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2.4 Stresle Baş Etme

2.4.1 Hemşirelerde Stresle Baş Etme

final das discussões do código criminal, a análise exclusiva dos Anais do Parlamento brasileiro, como mencionado, tem levado a historiografia nacional a reiterar unicamente a pressa que teria marcado este processo e a pretensa falta de cuidado dos deputados nacionais com a elaboração do diploma imperial. Influenciada pelas insistentes falas dos legisladores neste sentido, a historiografia tem trabalhado repetidamente com a hipótese de que o texto do Código de 1830 descendeu por completo do projeto desenvolvido por Bernardo Pereira de Vasconcelos que, por sua vez, teria sido alterado unicamente em pontos específicos e superficiais.

Pretendemos, contudo, demonstrar justamente o contrário. Partindo, assim, de um exame cuidadoso dos projetos de código criminal apresentados ao Parlamento brasileiro em 1827 e da documentação produzida por uma das comissões dedicadas à sua elaboração, gostaríamos de chamar a atenção do leitor aos minuciosos trabalhos efetivamente desenvolvidos sobre o texto que comporia, enfim, o código penal do Império do Brasil.

Como vimos nas páginas antecedentes, os projetos apresentados por José Clemente Pereira e Bernardo Pereira de Vasconcelos, em 1827, passaram pelas mãos de duas comissões parlamentares: a Comissão especial do código criminal (formada no ano de 1827 e composta por cinco deputados) e a comissão mista de 1829 (composta por três deputados e três senadores). Como resultado de seus trabalhos, esta última comissão elaborou um novo projeto que, por sua vez, passou por mais duas comissões: a comissão ad hoc das emendas, eleita em maio de 1830 e composta por três deputados, e a última comissão especial do código criminal, eleita em setembro de 1830 e, uma vez mais, composta por três representantes da Câmara baixa.

Tem-se, portanto, ao longo destes anos, a formação de quatro importantes comissões parlamentares responsáveis pela efetiva elaboração do código penal do Império do Brasil. Os trabalhos desenvolvidos no âmbito específico de cada uma delas, contudo, não se encontram registrados nos Anais do Parlamento brasileiro, fazendo com que, para além dos pareceres emitidos e lidos em plenário, não se tenha, nos Anais, quaisquer indícios efetivos de sua produção.

Há, no entanto, registros de que parte importante destes trabalhos teria sido impressa à época. Um ofício lido na Câmara dos deputados aos 21 de maio de 1830 confirmou, por exemplo, terem sido postos a venda, no país, exemplares do projeto de código criminal elaborado pela comissão mista de 1829 (impressos pela Tipografia Nacional) 285. Um parecer lido na sessão de 06 de julho de 1830, por sua vez, revelou que a comissão ad hoc eleita em maio do mesmo ano, tendo terminado o trabalho de captação e seleção das emendas enviadas ao projeto da comissão mista, as mandou imprimir “pela tipografia que mais conviesse”286.

Enquanto o projeto da comissão mista de 1829 infelizmente ainda não pôde ser encontrado, os trabalhos desenvolvidos pela comissão ad hoc das emendas, mandados à impressão em julho de 1830, foram por nós recentemente descobertos num livreto

285 APB-CD; sessão de 21 de maio de 1830, p.183. A leitura do ofício se dá nos seguintes

termos: “Officio do Ministro da Fazenda participando em data de 18 do corrente ter expedido as ordens para se pôr à venda os exemplares do codigo criminal do Brazil conforme o officio de 17 que recebera do mesmo Sr. 1º secretario. – Ficou a camara inteirada devendo declarar- se à typographia nacional que se mandou pôr à venda o projecto do dito codigo, e não o codigo, para que faça corrigir os annuncios respectivos.”

286 Idem; sessão de 06 de julho de 1830; p. 41. Quanto aos trabalhos da última comissão

especial do código criminal, para além do parecer emitido aos 19 de outubro de 1830, sabe-se que os seus esforços resultaram no texto final do Código Criminal do Império do Brasil, impresso nos próprios Anais.

pertencente ao acervo da Fundação Biblioteca Nacional (RJ)287. Composto por cerca de 30 páginas, este documento contém, para além das emendas acatadas e sugeridas ao texto do código criminal, um parecer (emitido em 5 de julho de 1830) em que os membros da comissão comentam os trabalhos então desenvolvidos, permitindo-nos identificar o ponto em que se encontrava a elaboração do diploma penal àquela altura. Partindo, assim, do exame das emendas sugeridas pela comissão ad hoc e da observação de sua ordem e conteúdo, pudemos ter acesso a parte das alterações empreendidas pela comissão mista de 1829 sobre o projeto de Bernardo Pereira de Vasconcelos e detectar quais destas emendas foram, ou não, acatadas pela última comissão do código criminal. Para além disso, o conteúdo das emendas presentes neste livreto permitiu que localizássemos parte dos trabalhos desenvolvidos especificamente no âmbito da última comissão do código criminal.

