ORTAYA ÇIKIġI VE HAZ DUYGUSU
3. HEDONĠZMĠN EPĠKÜROS’LA BULUġMASI ve FREUD’UN HAZ KAVRAMININ EPĠKÜROS’LA BAĞLANTIS
Nesse item, busca-se analisar como se deu o processo de informação dos beneficiários do PMCMV e o seu envolvimento no mesmo. Assim, foi perguntado aos moradores se eles foram à alguma reunião antes de mudar para os conjuntos, ao que a maioria respondeu positivamente (94,7%). Buscando compreender de onde eram geradas as demandas para essas reuniões, perguntou-se também sobre quem havia convocado essas reuniões: 86,9% atribuíram à assistente social, 6,6% disseram ter sido a representante da Caixa e 5,2% disseram que não saber dizer quem havia convocado a reunião e 1,3% disse ter sido o Secretário da Secretaria de Assistência Social. Esse dado revela que a maioria dos beneficiários estava ciente de quem estava à frente do processo preliminar de contratação, ou seja, tinha conhecimento de que a convocação para as reuniões partia da Secretaria de Assistência Social.
Perguntados sobre o tema da reunião, houve também uma variedade de respostas, nesse caso, a porcentagem não se limitou a cem por cento da amostra, já que cada morador poderia falar sobre todos os assuntos que lembravam. Na Tabela 7, destacam-se os assuntos que foram recorrentes.
TABELA 7 - Temas abordados nas reuniões anteriores à mudança dos moradores para os conjuntos BJC, Floresta, CSF.
1. Direitos e deveres em relação à moradia 94,7% 2. Informações e regras contratuais 44,2% 3. Informações sobre Serviços (SAAE,
CEMIG, lixo, transporte, escola, saúde) 36,4%
4. Não se lembra 23,4%
5. Normas de convivência no condomínio. 19,8% 6. Temas burocráticos relacionados ao
PMCMV 15,6%
7. Não sabe, não foi a reunião 3,9%
Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
O tema que obteve o mais alto percentual nas respostas (94,7%) referiu-se aos direitos e deveres dos beneficiários. Nesse aspecto, os dirigentes das reuniões reforçaram os limites de sua interferência na edificação, ou seja, quais modificações poderiam ser feitas nas casas, e que, caso fosse feita alguma reforma, o beneficiário perderia o seguro da casa, sobre a proibição de animais de estimação e da venda da casa pelo prazo de 10 anos e, finalmente, que a construtora se encarregaria de corrigir os defeitos, gerados em decorrência da construção no prazo de 5 anos.
No item, das “Regras contratuais”, os beneficiários do PMCMV registraram que foi abordado sobre os ônus em caso de inadimplência das prestações e da necessidade de haver pontualidade no pagamento com a penalidade de perda da casa. Também se colocou da impossibilidade de desistência do contrato, após a sua assinatura, e que não poderiam fazer “contrato de gaveta”106
.
Nos temas apontados no item 3, referente aos “Serviços oferecidos”, abordou-se também sobre a disponibilidade dos serviços a serem oferecidos, como, coleta de lixo, transporte e segurança. Sobre esse último, esclareceu-se que haveria um policial responsável em fazer a ronda dos conjuntos para dar segurança aos moradores. Também se abordou nesse momento os serviços aos quais os moradores deveriam recorrer nos bairros mais próximos, a exemplo dos serviços de saúde. Quanto a esse item, pôde-se perceber que os beneficiários sentiram-se enganados, quando se depararam com a realidade de insegurança e de falta de infraestrutura dos conjuntos, como ilustram as seguintes falas:
“Que tinha 30 dias pra mudar, que a Âncora ia fazer acompanhamento. Que ia ter monitoramento de polícia aqui direito, tudo que foi prometido até hoje!” (Moradora
28 BJC)
“Com tudo ali, naquela decida do morro ali, a prefeitura prometeu, prometeu e nada. Passou eleição e nada. Tem calçamento, mas pedra, né?” (Moradora 18, BJC) “Eles falaram, prometeram que ia fazer o asfalto e entregar as casas junto com o
asfalto, não entregou, que ia ter ônibus, não teve, tem ônibus, mas não assim, nuns horários assim, sabe? É de manhã, a tarde e a noite, só! No meio da manhã e no meio da parte da tarde não tem. É só isso que eu não gosto e a segurança também.” (Moradora 63 – CSF)
106 A existência do contrato pressupõe agente capaz, objeto lícito, e a forma prescrita em lei, como requisitos de validade, conforme pressupõe o artigo 104 do Código Civil. A forma, quando não estipulada, é livre, no caso dos contratos imobiliários a forma a escritura pública é essencial para sua validade conforme art. 108 do CC/2002. O contrato de gaveta é semelhante aos demais, mas padece de validade jurídica justamente por não ser realizado através de escritura pública.
