”.
Foi assim no caso de Caio, ao relatar suas práticas de risco, mesmo diante das possíveis imponderações. Diz:
Na época (.), sempre eu soube dos riscos, mas sempre me arrisquei muito (.). (...) Eu::::u ((engasgo) (...). Daí eu::::u, depois de muito arriscar ↑>resolvi fazer um exame com uns 22 anos<. ↑ Deu negativo. Aí fui fazendo (.) o primeiro, o segundo, o terceiro, sempre dando negativo mesmo me arriscando. Então eu achava que não era tão fácil pegar (.).(...) E aí fui fazendo mais exames. Eu cheguei a fazer uns >sete exames< até o oitavo dar positivo ((gargalhadas)). Então, até o oitavo foram (x) oito exames. Inclusive eu sei a data porque foi mais uma situação em que eu contei com a sorte (...) ((lágrimas escorrem dos olhos)).
Caio relata que “sempre” se arriscou. A palavra “sempre” dá a ideia de intensidade, de que era algo recorrente. No entanto, depois de certo tempo começou a fazer os testes de HIV, como se precisasse constatar a sua imunidade. Porém, o primeiro teste deu negativo, então se lança novamente a outras experiências e as enumera até chegar ao oitavo teste, situação na qual se depara com a infecção. Aí se encerram as apostas mediadas pela sorte. Esse momento é contrastado com as gargalhadas dadas por ele que pareciam ambivalentes, uma mistura de sentimentos que poderiam ser percebidos pelo riso e pelas lágrimas que lhe escorreram dos olhos durante a descrição do episódio da infecção.
Embora Caio tenha resumido em poucas palavras a questão do primeiro contato sexual até o seu último resultado sorológico, foi possível notar a constituição de sua trajetória, a qual, diga-se de passagem, seguia rumo ao risco exacerbado, descrito pelas inúmeras vezes na qual ele procurou o serviço de testagem anti-HIV. Esse acontecimento nos remete à construção do sentido de autoconfiança, a qual vai além do sexo, em que passam a ser necessários outros instrumentos para dar sentido ou legitimar informações sobre a pessoa – nesse caso o teste sorológico (VASCONCELOS DA SILVA, 2008). Nota-se que os recorrentes testes negativos o levaram a construir uma percepção de auto-imunidade. Esse teste viria a ser o passaporte de Caio rumo às práticas sexuais sem preservativo, sem ter que preocupar-se com a questão do HIV, mesmo diante da possibilidade de reinfecção: não faz mais diferença >se eu tenho um vírus no corpo ou se eu
tenho um milhão de vírus<. Eu já estou contaminado e não vai sumir nunca. Então, eu vivo relaxado em relação a isso. E acrescenta: se eu me reeinfectei (.) foi com um vírus mais fraco
Situações como essa são notadas quando as pessoas buscam a maximização do prazer e do êxtase como fim último. Rony, por exemplo, afirma: eu ↑ queria ali era >sentir prazer<. Então você não queria parar no meio do êxtase para colocar o preservativo. Tais palavras nos conduzem à experiência de viver intensivamente este momento até o seu êxtase – ocasião essa marcada pelo apogeu das sensações. A pronúncia acelerada do termo >sentir prazer< e a acentuação da palavra
êxtase pode confirmar a ideia da busca pelas sensações. Essas sensações também podem ser alcançadas pela presença do risco. Diz Aristóteles:
esse risco inclusive passa a (x) ser um estímulo a mais durante o ato sexual. É:::É até porque às vezes é comum o parceiro dizer assi:::m é:::é (x): „me joga esse leite premiado‟, „me dá:::á (x) a sua essência‟, ou coisas do gênero. Porque o sexo não tem limites.
Nota-se a associação entre o risco e a produção de sensações positivas durante o ato sexual. Essa positividade pode ser confirmada por meio da palavra prêmio, a qual lembra conquista, recompensa, reconhecimento. Diante desse contexto, pode-se inferir que a produção simbólica refletida pela expressão leite premiado seria a ejaculação com substâncias que signifiquem algo positivo, mesmo que isso se dê em um cenário de riscos para as DST, HIV/aids. Nesse caso, a ejaculação corresponde ao ato final da prática sexual. Assim, o vírus HIV deixa de estar atrelado à idéia de morte e ganha o sentido de vida, “prêmio”, algo a ser conquistado como fim último. É como se os parceiros quisessem estabelecer um pacto de igualdade, de condição, mesmo que isso signifique também tornar-se HIV positivo, assim como Aristóteles. Em acréscimo, é pronunciada a expressão me dá:::á (x) a sua essência. Nesse caso, receber a essência é apropriar-se do esperma do parceiro com todas as suas características genéticas, e nela os dados que o torna único, afinal o sexo
não tem limites.
Em resumo, este capítulo tratou de elementos de base não-científica que circulam no cotidiano de nossos interlocutores, e constituem informações usadas na construção de sentidos na gestão dos riscos às DST, HIV/aids. Dentre as dimensões possíveis, abordou-se: a noção de posição sexual, a questão do lugar onde se frequenta para a prática do sexo; a criação de imunidades imaginárias como a lenda urbana, o homem mais velho como protetor, o homem branco caucasiano e sua membrana super resistente ao vírus, o sexto sentido, o posicionamento lésbico; além disso, ganhou destaque a aparência física associada aos sinais de lipodistrofia, o fator sócio econômico e o grau de escolaridade; assim como a procura pela dimensão positivada diante do risco.