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HİZMET ALIMI İHALELERİ BÜLTENİ – Sonuç İlanları

Belgede 18 MART 2022 Sayı 4573 (sayfa 6-0)

1. İHALE SONUÇLARININ İLANLARI

1.1. HİZMET ALIMI İHALELERİ BÜLTENİ – Sonuç İlanları

Uma boa amostra da territorialização da juventude e da adolescência pode ser encontrada no relatório da pesquisa Juventude e Escolarização, coordenada por Marília Sposito e publicada em 2002. Trata-se de um primeiro balanço, em nível nacional, de dissertações e teses apresentadas e defendidas nos programas de pós-graduação em educação, entre 1980 e 1998, abordando o tema juventude.

Embora seu tema se diferencie do nosso, este trabalho é especialmente útil para exemplificar os modelos psicológicos e sociológicos, pois as teses e dissertações apresentadas recorrem quase que inevitavelmente à psicologia, à psicanálise e à sociologia – talvez porque a pedagogia não possua, propriamente, uma teoria da adolescência ou da juventude. É por esse motivo que, a partir da publicação, essa pesquisa passou a analisar também teses e dissertações nas áreas da psicologia e das ciências sociais. Um breve recorte desta pesquisa pode melhor clarificar a discussão. Vejamos o seguinte:

Temas Disser-tações Teses Total %

Jovens, mundo do trabalho e escola 73 7 80 20,67

Aspectos psicossociais de adolescentes e jovens 67 9 76 19,63

Adolescentes em processo de exclusão social 57 7 64 16,53

Jovens universitários 40 14 54 13,95

Juventude e escola 45 5 50 12,91

Jovens e participação política 15 8 23 5,94

Mídia e juventude 11 2 13 3,35

Jovens e violência 8 3 11 2,84

Grupos juvenis 9 0 9 2,32

Jovens e adolescentes negros 4 0 4 1,03

Outros 3 0 3 0,77

Total 332 55 387 100

(SPOSITO, 2002, p.16-17) Ao observar a tabela anterior, merecem nossa consideração pelo menos dois pontos em particular.Primeiro, o fato de encontrarmos, em profusão, ao lado de trabalhos que tratam da escola e do ensino superior (pois a área de pesquisa é a educação), os temas “mundo do trabalho”, “aspectos psicossociais de adolescentes e jovens” e “adolescentes em processo de exclusão social”, somando cerca de um terço das produções discentes. Segundo, a escassez de temas que, a princípio, estariam tão relacionados à educação quanto estão o trabalho, os “aspectos psicossociais” e a exclusão social. O tema “mídia e juventude”, dentro do qual se enquadraria este trabalho, está dentre os menos explorados, muito embora, já a partir do início dos anos 90, como expõe Fischer (1996), a mídia tenha explodido em produções voltadas a esse “público”, na televisão, nas revistas, nos jornais e folhetins etc.29

E o que foi elencado nos aspectos psicossociais? Nesta categoria, figuram os temas “orientação escolar”, “sexualidade e relações de gênero”, “valores”, “família”, “drogas” e “identidade” etc. Reúne-se nela todos os problemas que foram explorados através de teorias psicológicas nesses trabalhos de pós-graduação. Ora, mas não estariam a família, os sistemas de valores e a sexualidade tão relacionados à forma de viver em sociedade quanto o “mundo do trabalho” e a “exclusão social”? Não há porque realizar tal categorização e limitar tais territórios existenciais da adolescência e da juventude a algo de natureza puramente psicológica, relacionando, contrariamente, as questões laborais e de exclusão social às teorias sociológicas. Afinal, em ambos os casos, os processos são duplamente descentrados ou, pelo menos, podem se explorados pelas vias psicológicas e sociológicas.

A exploração de qualquer um desses territórios existenciais, os vínculos familiares, o vício em drogas, o mundo do trabalho, a situação de exclusão, faz parte de uma mesma

29 O objetivo dessa exposição não é uma demonstração estatística. Ressaltamos os temas mais e menos

fortemente relacionados à juventude e à adolescência pelos saberes científicos, de modo a desenhar um limite territorial para a publiciade televisiva.

máquina de produção da subjetividade adolescente e juvenil. Se, de um lado, se produz coletivamente determinados modelos de identidade para a adolescência e para a juventude no senso comum, esses se entrecruzam e se agenciam ao discurso dos especialistas, psicólogos, psicanalistas, sociólogos etc. Assim, ao adotar um ou outro método de pesquisa, e ao eleger determinados fatores como fundamentais, reduzindo outros a derivações ou complementos dos primeiros, pode-se produzir um modelo de identidade da juventude ou da adolescência.

