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3.2. HİLÂL-İ AHMER CEMİYETİ’NİN I DÜNYA HARBİ SIRASINDA ERTUĞRUL

3.2.1. Hilâl-i Ahmer Cemiyeti ve Esirler

A realidade da institucionalização de idosos no Brasil hoje, ou seja, das Instituições de Longa Permanência, passa por algumas mudanças estruturais, conseqüência principalmente, da demanda cada vez maior de pessoas por esse tipo de atendimento. O surgimento recente do Estatuto do Idoso, instiga o governo em suas três esferas, municipal, estadual e federal, a tomar parte desse cenário através de portarias, cujos objetivos e propostas atendam às necessidades de mudanças.

Na perspectiva de melhor compreensão do problema da institucionalização dos idosos e da sua importância para a qualidade de vida, percebe-se que essa modalidade de assistência pode afetar-lhes de forma negativa, trazendo-lhes prejuízos nesse período de vida. É difícil afirmar que as necessidades do idoso passem pelo seu atendimento em uma ILPI, daí ter-se de repensar cada vez mais este tipo de institucionalização.

Dentre os principais resultados apresentados neste trabalho, a partir da percepção dos idosos, chamaram-nos atenção os dados relacionados à função sensorial, principalmente a sua diminuição, presente nas pessoas ao longo do processo de envelhecimento e sobre a qual, os idosos se colocaram como sendo, uma situação não incomodativa para eles, quando se sabe serem estas perdas bastante significativas, por interferirem, diretamente, com as funções da vida diária, ou seja: andar e locomover-se sozinho e adequadamente, ouvir e comunicar-se com as pessoas, enxergar e realizar as suas atividades. Nesse sentido, entende-se haver necessidade de uma investigação mais centralizada nesse aspecto, pela sua grande importância na manutenção da qualidade de vida.

Os resultados sobre a autonomia também chamam atenção, porque os idosos se declaram insatisfeitos quanto a esse aspecto na instituição, ainda no ano de 2007, quando, de acordo com os estudiosos do envelhecimento, na Segunda Assembléia Mundial do Envelhecimento Humano, realizada em Madri, (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2002), toda a sociedade mundial deveria fazer a implantação de diretriz, para ser encaminhada e incorporada às políticas governamentais, sobre a manutenção da autonomia e da capacidade funcional dos idosos, a qual deve ser o foco principal de cada política e, exigirá para isso o esforço e a compreensão de todos os profissionais que lidam nessa esfera de atuação.

O idoso residente em ILPI, geralmente, é uma pessoa desmotivada para a vida, sem expectativas e, muitas vezes à espera do retorno ao ambiente familiar.

Desempenhando funções de guarda, proteção, alimentação e atendimento permanentes, as ILPI realizam funções institucionais comumente descritas na literatura pertinente. Entretanto, nesse meio, o idoso não é considerado como sujeito histórico, é ignorado nas suas diferenças, nos desejos e nas expectativas, o que o impede de ser agente de promoção de sua autonomia, integração e participação social, direitos que lhes são assegurados por lei.

Em se tratando do atendimento institucional para com os idosos, identificou-se haver um distanciamento entre os recursos técnicos e humanos disponíveis e a sua distribuição, para que esse atendimento pudesse atender às exigências da atual demanda.

Neste estudo, o fato social do asilamento configurou-se pelo abandono e falta de cuidadores, constituindo-se nos principais motivos de queixas. As condições muitas vezes precárias encontradas na maioria das ILPI, no que se refere, tanto à infra-estrutura como aos serviços prestados e aos recursos humanos existentes, enfatizam essa situação.

O idoso residente em ILPI ainda se vê na situação de convívio com pessoas portadoras de doenças incapacitantes e distúrbios mentais, o que torna o ambiente uma concentração de situações indesejáveis. Com raras exceções, a desmotivação existente no idoso o leva à inatividade, não se preocupando com outra coisa a não ser com a mobilidade necessária ao atendimento de suas necessidades básicas. Diminui o processo de comunicação, e torna-se , cada vez mais, introspectivo e apático.

A precariedade da situação econômica, evidenciada pela falta de dinheiro ou pelos escassos recursos existentes para sua manutenção, leva os idosos a não terem aspirações por mais conforto, pela satisfação de necessidades, por usufruir da modernidade ou melhorar sua aparência.

