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2. GENEL BİLGİLER

5.3. Hemşirelerin İşten Ayrılma Niyetlerini Etkileyen Etmenler

Toda ontologia pretende, em última instância, encontrar a radicalidade da compreensão do real. Explicar o “nódulo essencial a toda ontologia: a categoria da substância.” (LESSA, 2002, p. 50).

33 Para Lukács, a categoria da substância pode ser analisada fundamentalmente a partir de dois pontos: primeiro pela sua historicidade (descoberta e delineada por Marx); segundo, pela diferenciação qualitativa entre fenômeno e essência, ou seja, a essência contém os traços mais profundos, enquanto complexo de determinações, que formam a unidade de heterogêneos momentos vividos ao longo do tempo. “A essência é o lócus da continuidade.” (LESSA, 2002, p. 50).

Segundo Lessa (2002), para Lukács, “o ser é histórico porque sua essência, em vez de ser dada a priori, se consubstancia ao longo do próprio processo de desenvolvimento ontológico.” (LESSA, 2002, p. 51). A relação dialética entre fenômeno e essência reside no fato de que o fenômeno é sempre algo pertencente ao ser na perspectiva de algo que é – parte existente da realidade social – e, portanto, que participa da processualidade, porém não possui o caráter de continuidade. É exatamente essa característica processual, este conservar-se dinâmico – que não significa ser eterno – que demonstra a inconsistência das concepções ontológicas que contrapõe essência e fenômeno, bem como aquelas que diluem a essência no fenômeno.

Sobre esse caráter essencialmente dinâmico, Lukács, citado por Lessa (2002), afirma que “a substância é aquilo que, no perene mudar das coisas, mudando a si mesma, é capaz de se conservar em sua continuidade.” (LESSA, 2002, p. 51).

Outro aspecto importante identificado pelos autores é que tanto a essência como o fenômeno se articulam com a necessidade. Diferentemente daqueles que consideram que Lukács aproxima demais essência com necessidade e fenômeno com acaso, o referido autor afirma que “o fenômeno é uma entidade social tal como a essência, [...] um e outra são apoiados pelas mesmas necessidades sociais, e um e outra são elementos reciprocamente indissociáveis desse complexo histórico social.” (LUKÁCS apud LESSA, 2002, p. 53). Portanto, a relação essência-necessidade não pode ser dada a priori porque há sempre um quantum de acaso no processo. Nesse sentido, pode-se dizer que não há elementos para se supor uma contraposição entre essência e fenômeno baseada na relação do primeiro com a necessidade e do segundo com o acaso.

A contradição entre essência e fenômeno tem um caráter fundamentalmente histórico, ou seja, “a essência apenas pode se desdobrar concretamente através da mediação do ser-precisamente-assim das formas fenomênicas a cada momento existentes.” (LESSA, 2002, p. 52).

Vejamos como Lessa (2002) apresenta a análise de Lukács sobre a relação essência- fenômeno pelo exemplo concreto do capitalismo:

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[...] a essência do desenvolvimento capitalista está presente no desenvolvimento das formas nacionais de capitalismo francês, inglês etc. Nessa relação, as determinações nacionais comporiam a esfera fenomênica diante daquelas essenciais. Todavia, as formas nacionais que assumem o capitalismo certamente são decisivas para o desenvolvimento global do modo de produção capitalista e, por isso, são igualmente decisivas para o desenvolvimento da essência dessa formação social. (LUKÁCS apud LESSA, 2002, p. 52).

Por analogia pode-se afirmar que o mesmo vale para o complexo esporte. A essência do desenvolvimento esportivo está presente no desenvolvimento das formas nacionais de esportivização. Todavia, tais formas particulares são decisivas tanto para o desenvolvimento fenomênico do esporte como para o desenvolvimento da essência desse complexo. Mais adiante, aprofundaremos essa questão na direção de encontrarmos a essência e a continuidade do referido complexo. Veremos também como a predominância de abordagens que tomam o fenômeno como essência, presentes no âmbito da sociologia do esporte, ao não compreenderem o desenvolvimento histórico da essência ontológica de jogo esportivo, chegam a conclusões equivocadas e/ou insuficientes sobre a função humanizadora desse complexo.

Para Lukács, a reprodução da individualidade não se dá passivamente, ou seja, a dimensão fenomênica não é um desdobramento passivo da essência. Entre esses dois níveis do ser acontece uma determinação reflexiva, ou seja, “cada uma das individualidades são também (portanto, não são apenas) portadoras das determinações mais genérico-essenciais do ser social a cada momento histórico.” (LESSA, 2002, p. 54).

Importante destacar que nos atos cotidianos a realidade se apresenta como uma indissolúvel unidade entre essência e fenômeno, e a delimitação precisa dessas duas dimensões só é possível posteriormente. Lessa (2002) argumenta que na imediaticidade da realidade existente o particular de cada momento consubstancia uma complexa totalidade que articula fenômeno e essência e, como o ser é essencialmente histórico, essa complexidade de possibilidades e impossibilidades de cada momento demonstra que “não há, portanto, nenhum elemento teleológico no processo ontológico global, não há nenhuma necessidade essencial que possa a priori determiná-lo de forma absoluta.” (LESSA, 2002, p. 55).

Diante da importância e da complexidade de tal assertiva, optamos por reproduzir na totalidade a citação de Lukács apresentada por Lessa (2002, p. 52) para elucidá-la melhor.

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Quando consideramos o processo global em sua totalidade, se esclarece como o movimento da essência [...] não é uma necessidade fatal, que tudo determina antecipadamente [...] (mas, ao invés) faz continuamente surgir novas constelações reais das quais a práxis extrai o único campo de manobra real a cada vez existente. A esfera de conteúdos que os homens podem pôr a si mesmos como finalidade dessa práxis é determinada – enquanto horizonte – por essa necessidade do desenvolvimento da essência, mas exatamente enquanto horizonte, enquanto campo de manobra para as posições teleológicas reais nele (no horizonte) possíveis, não com determinismo geral, inevitável, de todo conteúdo prático. No interior desse campo, toda posição teleológica se apresenta como forma de alternativa [...] com o que termina excluída toda predeterminação, a necessidade da essência assume obrigatoriamente para a práxis dos homens singulares a forma de possibilidade.

Portanto, a essência do ser social está sempre delimitada pelo horizonte de possibilidades reais objetivas e subjetivas. Nas palavras de Lessa (2002), “a essência do real é o campo privilegiado na delimitação do escopo de possibilidades e impossibilidades a cada momento; o ser-precisamente-assim existente é a base sobre a qual se desdobra a relação entre a subjetividade e o mundo objetivo.” (LESSA, 2002, p. 56). Nesse sentido é que as atividades humanas frequentemente alargam os limites do possível, realizando, assim, a negação- superação dos limites objetivos, mantendo-os como elementos básicos do salto de qualidade. Por outro lado, Lessa (2002) nos alerta que esse movimento dialético só se realiza em “casos- limite que confirmam a regra mais geral” (LESSA, 2002, p. 56), uma vez que, nos “eventos mais cotidianos, comuns, fica evidente o modo como a essência do real delimita o campo de possibilidades a cada momento.” (LESSA, 2002, p. 57).

Conforme vimos anteriormente, esse complexo escopo de possibilidades e impossibilidades existentes a cada momento, por sua vez, se funda e se desenvolve a partir do trabalho, que, em essência, se trata de uma complexa relação entre teleologia e causalidade. Trataremos dessa relação no tópico seguinte.

Benzer Belgeler