É assim, por exemplo, que a psicologia do desenvolvimento, segundo Jobim e Souza (1997), autoriza e legitima a construção de teorias e conceitos sobre os aspectos sociais, cognitivos, afetivos e psicomotores, tanto da infância como da adolescência. Esta produção científica não se limita, entretanto, simplesmente a observar e a descrever cientificamente seu objeto, mas, na mesma ação de investigação, também formula ideais para o desenvolvimento e aprovisiona os meios para promovê-los nas crianças, nos adolescentes e até mesmo nos adultos. Seu discurso, assim, é um dos componentes responsáveis por produzir a adolescência.

[...] Se por um lado a psicologia do desenvolvimento pretende compreender e iluminar fatos desconhecidos sobre o desenvolvimento da criança e do adolescente, por outro, ao investir nesta direção, acaba por se tornar propriamente estruturadora da experiência da criança, ou seja, os comportamentos cognitivos, afetivos, psicomotores, psicossociais, etc., passam a ser moldados por determinadas características descritivas, além de emergirem cada vez mais cedo na vida da criança. Isso significa afirmar que os estudos e pesquisas psicológicos têm conseqüência sobre o sujeito em formação, ou seja, sua função interpretativa permite a produção e o consumo de conceitos pelo conjunto da sociedade. Esses conceitos vão sendo construídos e reconstruídos no interior das teorias, passando a interferir diretamente no comportamento de crianças e adolescentes, modelando formas de ser e agir de acordo com as expectativas criadas, tendo por base interesses culturais, políticos e econômicos do contexto social mais amplo. O poder, nas sociedades contemporâneas, não se faz tão somente pelo controle dos meios de produção, mas também pelo controle da produção de sentidos. (Jobim e Souza, 1997, p.41-42)

O que percebemos também é que esses discursos científicos sobre a juventude e a adolescência passam, hoje, necessariamente pela mídia. Como observa Fischer (1996), nos meios de comuncação em massa é produzido um discurso especializado em adolescência e juventude. Estes especialistas, das mais diferentes áreas do saber, da medicina, psicologia, sociologia, pedagogia etc procuram definir o que é ser jovem ou adolescente e quais as preocupações, precauções e prescrições necessárias a esta condição. Estes discursos, portanto, se fazem acompanhar de lutas e de conquistas sociais para a proteção dos adolescentes e jovens, que encontram grande receptividade da mídia.

Num tempo de AIDS, de histórias de anorexias e bulimias, de inúmeras campanhas dirigidas ao adolescente, para que aprenda a fazer o “sexo seguro”, desfilam os arautos de um novo modo de “cuidar” e de definir o jovem e o adolescente. Nos consultórios médicos, nas universidades, nas clínicas psiquiátricas, nas escolas, nas famílias, nas instituições jurídicas, assistencialistas e políticas, nas agências de publicidade, nos institutos de pesquisa e, sobretudo, na mídia, o sujeito adolescente é constituído, falado, pensado e colocado na ordem do dia. Seu corpo e sua sexualidade merecem estudos diferenciados, conforme os grupos e classes sociais considerados: médicos criam grupos de educação sexual, para prevenir gravidez e AIDS na adolescência, dedicando atenção especial às meninas de camadas populares. Pesquisadores da área da educação incluem em suas investigações um grupo novo: os meninos de rua, para quem as palavras adolescência e infância traduzem mais uma ausência do que propriamente um estágio da vida. Pedagogos ocupam- se com crianças precocemente “adolescentizadas” e com jovens “infantilizados” que adentram as universidades. (FISCHER, 1996, p.21, grifos nossos)

Através da mídia, esses saberes se entrecruzam com um sentimento da “realidade”: os mais corriqueiros fatos cotidianos (aquela reportagem da escola de subúrbio), depoimentos personalíssimos da intimidade (a adolescente que decidiu ser emo), trajédias que são exploradas à exaustão pelo jornalismo (o “menor” que matou a namorada) ou filmes baseados em experiências pessoais (a adolescência delinqüente de Kids30). Ao mesmo tempo, estes discursos se encontram com um quê de “magia” da juventude e com sua “beleza eterna”: ficções holywoodianas que capturam nosso olhar (de Juventude Transviada31 a High School

Musical), novelas adolescentes (como Malhação, da Rede Globo32) e produções publicitárias

as mais desejáveis (da famosa propaganda do “primeiro sutiã”, de Olivetto, ao uso quase imperceptível de merchandising dentro das novelas).

