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Hibrit Savaşın Rus ve Batı Anlayışları

1969 a 1971 Implantação de um campo de saber e prática inovadora em Londrina

1972 a 1976 Consolidação e desenvolvimento institucional da Saúde Comunitária

1977 a 1981 Desenvolvimento extra-institucional a nível local em Londrina 1982 a 1986 Desenvolvimento extra-institucional a nível regional no Estado do

Paraná

1987 a 1990 Retomada do desenvolvimento institucional na UEL e criação do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva (NESCO) e do Mestrado em Saúde Coletiva

1991 a 1993 Implantação do novo modelo de educação dos profissionais de saúde (UNI) no Centro de Ciências da Saúde da UEL

1994 a 2000 Processo de consolidação do novo modelo de educação dos profissionais de saúde associada à construção de um novo modelo de atenção à saúde

2001 a 2005 Mudança institucional com a criação do Departamento de Saúde Coletiva e sua efetiva implantação na UEL

2006 a 2008

Criação da Residência Multiprofissional em Saúde da Família, da Rede de Ensino para a Gestão Estratégica do SUS no Paraná e do Mestrado Profissional em Gestão de Serviços de Saúde.

Manutenção do Mestrado Acadêmico e apresentação do Projeto de Doutorado em Saúde Coletiva a CAPES

No período de 1977 a 1986, os professores tiveram um papel fundamental na fase inicial da implantação das Unidades Básicas de Saúde em Londrina e desempenharam importante função no desenvolvimento da proposta e das primeiras experiências que foram se disseminando por toda a região. Este fato deve ser considerado como destaque na trajetória histórica dos professores, pois, de certa forma, mudou a política de saúde no Estado do Paraná.

Os professores orientavam suas práticas acadêmicas e políticas por um referencial metodológico, nem sempre claramente explicitado. No entanto, o marco teórico adotado serviu, em larga medida, para auxiliar na sobrevivência institucional em tempos de ditadura militar e no crescimento político do grupo, que era muito reduzido no seu início, com menos de dez docentes.

As características do trabalho desenvolvido pelos docentes em Londrina não permitiram um nítido enquadramento em qualquer das classificações propostas na área de Saúde Coletiva, quando da Investigação Nacional sobre o Ensino da Medicina Preventiva realizada em 1976. Nesse estudo, o parecer constante do relatório da pesquisa apresentado à FINEP foi o seguinte:

O Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina constitui, a nosso ver, um caso interessante. Observa-se, nesta escola, a importância e a penetração que teve a “ideologia preventivista”. Apesar disso, não existe estruturado um Departamento de Medicina Preventiva. As disciplinas com “conteúdo preventivista” estão espalhadas pelo Departamento de “Medicina Geral e Saúde Comunitária”. A escola de Londrina está desenvolvendo uma série de trabalhos científicos, cuja temática revela uma preocupação explícita em adaptar o ensino médico em geral à proposta do MEC e, por outro lado, tentar uma avaliação real do atual sistema de atenção médica. Dentre esses trabalhos, merece destaque o Anteprojeto do Plano de Atendimento de Saúde em Londrina, elaborado pela comissão formada pelos professores Darli Antônio Soares (presidente), José Murilo Zeitune e Satoko Kodama, que propõe o seguinte: a Universidade Estadual de Londrina, através do Centro de Ciências da Saúde, consciente de sua inserção na realidade, tem enfatizado a necessidade de formar recursos humanos para o sistema de atenção médica e de integrar-se com outras instituições prestadoras de serviços, principalmente a Previdência Social. Por isso, verificando a necessidade de racionalizar o atendimento médico, principalmente através do Hospital Universitário, baseada nas recomendações da OPAS/OMS e da experiência de funcionamento de suas Unidades de Saúde, propõe esquematizar um atendimento hierarquizado, respeitando os seus objetivos fundamentais que são o ensino e a extensão. Esta proposta serve como justificativa para a apresentação do objetivo prático do plano, qual seja, a instalação de sete Unidades de Saúde para o atendimento a comunidades de baixo nível sócio-

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econômico. Pode-se verificar que, bem ou mal, estão se reproduzindo, também neste caso, as características fundamentais do “modelo racionalizador”. Nota-se, ainda, a preocupação da escola em traduzir em uma prática os objetivos propostos por especialistas da OPAS em termos de criação de um sistema nacional de saúde pela necessidade de regionalização dos serviços de saúde. No Manual de Organização e Funcionamento de três Unidades Periféricas Integradas de Saúde do Município de Londrina, explica-se a hierarquização dos serviços na medida em que se descentralizam, o que permite uma cobertura maior a toda população. Nesse sentido, a escola de Londrina divulga a necessidade de se pôr fim ao esquema dual de assistência médica (visita domiciliar por pessoa da própria comunidade e o ambiente hospitalar sofisticado) através da implementação de programas locais de saúde (Arouca, 1978).

