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4. SAYISAL ANAL Z

4.1. Hesaplamalı Akı kanlar Dinami i (HAD) Yazılımları

A problematização da IC como política pública para a ciência como objeto de estudo decorreu da vontade de sublimar à complexidade que reveste a temática da qualidade da ES dentro da conjuntura das redes colaborativas. O conceito de política pública, tendo expandido para as abordagens das políticas públicas de ciência, tecnologia e pesquisa no Brasil, será aprofundado no capítulo 2, mas, por agora, refiro-me ao significado de políticas públicas além da compreensão superficial que vislumbra uma visão unilateral e deliberada da atividade do Estado.

O significado de política, aqui, está longe daquele relativo aos partidos políticos e eleições. A este propósito relevante é estabelecer a distinção entre as abordagens de política derivada da ciência política (centra a sua atenção na ação do Estado por meio de dispositivos formais e em uma perspectiva normativa e administrativa. Ou seja, a análise das políticas perpassaria por um modelo sequencial entre a concepção e a implementação, fundado numa visão racional) e das raízes sociológicas que adotam a perspectiva de variação de interesses e atores no processo político, privilegiando a dimensão incremental da ação, adotando a complexidade dos processos de tomada de decisão (VISEU, 2012).

Para Sabatier (1993), a perspectiva das políticas públicas fundada na ciência política enfoca as instituições governamentais e, tradicionalmente, as políticas são compreendidas como a produção jurídica, a ação administrativa e normativa do Estado. O autor relaciona a mudança política como resultado das transformações “[...] sociais, econômicas e políticas de larga escala e também o produto da interação de pessoas dentro de uma comunidade política, envolvendo quer competição pelo poder, quer os esforços para desenvolver os meios adequados para resolver os problemas políticos” (SABATIER, 1993, p. 15).

Souza (2006) trata da política pública sobre a perspectiva holística que situa o território de várias disciplinas, teorias e modelos analíticos. Assim, a política pública pertence formalmente ao ramo da ciência política, mas não se resume a ela haja vista ser objeto analítico de diversos campos de conhecimento. A política pública (em geral) e a política social (em particular)

[...] são campos multidisciplinares, e seu foco está nas explicações sobre a natureza da política pública e seus processos. Por isso, uma teoria geral da política pública implica a busca de sintetizar teorias construídas no campo da sociologia, da ciência política e da economia. As políticas públicas repercutem na economia e nas sociedades, daí porque qualquer teoria da política pública precisa também explicar as inter-relações entre Estado, política, economia e sociedade. (SOUZA, 2006, p. 25).

A autora, ainda, define política pública como a área do conhecimento que visa a um governo ativo por meio de análise (variável independente) e, quando necessário, deve-se lançar mão de proposições de mudanças para se alterar o rumo ou curso das ações (variável dependente). Ou seja,

[...] o principal foco analítico da política pública está na identificação do tipo de problema que a política pública visa corrigir, na chegada desse problema ao sistema político (politics) e à sociedade política (polity), e nas instituições/regras que irão modelar a decisão e a implementação da política pública. (SOUZA, 2006, p. 40).

Esses aspectos permitem conceber a IC como uma política de ação pública que estimula a produção do conhecimento na ES no Brasil, no nível de graduação – especificamente na vertente da pesquisa. A IC foi criada em 1951, juntamente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado diretamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A criação do CNPq deu-se na mesma época do início do financiamento da atividade de IC através da liberação de bolsas anuais de fomento à pesquisa na graduação. Entretanto, o CNPq não é o único órgão de

fomento à pesquisa na graduação brasileira, há também as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAP).

A Lei da Reforma Universitária de 1968, no Art. 2°: “O ensino superior,

indissociável da pesquisa, será ministrado em universidades e, excepcionalmente, em

estabelecimentos isolados, organizados como instituições de direito público” (BRASIL, 1968,

p. 1), sinaliza o início das atividades de IC a partir do princípio da indissociabilidade ensino e pesquisa como norma disciplinadora nas IES. Posteriormente, essa associação foi também incorporada na Constituição Federal (CF) de 1988 e, por consequência, na LDB/1996.

De acordo com Carvalho (2002) há três fatores que colaboraram para a inserção da IC nas universidades: o surgimento do CNPq, a expansão do sistema de ensino superior e a consolidação da pós-graduação. Esses fatores

... criaram as condições para que a pesquisa científica crescesse no âmbito

das instituições de ensino superior, possibilitando, a partir daí, o surgimento dos programas de iniciação científica no cenário nacional. Em outras palavras, a IC encontrou as condições favoráveis para o seu desenvolvimento no sistema de ensino superior, pois neste havia não só a infraestrutura necessária para seu financiamento, mas sobretudo os docentes pesquisadores e um corpo discente propenso a se tornar aprendiz. (CARVALHO, 2002, p. 145).

A estrutura funcional do CNPq compreende uma Diretoria Executiva responsável pela gestão da instituição e um Conselho Deliberativo que atua na política institucional. O Regimento Interno do CNPq  Título I, Capítulo I, Artigo 2º  determina a esse órgão a

missão de “... promover e fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico do país e

contribuir na formulação das políticas nacionais de ciência e tecnologia (BRASIL, 2002, p.

1).” Assim, a história do CNPq tem relação direta com o desenvolvimento e

institucionalização da ciência e tecnologia no Brasil.

Nos dias atuais, o CNPq dispõe de dois instrumentais para efetivar sua missão: apoiar a pesquisa por meio de chamadas públicas e formar recursos humanos via concessão de bolsas. Estas se destinam a instituições, programas de pós-graduação ou pesquisadores individualmente para promover a formação e o aperfeiçoamento dos pesquisadores do país. As concessões dessas bolsas atendem aos programas de pós-graduação, a editais ou convênios com recursos próprios do CNPq ou de outras instituições públicas e privadas. As cotas podem ser concedidas a pesquisadores, cursos de pós-graduação e instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Em 2014, 44% do total das bolsas concedidas em todas as modalidades foram de IC. Ver gráfico 1:

Gráfico 1 – Percentual de Bolsas de IC e IT no Total Concedido pelo CNPq (2014)

Fonte: CNPq/COEST (2014).

Os dados do CNPq, período de 2014-2016, revelam que já foram concedidas 40.406 mil bolsas de IC e de iniciação tecnológica (IT), assim distribuídas: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) 24.364 – 60,30%; Programa de Iniciação Científica da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (PIC- OBMEP) 5.886 – 14,57%; Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM) 4.772 – 11,82%; Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) 3.190 – 7,89%; Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC-Af) 798 – 1,97%; Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ) 776 – 1,92%; Programa de Iniciação Científica e Mestrado (PICME) 620 – 00%. Ver o gráfico 2:

Gráfico 2 – Bolsas Vigentes por Programa (2014/ 2016)

Fonte: Painel dos Programas Institucionais de Iniciação (CNPq, 2015). 24364 5886 4772 3190 798 776 620 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000

As bolsas de IC atendem a qualquer área do conhecimento para estudantes de graduação11. Para tanto, os mesmos devem participar de um projeto de pesquisa com um professor-orientador. Marcuschi (1996) afirma que as bolsas de IC tiveram uma direção desigual nas décadas de 1970-1980. No final dos anos 1980, início da década 1990, houve um crescimento significativo no número de bolsas concebidas, o que o autor chama de período de valorização da IC. E conforme o gráfico 1, o número de bolsas de IC distribuídas é bem mais significativo que o número de bolsas ofertadas com outras finalidades, constituindo-se em uma indispensável ferramenta de incentivo à pesquisa12.