E podemos mesmo nos perguntar: o quanto o discurso da mídia, inclusive a produção publicitária, se apropria do mesmo tipo de objetivação do sujeito empreendida pela ciência? Nas publicidades voltadas para o jovem, de revistas à televisão, passando pelo rádio etc, o que

30 Kids é um filme estadunidense de 1995, que apresenta um conturbado e chocante mundo de adolescentes que

consomem drogas, cometem violência e praticam sexo indiscriminadamente. O filme apresenta uma série de tramas paralelas, que produzem a adolescência como um período perigoso, na qual o próprio adolescente pode prejudicar seriamente sua vida.

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Juventude Transviada (Rebel Without a Cause) é um filme de 1955, que apresenta a história de Jim Stark, um jovem “rebelde”, interpretado por James Dean. Na trama, Jim é preso por embriaguez e desordem, enquanto detido, conhece um rapaz e uma moça também “problemáticos”. Depois de ser libertado, ele tenta se aproximar da garota, mas cria um desentendimento com o namorado de Judy, que é o líder de uma gangue do colégio.

32 Malhação é uma novela teen, no ar desde 1995 e que mostra o cotidiano fictício de adolescentes de classe

média do Rio de Janeiro. Durante seus 14 anos de existência, a novela mudou inúmeras vezes de cenário, de trama e de personagens. A primeira fase de Malhação teve como cenário uma fictícia academia Malhação, que deu nome ao programa. Com o fim da academia, criou-se o colégio Múltipla Escolha. Atualmente, o local tornou-se metade universidade e metade shopping.

vemos é um discurso de sedução através de um suposto saber sobre a identidade verdadeira deste sujeito – discurso que se faz seguir da estratégia de associação dessa identidade produzida a certos bens para, por meio deles, poder comercializá-la. Como pensar a construção ou produção de modelos de identidade nesse contexto?

Quanto a essa questão, Sampaio (2004), aponta todo o investimento de capital e de pessoal efetuado pelas agências de publicidade para traçar perfis de consumo da infância e da adolescência. A autora chama à atenção, em particular, para a pesquisa intitulada Projeto Kids, produzida pela agência de publicidade Young & Rubicam e, posteriormente, editada pela Rede

Globo. Essa pesquisa foi desenvolvida por psicopedagogos, com base na sistematização de

aspectos fundamentais das teorias de Piaget, Freud etc.

O estudo empreende, com base nas territorializações da psicologia, a segmentação de diversas faixas etárias, buscando a circunscrição de suas “características” de personalidade específicas e tranformando tais idades em targets da publicidade. O Projeto sugere ainda, com base nestas características do desenvolvimento, quais estratégias de comunicação seriam mais eficazes nas produções publicitárias, com relação a cada faixa de idade.

Segundo a pesquisa, a adolescência seria composta por aqueles entre os 12 e 17 anos de idade – portanto, em conformidade com o ECA. Nessa fase, ainda segundo a pesquisa, os adolescentes experimentariam mudanças corporais e descobririam que suas idealizações do mundo, dos adultos e de si mesmos não correspondem aos fatos reais e, portanto, seriam extremamente sensíveis. “Inseguros quanto à própria identidade, num período de transição da infância para a vida adulta, eles assumem comportamentos e recorrem a objetos que sinalizem o seu vínculo com grupos que eles tenham mais afinidade.” (SAMPAIO, 2004, p.184). Além disso, nessa fase, estariam também bastante interessados na questão da sexualidade. Ao mesmo tempo, começariam a raciocinar em hipóteses e a imaginar um mundo diferente daquele com o qual se deparam. Dessa forma, já tendo abandonado o mundo de imaginação, passam a se voltar para os ídolos da música, do futebol, da luta política etc.

O Projeto conclui, portanto, que a comunicação deve focalizar a forte ligação do adolescente com seus grupos, mas deve também ter sensibilidade de considerá-lo enquanto indivíduo frágil e suscetível. Isso significa, então, que a comunicação deve considerar a fragilidade individual é compensada pelos signos – grifes, etiquetas, jeans, tênis, camisas – que são comportilhados pelos grupos. Dessa forma pode-se perceber que “o eixo fundamental do ordenamento das diversas faixas etárias é estabelecido com base no desenvolvimento psicológico da criança e do adolescente e compreendido como tendo uma validade genérica indiscutível.” (SAMPAIO, 2004, p.186).

Belgede 18 MART 2022 Sayı 4573 (sayfa 6-0)

Benzer Belgeler