É eminentemente sobre este material, portanto, que residem as novidades da análise desenvolvida neste subcapítulo. Paralelamente ao livreto da comissão ad hoc, deve-se frisar, trabalharemos também com os registros dos Anais no que tange às atividades das outras comissões citadas, analisando sua formação, seus pareceres e suas principais contribuições à elaboração do código penal imperial. Desta forma, tencionamos explicitar os descompassos tantas vezes existentes entre o que era efetivamente produzido no âmbito específico das comissões parlamentares e aquilo que discutiam, em plenário, deputados e senadores, demonstrando que, diferentemente do que uma leitura desavisada dos discursos dos parlamentares poderia fazer supor, o texto do código penal brasileiro foi trabalhado e retrabalhado, por estas comissões, até que se chegasse, em outubro de 1830, a seu resultado final.

Como vimos por diversas vezes ao longo desta dissertação, nos dias 4 e 16 de maio de 1827, os deputados Bernardo Pereira de Vasconcelos e José Clemente Pereira enviaram, respectivamente, à Câmara, seus projetos de código criminal. No dia seguinte à entrega do projeto de Vasconcelos, discutindo-se seu destino, a Câmara indicou o desejo de formar uma comissão especial encarregada de analisá-lo. Tal Comissão especial do código criminal foi eleita na sessão de 12 de maio de 1827, sendo escolhidos para compô-la os deputados José Antonio da Silva Maia (MG),

287

Arquivo da Biblioteca Nacional (RJ). Comissão especial do código – emendas ao projecto do código criminal, 1830. Typographia de Lessa & Pereira, 1830. Localização: V, 257, 3, 8, nº6.

Candido José de Araujo Vianna (MG), José da Costa Carvalho (BA), Manuel Caetano de Almeida e Albuquerque (PE) e João Candido de Deus e Silva (PA)288.

A comissão emitiu, aos 14 de agosto de 1827, um interessante parecer acerca dos projetos analisados289. Já no início deste parecer, seus membros diziam ter se dedicado escrupulosamente à leitura dos dois projetos, comparando o método adotado na classificação dos delitos e distribuição das penas em cada caso e confrontando “mui attentamente as disposições contidas nos seus artigos com os principios da jurisprudencia que mais se amoldão às actuaes circumstancias phisicas, moraes e politicas do imperio”. A partir deste trabalho, afirmavam ter reconhecido as dificuldades envolvidas na elaboração de um código criminal nacional e, apesar de destacarem o patriotismo dos autores dos projetos em discussão, confirmavam a necessidade que tinham ambos de “algumas mais ou menos essenciaes alterações, que reduzão à harmonia perfeita as partes como o todo, e este com as supramencionadas circumstancias”.

Na seqüência, a comissão alegava ter cogitado formular um novo projeto de código a partir dos dois de que dispunha – “colligido o que de melhor escolha se acha espalhado em ambos” –, tendo rapidamente percebido, contudo, a impossibilidade de semelhante tarefa perante as dificuldades de sua natureza, a estreiteza do tempo, a concorrência de outros trabalhos e as limitações de seus próprios membros.

Haja vista, contudo, a necessidade de deliberar algo, a comissão declarava ter confrontado uma vez mais os sistemas adotados nos projetos de Vasconcelos e Clemente Pereira, emitindo uma opinião que, além de tardia (em suas próprias palavras), limitava-se à “manifestação daquelle dos projectos que entendera dever ser preferido para a discussão, posto que sejão ambos recommendaveis”.