Segundo os moradores, a sociabilidade no conjunto também foi um dos assuntos abordados nas reuniões, com orientações para que não fossem criadas inimizades e que pudessem conviver em harmonia, respeitando os limites dos outros.
“Como cuidar da casa, ter boa vizinhança, como se a gente não soubesse de nada.”
(Moradora 30 – BJC)
“Ah! Era sobre o negócio da casa. De que não podia plantar árvore. Se tinha menino
novo não podia jogar fralda descartável no terreiro da casa dos outros. Era sobre matéria de limpeza. Ai, falaram foi de muita coisa.” (Moradora 03 BJC)
Apesar de a maior parte se lembrar e descrever as reuniões, um número considerável de pessoas não se lembrou dos assuntos abordados nas reuniões. Além disso, informações mais burocráticas, a exemplo de comunicação de datas de entrega das chaves, data do sorteio e prazo para mudança ao condomínio também foram temas das reuniões com os beneficiários. Esses foram temas de grande interesse devido à expectativa da casa nova.
“Ah! falaram do dia do sorteio das casas, do dia que provavelmente a casa ia ser
entregue.” (Moradora 23 – BJC)
“Não podia ter nada no nome, que a Caixa ia procurar. A casa não era de graça ia ter
taxas. Ia ter de pagar dependendo do que as pessoas ganhavam. Se era um salário, 50 reais, dois salários cento e poucos.” (Moradora 13 – BJC)
Além de pesquisar os temas desenvolvidos nas reuniões, pesquisou-se também, sobre a possibilidade de participar das reuniões no sentido de fazer direcionamentos, perguntas, dentre outros, bem como buscou-se investigar se o beneficiário tinha consciência de quem estava à frente dessas reuniões e da implementação.
TABELA 8 - Caracterização da participação dos beneficiários do PMCMV nas reuniões do programa e conhecimento dos beneficiários sobre os atores envolvidos no processo.
Você podia se manifestar às reuniões?
Você se manifestou nas
reuniões? Se sim, em que
Termos se constituiu a sua manifestação?
Quem eram as pessoas que estavam presentes às reuniões?
77,6% 22,4% 9,3% 90,7% - dúvidas sobre a casa - dúvidas sobre o conjunto; - dúvidas sobre o programa * Representante da Caixa (91%) * Representante da Secretaria de Assistência Social (83,2%); *Vereadores (39%); * Policiais (15,6%); * representante da construtora (6,5%), *prefeito (5,2%);
* Não sabem/não foram às reuniões (3,9%).
* Não conheciam as pessoas que estavam nas reuniões (2,6%).
Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
Conquanto que já tenha ficado claro, pelos temas que foram tratados nas reuniões, o caráter informativo que elas possuíam isso fica ainda mais perceptível nas respostas dos beneficiários, quando se buscou caracterizar como se deu a participação dos mesmos. Para tanto, perguntou-se sobre o tipo de manifestações que fizeram nas reuniões, bem como o conhecimento que tinham dos atores envolvidos e presentes. Muito embora não fosse proibida a manifestação, a maioria preferiu não fazê-la em decorrência do caráter desses encontros que tinham o objetivo exclusivo de repasse das regras do programa e da contratação.
As poucas questões que o pequeno grupo (9,3%) dos manifestantes fizeram versaram sobre a casa, sobre o conjunto e sobre o programa. Em geral, ainda que pudessem participar, fazer perguntas, a maioria preferiu “escutar”, uma vez que “as reuniões eram um repasse das informações sobre o PMCMV”.
A nomeação que os moradores fizeram dos atores participantes das reuniões pôde nos revelar o conhecimento que eles têm (ou não têm) desses atores em relação ao processo. Nessa nomeação, percebe-se o forte envolvimento da Caixa, da Secretaria de Assistência Social na implementação do programa. No entanto, o caráter político do programa está essencialmente representado pelas presenças do prefeito e dos vereadores.
“O Prefeito e vereador só vi na entrega das chaves, nas reuniões não.” (Moradora 26 – BJC).
“Tinha até um policial. Eles falando que ia passar aqui de vez em quando. E eles
passam? Passam...hum, hum.” (Moradora 2 – BJC)
“Mara, gerente da Caixa, Lidson Lenher, policial da polícia militar. O prefeito foi só
Também há que se registrar o envolvimento, ainda que pouco significativo, dos representantes do setor imobiliário. Nesse sentido, percebe-se que esse segmento raramente se envolveu com os beneficiários na implantação do programa.
Por fim ao tentar classificar esse processo inicial de informação aos beneficiários foi possível perceber que essa fase do programa é mesmo informativa sem ter de fato um poder de decisão e participação do beneficiário. É o momento em que as regras gerais do programa são repassadas e é o momento do beneficiário tirar suas dúvidas. Ainda que fosse possível uma intervenção dos beneficiários essa se deu de forma tímida, caracterizada pela manipulação destes, o que de certa forma é uma particularidade intrínseca deste tipo de ação.