A Saúde Coletiva da UEL não foi enquadrada no Modelo Mínimo Legal de Medicina Preventiva do currículo mínimo aprovado pelo MEC, ou no Modelo Liberal de Medicina Preventiva enquanto projeto incorporado à Reforma Universitária do ensino médico de 1968. Avaliou-se, na época, que o Modelo de Ensino de Medicina Preventiva desenvolvido na UEL deveria ser entendido como um Modelo Racionalizador, no qual a estratégia de integração intra-escolar cedia lugar a uma integração para fora, com os outros cursos e com o sistema de saúde, sendo a equipe de saúde vista como agente de saúde em comunidade e o trabalho médico se diluindo na noção de cuidado integral.

A riqueza do marco teórico construído nessa Investigação Nacional sobre o Ensino da Medicina Preventiva, financiada pelo Programa de Estudos Socioeconômicos em Saúde (PESES), e o quanto ela evidenciava a ausência de uma proposta mais estruturante, só se tornaram evidentes, com a promulgação da nova constituição em 1988 e a criação do SUS, ou seja, a superação legal do currículo mínimo do MEC (Nº506/1969), só veio a acontecer em 2001, com a promulgação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina (Almeida e Maranhão, 2003).

Merece destaque a conclusão principal dessa pesquisa, que nunca foi publicada, e que se encontra guardada até hoje nos arquivos da FINEP no Rio de Janeiro, evidenciando que o conceito estratégico passa a ser o de integração docente-assistencial (IDA), porque os programas docente- assistenciais, na época, supunham uma redefinição do currículo médico e uma proposta de seriação em que os estudantes, desde os primeiros anos, deveriam cumprir tarefas práticas na rede oficial de serviços.

Em linhas gerais, pode-se dizer que o histórico da Saúde Coletiva na UEL constitui um caso representativo da trajetória do movimento preventivista no país que, de realizações limitadas a alguns docentes sensibilizados pela problemática preventivista, passa a ser incorporado pelo programa de reforma do ensino médico do governo militar, impondo-se, pelo menos “legalmente”, em todas as Escolas Médicas.

Com isso, o movimento preventivista ganhou espaço na realidade do ensino médico do país, trazido a reboque de um movimento mais amplo de redefinição da prática e do ensino médico, cujas principais diretrizes podiam ser assim resumidas:

1. Crescente racionalização do ensino e, particularmente, articulação mais estreita entre ensino e prestação de serviços médicos;

2. Presença bem mais acentuada do governo na problemática geral da educação médica, inclusive incentivando o aparecimento de várias novas escolas médicas, sustentadas por uma estrutura administrativa privada; 3. Convocação, pelo governo, da participação do INPS como

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financiador do setor, já que se configurava como controlador da maior parte da atenção médica e era o maior empregador nessa área;

4. Integração do trabalho médico no mercado de trabalho assalariado, com o conseqüente declínio da prática médica liberal;

5. Agregação às funções tradicionais da escola médica de uma nova função – o serviço à comunidade;

6. Proposta de ampliação da cobertura dos serviços médicos com base no cuidado primário (rompendo, na comunidade, a cadeia epidemiológica, para evitar a configuração da doença);

7. Definição do Hospital Universitário como centro básico de um sistema hierarquizado de saúde.

Finalmente, o relatório da pesquisa ressalta que, entre a proposta racionalizadora da ideologia preventivista definida internacionalmente e o discurso do MEC, que acabava por incorporar tal proposta, existiam diferenças importantes decorrentes da evolução específica do sistema de prestação de serviços médicos do país na época. Se no Modelo Racionalizador de Medicina Preventiva, definido internacionalmente, os níveis de atenção médica se traduziam num desenho piramidal, nos documentos do MEC, da época, assumiam um desenho circular, no qual o centro correspondia ao complexo médico hospitalar universitário/INPS e a periferia à rede regional e local de serviços, constituída por hospitais menores e Unidades de Saúde.

Por causa dessa situação e devido ao peso e gigantismo do “centro”, ameaçava-se, na época, distorcer a própria proposta de extensão da cobertura dos serviços médicos, na medida em que se transladava o componente curativo e assistencial da estrutura do complexo hospitalar para a “periferia” do sistema.

Assim sendo, as concepções preventivistas, especificamente o cuidado primário, ao invés de se constituírem nas bases da extensão do cuidado médico, diluíam-se em formas tradicionais de racionalização ou de extensão, a baixo custo, da medicina curativa. E a prática comunitária, definida como a articulação do Hospital Universitário com a rede oficial de serviços, constituía-se e realizava-se apenas em nível administrativo, sem modificar o conteúdo assistencial da prestação de serviços.

Será que, 30 anos após a publicação do relatório para a FINEP dessa primeira Investigação Nacional sobre o Ensino da Medicina Preventiva no Brasil, poderíamos erguer a pirâmide invertida, que tentava traduzir a realidade da época e que concluía que a situação predominante era que os Departamentos de Medicina Preventiva se encontravam em nível de baixa realização da proposta do movimento preventivista? Ou será que se conseguiu superar o dilema preventivista com o movimento da Reforma Sanitária Brasileira, a criação do SUS e a promulgação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina?

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FIGURA 1 Distribuição numérica dos Departamentos de Medicina Preventiva ,

segundo o eixo de construção teórica e de realização prática, 1976.

MODELO

RACIONALIZADOR

MODELO

LIBERAL