Neste sentido, o parecer propunha, primeiramente, que a Câmara recebesse com igual agrado os dois projetos e os mandasse imprimir, possibilitando que o conjunto da deputação formasse sobre eles o seu juízo e que os jurisconsultos e sábios da nação os analisassem, para, num segundo momento, recomendar:

Que para entrar na regular discussão conforme a ordem dos trabalhos, se prefira o do Sr. Vasconcellos por ser aquelle que por mais amplo no desenvolvimento das maximas juridicas, razoaveis, e equitativas, e por mais miudo nas divisão das penas, cuja prudente variedade muito concorre para a bem regulada distribuição dellas, poderá mais facilmente levar-se à possivel perfeição com menor numero de retoques

288 APB- CD; sessão de 12 de maio de 1827; p. 76.

accrescentados àquelles que já a commissão lhe deu de accordo com o seu illustre autor.290

Analisemos rapidamente a força desempenhada por este parecer nas interpretações historiográficas do Código de 1830 e de sua elaboração. Citado em praticamente todos os estudos referentes à matéria, o conteúdo deste documento, especialmente o de sua segunda proposição, tem cumprido o papel de validar a tese segundo a qual o diploma brasileiro de 1830 descendeu imediatamente do projeto de Bernardo Pereira de Vasconcelos. Poucos dentre estes estudos, contudo, atentaram ao fato de que justamente esta proposição do parecer não foi aprovada na sessão de 14 de agosto na Câmara dos deputados, ficando sua votação reservada para depois de impressos os códigos e, ao que tudo indica, nunca ocorrendo. A única resolução tirada pelo conjunto da deputação brasileira a partir do parecer da comissão especial do código criminal, portanto, dizia respeito à aceitação e impressão de ambos os projetos entregues e analisados, não se tendo decidido, mas apenas indicado, naquela ocasião, pela preferência ao projeto de Vasconcelos.

Com esta relativização, não pretendemos invalidar a tese de que o projeto de Vasconcelos tenha servido de base ao texto final do Código de 1830, mas unicamente chamar a atenção ao modo com que, muitas vezes, fez-se um uso equívoco dos registros dos Anais do Parlamento brasileiro para a confirmação de interpretações formuladas previamente à sua leitura. Desta forma, grande parte dos estudos dedicados ao diploma penal do Império brasileiro teria se limitado a reproduzir afirmações de estudos anteriores acerca da autoria do código, buscando no conjunto dos Anais exemplos que confirmassem tais ideias prévias, e não o desenvolvimento de uma releitura (e conseqüente reinterpretação) da documentação ali presente291.

Nos anos que se seguiram à emissão e leitura do parecer da Comissão especial, nenhum trabalho foi efetivamente desenvolvido, no Parlamento, sobre o conteúdo do futuro código criminal. Ao que tudo indica, entre 1827 e 1829 (período em que, como vimos, os deputados brasileiros debateram soluções de continuidade para a elaboração

290 APB-CD; sessão de 14 de agosto de 1827; p. 131. 291

Se o largo uso do projeto de Vasconcelos na elaboração do Código de 1830 pode ser confirmado, tal reconhecimento só é possível a partir de um exame cuidadoso dos respectivos conteúdos destes documentos (que se preocupe em frisar também o que foi modificado entre um e outro) e de um olhar atento sobre o conjunto dos debates parlamentares travados em torno a esta temática, e não unicamente por meio da (repetitiva) ênfase nas resoluções do parecer da comissão especial. O exame acima sugerido será desenvolvido no Capítulo 3 desta dissertação.

e discussão do código), os projetos de Vasconcelos e Clemente Pereira foram deixados de lado tanto na Câmara, como no Senado.

Em maio de 1828, contudo, Vasconcelos propôs – em meio à discussão sobre a implementação, ou não, do júri criminal no país previamente à aprovação do código penal – a formação de uma comissão parlamentar mista dedicada à revisão dos projetos oferecidos292. Sua proposta – muito provavelmente fundada no desejo de aceleração das discussões relativas ao código e antecipação, nesse sentido, de sua aprovação –, foi aceita pelo conjunto dos deputados. Seus trabalhos, contudo, só tiveram início efetivamente em maio de 1829, quando, como vimos, esta comissão se encontrava em sua segunda formação (de 10 membros, eleitos em 1828, passara a conter apenas seis em 1829: três deputados e três senadores).