Sobre a questão saúde, observa-se que o idoso residente em ILPI necessita de maior atenção e de cuidados especiais devido ao número maior de doenças nessa fase da vida, e à perda da autonomia. A participação de profissionais de saúde numa perspectiva multi- profissional para atender o idoso, bem como, o reconhecimento da importância da sua atuação como co-responsável nas questões que lhes são próprias, são possibilidades que contribuirão para a melhoria da qualidade de vida dessa pessoa.

O atendimento em saúde ao idoso, residente em ILPI, deixa a desejar e tem sido difícil manter uma equipe de profissionais nesses serviços por falta de incentivos e uma política governamental que possa mantê-los, o maior período de tempo nessas instituições.

Falta ainda uma aproximação mais intensa dos serviços de atenção básica com estas instituições, como também desses idosos para com ela, o que poderia ser uma alternativa

viável, haja vista que poucos são os idosos, institucionalizados, que pagam seu próprio plano de saúde. Tais circunstâncias contribuem para que o acompanhamento de saúde em ILPI seja deficitário e esses cuidados se dêem, cada vez mais, num nível de atendimento de alta complexidade e sem a garantia de sua eficácia.

Entende-se ser de extrema urgência a melhoria do atendimento em saúde desses serviços, pois a qualificação do atendimento trará benefícios à pessoa idosa melhorando a sua condição de vida.

As evidências expostas se configuram como causas e redundam como conseqüências da situação vivencial do idoso institucionalizado. A configuração da realidade encontrada durante o estudo nos possibilita propor algumas alternativas que poderão contribuir para a transformação qualitativa da realidade atual dessas instituições e de seus residentes. Sugere- se:

 Atentar para as políticas sociais e de saúde existentes, conhecer e acompanhar programas e as propostas governamentais de ação relacionadas, com vistas ao cumprimento da lei. Destaca-se a questão da educação para a velhice, a priorização da permanência do idoso em sua família, e a formação de recursos humanos especializados nas questões das especificidades do envelhecimento;

 Desenvolver e intensificar nas ILPI, as atividades que visam o conhecimento da legislação pertinente, promovam esclarecimentos, exigências e prerrogativas e, ainda, organização administrativa e qualificação dos serviços oferecidos. A concretização dessa proposição é possibilitada através da inter-setorialidade entre secretarias, e também de instituições de ensino superior;

 Propiciar aos idosos o desenvolvimento de atividades físicas, intelectuais, religiosas, sociais que lhes traga motivação, tirando-o de sua inatividade, estimulando-o ao convívio social e à busca de sentido para o seu dia-a-dia. Para que isso tenha significado, requer que sejam consideradas possibilidades, habilidades e vontades do idoso e que sejam respeitadas, as suas limitações.

 A criação de núcleos de estudo e pesquisa sobre envelhecimento, de modo a produzir conhecimentos e propor formas de intervir na realidade existente, auxiliando na compreensão do processo de envelhecer, para a conquista de uma melhor velhice com qualidade de vida, abrindo espaços para a participação dos idosos que assim o desejarem. A viabilização dessas idéias é possível, a partir de projetos específicos de instituições organizadas (ONGs, Associações e outras), utilizando-se de recursos humanos próprios, estagiários curriculares, bolsistas, trabalho voluntário;

 Verificar a rede de recursos, existentes na comunidade, voltados à população idosa que reside em ILPI, socializando-a em grupos de demais interessados, com vistas a torná-la conhecida e facilitar sua utilização e interação, favorecendo as pessoas que dela necessitam.

O envelhecimento de uma população é uma aspiração natural de qualquer sociedade. Mas, por si só, não é bastante. É também importante almejar uma melhoria da qualidade de vida daqueles que já envelheceram ou que estão no processo de envelhecer, independente de sua situação social, cultural e biológica.

Finalmente, que esse estudo, através de suas reflexões, possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos idosos institucionalizados, objetivo com o qual venho trabalhando, através da minha prática profissional, como Enfermeira Sanitarista e Especialista em Vigilância Sanitária, através da Secretaria Municipal de Saúde de Natal. E ainda, cumprir minha meta de estudos, realizando o Curso de doutorado em Ciências da Saúde dando continuidade à pesquisa na área de gerontologia.

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