1.3. Hellenistik Çağ Tiyatrosu
1.3.1. Hellenistik Dönem Işığında Theatron’un incelenmesi
Nas palavras de Pinheiro (2009:15), “Dos sertões do Ceará e Pernambuco avista- se, distante de léguas, a serra do Araripe na sua imponente altitude, a separar-se do espaço por uma regular, extensa e nítida linha horizontal”. Na zona cearense ergue-se o Cariri e dentro deste a sua área economicamente mais dinâmica, constituída por Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha (CRAJUBAR), recentemente elevada à condição de segunda região metropolitana do estado e ao cerne de quais trilhas encaminharemos e delimitaremos20 a presente tese.
Atribui-se aos migrantes sergipanos e baianos o processo de ocupação inicial da região pelos colonizadores brancos (NEVES: 2000; PINHEIRO: 2009). Quando estes começaram a chegar, desde o longínquo século XVII, encontraram estas terras habitadas pelos índios cariris. Conforme o médico-historiador cratense, “Foi-lhes fatal, aos nossos avós índios, o trato com o homem civilizado” (PINHEIRO, 2009: 10). Da antiga e resistente nação indígena restaram poucas coisas, dentre elas o nome de batismo da região. Ficaram também mitos que se enfronharam na longa noite do tempo. Uns deles a idéia de que a denominação desse imenso agrupamento nativo significaria “tristonho”, “calado”, “silencioso”. Não temos a intenção de retorquir essa leitura primária, uma vez que diversos autores já o fizeram, inclusive o próprio Irineu Pinheiro. Interessa-nos
20
Não custa prevenir: para não cedermos às tentações de tomarmos um contorno maior do que o acima estabelecido, examinaremos rapidamente situações em um ou outro município (fora do eixo CRAJUBAR) apenas nos casos que ajudem na explicitação dos fenômenos estudados e analisados na área delimitada (Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha). Doutro lado, tomando como referência somente o eixo CRAJUBAR, poderemos incursionar prioritariamente em um dos três municípios nas situações em que um caso possa ajudar a criar uma panorâmica, não apenas sobre uma fração da tríade, mas sobre a área de conjunto. Por último, é válido lembrar que, hoje, o triângulo constitui uma mancha urbanizada de quase meio milhão de habitantes, com forte presença de instituições universitárias (públicas e privadas) e um dos principais pólos calçadistas do país. Em meados de 2009, 9 cidades da região foram alinhadas para formação da Região metropolitana do Cariri, constituída pelos seguintes municípios: Barbalha, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Não pretendemos, contudo, incursionar por essa sua face mais contemporânea, salvo em situações excepcionais que pudessem contribuir para compreensão do estudo cujo recorte histórico encontra-se circunstanciado aos anos que vão de 1964 a 1985.
verificar como os “tristonhos” do presente se conduziram nos anos de chumbo. No passado, os índios cariris resistiram aos invasores em troca da própria existência. Quer dizer, sucumbiram lutando. Hoje, inquieta-nos saber como os “calados” e os “silenciosos” responderam ao golpe de Estado de 1964 e aos anos de sistemática repressão que decorreram desse novo cenário.
Presentemente, referenciamo-nos em inumeráveis estudiosos, apoiando-nos sobre os ombros de incontáveis gerações de pesquisadores, para avançarmos nos estudos acerca do Cariri, dos seus habitantes, das suas lutas, glórias e derrotas. Com freqüência faz-se objeções às conclusões existentes, uma atitude crítica necessária, mas não há de se reclamar da ausência de um cimo de onde partir. No nosso caso, resta-nos debruçar sobre as limitadas fontes primárias que nos permitam um acercamento, através de aproximações sucessivas, da realidade caririense nos “anos de chumbo” (1964- 1985). Resta-nos igualmente o esforço de reler nas entrelinhas de uma história oficial, as histórias que, na ótica dominante, deveriam ser silenciadas ou esquecidas. Reler, por exemplo, nas entrelinhas dos livros que narram trajetórias de representantes da classe dos grandes proprietários locais é um desafio para retirar de uma zona de sombra histórias que estão ainda por serem contadas, fatos que precisam ser reapreciados e personagens que carecem de ser recuperados. Quando isso não seja suficiente, embrenhar-nos em depoimentos será condição sine qua non para preencher lacunas e enfrentar hiatos.
Eis o desafio. O tema central desta Tese é a região do Cariri no marco das repercussões do golpe militar, bem como do regime político dele derivado, delimitando- o aos três municípios já mencionados. Queremos trazer a lume as suas particularidades e as suas personagens, engendrando novas perspectivas de análise para temática do bonapartismo. Em nosso entendimento, isso nos obrigará escrever com acerto sobre a realidade da região nos anos que antecederam e se seguiram ao putsh militarista. Inicialmente, será preciso “lançar uma vista de olhos” sobre a economia e a população, isto é, sobre as bases em que se sustentava a luta de classes no plano regional. Por cautela científica, comecemos por aqui, verifiquemos concretamente o cenário da organização das classes, as mesmas que irromperão à superfície, definindo os pontos de rompimento, as convulsões, do mesmo modo que sugerindo os impulsos e as tarefas. Aqui, e não há mal em repeti-lo, as fontes primárias e as entrelinhas da história oficial hão de nos fornecer um material abundante para que, mais adiante, possamos examinar
o comportamento dos “tristonhos” numa nova quadra da história, para que o problema possa, finalmente, ser esboçado em seu conjunto.
Ateste-se, por fim, que as três cidades que nos servem de observatório surgiram de uma única costela. Da Missão do Miranda surgiu a Vila Real do Crato, que sofrerá vários desmembramentos, dando origem a diversas cidades da região, incluindo o município de Barbalha (meados do século XIX) e Juazeiro do Norte (no início do século XX). Em 1964, os três pedaços da antiga costela se reencontrarão debaixo de um movimento que os unificará a ferro e fogo, deixando-os se arrastar na cauda de acontecimentos cujo marco, sem embargo, foi o golpe de Estado de primeiro de abril. Esse macro fenômeno social estará na raiz dos processos de repressão e resistência verificados nos anos que se seguiram. Processos esses que não podem ser tratados como memórias indizíveis, mas recuperáveis. Essa é a nossa hipótese de partida.