No dia 31 de agosto de 1829, as Câmaras alta e baixa do Parlamento nacional receberam e leram o interessante parecer elaborado pela segunda comissão mista do código criminal. Neste parecer, cujo conteúdo foi parcialmente analisado no item anterior, a comissão das duas Câmaras afirmava ter examinado os projetos de Vasconcelos e Clemente Pereira e elaborado, sobre o primeiro deles (como indicado pela Comissão especial da Câmara dos deputados), um novo projeto. Alterando o projeto de Vasconcelos nos pontos considerados convenientes - “avaliando em mais o damno da demora que o das imperfeições, que com vagar pudesse corrigir” – a comissão apresentava agora a nova organização adotada:

Divide-se este projecto em 4 partes: trata a 1ª dos crimes e penas em geral [...]. Pode-se dizer que esta 1ª parte contem a theoria do systema que nas outras se desenvolve em um quadro classificado de todos os crimes.

A 2ª trata dos crimes contra os interesses geraes da nação. A 3ª dos crimes contra os interesses dos individuos.

E a 4ª comprehende os crimes policiaes sobre que a autoridade publica deve cuidadosamente velar para prevenir maiores males.293

Como explicitado no capítulo anterior, o projeto apresentado por Vasconcelos dividia-se também em quatro partes, organizadas, contudo, na seguinte ordem: (I) “Dos crimes e penas em geral”, (II) “Dos crimes policiaes”, (III) “Dos crimes particulares” e (IV) “Dos delictos públicos” - contando ainda com uma pequena “Disposição Geral”. Independentemente, portanto, das alterações levadas a cabo em

292 A proposta de Vasconcelos de que se revisse os (dois) projetos de código criminal, e não

apenas o seu, indica, a nosso ver, que do ponto de vista dos deputados, não ficara estabelecido que o texto do código criminal se erigiria unicamente sobre as disposições do projeto do deputado mineiro. APB-CD; sessão de 8 de maio de 1828, p. 24.

seu conteúdo, não há dúvidas de que a organização deste projeto já fora bastante modificada pela comissão mista de 1829.

De acordo com Monica Dantas:

Em termos de distribuição das matérias e da nomenclatura das partes, não se tratava mais do projeto de Vasconcelos, mas tampouco do texto que viria a ser aprovado em 1830. A ordem das matérias era similar àquela do futuro Código Criminal, mas as partes segunda e terceira teriam seus nomes ainda modificados: a parte segunda, intitulada pela comissão “dos crimes contra os interesses gerais da nação”, passaria, no Código, a se chamar “Dos crimes públicos”; e a terceira, “dos crimes contra os interesses individuais”, viraria “Dos crimes particulares”.294

Até este ponto do parecer, portanto, ficamos sabendo que a comissão mista se baseara efetivamente no projeto de Bernardo Pereira de Vasconcelos (tendo sempre à vista, e na devida consideração, o de Clemente Pereira), modificando-o, contudo, nos pontos considerados necessários.

Uma vez apresentada a organização do novo projeto, o parecer da comissão passava a refletir acerca da manutenção da pena de morte entre as punições do diploma brasileiro. De acordo com seu texto, a comissão desejara suprimir semelhante pena (“cuja utilidade rarissimas vezes compensa o horror causado na sua applicação”), mas não pudera fazê-lo em razão dos limites da educação primária no Império. Nas palavras de seus membros, o consolo perante esta triste necessidade advinha da proibição de se executar a pena de morte sem o consentimento do poder Moderador e da esperança de que este seguramente a recusaria quando sua substituição conviesse.

Para além desta avaliação, o parecer da comissão manteve a “tradição” de crítica aberta ao Livro V das Ordenações Filipinas, pontuando seus inúmeros “defeitos” e a necessidade premente de sua superação. Apesar de não recomendar como obra perfeita o projeto oferecido, a comissão reconhecia sua utilidade quando comparado à legislação penal em vigor no país. Antes de estabelecer o plano de rápida aprovação do novo projeto (comentado no subcapítulo anterior), o parecer confirmava o princípio da utilidade pública enquanto regulador do novo diploma e atestava que, substituindo-se as leis existentes por “um codigo organisado systematicamente sobre uma base solida tomada na natureza social e já consagrada no nosso codigo fundamental”, em muito se avançaria rumo à perfeição das leis penais.

