No decorrer da revolução e transformação do nosso sistema educativo, a Escola pretende cada vez mais inserir no seu seio todos os alunos, independentemente das suas características ou/e necessidades. Deste modo, torna-se importante compreender como surgiu o conceito de inclusão e que benefício pode trazer para todos.
Antes da década de 70, criaram-se as equipas de ensino especial integradas, segundo as quais os alunos com necessidades educativas especiais eram praticamente excluídos do sistema regular de ensino. A maioria das crianças e adolescentes com NEE permanentes, em idade escolar, de cariz moderado ou severo, tinha como recurso educativo a classe especial, a escola especial ou a IPSS. Só em 1986, com a publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), se começa a assistir a transformações de alguma forma profundas na conceção da educação integrada, sendo um dos seus objetivos primordiais “assegurar às crianças com necessidades educativas específicas, devidas designadamente a deficiências físicas e mentais, condições adequadas ao seu desenvolvimento e pleno aproveitamento das suas capacidades” (art.º 7.º). No decorrer da implementação da LBSE, são criadas as equipas de educação especial, vistas como “serviços de educação especial a nível local, que abrangem todo o sistema de educação e ensino não superior”. É a partir deste ponto que tem início uma longa caminhada legislativa que irá culminar, numa primeira fase, com um normativo muito importante, o Decreto-Lei n.º 319/91, de 23 de agosto. Este decreto veio preencher uma lacuna legislativa no âmbito da educação especial, em Portugal. A partir deste momento, as escolas passam a dispor de um suporte legal para organizar o seu funcionamento em relação aos alunos com NEE. Esta lei introduz princípios e conceitos inovadores resultantes das práticas educativas de então e do desenvolvimento de experiências de integração (Correia, 2005).
O decreto-lei n.º 319 marca o início de uma nova fase. A partir deste momento, uma das maiores preocupações das sucessivas reformas educativas é pretender assegurar
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que os alunos com NEE possam vir a frequentar escolas regulares, em vez de escolas especiais ou instituições. Inicia-se, assim um processo que pretende levar a uma tentativa de inclusão.
A experiência adquirida com a integração escolar e toda a reflexão que esta gerou, ajudará a desencadear o movimento de inclusão que terá como objetivo promover o sucesso pessoal e académico de todos os alunos, numa escola plenamente inclusiva.
A educação inclusiva muda de fase, em 1994, com a Declaração de Salamanca. A partir deste momento, passou-se a considerar a inclusão de alunos com NEE em classes regulares como a forma mais avançada de democratização das oportunidades educacionais. Inclusão é a palavra que hoje pretende definir igualdade, fraternidade, direitos humanos ou democracia (Wilson, 2000).
A inclusão escolar teve, assim, as suas origens na situação das pessoas em situação de deficiência e insere-se nos grandes movimentos contra a exclusão social, tendo como princípio a defesa da justiça social, celebrando a diversidade humana (Ainscow & Ferreira, 2003).
De acordo com Thomas et. al. (1998), o Center for Studies on Inclusive Education (CSIE) define uma escola inclusiva como uma escola que:
Reflete a comunidade como um todo; os seus membros são abertos, positivos e diversificados; não seleciona, não rejeita;
Não possui barreiras, é acessível a todos, quer em termos físicos quer educacionais (currículo, apoio e métodos de comunicação);
Trabalha com;
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É evidente que nesta definição se encontram os grandes princípios enunciados na Declaração de Salamanca, quando propõe que a educação se deve processar em escolas regulares, escolas inclusivas, que devem proporcionar os meios capazes de combater atitudes discriminatórias, dando origem a comunidades abertas e solidárias, com o objetivo de construir uma sociedade inclusiva onde a educação é para todos.
Estes princípios base conduzem-nos a comunidades de aprendizagem abertas a todos, onde a disponibilidade para ensinar e para aprender emerge de cada um dos seus intervenientes, sem espaços e sem tempos obrigatórios e pré-determinados (Armstrong & Barton, 2003).
É ainda importante aqui referir a opinião de Correia (2005) acerca deste tema. Para este autor, o conceito de educação inclusiva tem, assim, procurado modificar a filosofia subjacente ao processo de educação para todos os alunos, baseando-se num conjunto de princípios dos quais se destacam os seguintes:
Todos os alunos, independentemente, da sua raça, sexo, orientação sexual, idade, capacidades de aprendizagem, etnia, estilos de aprendizagem, cultura e religião têm o direito de ser educados em ambientes inclusivos;
Todos os alunos são capazes de aprender e de contribuir para uma sociedade onde estão inseridos;
Todos os alunos devem ter oportunidades iguais de acesso a serviços de qualidade que lhes permitam alcançar o sucesso;
Todos os alunos devem ter acesso a serviços de apoio especializados, quando deles necessitem, que se traduzam em práticas educativas ajustadas às suas capacidades e necessidades;
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Todos os alunos devem ter oportunidade de trabalhar e de participar em atividades extraescolares e em eventos comunitários, sociais e recreativos;
Todos os alunos devem ser ensinados a apreciar as diferenças e similaridades do ser humano.
Através da escola inclusiva, todos os alunos estão na escola para aprender, participando. Não é somente a presença física, mas sim o facto de que pertencem à escola e ao grupo, de tal modo que a criança sente que pertence à escola e a escola sente responsabilidade pelo seu aluno, não é parte do todo, faz parte do todo (Rodrigues, 2003).
Segundo Ainscow (2000), para que as escolas do novo século se tornem mais inclusivas, é necessário que assumam e valorizem os seus conhecimentos e as suas práticas, que olhem a diferença como um desafio e como uma oportunidade para a criação de novas situações de aprendizagem, que sejam capazes de analisar o que está a impedir a participação de todos e que todos se disponibilizem para utilizar os recursos disponíveis e para gerar outros, que utilizem uma linguagem e comunicação acessível a todos.
Numa escola inclusiva só poderá existir uma educação inclusiva, uma educação em que a heterogeneidade do grupo não é mais um problema mas um grande desafio à criatividade e ao profissionalismo dos profissionais da educação, gerando e gerindo mudanças de mentalidades, de políticas e de práticas educativas (Sanches & Teodoro, 2006).
O ano de 2005, constitui para a educação inclusiva um marco importante, pois é a partir desta data que se assiste à delineação e implementação de um conjunto de medidas que objetivam a concretização de uma politica de educação inclusiva na escola pública.
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O princípio da diferenciação pedagógica veio definido num conjunto de medidas entre as quais se destacam o Decreto-lei n.º 3/2008, o Despacho n.º 453/2004, o Despacho Normativo n.º 50/2005 e o Despacho n.º1/2006. Estes diplomas confirmam o empenhamento de todos os docentes nas respostas a alunos com dificuldades de aprendizagem ou de adaptação à escola, resultantes de desvantagens de diversa ordem: cultural, social ou económica. O Decreto-lei n.º3/2008 prevê:
“uma intervenção circunscrita aos alunos com limitações significativas ao nível da atividade e da participação num ou em vários domínios da vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de caráter permanente, resultando em dificuldades continuadas nas capacidades de comunicação, aprendizagem, mobilidade, autonomia, relacionamento interpessoal e participação social (…). Visa-se promover a autonomia desses alunos e levar tão longe quanto possível o potencial que possuem ” (Ministério da Educação, 2008).