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3.GEREÇ VE YÖNTEM

3- t(9;22) (Light cycler t(9;22)quantification kiti): cDNA aşaması

4.4. Hematolojik ve diğer yan etkilerin dağılımı

Após a aprovação do Estatuto da Cidade, o marco relevante para a Política Urbana seguinte foi a criação do Ministério das Cidades pelo Governo Luiz Inácio Lula da Silva em

2003, como órgão responsável pela condução da Política de Desenvolvimento Urbano18. “O Ministério das Cidades foi fruto de um amplo movimento social progressista e sua criação parecia confirmar, com os avanços, os novos tempos para as cidades do Brasil”. (MARICATO, 2011, p.24).

Segundo Maricato19 , o Ministério das Cidades

[...] teve sua estrutura baseada nos três principais problemas sociais que afetam as populações urbanas e que estão relacionados ao território, são eles: a moradia, saneamento básico (que agrega água, esgoto, drenagem e coleta e destinação de resíduos sólidos) e as questões reunidas sob o tema do transporte da população urbana - mobilidade e trânsito. Considerando a centralidade da questão fundiária

e imobiliária para o desenvolvimento urbano, foi criada uma quarta secretaria,

que se ocupa especialmente do planejamento territorial e da regularização fundiária.

Como estas competências são essencialmente das prefeituras municipais, o governo federal pode ter um importante papel coordenador, fomentador e financiador de estudos e ações. (MARICATO, 2006, p. 214, grifo nosso).

Cabem aqui algumas reflexões iniciais. Parece haver uma contradição entre o reconhecimento da centralidade do problema urbano e a estratégia institucional criada para lidar com ele.

Se houve consensos em torno das questões que envolvem a Reforma Urbana, entre eles estava o reconhecimento da centralidade da questão fundiária e do planejamento para o desenvolvimento urbano. No entanto, é desafiador tentar compreender porque motivo o tratamento desta questão passou a ser objeto de atuação de uma Secretaria, isoladamente, enquanto deveria constituir uma política de base para todas as demais políticas setoriais.

Da mesma maneira, parece também contraditório que, na visão dos próprios integrantes da equipe que estruturou tal estratégia, mesmo reconhecendo que o enfrentamento deste tema constitui questão fundamental na construção de uma Política Urbana para o Brasil, e é altamente dependente do papel de indutor da União, tenha prevalecido o entendimento de que a competência para o seu enfrentamento é exclusiva dos municípios, cabendo ao governo federal orientar e estabelecer diretrizes. Afirma Maricato:

O papel da quarta Secretaria [Secretaria de Programas Urbanos] seria o de fornecer

diretrizes e orientação para governos municipais e metropolitanos para por em

prática programas urbanísticos integrados que respondessem a problemas

específicos, comuns e frequentes nas cidades de todo o território nacional, em

que pese a grande diversidade regional, ambiental e cultural. São exemplos de programas especiais: a regularização fundiária, a reabilitação das tradicionais áreas

18 Ministério das Cidades foi instituído pela Lei n. 10.683, de 28 de maio de 2003. 19

Ermínia Maricato, além de professora titular da USP, participou ativamente do Movimento pela Reforma Urbana, integrou a equipe de transição do Governo FHC para o Governo Lula em 2002 e assumiu a Secretaria Executiva do Ministério das Cidades entre 2003 e 2005, durante a gestão do Ministro Olívio Dutra.

urbanas centrais, cidades de fronteira, prevenção de riscos de desmoronamento e combate a vazios urbanos com aplicação do Estatuto da Cidade. (MARICATO, 2011, p. 26-27, grifo nosso).

Destaca-se, da leitura acima, que a Secretaria Nacional de Programas Urbanos - SNAPU, foi concebida para fornecer diretrizes e orientação; para por em prática programas que respondessem a problemas específicos, comuns e frequentes nas cidades de todo o território nacional.

Essas contradições, talvez motivadas por disputas técnicas e ideológicas, certamente influenciaram a estruturação institucional do Ministério das Cidades, como reconhece Maricato:

[...] mesmo entre as forças de esquerda e reformistas não havia clareza de como conduzir a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) no Governo Lula. Para alguns, estaria resolvida quando se desse a integração entre as políticas setoriais e as instâncias federativas. Estes propunham um projeto de lei – a criação do Sistema Nacional de Cidades – inspirado no SUS – Sistema Único de Saúde. O Sistema Nacional de Cidades resolveria o problema do arranjo federativo e intersetorial. Para outros, a unidade e a centralidade da PNDU era dada pelo Planejamento Urbano – sob a forma do Plano Diretor ou algo equivalente que, fornecendo um cenário holístico orientaria as políticas setoriais. (MARICATO, 2011, p. 46-47).

O Ministério das Cidades e a Secretaria Nacional de Programas Urbanos não foram concebidos, portanto, para pensar o problema urbano de forma holística, para pensar a rede de cidades brasileiras e suas desigualdades, nem as questões de natureza metropolitana, nem mesmo a normatização e os programas que pudessem efetivamente conduzir os Municípios na discussão de uma visão integrada do planejamento, auxiliando-os a construir coletivamente a proposta de ordenamento urbano e de organização espacial inclusiva, fazendo a partir daí, o devido enfrentamento dos problemas fundiários respectivos. Naturalmente, esta tarefa requer muito mais da ação governamental do que foi efetivamente proposto como veremos nesta Tese.