Como vimos anteriormente, o plano proposto pelo parecer estabelecia que o projeto oferecido fosse adotado sem passar pelas discussões previstas nos regimentos das Câmaras, e que, para tanto, fosse rapidamente impresso e distribuído. As emendas e memórias a ele oferecidas, por sua vez, deveriam ser remetidas a uma comissão ad hoc de três membros. Assim que a comissão selecionasse e imprimisse o material recebido, o plano estabelecia que o projeto fosse dado, junto com as emendas, à ordem do dia. A discussão deveria começar pela admissão, ou não, do projeto como um todo e, em caso afirmativo, seguir pela discussão dos artigos emendados (tendo-se os outros como automaticamente aprovados).

Vale ressaltar, por fim, que este parecer vinha assinado pelos deputados José da Costa Carvalho, João Candido de Deus e Silva e José Antonio da Silva Maia e pelos senadores Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e Manoel Caetano de Almeida e Albuquerque. A comissão mista de 1829 compunha-se, contudo, pelos três deputados citados e, conforme votação efetuada aos 26 de maio de 1829 na Câmara alta, pelos senadores Vergueiro, Visconde de Alcântara e Carneiro de Campos. Fato é, portanto, que os dois últimos senadores eleitos, por motivos que desconhecemos, não assinaram o parecer da comissão, tendo sido substituídos na tarefa de composição de um novo código criminal pelo senador Almeida e Albuquerque295.

Curta e interessante, a discussão do parecer (realizada aos 6 de maio de 1830, já nos quadros da segunda legislatura imperial, portanto296), ficou praticamente restrita às falas e proposições de Antonio e Ernesto Ferreira França – pai e filho, baianos, o primeiro eleito por sua província natal e o segundo por Pernambuco.

Foi Ernesto Ferreira França quem abriu a discussão, avaliando como “mui poderoso o parecer da comissão” frente à péssima legislação criminal em vigor no país. Para o deputado, o projeto da comissão mista deveria sim ser adotado pela Câmara, mas, antes de fazê-lo, a legislatura deveria discuti-lo com as emendas apresentadas e, acima de tudo, na forma de uma comissão geral (em que os deputados pudessem falar quando e quantas vezes lhes aprouvesse).

Antonio Ferreira França pronunciou-se em seqüência ao filho e ofereceu ao plenário uma resolução com o seguinte conteúdo: “A assembleia geral resolve: A

295 De acordo com Monica Dantas, o senador Almeida e Albuquerque não era, entretanto,

alheio à discussão do código criminal, tendo sido eleito para substituir Carneiro de Campos na primeira conformação da comissão mista do código criminal, àquela altura composta por 5 deputados e 5 senadores. Monica D. Dantas. Op. cit.; 2011; p. 49, nota 33.

pena de morte está abolida pela constituição. – Paço da Câmara dos deputados, em 6 de maio de 1830.”. De acordo com Antonio Ferreira França, a questão tratada em sua resolução deveria ser priorizada no debate por se referir a um problema constitucional. Ernesto saiu então em defesa do pai, afirmando que a questão da inconstitucionalidade da pena de morte entraria também em suas emendas.

O Presidente da sessão (José da Costa Carvalho, eleito pela província da Bahia), contudo, logo interveio e colocou um ponto final no debate lançado pelos Ferreira França. Para o Presidente, a discussão em curso debruçava-se sobre o código penal e não sobre a pena de morte, devendo-se debater, neste sentido, o parecer da comissão mista e não a inconstitucionalidade de parte dele.

Os registros desta discussão terminam logo em seguida com a apresentação das quatro emendas enviadas à mesa por Ernesto Ferreira França:

1ª. Que entre as emendas também se admittão as substitutivas de todo o projecto. 2ª. Que quando se discutir o projecto e emendas, a camara se converta em commissão geral.

3ª. Que o dia marcado para esta discussão seja declarado 8 dias antes.

4ª. Que desde já se supprima no projecto a pena de morte natural, e com este pressuposto se reforme a escala das penas.297

Enquanto a primeira e a terceira emendas de Ernesto Ferreira França foram aprovadas pela deputação brasileira, a quarta foi postergada, por deliberação da Câmara, para dela se tratar em ocasião competente.

De acordo com suas intervenções na discussão de 6 de maio – e com a segunda e terceira emendas transcritas acima –, conclui-se que Ernesto era favorável ao projeto desenvolvido pela comissão mista de 1829 e que, para sua aprovação, pedia apenas que fossem discutidas com seriedade, e de forma organizada, as emendas enviadas pelos parlamentares. O conteúdo de sua primeira emenda (prevendo a admissão,

Benzer Belgeler