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Sabemos que a figura da paróquia em nossos dias sofre um desgaste muito grande. Alguns chegam até mesmo a afirmar que a estrutura paroquial em que nos organizamos em nossos dias seria já uma realidade ultrapassada e que não corresponderiam mais os anseios missionários e pastorais de uma nova evangelização. Aqui é preciso muito cuidado, pois, a paróquia assim como outros ambiente que compõem o mandato missionário e que abrange também um território diocesano pode ser um meio privilegiado para fomentar a nova evangelização e o surgimento de inúmeros novos ministérios no interior das comunidades cristãs. É verdade, contudo que as paróquias não podem se restringir em ser apenas um centro de serviços culturais e administrativos, mas devem se tornar por sua vez como que casas da comunidade dos cristãos e escolas de discípulos missionários.168Este aprendizado do discipulado tem como uma das metas principais tornar a paróquia em um ambiente missionário. É justamente este estilo e consciência missionária que colocara as paróquias em um continuo movimento evangelizador.169

Quando vemos as diversas iniciativas que vem sendo tomadas por parte da Igreja no que se refere a um novo empenho evangelizador é preciso atentar para um importante desafio a ser enfrentado em nossos dias que é justamente o de fazer com a fé seja expressa e vivida num contexto missionário, isto significa, empenhar-se para que a paróquia assuma um modo de ser pastoralmente missionária.

Em um primeiro momento alguns podem se questionar se este modelo de paróquia missionária não seria um tanto quanto ingênua, contudo, verificamos que é justamente isto o que as nossas paróquias devem se tornar: autenticamente missionária. Sabemos que no passado toda a vida eclesial acontecia em torno das paróquias. Esta

167L‟ Osservatore Romano. D. Pedro Mario Ossanron Bucjevic, Bispo titular de La Imperial- auxiliar

de Santiago (Chile), sábado 27 de outubro de 2012, número 43, p, 18.

168 L‟Osservatore Romano. D. Fábio Suescun Mutis. Terceira Congregação Geral. Sábado 20 de

Outubro de 2012, número 42, p. 16.

169L‟ Osservatore Romano. D. Stanislav Lipovsek, Bispo de Celje (Eslovénia), sábado 17 de novembro

consolidação da estrutura paroquial começou acontecer a partir do século V quando o cristianismo tornou-se religião oficial do império Romano e recebera também a incumbência de se fazer presente nas aldeias por meio de um presbítero residente. Com o passar do tempo várias paróquias foram tomando um aspecto não apenas espiritual, mas também a vida social, jurídica e política também aconteciam sob a sombra das paróquias. Em alguns países o próprio presbítero não era apenas um membro do clero e o seu representante, mas os presbíteros também eram vistos como funcionários do Rei o do Estado.

O Concílio Vaticano II na Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja nunca se verifica a palavra “paróquia”. Os pensamentos dos Padres conciliares não estão fixados no conceito de paróquia, mas eles tentam resgatar a compreensão de comunidade o que não diminui a responsabilidade e aquilo que de fato é positivo na estrutura paroquial, contudo amplia consideravelmente a compreensão de igreja enquanto “Communnio”. Sabemos, contudo que à obra da evangelização não é obra apenas de alguns na Igreja, mas das comunidades eclesiais como tais, onde se tem acesso a plenitude dos instrumentos do encontro com Cristo: a Palavra, os sacramentos, a comunhão fraterna, o serviço da caridade, a missão.170

O sínodo denotou que as Paróquias continuam a ser designados aos quais se realiza a maior parte da vida da Igreja. A importância das paróquias no desenvolvimento da nova evangelização foi ressaltada muitas vezes, porque falta o lócus no qual se realiza grande parte da experiência das pessoas na igreja. Tanto as paróquias e as novas comunidades têm uma fundamental importância em nossos dias porque podem promover uma organização e uma canalização oportuna de todas as energias de renovação dentro do tecido eclesial.171 O grande desafio par dinamizar as paróquias é justamente o de transformá-las não somente para uma ação pastoral e catequética, mas o de transformá-las em um lugar de formação para a evangelização.172O sínodo percebeu a grande relevância da paróquia na vida eclesial, e percebe nesta estrutura eclesial uma grande plasticidade:

170L‟ Osservatore Romano. Sábado 03 de novembro de 2012, número 44, p. 07.

171L‟ Osservatore Romano. O relatório post disceptationem, sábado 27 de Outubro de 2012, número 43,

p. 5.

172L‟ Osservatore Romano. Cardeal Kazimierz Nycz, Arcebispo de Varsóvia, Ordinário do próprio rito

“A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do Pastor e da comunidade. Embora não seja certamente a única instituição evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar constantemente continuará a ser «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas». Isto supõe que esteja realmente em contato com as famílias e com a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos. A paróquia é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário. Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu suficientemente fruto, tornando-as ainda mais próximas das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-as completamente para a missão. ”173

Nova evangelização é sinal de atualização, e mesmo se a Igreja crescesse até alcançar dimensões colossais, ela deveria manter a estratégia do pequeno rebanho. É a estratégia apostólica: “formar o pequeno rebanho com o fervor do grande rebanho”174e

“pensar emocionalmente com a Igreja universal e agir com eficácia na Igreja local”.175

Sem um renovado impulso missionário da paróquia, e uma estrutura que possibilite as paróquias serem comunidades fraternas176 do qual sejam protagonistas os próprios agentes pastorais que nela trabalham, será difícil viver uma nova evangelização radical:177

173 PAPA FRANCISCO. Evangelii Gaudium. Exortação Apostólica. São Paulo: Paulus-Loyola, 2013, I,

§ 28, p. 24.

174 L‟ Osservatore Romano. Sua Beatitude Gregóire III, B.S., Patriarca de Antioquia dos Greco-

Melquitas, chefe do Sínodo da Igreja Greco-Melquita católica (Síria), sábado 27 de Outubro de 2012, número 43, p.10.

175L´‟ Osservatore Romano. D. Joseph Vu Duy Thong, Bispo de Phnathiêt (Vietname), sábado 27 de

outubro de 2012, número 43, p.11.

176 L‟ Osservatore Romano. D. José Dolores Grullón Estella, Bispo de La Maguana (República

Dominicana),sábado 27 de Outubro de 2012, número 43, p. 11.

177L‟ Osservatore Romano. D. Bruno Forte, Arcebispo de Chieti-Vasto (Itália), sábado 27 de Outubro

“A renovação Pastoral das nossas paróquias inclui uma condição de missão permanente, de modo que se tornem menos burocráticas. Cremos na co-responsabilidade pastoral dos batizados, que colocam a serviço da comunidade a própria fé, o seu tempo, talentos e bens.[...] A nova evangelização significa reconstruir o tecido cristão da sociedade humana, ajudando a Igreja a continuar a viver dentro das casas dos seus filhos”.178