Da mesma forma, diante do discurso hegemônico em torno da Reforma Urbana e do Direito à Cidade em seu sentido mais amplo, pode-se questionar porque estruturar um Ministério criado para promover a Política Urbana em torno de secretarias temáticas que tratam de um tema único, complexo e que deveria estar interrelacionado com os demais? Como não considerar território, espaço e espacialidades? Como desassociar a discussão da produção de moradias da questão fundiária e do planejamento urbano? Como priorizar saneamento sem considerar os assentamentos precários e sua regularização? Porque instituir

uma política de contenção de áreas de risco desassociada da política de intervenção em favelas se elas concentram a maioria absoluta das situações de risco? Qual das pastas deveria conduzir as discussões em torno dos problemas metropolitanos? Não são eles essencialmente moradia, saneamento, transporte agravados em função da lógica fundiária e da ausência de planejamento metropolitano, em especial? Qual a secretaria responsável por promover o debate sobre a rede de cidades, as desigualdades regionais? Qual a área responsável por desenvolvimentos de planos nacionais de desenvolvimento urbano?

Contraditoriamente, ao mesmo tempo que se constituía essa estrutura institucional, os próprios idealizadores e gestores do Ministério das Cidades reconheciam a importância de desenvolver as especificidades dos temas setoriais da Política Urbana, desde que tratados de forma integrada e inseridos em uma Política Nacional de Desenvolvimento, articulada com outras políticas setoriais e com os demais níveis de governo.

Reconhecidas as especificidades de cada um dos setores em que hoje se organiza o Ministério das Cidades – programas urbanos, habitação, mobilidade, transporte e trânsito, saneamento e desenvolvimento institucional – é fundamental não perder de vista uma realidade urbana que é una, vivenciada cotidianamente pela imensa maioria da população, e na qual são inseparáveis as precárias condições de habitação, saneamento, transporte, educação, atendimento à saúde, lazer, etc. No

reconhecimento de que as politicas setoriais são indispensáveis e podem ser estruturantes do desenvolvimento urbano é fundamental entender que elas tanto mais o serão, na direção hoje pretendida, quanto mais estiverem integradas numa Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, e que ela

também se articule com outras políticas governamentais - horizontalmente, no plano federal, e verticalmente, na direção de estados e municípios. (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2004a, p. 55, grifo nosso).

A estrutura institucional do Ministério das Cidades não contribuiu para consolidar a mudança necessária na formulação da Política Urbana, muito menos para delegar-lhe o relevante papel que deveria assumir na condição de agente de um intenso processo de transformação cultural na sociedade brasileira, assim como aconteceu com a Política Ambiental. Estruturado para pensar as cidades por partes, o Ministério das Cidades promoveu alguns avanços em políticas setoriais específicas, como veremos neste trabalho, mas não contribuiu para construir uma dinâmica que permitisse pensar a cidade como um todo, incluída em uma rede urbana mais equilibrada no território brasileiro que, por sua vez, correspondesse, a uma proposta urbana construída para o país.

Ao avaliar os avanços da Política Urbana pós Ministério das Cidades e os desafios para uma agenda futura, a titular da Secretaria de Programas Urbanos, Raquel Rolnik, destacava:

Embora a presença de vários setores de desenvolvimento urbano em um mesmo ministério tenha propiciado espaço de diálogo e troca intensa, a forte cultura

setorial e coorporativa existente nos meios técnicos – na gestão em todos os níveis e nos setores empresariais ligados aos vários temas – ainda não permitiu a construção de políticas realmente integradas, por meio de ações e programas

multissetoriais. (ROLNIK, 2006, p. 208).

A estrutura institucional adotada foi, certamente, resultado do quadro de forças, interesses e do pensamento predominante à época e obviamente não é causa, mas consequência do processo.

A proposta das três secretarias temáticas, habitação, saneamento e mobilidade urbana pode ter sido influenciada pela necessidade de apresentar respostas concretas às demandas historicamente reprimidas e/ou pelo pensamento orientado pela materialidade e experiência prática a respeito dos conteúdos das temáticas setoriais. Já a Secretaria Nacional de Programas Urbanos, talvez tenha sido proposta pela necessidade de simbolicamente instituir o lugar do planejamento e da política fundiária no Governo Federal.

De alguma maneira, é necessário também considerar que essa estrutura setorial possa ter sido influenciada pelas forças políticas e sociais que militam em torno das temáticas urbanas e contribuíram decisivamente para a criação do Ministério. Ou, por outro lado, talvez as dificuldades políticas, institucionais, legislativas e até mesmo jurídicas, considerando o “tempo político”, possam ter influenciado a tomada de decisões que se inicia com a estruturação do Ministério das Cidades, a formatação de uma proposição para a PNDU e a seus Programas e Ações, conforme examinaremos na sequência. Por hipótese, a somatória de cada uma dessas razões.